Ida de Bolsonaro a Papudinha gera ataques entres aliados de Michelle, Flávio e Tarcísio
Discurso de ódio contra nordestinos cresceu 821% nas eleições de 2022, aponta estudo da UFSCAR
A pesquisa analisou 282 milhões de postagens nas redes sociais e identificou um aumento discurso de ódio a nordestinos à medida que a disputa presidencial se intensificava
Houve um aumento de 821% no discurso de ódio contra nordestinos nas redes sociais durante o período eleitoral de 2022, de acordo com um estudo desenvolvido por pesquisadores do grupo Interfaces, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
Ao todo, foram analisados 282 milhões de publicações na rede social X (antigo Twitter) publicados entre julho e dezembro de 2022, período que compreende os dois turnos da eleição. A pesquisa apontou que a xenofobia se intensificou à medida que a disputa presidencial se aproximava.
A associação entre a palavra “nordestino” e termos ofensivos se tornou progressivamente mais frequente ao longo dos meses analisados. Em julho, início da coleta, predominavam menções neutras ou geográficas, como “sertão”, “interior” e nomes de estados da região.
Com o avanço do calendário eleitoral, o cenário mudou: em setembro, a palavra “pobre” passou a ter 67% de associação semântica com “nordestino”, ante 57% no mês anterior.
Já em outubro, quando ocorreram os dois turnos da eleição presidencial, surgiram pela primeira vez associações com termos explicitamente ofensivos, como “ingrato” (64%) e “analfabeto” (59%).
No mesmo período, a proporção de postagens que mencionaram o Nordeste triplicou em relação aos meses anteriores, indicando que o debate eleitoral funcionou como catalisador para a propagação de estereótipos e ataques regionais.
Apesar do uso de inteligência artificial (IA), por meio do Processamento de Linguagem Natural (PLN) e do método Word2Vec (mede o grau de proximidade semântica entre palavras a partir do contexto em que aparecem), os pesquisadores não selecionaram previamente as palavras pejorativas – elas apareceram espontaneamente conforme a análise avançava.
“Isso é uma evidência de que os textos coletados sob as condições desta pesquisa contêm sentenças que associam nordestinos e o Nordeste brasileiro às ideias associadas com tais palavras-chave”, afirmam os cientistas.
“O estudo reforça que o preconceito regional não é apenas histórico, mas também contemporâneo, e que compreender esses padrões é essencial para combater o discurso de ódio e fortalecer uma sociedade mais justa e igualitária”, escreveu o perfil da Ufscar ao divulgar a pesquisa.

