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O crescimento econômico e educacional do Nordeste frente ao preconceito
Acabar com o preconceito exige olhar para a realidade. E a realidade do Nordeste está muito distante da imagem de atraso que alguns insistem em divulgar.
O Nordeste brasileiro vive transformações econômicas, sociais e educacionais que merecem ser conhecidas e debatidas. Sergipe, por exemplo, está diante de perspectivas de investimentos anunciados da ordem de R$ 150 bilhões, com potencial de gerar cerca de 200 mil empregos, conforme os números citados. São projetos que, se concretizados nos termos previstos, poderão ampliar a atividade econômica, criar oportunidades de trabalho e modificar a vida de milhares de famílias.
Na educação, os resultados também merecem atenção. O Ceará tem se destacado nacionalmente pelos indicadores de aprendizagem e pela presença de suas escolas entre as referências da educação pública brasileira. Piauí e Maranhão também apresentam experiências e resultados que precisam ser analisados com seriedade. O desempenho educacional não surge por acaso: depende de políticas públicas, planejamento, formação de professores, acompanhamento dos estudantes e investimentos continuados.
Diante disso, cabe uma pergunta: em que realidade se apoiam aqueles que continuam tratando o Nordeste como sinônimo de atraso? Como sustentar esse preconceito diante de experiências concretas de desenvolvimento, de jovens que conquistam oportunidades por meio da educação e de estados que buscam atrair investimentos e ampliar sua capacidade produtiva?
O problema não está em criticar governos nordestinos, apontar dificuldades ou cobrar melhores resultados. Isso faz parte da democracia. O problema começa quando a crítica deixa de examinar fatos e se transforma em generalização contra uma região inteira e sua população. O Nordeste tem desafios históricos, como a desigualdade social, a concentração de renda e as dificuldades de infraestrutura. Mas reconhecer esses problemas é muito diferente de reduzir milhões de brasileiros a um estereótipo.
Quando o comentarista Rodrigo Constantino, por exemplo, emprega a palavra “câncer” para se referir ao Nordeste, a discussão ultrapassa a divergência política e entra no terreno da desqualificação regional. Uma região não pode ser julgada por caricaturas, muito menos sua população ser responsabilizada por estigmas que ignoram sua história, seu trabalho e suas contribuições para o Brasil.
O Nordeste não precisa ser idealizado para ter sua dignidade reconhecida. Precisa ser observado com os mesmos critérios aplicados às demais regiões do país: dados, resultados, dificuldades e potencialidades. Seus trabalhadores constroem, produzem e empreendem; seus estudantes disputam oportunidades; suas universidades formam profissionais e pesquisadores; e suas empresas participam da economia nacional.
O preconceito perde força quando os fatos ganham espaço.
E o desenvolvimento econômico e educacional nordestino coloca uma questão incontornável diante de quem insiste em reproduzir velhos estereótipos: se há investimentos, empregos em perspectiva, experiências educacionais relevantes e uma população que luta por melhores condições de vida, por que continuar enxergando o Nordeste apenas pela lente do desprezo?
O Brasil é maior do que seus preconceitos. E compreender o Nordeste como parte essencial do desenvolvimento nacional não é favor, concessão política ou gesto de generosidade. É reconhecer uma realidade que merece ser examinada com seriedade, respeito e compromisso com a verdade.