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Reviravolta: Juscelino Kubitschek, o ex-presidente JK, foi assassinado pela Ditadura, diz nova apuração de comissão
Novo relatório que será votado na Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos revela reviravolta no caso e mostra que JK, que liderava a oposição, foi assassinado pela Ditadura Militar.
Um novo relatório, que será votado pela a Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), aponta que o ex-presidente Juscelino Kubitschek, o JK, morto em acidente de carro em 22 de agosto de 1976 na via Dutra, na verdade foi assassinado pela Ditadura Militar. As informações foram divulgadas pelo jornalista Fabio Victor nesta sexta-feira (8) na Folha de S.Paulo.
Relatora do caso no CEMDP, a historiadora Maria Cecília Adão produziu o novo laudo com informações novas de um inquérito do Ministério Público Federal entre 2013 e 2019, mas que só foi divulgado em 2021.
A investigação contesta o principal argumento para um acidente: de que o Opala onde JK estava foi atingido por ônibus da viação Cometa ao tentar ultrapassá-lo, atravessou o canteiro central e invadiu a pista oposta, batendo de frente com um caminhão que vinha em sentido oposto – como mostra a simulação feita pelo jornal.
Segundo a apuração do MPF, não há provas que houve choque com o ônibus e levanta a hipótese de atentado uma “vez que não há elementos materiais suficientes para apontar a causa do acidente ou que expliquem a perda do controle do automóvel”, que era dirigido por Geraldo Ribeiro, motorista e amigo de JK.
O procurador da República Paulo Sérgio Ferreira Filho escreveu que “houve falhas severas nas investigações realizadas pelo Estado brasileiro”.
Ao reavaliar uma perícia feita pela Ditadura a pedido do MPF, o engenheiro Sergio Ejzenberg, especialista em transportes, confirmou que não houve colisão com ônibus e que as conclusões anteriores “se apoiaram em laudos imprestáveis do ICCE, sendo, portanto, conclusões equivocadas”.
As investigações conduzidas pela Ditadura, sem laudo mecânico no veículo ou de possível envenenamento do motorista, concluíram rapidamente que teria sido um acidente.
Outras apurações no período da redemocratização, como as das Comissões Estaduais da Verdade de São Paulo e de Minas Gerais, afirmam que JK foi alvo de atentado político e que não existiu nenhuma colisão com o ônibus.
Com o mandato de senador cassado em 1961, JK era um dos líderes da Frente Ampla, que fazia oposição à Ditadura, e era alvo da operação Condor, realizada em parceria com os EUA, para perseguir opositores do regime.
Segundo a reportagem, o chefe da polícia secreta chilena e cabeça da Condor, Manuel Contreras, chegou a enviar carta a João Figueiredo, então chefe do SNI e futuro presidente, afirmando que JK foi citado como ameaça à estabilidade dos governos da região.
Autora do novo relatório, a historiadora Maria Cecília Adão disse que não vai se pronunciar até a votação pela Comissão.
