Entre a ambição e o vazio: a eleição presidencial sendo jogada no colo de Lula!
Por Joilson Bergher
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O cenário político brasileiro recente evidencia um paradoxo cada vez mais explícito: enquanto a extrema-direita não dispõe de um nome eleitoralmente viável para disputar a Presidência da República, os movimentos partidários se intensificam como se a simples ocupação do tabuleiro resolvesse a ausência de capilaridade nacional.
A prisão da principal liderança desse campo não apenas desorganizou sua base, como expôs a fragilidade estrutural de um projeto político fundado mais no ódio e na guerra cultural do que em programa, alianças e enraizamento social. Sem o “mito”, seus herdeiros políticos revelam limites claros:
Tarcísio depende da sombra do padrinho; o filho do ex-presidente carrega rejeição ainda maior; Caiado permanece regional; Zema não rompe a bolha mineira; e outros nomes sequer ultrapassam o noticiário local.
Em eleições presidenciais, vontade não basta — é preciso alcance nacional, algo que, neste campo, simplesmente não existe. Nesse vácuo, os chamados arranjos ganham protagonismo. Não porque apontem um projeto alternativo consistente, mas porque os partidos precisam “ter um nome”, ainda que sem lastro eleitoral real. É nesse contexto que se insere a tentativa de reposicionar figuras como Ronaldo Caiado no PSD ou de inflar a retórica de uma “terceira via” que, na prática, nunca se consolidou como polo autônomo.
O que se observa é mais ambição individual do que construção coletiva; mais marketing do que política. A soberba de quem acredita que o cansaço da polarização, por si só, gera uma alternativa viável ignora um dado elementar: eleições se vencem com base social, alianças amplas e narrativa nacional — e não com frases genéricas sobre “novo Brasil”.
Paralelamente, o governo Lula opera no sentido inverso. Enquanto a extrema-direita fragmentada disputa espaços imaginários, o Executivo consolida sua base real, inclusive dialogando com partidos que flertam com o discurso da autonomia, mas orbitam pragmaticamente o governo. Esse movimento revela maturidade política: Lula compreende que governabilidade se constrói com fatos, não com bravatas. A adesão ou aproximação de setores do PSD, do União Brasil e de outras siglas demonstra que, mesmo sem unanimidade ideológica, há reconhecimento de onde está o centro de gravidade do poder político nacional neste momento.
O caso de Rodrigo Pacheco, por exemplo, ilustra bem esse rearranjo silencioso. Em Minas Gerais — estado frequentemente mitificado como “decisivo” para o país — o PT reconhece seus limites eleitorais e passa a considerar soluções políticas que não passem pela filiação direta ao partido, mas também não se alinhem à extrema-direita. O União Brasil surge, nesse contexto, como espaço possível, sobretudo por suas relações institucionais com o governo federal e por figuras como Davi Alcolumbre, que operam interesses cruzados no plano nacional.
Ainda assim, é preciso relativizar o mito mineiro: a eleição brasileira não “passa” por um único estado. A vitória de Lula em 2022 demonstrou que o Nordeste — com a Bahia exercendo papel central — foi decisivo. Cada leitura regional reflete, em grande medida, mais o desejo de centralidade política do que a realidade eleitoral.
Conclusão.
Diante do exposto, conclui-se que o atual cenário político brasileiro aponta para um desfecho paradoxal: enquanto a direita e a extrema-direita insistem em movimentos desarticulados, personalistas e regionalizados, o campo governista avança na consolidação de sua base nacional. A ausência de um candidato com capilaridade, baixa rejeição e projeto consistente acaba, objetivamente, por lançar a disputa presidencial no colo de Luiz Inácio Lula da Silva, que se encaminha para sua quarta eleição em um contexto de fragmentação adversária. Assim, mais do que força própria, o que sustenta essa possibilidade é a incapacidade dos opositores de “botar o pé no chão” e compreender que política nacional exige menos soberba e mais realidade.
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Joilson Bergher/Rede M-Coeso!

