Simone Andrade Quadros nos deixou


Por José Bonfim (BRAUM)

Simone e eu no carnaval do social anos 70
Simone e eu (Paulo nunes) no carnaval do social anos 70

Uma pancada no meu coração, recebo a informação através de Pedro Massinha,  que  minha  amiga  querida que há muito  tempo não via. A saudade é o sentimento mais nobre que existe,pois esse, nós só sentimos de quem gostamos e eu amava Simone.José Bonfim, meu grande  amigo que há muito  tempo não vejo,  nos brinda com essa matéria,mexe com nossos corações e  faz nosso peito doer. quem  era mais meiga que Simone,linda,simples  amorosa  e sempre dependente de nossa amizade. Difícil  aceitar esse negócio de  morte. Bonfim,grande jornalista,  capaz de largar o curso de Direito no meio do caminho,quase advogado, para se formar em jornalismo,eu fiz exatamente o contrário,embora não tenha estudado jornalismo,mas sim Direito. Quase que abandonei  o Direito pelo jornalismo.Digo quase porque ainda  advogo, contra a vontade é claro. Foi você Braum quem me apresentou  Simone. Lhe  agradeço demais por essa oportunidade.( Paulo Nunes)

Simone Andrade Quadros – facebook – 03-08-14

 Simone Andrade Quadros – facebook – 03-08-14

Simone foi em vida uma pessoa querida, a família e os amigos bem sabem. Os colegas de escola do Colégio Batista, principalmente, guardam ótimas lembranças. Bomfim, por exemplo, foi colega de Simone na antiga escola comandada pelo saudoso Gesiel Norberto, a partir da quinta série, lhe presta uma homenagem através de um lindo texto, que vocês verão mais à frente.
Simone é filha de um dos principais políticos da história de Conquista, Gilberto Quadros e da querida Ileuza Quadros. Ela deixa o marido Heliton Castelo Branco, o filho João Pedro Castelo Branco, os irmãos Gilberto Quadros Jr., João Carlos e Gilza Quadros.
Bomfim, um dos seus grandes amigos e colega, lhe deixou a seguinte homenagem:

“E a morte perderá o seu domínio. Mas, quando, Dylan Thomas?
Domingo, 7 de agosto, fazia 15 anos da morte de meu pai. Às 7h41, Gilza me telefona e informa que Simone Andrade Quadros partira às 4h da manhã. Encerrava ali vários meses de sofrimento de todos os tipos para Simone, seus familiares, seus amigos e conhecidos.

Simone Andrade Quadros – 20-09-1974

Simone Andrade Quadros – 20-09-1974

Guerreira, lutou bravamente contra uma doença que a ciência não consegue vencer: o câncer (nesse caso, o câncer de cérebro).
Em pleno Século XXI não percebemos nos governos de todos os países prioridade na saúde. O investimento é na doença, e aí se vende mais medicamentos e as soluções definitivas ficam cada vez mais para adiante. As indústrias de medicamentos e de armas são as principais vendedoras do planeta.
Eu e Simone construímos nossa amizade nos anos 70. Fomos colegas de classe no Colégio Batista Conquistense (então dirigido pelo pastor Jesiel Norberto da Silva) de uma Vitória da Conquista que jamais sairá de nossa memória.

Colégio Batista Conquistense antes. Hoje, um prédio mal cuidado

Colégio Batista Conquistense antes. Hoje, um prédio mal cuidado

 

“Baba” na quadra do Batista, em agosto de 1974

“Baba” na quadra do Batista, em agosto de 1974

 

Banda do Colégio Batista Conquistense – Desfile do 7 de setembro de 1974 – Rua João Pessoa

Banda do Colégio Batista Conquistense – Desfile do 7 de setembro de 1974 – Rua João Pessoa

Em 75, viemos para Salvador, fizemos o 3º ano científico no Águia, cursinho pré-vestibular e colégio, localizado na Praça da Piedade.
No início dos 80, ela na engenharia, eu em jornalismo, tomamos caminhos diferentes. O reencontro foi no início de 2000 e vimos que a amizade não mudara. Ela me alugou um apartamento e, com a nova tecnologia, passamos a nos falar mais por e-mail, redes sociais e os telefonemas nas datas de aniversário.
Acompanhei seu empenho para publicar o livro “Porta Aberta ao Juízo – Uma visão do mundo em pensamentos, sátiras e trovas” de autoria do seu pai, Gilberto Quadros de Andrade, pensador, escritor, poeta, empresário e político.
Nós nos orgulhávamos da longa amizade, da torcida de um para o outro, da solidariedade. Simone nunca falou mal de quem quer que seja, tinha sempre o ideal conciliador.
Quando nos reencontramos ela era sócia de um sólido escritório de engenharia. Graduou-se, também em fonoaudiologia e há três anos era sócia proprietária de uma franquia das Óticas Carol. Eu soube por Ana Ribeiro, cineasta que atua na TV Câmara e foi sua professora na Faculdade de Fonoaudiologia, que o intuito de Simone na condição de fonoaudióloga era fazer uma clínica dedicada a pacientes com deficiência auditiva.
Voltando ao fatídico 7 de agosto de 2016. Eu olhava várias vezes a placa da capela E do Jardim da Saudade (bairro de Brotas) e mesmo assim não me convencia do acontecimento. O nome grafado era o de Simone Andrade Quadros. E o corpo no caixão era o dela. Mas isto era inaceitável, para minha mente e meu coração. Simplesmente eu não conseguia admitir.
Não posso admitir que as aulas no, hoje, extinto Colégio Batista ficaram lá atrás, ecoando nos anos 70. E que a turma (Simone, Gleide, Alba, Fádua, Silene, Bomfim, Luiz Carlos, Mário Sérgio, Deli, Flávio, Antônio Henrique, Paulo Ludovico, Ronaldo Tico-Tico, Fernando Zoião e outros) que descia a Alameda Ramiro Santos, brincando, cantandoSkyline Pigeon, feliz não existe mais.

Da esquerda para a direita, Gleide e Fádua (em pé); Silene e Simone – agosto de 1974

Da esquerda para a direita, Gleide e Fádua (em pé); Silene e Simone – agosto de 1974

Admitir o fim é esquecer as festinhas puras que fazíamos naqueles tempos de colégio. Como a festa em 21 de fevereiro de 1976, na qual Paulo Nunes (hoje reconhecido jornalista e advogado em Conquista) se esmerou na condição de DJ, repetindo o sucesso da hora “Torneró”.

Paulo Nunes e Bomfim – dia de festa – 21-02-1976

Paulo Nunes e Bomfim – dia de festa – 21-02-1976

 

Lili varre a casa (Rua dos Prates, nº 66) para a festa – 21-02-1976

Lili varre a casa (Rua dos Prates, nº 66) para a festa – 21-02-1976

E as lembranças confundiam-se com a crua realidade.
No salão da capela, falei com Ileuza, a mãe-coragem de Simone; Gilza, a irmã; Gilbertinho e João Carlos, os irmãos que eu vira crianças na velha Conquista; falei com Heliton, o marido que ela tanto elogiava; o filho João Pedro, maior orgulho da mãe. Revi colegas da época de colégio, conterrâneas (Déa, Alba Lilian, Lia, entre outras) que não via há muitos anos, nos unimos no choro, nas lágrimas, na dor. Sabíamos todos que ali, naquele momento, estava o sofrido corpo já sem as dores que o machucaram durante meses. E nos consolávamos com o entendimento que o espírito estava livre para tomar o caminho de outras dimensões.
Então, deixava o salão para tentar espairecer e voltava a ver a placa na entrada da capela E. De novo, a sensação confusa de mistura do passado e presente. O que é realidade? O que é vida? O que é tempo? O que é morte? A confusão mental aumentava com a busca acirrada das permanentes dúvidas da humanidade: De onde viemos? Quem somos? Por que vivemos? Para onde vamos?

José Bonfim Alves de Oliveira