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Efeito Lula: indústria brasileira cresce, em 2024, o dobro da média mundial

29/01/2025 3 min read

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 Efeito Lula: indústria brasileira cresce, em 2024, o dobro da média mundial

A indústria brasileira de transformação registrou crescimento de 4,6% no terceiro trimestre de 2024, revertendo a queda de 1,0% observada no mesmo período de 2023, segundo dados da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido). O desempenho foi superior à média mundial, que avançou 2,3% no período, com desaceleração nos países desenvolvidos e na China.

O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) atribui o avanço ao ciclo de juros baixos e melhores condições de crédito em 2024, além do dinamismo da demanda interna, impulsionada por programas sociais, redução da inflação e melhora no mercado de trabalho. Porém, especialistas alertam que a retomada pode perder força com o novo ciclo de alta de juros anunciado pelo Banco Central.

Em dezembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa Selic para 12,25% ao ano e indicou novos aumentos em janeiro e março de 2025, podendo atingir 14,25%, patamar semelhante ao ápice da crise econômica de 2015-2016. Para o economista do Iedi, Rafael Cagnin, o aperto monetário pode prejudicar a expansão industrial.

“Não acredito que vá reverter o crescimento, mas com certeza prejudicará. Pela primeira vez em uma década, a indústria total cresce com vigor sem retração no ano anterior”, afirmou Cagnin em entrevista à Folha de S.Paulo. Ele também alerta que a pressão por custos maiores e a maior concorrência externa podem reduzir o diferencial de crescimento da indústria brasileira em relação ao restante do mundo.

Internacionalmente, a desaceleração da indústria na China e na Europa, além da política protecionista de Donald Trump, são desafios adicionais. O aumento de tarifas sobre produtos chineses pode intensificar a concorrência no mercado interno brasileiro e em outros destinos de exportação.

Adicionalmente, o abandono dos EUA de compromissos climáticos internacionais, como o Acordo de Paris, pode prejudicar o Brasil ao diminuir os esforços globais pela transição energética, avaliou Cagnin.

Apesar dos riscos, há fatores que podem mitigar os impactos econômicos no curto prazo. Entre eles estão os programas do BNDES que incentivam inovação, digitalização e sustentabilidade, além do programa de depreciação superacelerada, que estimula investimentos.

A desvalorização do real frente ao dólar também favorece a produção nacional, embora ainda haja desafios com a importação de insumos e bens de consumo.

“O câmbio precisa de previsibilidade para beneficiar efetivamente a indústria. Alterações bruscas em momentos de incerteza criam mais volatilidade do que ganhos para o setor produtivo”, ressaltou Cagnin.

Enquanto isso, o governo e o setor industrial enfrentam o desafio de equilibrar a política monetária, a competitividade externa e o avanço sustentável para manter a trajetória de crescimento em 2025.

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