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Ainda sobre quiosques fechados no Cristo da Serra do Piripiri
Quanto a questão dos quiosques fechados no Cristo da Serra do Periperi, por mim abordada nesta semana, em áudio o professor Durval Menezes disse ser muito simples e objetiva a resposta. De acordo com ele, tudo está na falta de segurança para que haja abertura de qualquer comércio no local, no que concordo plenamente com o mestre memorialista.
Há mais de 40 anos que o monumento do artista plástico Mário Cravo foi cravado no alto da Serra, pouca coisa mudou de lá para cá, e o conquistense ainda tem medo de visitar o Cristo e ser assaltado. Se quer uma prova do que digo é só perguntar a qualquer um.
Como comentei, cada prefeito colocou um tijolo e hoje temos um mirante, mas o cenário permanece de abandono e isolamento. Sempre que levo alguém com a máquina fotográfica e outros objetos, logo na subida ouço uma advertência: Vamos ter muito cuidado e não demorar muito!
Durval afirmou que ninguém se arrisca explorar o comércio de comes e bebes no alto do Cristo porque toda mercadoria será saqueada e o proprietário ainda corre o risco de ser morto. “Apesar do alto da Serra estar sob a proteção do Cristo, talvez seja a área mais perigosa de Vitória da Conquista”.
Há muitos anos, conforme Menezes, que o banditismo ocupa aquela área, fazendo do Poço Escuro seu quartel general. “Por muito tempo o banditismo decretou quem deveria entrar ou sair do Alto do Cruzeiro. Os Correios deixaram de entregar encomendas, bem como as empresas de gás”.

Em sua opinião, o alto da Serra poderia ser o maior ponto turístico de Conquista, um cartão postal para as pessoas tirarem fotografias e apreciarem a cidade lá do alto. “Os quiosques seriam mais uma atração, desde que houvesse uma fiscalização segura para não se tornarem pontos de vendas de drogas”.
Eu vou mais além, meu amigo professor, e defendo que toda aquela área em torno do Cristo seja ampliada e urbanizada, com iluminação, maior espaço para estacionamento de veículos, um posto policial permanente, bem como implantação de um restaurante que pudesse funcionar até durante à noite. Todos ganhariam com isso e, sem dúvidas, o Cristo seria a maior atração turística.
Estive visitando o local no último final de semana e observei o vazio de pessoas, sem considerar a expressão de receio em seus rostos apressados para deixar a área. Quem chega ali é logo recepcionado pelo latido ensurdecedor da cachorrada que ocupa a frente dos quiosques. O visitante pode até ser atacado por um cão de rua.
EVENTOS DA POLÍCIA
Em épocas de verão, a corporação da polícia militar, como está previsto para este final de semana (sábado e domingo) realiza eventos de shows musicais e outras atividades culturais, oferecendo todo suporte de segurança, embora o espaço para estacionamento é exíguo. Da última vez que fui, tive que parar o carro perto do Anel Viário, dentro dos matos e pagar uma taxa ao “guardador”.
A iniciativa é louvável, mas tudo não passa de uma enganação porque depois, durante o resto do ano, a situação de abandono continua a mesma, sendo um ponto perigoso para visitas. Quem se atreve ir ali à noite, no máximo acompanhado num pôr-do-sol?
Como não existe muita opção nesta “Suíça Baiana” (ridícula a denominação) todos vão subir contentes a pés, de bicicleta, de moto, correndo, de carro próprio e festejar as atrações, mas ninguém tem a sã consciência de reivindicar e cobrar melhorias para a área. Tudo continua como dantes na casa de Abrantes.

Comandante Paulo, o que queremos é um posto policial permanente e que o poder executivo, em parceria com o setor privado, invista na urbanização do espaço, de modo a oferecer condições para que haja eventos todos os finais de semana e não somente em edições esporádicas.
Sei que um empreendimento dessa natureza não é da alçada da polícia militar, mas da Prefeitura Municipal que nunca teve esta visão de transformar o alto do Cristo do escultor Mário Cravo no maior ponto de visitação dos moradores e de pessoas que chegam de fora.
Com um projeto desse porte, ganhariam os artistas da cidade com suas apresentações culturais, os comerciantes, o próprio executivo com a arrecadação de impostos e todos os conquistenses em geral, inclusive aproveitando o nosso período invernoso, que não é uma “Suíça Baiana”, mas é friento.

