Federais: em defesa da campanha “Conquista + 1 Federal”


Decidimos incentivar, via redes sociais, uma campanha para conscientizar a população de Vitória da Conquista a votar em

Luís Fernandes é jornalista e historiador
Luís Fernandes é jornalista e historiador
candidatos da cidade para garantir maior representatividade a Conquista e região nas áreas estadual e federal. Defendemos ainda a ideia de que não basta simplesmente votar no candidato da terra, se ele não estiver em condições de bem representar a cidade. Temos muitos nomes, escolha aquele que realmente pode fazer algo por nossa cidade, que represente o povo e não seja um deputado que se curva ao Executivo. Tem que ser + 1 (mote da campanha) que represente os interesses do povo. Não qualquer um. O objetivo é se proteger dos candidatos de outras regiões que vêm a Conquista em busca de votos e nunca mais aparecem, lembrando que a cidade tem muitas demandas que exigem representatividade na Assembleia e no Congresso. A discussão não visa indicar este ou aquele candidato, ficando para cada um a responsabilidade da escolha daquele cujo programa melhor se adequar à proposta de regionalização de seu mandato. O objetivo é despertar a consciência das pessoas para que votem em políticos da cidade, já que, ao contrário dos paraquedistas, eles estarão ao alcance dos cidadãos conquistenses para serem cobrados e que debatem as suas propostas constantemente com a população local.

O que acontece, ao olhar para o tabuleiro eleitoral baiano, é que muitos vereadores, por exemplo, ignoram suas cores partidárias (e até de sua cidade) para barganhar apoio nas eleições gerais, para também garantir suporte financeiro. A troca de favores no Legislativo compromete parlamentares da Câmara Municipal, transformando o processo eleitoral num balcão de negócios. A fatura é apresentada aos candidatos a deputado “de fora”, que bancam, muitas vezes, campanhas de vereadores, e estes são obrigados a carregar aqueles e apresentá-los à comunidade de seu reduto eleitoral em épocas de eleições gerais. Uma vez fechado o acordo, os vereadores se transformam em cabos eleitorais de luxo. E quem perde com isso? A cidade, que elege deputados Copa do Mundo (que só aparecem de quatro em quatro anos apenas para buscar os votos).
A Campanha “Conquista, + 1 Federal” é um movimento que busca o resgate da representatividade parlamentar de toda a região de Vitória da Conquista, para conscientizar os eleitores do Centro-Sul da Bahia para que não votem em candidatos a deputados de outras regiões do Estado.

É para mostrar ao eleitor que é importante votar em candidatos da própria região. Vitória da Conquista tem capacidade para eleger pelo menos três Deputados Estaduais e dois Federais. É importante votar em candidato da cidade porque, após as eleições, cada um tende a buscar recursos para a sua matriz regional. Por exemplo, um candidato eleito de Salvador, que conseguiu votos por aqui, destinará apenas pouquíssimas emendas para a região (e olhe lá!); a fatia maior vai para a área dele. O de Ilhéus, a mesma coisa. Já está provado isso. Têm candidatos de fora, os chamados “paraquedistas”, que nunca vieram para a região e só aparecem nesta época. Nunca trouxeram sequer uma cabeça de alfinete para a cidade. Por que, então, votar neles? E por que deixar de votar nos candidatos daqui, permitindo que os de lá ganhem?

São inúmeros os benefícios de se eleger candidatos locais, uma vez que os deputados servem, por exemplo, como ponte para reivindicações junto ao governo federal e estadual no tocante a trazer verbas e melhorias para a cidade e região, além de debater com a comunidade local as questões mais importantes e necessárias, nos quais eles conhecem bem. Vitória da Conquista já chegou a ter, simultaneamente, quatro Deputados Estaduais e dois Federais, além de ter histórico de sempre ter mais de um deputado, tanto na Assembleia Legislativa quanto na Câmara Federal, isso com um contingente eleitoral muito menor que o atual. Nos últimos anos isso vem diminuindo. Esse retrocesso refletiu negativamente no montante dos investimentos governamentais para a cidade e região, quando comparado a outras localidades do Estado.

Então, vamos aos candidatos que querem votos de nossa cidade e os que realmente os merecem, a começar por Afonso Florence, candidato pelo PT (Partido dos Trabalhadores), que tem o apoio, em Conquista, do vereador petista Ademir Abreu. Florence não tem relacionamento histórico com a cidade de Conquista.
Alice Portugal é candidata pelo PCdoB (Partido Comunista do Brasil). Tem trabalho prestado na região (e mais especificamente em Vitória da Conquista), com emendas aprovadas e indicações na Câmara Federal que beneficiaram a cidade, além de ter relacionamento com Conquista há mais de 20 anos. Conta, nesta cidade, com o apoio do Deputado Estadual Jean Fabrício Falcão, também do PCdoB, e de três dos cinco vereadores do grupo independente: Andresson Ribeiro, Nelson de Vivi e Joaquim Libarino.
Antônio Brito é candidato pelo PTB (Partido Trabalhista Brasileiro). Em Conquista conta com o apoio da Vereadora Irma Lemos, que é do seu partido. Seu histórico com Vitória da Conquista, no entanto, é recente.Arthur Maia é candidato pelo SDD (Solidariedade). Em Conquista conta com o apoio do candidato a Deputado Estadual Cláudio Ortiz e do Vereador Hermínio Oliveira (um dos edis do grupo independente da Câmara), que é do partido Solidariedade, o mesmo do neosolidário Arthur Maia. Este só aparece em Conquista de quatro em quatro anos.

Bebeto Galvão é candidato pelo PSB (Partido Socialista Brasileiro). Natural de Ilhéus, conta, em Vitória da Conquista, com o apoio do ex-Vereador Néo do Gás, também do PSB. Pergunto: Caso eleito, na Câmara Federal, se o deputado Bebeto tiver que escolher entre sua cidade natal ou Vitória da Conquista, para aprovar algum projeto, ele vai optar por qual delas? Obviamente que será Ilhéus. Então, por que o conquistense deve votar nele? David Salomão dos Santos Lima é candidato pelo PTC (Partido Trabalhista Cristão). Criou um samba do crioulo doido na eleição de 2012. Crítico contundente do atual Governador Jaques Wagner, Salomão aposta na eleição do ex-Governador Paulo Souto, da Coligação “Unidos pela Bahia”, para o Governo do Estado. Nas ruas de Vitória da Conquista utiliza toneis reciclados como instrumento publicitário. Coisas do Salomão, que gosta de chamar a atenção.

Edigar Mão Branca é candidato pelo PV (Partido Verde). Melhorou muito de 2012 para cá, como político. Mas não conseguiu nem mesmo ter o apoio dos dois vereadores verdes de Conquista: Cícero Custódio (ou “Cícero da Hospec”) e Juvêncio Amaral (o “Juvêncio da Saúde”). Também é um causador de polêmica, como a do chapéu de couro que utilizava para circular na Câmara quando foi Deputado Federal em 2010, além de ter elaborado o discutido projeto de lei que criava o “Dia do Sexo”. Nestas eleições, a escolha do PV de apoiar a chapa majoritária encabeçada pelo democrata Paulo Souto não foi unânime. Longe disso, os verdes divergiram muito internamente em relação a esse apoio, chegando ao ponto de militantes dizerem que vão votar nulo por conta disto. Em Vitória da Conquista, por exemplo, onde a base é ligada diretamente ao PT, tem verde afirmando que não dá para apoiar Souto. “Eu voto nulo, porque não dá para apoiar Paulo Souto. Ou se apoia Rui ou, no máximo, Lídice; Paulo Souto não tem a menor condição”, afirmou Paulo Mascena, um dos cardeais do PV conquistense. O ex-deputado federal pelo PV Edigar Mão Branca vai com Paulo Souto. Por tudo isto (e mais algumas) é que Mão Branca disputa com David Salomão o título de mais polêmico e inusitado dos candidatos nestas eleições!

Emiliano José é candidato pelo PT (Partido dos Trabalhadores). Vive na suplência, mas o ex-Governador Waldir Pires o admira. Em Conquista tem o apoio do Vereador Florisvaldo Bittencourt e de Noeci Salgado. Aliás, de Florisvaldo não se pode garantir mais nada, pois até pouco tempo apoiava José Raimundo a Estadual e só recentemente mudou para o Professor Cori, então possa ser também que mude de Emiliano José para Jorge Solla. O certo mesmo é que Emiliano só tira votos dos nossos candidatos da terra.
Engedi Oliveira é candidato pelo PEN (Partido Ecológico Nacional). É mais um do grupo independente que estreia.

Frederico Ferraz é candidato pelo PPS (Partido Popular Socialista). Inteligente, tem retórica regular e oratória idem. No entanto, já começou mal, se expressando publicamente com ar, muitas vezes, de arrogância, dizendo, num programa de rádio local, que “vocês vão querer me assistir, quando eu estiver no Plenário falando” ou “eu podia falar numa linguagem mais rebuscada” ou a pior de todas: “Paulo Nunes, manda enfileirar os caras lá de Guilherme e venha concorrer comigo num debate”. Precisa calçar as sandálias da humildade e baixar um pouco mais a bola, que não é lá essa coisa toda. Ser humilde não é ser menos que alguém; é saber que não somos mais que ninguém. Com uma postura um tanto prepotente, oposta à de Marina (no qual se pretende o dono dela na cidade), que sabe muito e não arrota arrogância por aí, ele deveria se espelhar na presidenciável, a qual ele é apoiador em Vitória da Conquista.
Jorge Solla é candidato pelo PT (Partido dos Trabalhadores). Tem o apoio do Vereador e candidato a Deputado Estadual Professor Cori. Já foi Secretário de Saúde de Conquista na primeira gestão do prefeito Guilherme Menezes. Portanto, tem serviço prestado em nossa cidade. Conta ainda com o apoio do Vereador Ricardo Babão.
Lúcio Vieira Lima é candidato pelo PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro). Outro que vem buscar votos em Conquista. Nesta cidade, conta com o apoio do candidato a Deputado Estadual Hérzem Gusmão, que é do seu partido. Só faz criticar Vitória da Conquista. É daqueles que “quanto pior melhor”.
Marcelo Melo é candidato pelo DEM (Democratas). É filho de político: seu pai, Valmir Santos Silva, já foi vereador nesta cidade. De família política, ele próprio foi assessor de ACM Neto, atual prefeito de Salvador.

Nadjara Regis é candidata pelo PSB (Partido Socialista Brasileiro). Foi secretária da Transparência e chefe da Procuradoria Jurídica na Prefeitura de Conquista na gestão do prefeito Guilherme Menezes. Teve a coragem de sair do PT e a decência de dizer que não foi por desentendimento com ninguém. Saiu de lá sem explicar diretamente o motivo, mas escreveu vários artigos e concedeu diversas entrevistas na mídia que deixam indicações de possíveis discordâncias. Foi ela quem bateu de frente com as inaugurações de obras, sugerindo as Rodas de Conversa, a exemplo de uma feita no povoado de Bate-Pé, com a presença de mais de 400 pessoas. Critica parlamentares que são apenas porta-voz dos Governos e extensão do Executivo, ao invés de serem representantes da população. Espera que o muro de contenção, que não permite que surja uma nova geração na política, seja derrubado. Tem o apoio dos vereadores do PSB de Conquista, Gilzete Moreira e Adnilson Pereira. Precisava de uma maior articulação. No entanto, teve sua campanha prejudicada pelo fato de ter começado em cima da hora, por conta da postura do Vice-Prefeito Joás Meira, que atrasou a campanha da correligionária devido à sua indecisão. Nadjara se destaca por ser talvez a única, aqui na região, que defende abertamente suas ideias e que tem apresentado propostas. Tem um conteúdo que lembra a vanguarda do pensamento e que não assina o Pacto da Mediocridade.

Nayana Gusmão Mota da Silva é candidata pelo PTdoB (Partido Trabalhista do Brasil). Inteligente, formada em Direito e Letras, mas ainda meio que “nas nuvens”, um pouco sonhática. Tem uma vantagem: Conta com o apoio dos professores da Uesb Itamar Aguiar e Tadeu Botelho, duas figuras expressivas da comunidade conquistense. Possui um discurso alinhado com o pensamento de esquerda, mas hospeda-se num partido de feições de direita, tendo que ser, de certa forma, incoerente ao dizer que não é o seu ideal ter que apoiar o candidato Paulo Souto, cujo partido em que ela é candidata o apoia na chapa majoritária, obrigando-a dizer que apoia Souto porque precisa estar no partido, pois se pudesse seria candidata independente. Esta questão de candidato independente já foi historicamente superada. Filha de Djalma Gusmão, ex-Prefeito de Cordeiros, Nayana precisa se livrar desta incoerência, uma vez que, ao dizer que o mandato de Paulo Souto (quando Governador do Estado) foi um mandato técnico não combina com seu discurso do novo. Fala de partidos engessados mas se engessa num partido que apoia políticos de direita, sendo seu discurso completamente o inverso. Por isso que o jornalista Paulo Nunes disse, numa sabatinada com os deputados em uma rádio local, que ela parece “uma estranha no ninho” ou “a escrava Isaura do seu partido”.

Valmir Assunção é candidato pelo PT (Partido dos Trabalhadores). Tem o apoio, em Conquista, do Vereador Júlio Honorato e do MST. É outro que só tira votos de Conquista.
Waldenor Pereira é candidato pelo PT (Partido dos Trabalhadores). Tem o apoio do Presidente da Câmara de Vereadores de Conquista, Fernando Jacaré, além de fazer dobradinha com o ex-Prefeito de Conquista e atual Deputado Estadual José Raimundo. No entanto, é preciso desvencilhar-se do estigma que lhe fora imposto de deputado ausente, junto com seu parceiro Zé Raimundo na esfera estadual, em termos de obras e serviços para Vitória da Conquista que ficaram amarradas nas promessas e se arrastando nas conversas por anos, como aeroporto, curso de Medicina, entre outros, sendo, inclusive, tachados de “Cosme e Damião” (duas estatuetas que ficam ali juntinhas e estagnadas).

O Partido Republicano Brasileiro (PRB), partido ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, atualmente possui como principal liderança em Vitória da Conquista o Vereador Sidney Oliveira. O parlamentar tem corrido trecho na cidade em busca de apoios para os candidatos a Deputado Estadual, Sidelvan Nóbrega (PRB), que tenta a reeleição, e para a candidata a Deputada Federal Tia Eron, também do PRB e que atualmente defende mandato de vereadora na capital baiana. É compromisso com a Igreja dele, mas não com a cidade de Vitória da Conquista.