Após 500 dias, ex-assessor de Flávio Bolsonaro não explica a origem de R$ 1 milhão


Amigo da família Bolsonaro é pivô de investigação do MP-RJ sobre transações bancárias suspeitas no total de R$ 1,23 milhão, feitas entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017

ARQUIVO PESSOAL/REPRODUÇÃO

Conta de Fabricio Queiroz (esq), segurança e assessor do senador e filho de Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) teve movimentações suspeitas e ainda sem explicações

Jornal BdF – “Eu sou bacana. Eu adianto todo mundo. Treze deputados eleitos lá [Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro], treze deputados amigos. Doze deputados federais eleitos, doze amigos. Todos estão comigo, mandam mensagem, acreditam no meu caráter, na minha índole.”

É com essa desenvoltura que Fabrício Queiroz, 53 anos, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, explica a sua proximidade com os candidatos do Partido Social Liberal (PSL). A sigla é a mesma do presidente Jair Bolsonaro, de quem Queiroz também se declara amigo de muitos anos.

A fala foi dita na única entrevista que concedeu, ao canal de televisão SBT, em 26 de dezembro de 2018, após vir à tona a investigação do Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ).

Contratado como coordenador de segurança e assessor parlamentar no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro, atualmente senador pelo Rio, Queiroz atuava como caça-votos e faz-tudo do parlamentar e da legenda, principalmente nas comunidades e periferias da zona Oeste do Rio de Janeiro.

Acusações

Queiroz, que é ex-subtenente da Polícia Militar (PM) e tem casa em Rio das Pedras, na zona Oeste do Rio, é o pivô da investigação do MP-RJ, iniciada há 500 dias, sobre transações suspeitas no total de R$ 1,23 milhão, feitas em uma conta-corrente do assessor, entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017.

A base da investigação é o relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que apontou incompatibilidade entre os valores movimentados por Queiroz e a sua renda, que consistia no salário de R$ 10 mil como assessor e de R$ 13 mil como policial militar afastado. Atualmente, ele já é aposentado pela PM, onde entrou em 1987, com 21 anos de idade.

Em coluna no jornal Folha de S. Paulo, Elio Gaspari diz que a remuneração de Queiroz como militar era acima da média, porque ele conseguiu, na Justiça, incorporar polêmicas gratificações por “bravura”, concedidas para PMs que atuaram em ocorrências com a morte de suspeitos. Já de acordo com informação divulgada na coluna radar, da Veja, Queiroz se envolveu em dez mortes em “auto de resistência”.

Descontando as rendas de origem conhecida, Queiroz tem uma movimentação de quase R$ 1 milhão, que inclui cheques para a mulher do presidente Jair Bolsonaro, depósitos mensais de funcionários do gabinete, depósitos em dinheiro feito pelas filhas e pela companheira dele. É a origem e a utilização desse dinheiro que o ex-assessor do filho de Bolsonaro precisa explicar.

Por diversas vezes, Queiroz não compareceu aos depoimentos marcados alegando problemas de saúde, mais especificamente um câncer descoberto no final do ano passado.

Relações

Enquanto isso, a investigação ganha vulto e chega mais perto da família Bolsonaro. O MP-RJ pediu a quebra de sigilo bancário de 95 contas de ex-assessores parlamentares, empresas e pessoas ligadas a Queiroz e Flávio Bolsonaro. O próprio senador e a sua mulher estão na lista.

Parentes de Queiroz estão na lista porque foram contratadas pelo gabinete de Flávio Bolsonaro a seu pedido: as filhas, Nathalia de Melo Queiroz e Evelyn Melo Queiroz, e a mulher, Marcia Oliveira de Aguiar.

“Quando tinha a oportunidade, a vaga, eu pedi para empregá-las. Elas são muito eficientes, é mérito. Não porque é mulher do Queiroz ou filha do Queiroz”, disse o ex-assessor, na mesma entrevista em que se gabou de sua influência no PSL – com a frase que inicia este texto.

Na mesma ocasião, Queiroz também revelou que fazia a contratação de assessores informais que apoiaram o partido e seus candidatos nas eleições de 2018. Sua área de atuação é Rio das Pedras, onde morava, e Muzema, também na zona Oeste. No entanto, Queiroz não explicou quem eram essas pessoas contratadas informalmente e como elas atuavam.

“Eu, amigo do presidente, amigo do deputado, eu era o homem, no meu WhatsApp só coisas bonitas. Daí, de uma hora para outra, apareceu na mídia o meu nome, vários repórteres atrás de mim. No mesmo dia tinha repórter da Veja na porta da minha casa. Lá eu sou uma pessoa conhecida, e uma pessoa querida, e tinha pessoas estranhas. O “cara” veio e disse: ‘irmão tem pessoas estranhas atrás de você’. Então, me refugiei”, disse.

A lista do MP-RJ das pessoas cujo sigilo será quebrado inclui a mãe de Adriano Magalhães da Nóbrega, vulgo “Gordinho”, ex-policial do BOPE (tropa de elite da PM do RJ) que trabalhou como assessor no gabinete de Flávio Bolsonaro. O policial é suspeito de chefiar uma quadrilha de milicianos e de envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco, do PSOL, em março de 2018.

Na sexta-feira, dia 17, o Brasil de Fato trocou mensagens por WhatsApp com o advogado de Queiroz. Segundo Paulo Klein, o ex-assessor está acompanhando de perto os desdobramentos da investigação. Além disso, está cuidando da saúde, pois iniciou o tratamento contra o câncer.

“A única coisa que ele quer no momento é ter tranquilidade para isso”, escreveu o defensor de Queiroz. Klein prepara um pedido de habeas corpuspara tentar evitar um possível pedido de prisão para o seu cliente.

Para a reportagem, o MP-RJ respondeu que, em razão do sigilo legal decretado, o Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção do Ministério Público (GAECC/MPRJ) não vai se pronunciar sobre a investigação.

Arte/Brasil de FAto

 

O celibato dos padres


Padre Carlos

Outro dia, estava me perguntando quando teria coragem suficiente para abordar tal tema. Quem exerceu o ministério sacerdotal por muito tempo como eu, sabe que este assunto se não é proibido ser abordado, pelo menos, deixa algumas pessoas do clero e do episcopado com um pouco de desconforto. Infelizmente, certos assuntos não podem ficar escondidos da comunidade de fé como se não existisse.
Para o padre, assumir a paternidade é um ato que honra e demostra de forma clara, maturidade como cristão e ser humano. Está, aliás, na linha do recente documento da Conferência Episcopal Irlandesa, que Francisco quer estender a toda a Igreja, estabelecendo que os padres devam, como qualquer outro pai, assumir as suas responsabilidades, colocando os interesses da criança em primeiro lugar, com todas as consequências: afetivas, legais, morais, financeiras. É inaceitável que os filhos dos padres continuem a ser “sobrinhos” ou “afilhados”. As crianças têm direito à sua identidade e a mãe não pode ficar sozinha e excluída. Se a Igreja prega os direitos humanos aos outros, tem de praticá-los em primeiro lugar no seu próprio seio.
Ter sido pai não deve implicar automaticamente o abandono do sacerdócio. A questão deve ser dialogada entre o padre, o bispo, a mãe e a comunidade a que o padre preside. Se quiser casar-se, deverá seguir o seu caminho, abandonando.
Mas este caso obriga a refletir sobre a lei do celibato obrigatório para os padres e como é essencial pôr fim a essa lei, tornando o celibato opcional. Aliás, a abolição dessa lei é uma questão de tempo. Jesus e São Paulo foram celibatários, mas não obrigaram ninguém ao celibato. Mas, já a partir do século IV, houve tentativas de impô-lo aos clérigos. Razões? Queriam imitar o modelo dos monges (monaquismo), que, evidentemente, eram celibatários; a interpretação do sacrifício da Eucaristia, com a consequente necessidade da pureza ritual, foi fundamental; exigia-se pôr freio ao nepotismo e à dispersão e fuga dos bens da Igreja; a concentração de poderes, o domínio e a maior disponibilidade do clero às ordens dos bispos também pesaram; a misoginia (ódio ou aversão às mulheres) foi outro motivo, que se impôs juntamente com a lenta formação de uma casta sacerdotal privilegiada e distanciada do povo, como prova a terminologia utilizada para o caso de um padre que é dispensado do sacerdócio e das suas obrigações: secularização e “redução ao estado laical”, mostrando bem em que consideração são tidos os leigos. Aliás, houve em muitas filosofias, concretamente na filosofia grega – pense-se em Platão, no neoplatonismo, na gnose, no maniqueísmo… -, concepções que levavam ao desprezo da matéria, do corpo e do prazer.
Foi o Sínodo de Latrão de 1059 que determinou a proibição do casamento aos padres, mais seguida na França do que na Itália. O clero revoltou-se sobretudo na Alemanha e, como resume Hans Küng, alegou: o papa não leu o que está no Evangelho de São Mateus 19, 12: “quem puder compreender compreenda”; o papa, ao querer impor violentamente que se viva como anjos, opõe-se à natureza e favorece a luxúria; parece que o papa só quer anjos para o serviço da Igreja. Mas o papa Gregório VII em 1074 confirmou a proibição, suspendendo os padres casados e mobilizando os leigos para não aceitarem as suas funções sacerdotais, observando Küng: “Isto constituía uma novidade: um boicote do clero pelos leigos encenado pelo próprio papa!” De facto, do ponto de vista jurídico, foi o Concílio de Latrão II (1139) que radicalizou a situação: o casamento dos padres, que era proibido mas juridicamente válido, foi declarado inválido: as mulheres tornaram-se concubinas e os filhos, escravos e bens da Igreja.

Cirurgia robótica otimiza tratamento do Câncer de Rim


Menor risco de hemorragias e recuperação mais rápida beneficiam o paciente enquanto visão 3D ampliada facilita trabalho do cirurgião

Ao ouvir falar em cirurgia robótica, a maioria das pessoas que tem alguma ideia do que ela seja costuma associá-la à cirurgia de próstata, porque foi nesse tipo de tratamento que a técnica revelou, inicialmente, suas vantagens. Contudo, o robô que chegou a Salvador este ano também pode favorecer o tratamento de tumores que atingem outros órgãos, como o rim. A visão tridimensional e mais nítida, além da liberdade e delicadeza de movimentos proporcionadas pela tecnologia, dão ao médico mais precisão durante o procedimento. Além disso, a utilização do robô representa menos riscos de complicações, menor dor no pós-operatório e recuperação mais rápida para o paciente.
O câncer de rim é uma doença agressiva que exige tratamento imediato. De acordo com o uro-oncologista Nilo Jorge Leão, o tumor é muito resistente a outras terapias como radio e quimioterapia e, por isso, a forma habitual de tratar a doença é por meio de cirurgia. “Operar de forma minimamente invasiva, ou seja, através de cirurgias com cortes pequenos – videolaparoscopia ou cirurgia robótica – é sempre melhor, sobretudo pela recuperação mais rápida”, frisou o médico.
Há algum tempo, a remoção completa do rim era a primeira opção para a maioria dos pacientes que tinha um tumor no órgão. “A nefrectomia parcial era indicada apenas para tumores muito pequenos. Hoje em dia, a cirurgia robótica permite, em muitos casos, remover toda a lesão de forma precisa, preservando o restante do rim. O método garante, ainda, menor risco de hemorragias”, explicou Nilo Jorge. Já existem estudos garantindo os ganhos da nefrectomia parcial para a qualidade de vida do paciente. Pesquisas relacionam a nefrectomia total à insuficiência renal crônica, diabetes e doenças cardiovasculares.
Laparoscopia x Robótica – Durante a nefrectomia (parcial ou total), para que o rim não sofra uma esquemia, ou seja, deficiência ou ausência de suprimento sanguíneo e, consequentemente, de oxigênio, o procedimento precisa ser feito em até 30 minutos, o que não é tão simples em uma videolaparoscopia, ainda que esta técnica amplie em duas vezes a imagem vista pelo médico. Já na cirurgia robótica, a redução do tempo de cirurgia é facilitado porque o robô aumenta a visão do cirurgião em 10 vezes. “Na cirurgia robótica, operamos através de um console, uma espécie de joystick, com uma série de recursos que incluem, além da visualização em três dimensões, a ampliação da imagem do campo cirúrgico em alta definição, o que permite a visualização de microestruturas e a filtragem de tremores das mãos. A precisão é muito maior”, detalhou Nilo Jorge Leão.
O robô utilizado em cirurgias oncológicas para tratamento de diversos tipos de tumor, entre eles o de rim, chegou ao Hospital Santa Izabel em janeiro e começou a operar em março deste ano. A tecnologia já estava disponível há mais tempo no eixo Rio, São Paulo, Minas e Rio Grande do Sul e nos estados do Ceará, Pernambuco e Pará. Até então, o uro-oncologista Nilo Jorge Leão tinha que ir a São Paulo ou a algum desses outros estados para realizar cirurgias robóticas.

VLT: a chegada do velho novo bonde em Conquista e a “VAN” clandestina


Paulo Nunes é jornalista

Encravada no Alto Sertão da Bahia, Vitória da Conquista não foi agraciada com o bonde do passado, mas, obstante a isso, jamais perdeu o bonde do futuro. Nossa cidade tem hoje 310 mil habitantes, bem distribuídos no território parecido com uma bacia. Cidade erguida com ruas estreitas e carroçáveis, se vê, na modernidade, na obrigação de construir ruas cada vez mais largas para que o fluxo de veículos não sofra atraso e, consequentemente, a economia não seja prejudicada. Em meio a essa necessidade premente, surgem ideias, das mais complexas às mais simples. A administração atual tenta adequar os espaços públicos, ruas e avenidas ao fluxo de automóveis que cresce numa velocidade estonteante. A oposição, por utopia (ou ignorância mesmo), tenta também, a seu modo, trazer ideias que parecem modernas e aplicáveis, mas que estão longe do alcance das finanças públicas municipais.

A administração pública trabalha com orçamento, e esse instrumento é que determina a capacidade de investimento da Prefeitura, do estado ou do país para um ou quantos anos mais. Portanto, as ideias de melhorias sociais de uma nação podem surgir, mas jamais dissociadas do quanto de tributo deve ser arrecadado para as obras futuras, pois dinheiro do governo é o dinheiro arrecadado das pessoas através de seus tributos pagos e não dos tributos presumidamente lançados como débitos.

Na eleição de 2012, o candidato da oposição ao governo municipal apareceu com a ideia de, em seu governo (caso fosse eleito) implantar o sistema de VLT – Veículo Leve sobre Trilhos e, com isso, resolveria o problema do transporte coletivo em Conquista. Como não sabia o que falava, não conhecia o serviço e seus custos, foi dizimado pelo candidato oposto e, consequentemente, perdeu o debate e qualquer chance de eleição, pois não era interessante para o eleitor (que pagaria os custos da ideia), ter na Prefeitura alguém que falasse pela boca dos outros e, mesmo tendo a chance de estudar o problema, prefere de maneira contumaz, enaltecer as qualidades acadêmicas de quem lhe sopra aos ouvidos. Isso não é prudente ao príncipe. O empresário José Maria Caires escreveu um artigo, mostrando algumas vantagens do VLT, sem, contudo, analisar os custos operacionais, presentes e futuros, da obra. Enxerga o equipamento como necessário, mas não urgente.veja aqui
Apesar de ser um bonde, aposentado no passado, o VLT volta com força aos grandes centros sociais do mundo. Meu prezado Zé Maria, claro, como bom conquistense, não imagina que a verba de 1,4 bilhão correspondente a 1% do capital que o Ministro das Cidades pretende usar na mobilidade urbana. Muito bom o raciocínio, pois dá para sentir a pureza do sonho do ilustre empresário. Todavia, política é algo muito mais complexo do que se imagina. O Secretário de Comunicação da Prefeitura, em resposta ao artigo de José Maria, recheou a discussão, trazendo à baila os custos da importante obra e a inviabilidade momentânea, devido a quantidade de passageiros por linha e a capacidade de endividamento do município em relação aos custos da obra se realizada fosse – os custos estimados seriam em torno de R$ 60 milhões por km construído.veja aqui

Por outro lado, o nosso amigo e professor Ubirajara Brito, defensor da ideia do “bonde”, fez um artigo que se transformou em editorial do programa de Rádio “Resenha Geral”. Lamentavelmente, lá no programa, nenhuma discussão esclarecedora aconteceu; foi um editorial que elevava a capacidade técnica e intelectual do ilustre engenheiro e depreciava a capacidade de argumentação do Secretário de Comunicação, uma forma mesquinha de pré-conceito, onde se coloca um engenheiro escrevendo sobre trem de ferro como herói e um administrador como tolo; e isso não é algo politicamente correto. Enfim, o professor Ubirajara, em seu artigo, coloca os custos do “bonde” de Sobral (CE) no valor de R$ 71 milhões. É bem verdade que, no artigo, ele fala que metade da linha é preexistente, mas não foi colocado que a linha preexistente ligava o centro da cidade aos extremos leste e oeste da cidade; logo, a linha preexistente favorece, por demais, na diminuição dos custos, o que jamais seria o caso de Vitória da Conquista, uma cidade construída para cavalos e carroças até 1963 e melhorada para automóveis, notadamente a partir de 1977. O engenheiro finaliza o artigo estabelecendo uma comparação de custos do “bonde” ao Trem da Ferrovia Oeste-Leste, cujo custo fica em torno de R$ 5 milhões o Km construído. Todavia, é bom informar que os 1.527 quilômetros dessa ferrovia tem mais de 90% em leito natural, o que, por si só, já não se pode comparar com área urbana. Um viaduto na mata sempre será mais barato que um viaduto na área urbana; o custo da terra nua é infinitamente menor do que em terra onde exista edificação. Relativamente até que sim, mas em engenharia eu penso que absolutamente não.veja aqui
Já o professor Paulo Pires argumentou a questão dos custos como prioridade na administração pública e colocou a questão apontada pela oposição como uma argumentação política, jamais factível até para a oposição (se esta estivesse no poder).veja aqui.  Atualmente, a Prefeitura de Conquista trabalha com as situações factíveis e tenta, acertadamente, transferir os equipamentos públicos de grande aglomeração para fora do miolo central da cidade. O engenheiro e prefeito José Pedral e os governos sob sua liderança construíram avenidas “envolventes” no entorno da cidade, pois já havia previsão para a explosão da quantidade de automóveis. Guilherme Menezes já percebeu que, em 10 anos, a Avenida Luís Eduardo Magalhães já está sobrecarregada, e agora parte para a implantação da Avenida Perimetral, que vai desafogar, por outros 10 anos ou mais, o tráfego de veículos em Conquista. Não podemos deixar de citar o trabalho do deputado Coriolano Sales na implantação do Anel Rodoviário Jadiel Matos, que amenizou a agonia que era trafegar na hoje Avenida Integração. A cidade lembra bem como era. Em 25 anos, O Anel será a maior Avenida de Conquista, com os seus 33 quilômetros. Pedral deixou um estudo sobre as envolventes, onde se rasgaria nosso território de José Gonçalves a Iguá, de Bate Pé a Limeira e de São Sebastião a Estiva. É a grande Conquista crescendo!

No nosso entendimento, toda discussão política é válida, desde que seja travada com seriedade. Nesse particular, entendemos que, pelo que li sobre o assunto, é necessário que vagões transportem sete mil pessoas por hora, em cada linha, o que daria 112 mil pessoas por dia e por linha, para ser economicamente viável. Conquista tem uma média de 80 mil pessoas transportadas por dia em todas as linhas de ônibus. Necessário se faz também analisar que, mesmo com a implantação do “bonde”, os ônibus continuariam operando nas linhas interligadas. É necessária essa análise da linha do “bonde” para que não tratemos “alhos como bugalhos”. O VLT não faria ziguezague na área central da cidade, passaria onde fosse possível e a parte central continuaria atendida pelos ônibus. Entendemos, outrossim, que, numa cidade onde ainda temos pessoas que não possuem um sanitário adequado em suas casas, onde o esgotamento sanitário ainda não se completou, que o bolsa família (em alguns casos) ainda é a principal e regular fonte de renda, temos que fomentar algo que possa garantir renda e escola para essa população como prioridade nº 1.

Entendemos ainda que, o que seria mais humano seria o fato de, no VLT, todas as pessoas que utilizassem o meio, pudessem fazê-lo sentadas, fato que não ocorre no ônibus. Mas parece que não há essa preocupação no Brasil e em Sobral. Apesar por ser uma pequena cidade, algumas pessoas trafegam em pé no moderno “bonde”. A maioria do proletariado conquistense continuaria sendo tratada como segunda categoria humana, como sempre foi, nos ônibus do passado e do presente. A tendência da população é se estabilizar na cidade em relação ao quantitativo; não haverá o crescimento imaginado por Zé Maria Caires, em outro artigo de sua lavra, ao comentar a explosão imobiliária em Conquista. veja aqui

Hoje, os governos descobriram o óbvio: não adianta incentivar crescimento populacional em grandes metrópoles; dessa forma, a informação, a saúde, os serviços em geral, estão chegando às pequenas cidades e polos regionais são criados. Na Bahia, por exemplo, serão implantadas mais cinco universidades federais, o que ajudará o desenvolvimento do estado como um todo; polos de saúde e educação particulares acompanharão esse desenvolvimento; centros como Guanambi, Caetité, Barreiras, Paulo Afonso, Serrinha, Ribeira do Pombal, Teixeira de Freitas, Livramento e Seabra estão crescendo, e isto diminuirá a migração de pessoas para Feira de Santana e Vitória da Conquista, os maiores do interior da Bahia. Com isso, adequando as vias públicas e construindo vias envolventes (como falava Pedral), a cidade será aprazível. De todo modo, a discussão sobre o tema foi boa. Espero, no entanto, mais prudência e respeito das pessoas nas discussões das ideias, e que essas possam convergir adiante, afinal os sociólogos e filósofos fizeram isso a vida inteira e nós herdamos as benesses de uns e de outros no futuro que chegamos.

Eventos contra a reforma da previdência são realizados em Malhada e Palmas de Monte Alto


Agricultores familiares, movimentos sociais, sindicatos e entidades ligadas à agricultura familiar e ao trabalho no campo se reuniram neste sábado, 18, em Malhada e, também, Palmas de Monte Alto, na região do Médio São Francisco, para debater e discutir os prejuízos que podem ser causados pela reforma da previdência aos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil, especialmente, os rurais, caso o projeto do governo Bolsonaro seja aprovado.

As Audiências Públicas “Não à Reforma da Previdência” são iniciativas dos deputados Waldenor Pereira (federal) e Zé Raimundo (estadual) em parceria com lideranças políticas dos municípios e têm por objetivo informar a população sobre os riscos aos direitos previdenciários e sociais representados por uma possível aprovação da reforma.

“A proposta do Bolsonaro é pior que proposta do Temer. É uma proposta que aumenta a alíquota, aumenta a contribuição; aumenta o tempo de contribuição do trabalhador, que terá que contribuir no mínimo 20 e no máximo por 40 anos; aumentam a idade mínima dos homens de 60 para 65 anos e das mulheres – que atualmente é de 55 anos – eles estão aumentando para 62 anos. Então, de uma forma geral, eles aumentam o tempo, aumentam a idade, e, no final, o benefício da aposentadoria vai acabar sendo menor, pois eles também mudaram a forma de se fazer o cálculo”, explicou o deputado federal Wldenor Pereira, que está acompanhando de perto o projeto na Câmara Federal.

Zé Raimundo alertou para o fato de ser preciso atenção da população e cobrança da sociedade de seus representantes no Congresso Nacional, para que “uma reforma, claramente, prejudicial ao povo” não seja aprovada. O deputado revisitou a história das lutas e conquistas sociais no Brasil para explicar o atual momento político.

“Neste caso da previdência, tem coisas que, às vezes, a gente não percebe. Se a sociedade quer ser sadia, a riqueza nacional tem de ser dividida para a gente garantir isso. Nós vínhamos construindo essas possibilidades com as políticas sociais do nosso governo, com a valorização dos homens e mulheres trabalhadores, com o crescimento e fortalecimento do mercado de trabalho, com a distribuição de renda, com a qualificação da população. Mas a elite raivosa, desumana, quer destruir essas conquistas históricas”.

Os eventos contaram com grande representatividade política da região.

Bolsonaro divulga texto apócrifo que lembra ‘forças ocultas’ de Jânio Quadros; a história se repetindo como farsa


‘Descobrimos que não existe nenhum compromisso de campanha que pode ser cumprido sem que as corporações deem suas bênçãos. Sempre a contragosto’, diz texto de autor desconhecido
FABIO RODRIGUES POZZEBOM – ABR / DIVULGAÇÃO

bolsonaro e janio.jpg

Bolsonaro endossa que o Brasil é governado para atender aos interesses de corporações. Forças ocultas?

São Paulo – Um estranho texto de “autor desconhecido” divulgado pelo presidente Jair Bolsonaro na manhã desta sexta-feira (17) em grupos de WhatsApp fala de pressões dos poderes e dificuldades de governar. Segundo o presidente, o texto é “no mínimo interessante”. “Para quem se preocupa em se antecipar aos fatos sua leitura é obrigatória”, acrescentou. A divulgação do texto por Bolsonaro lembra o episódio da renúncia de Jânio Quadros, em 1961, que assumiu falando em combater a corrupção e deixou o cargo alegando pressão de “forças ocultas”.

Segundo o texto divulgado pelo presidente, “o Brasil é governado exclusivamente para atender aos interesses de corporações com acesso privilegiado ao orçamento público”.

A mensagem apócrifa continua: “Não só políticos, mas servidores-sindicalistas, sindicalistas de toga e grupos empresariais bem posicionados nas teias de poder. Os verdadeiros donos do orçamento. As lagostas do STF e os espumantes com quatro prêmios internacionais são só a face gourmet do nosso absolutismo orçamentário”.

Na carta-renúncia de 1961, Jânio Quadros escreveu: “Forças terríveis levantam-se contra mim e me intrigam ou infamam, até com a desculpa de colaboração”. O então presidente tinha sete meses de mandato. Bolsonaro ainda não completou cinco meses. Mas a intenção do atual presidente pode ser apenas justificar sua definitiva rendição à “velha política” que combatia.

Leia a suposta mensagem do “autor desconhecido”, tal como divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo:

TEXTO APAVORANTE – LEITURA OBRIGATÓRIA

Alexandre Szn

Temos muito para agradecer a Bolsonaro.

Bastaram 5 meses de um governo atípico, “sem jeito” com o congresso e de comunicação amadora para nos mostrar que o Brasil nunca foi, e talvez nunca será, governado de acordo com o interesse dos eleitores. Sejam eles de esquerda ou de direita.

Desde a tal compra de votos para a reeleição, os conchavos para a privatização, o mensalão, o petrolão e o tal “presidencialismo de coalizão”, o Brasil é governado exclusivamente para atender aos interesses de corporações com acesso privilegiado ao orçamento público.

Não só políticos, mas servidores-sindicalistas, sindicalistas de toga e grupos empresariais bem posicionados nas teias de poder. Os verdadeiros donos do orçamento. As lagostas do STF e os espumantes com quatro prêmios internacionais são só a face gourmet do nosso absolutismo orçamentário.

Todos nós sabíamos disso, mas queríamos acreditar que era só um efeito de determinado governo corrupto ou cooptado. Na próxima eleição, tudo poderia mudar. Infelizmente não era isso, não era pontual. Bolsonaro provou que o Brasil, fora desses conchavos, é ingovernável.

Descobrimos que não existe nenhum compromisso de campanha que pode ser cumprido sem que as corporações deem suas bênçãos. Sempre a contragosto.

Nem uma simples redução do número de ministérios pode ser feita. Corremos o risco de uma MP caducar e o Brasil ser OBRIGADO a ter 29 ministérios e voltar para a estrutura do Temer.

Isso é do interesse de quem? Qual é o propósito de o congresso ter que aprovar a estrutura do executivo, que é exclusivamente do interesse operacional deste último, além de ser promessa de campanha?

Inclusão de optometria na saúde básica é proposta na Casa do Povo


Imagem TRIBUNA LIVRE: Inclusão de optometria na saúde básica é proposta na Casa do Povo

A tribuna livre da Casa do Povo foi usada, na manhã desta sexta-feira, 17, pelo senhor Benício Pires Nogueira, que apresentou a proposta de um projeto de lei para inclusão da especialidade de optometria na saúde básica do município. Ele explicou que um profissional dessa área em um posto de saúde ajuda a detectar patologias, ainda no início, e encaminhar o paciente para os profissionais específicos.
Benício ressaltou que o atendimento primário promove a reabilitação do ato visual do paciente. “Se ele precisar de lentes, óculos, procedimento cirúrgico ou qualquer outro procedimento será encaminhado  para um especialista para tratamento”.

Brasil retoma negociações de soja com a China


Preços de frutas cítricas têm queda

Créditos: CNA

Olá, eu sou o Raphael Costa e esta é mais uma edição do Boletim Agro. Na edição de hoje, trazemos as principais novidades do agronegócio no Brasil e no mundo.

Depois de dias de pouca atividade no mercado, o Brasil voltou a negociar uma quantidade importante de soja com a China. Quem vai nos explicar como foi essa retomada é a jornalista Carla Mendes, do portal Notícias Agrícolas. Bem-vinda, Carla! Conta pra gente, por favor, como acontece essa negociação.

“Desde que as negociações entre os Estados Unidos e a China se intensificaram e as tensões aumentaram entre os dois países, a China parou de comprar totalmente o tanto de soja que comprava dos EUA, em sinal de boa vontade para conseguir um acordo com os americanos, e se voltou ainda mais agressivamente com a sua demanda para a soja brasileira. Nos últimos dias nós negociamos mais de três milhões de toneladas de soja com os chineses, justamente por termos uma soja mais competitiva e não termos a taxação como acontece sobre a soja americana por parte da China. ”

Enquanto no mercado lá fora as notícias melhoram, aqui dentro do Brasil não temos notícias tão boas. Devido à grande produção de frutas e uma procura baixa por parte dos consumidores, o preço das frutas cítricas estão pressionados. Nos dê mais detalhes sobre essa situação, Carla.

Museu Regional reabre suas portas


O casarão mantém características do passado: arquitetura original de meados de 1884, quando foi construído, piso de pedras, parte do forro e a porta sempre aberta. Era assim que se mantinha quando residia Henriqueta Prates, que chegou a se tornar conselheira da comunidade e de políticos regionais, e foi assim que retornou, nessa quarta, 15, após a reforma do Museu Regional, que leva o nome da antiga moradora.

“Tem a importância em si, da arquitetura, da construção, e a outra é a preservação da memória de uma mulher que se destacou aqui na sociedade conquistense. Uma mulher que se tornou líder da comunidade, líder da sua família. A casa preserva essa memória, que a família fez questão de preservar durante muito tempo e a gente continua”, lembra a coordenadora do Museu, professora Ana Cláudia Rocha.

A visita ao equipamento da Uesb é uma visita ao passado conquistense, a começar pela localização, onde aconteceu o surgimento do núcleo urbano. Em uma das salas, que levam o nome de importantes personalidades que marcaram a história de Vitória da Conquista, a ambientação de uma sala típica do município na década de 1960 abriga duas obras do artista Orlando Celino: uma recém-adquirida pela Universidade, retrato do desbravador João Gonçalves da Costa, que fundou o Arraial da Conquista; e uma cedida temporariamente pelo pintor, do Jardim das Borboletas.

“Tem a preservação da memória da cidade. Você tem objetos aqui, as peças em si, que evocam essa memória de Conquista. As pessoas chegam aqui e ficam encantadas com determinadas peças, se interessam muito. Tem que ter essa curiosidade de saber como era sua cidade, como era seu povo. Sem isso, não existe identidade”, conta a professora.

Com a reforma, a equipe do Museu organizou a disposição de todas as peças em vitrines para proteção e sinalização, além de pintura, renovação do quintal e a abertura de uma porta para circulação, com vista a futuras adaptações voltadas para a acessibilidade.

“Quem está vivendo hoje, no século 21, acha que as relações de trabalho, as relações de gênero, as formas de acesso à propriedade, o que se considerava como uso legítimo de violência, tudo isso que a gente tem no mundo, tende a achar que é natural, que faz parte da formação humana. Quando vemos como o passado era diferente, percebemos como temos muitas opções. Os museus são peças que nos lembram da diversidade da experiência humana”, destacou o professor Luiz Otávio de Magalhães, reitor da Universidade, que participou da mesa de reabertura do Museu Regional.

MP do Saneamento deve ser votada no Plenário da Câmara na próxima semana


Texto amplia concorrência e abre espaço para investimentos no setor; projeto perde vigência em 3 de junho e precisa ainda passar por análise no Senado

Foto: Ciete Silvério/Governo de SP

A Medida Provisória 868/2018, que altera o Marco Legal do Saneamento, deve ser votada no Plenário da Câmara dos Deputados na próxima semana. Isso porque ela tramita em caráter de urgência, já que a proposta perde a validade no dia 3 de junho. A principal mudança na lei é ampliação da concorrência e a abertura para investimentos privados no setor, de forma a possibilitar a universalização dos serviços.

Deputados e senadores já sinalizaram serem favoráveis à aprovação da MP. No início do mês, a matéria recebeu o aval da comissão mista formada no Congresso. Relator do texto no colegiado, o senador Tasso Jereissaiti (PSDB-CE) defende que os esforços são para ofertar um serviço de melhor qualidade para os brasileiros. “É necessário mudar. Deixar como está é um crime e fizemos com o intuito de alcançar isso”, avalia.

O foco da MP é mudar o modelo atual de contratos de gestão o de concessão de serviços, semelhante ao que ocorre com os aeroportos brasileiros. Dessa forma, os municípios abrirão licitações para escolher o melhor prestador de serviços pela população, que poderão ser executados tanto por empresas públicas como privadas.

O parecer de Jereissati estabelece que os contratos em vigor poderão ser executados até o fim, mas os municípios terão de abrir concorrência quando eles se encerrarem. Segundo a senadora Daniella Ribeiro (PP-PB), a alteração na lei vem para cobrir o buraco deixado pelo sistema atual de gestão do saneamento e está “bem amarrada” para levar os serviços até os brasileiros. “O que essa MP vem trazer é, com toda certeza, um novo momento para a questão do saneamento básico, que diz questão à saúde e às outras vertentes que vão se desenvolver a partir dela”, pondera.

A preocupação da senadora é justificada pelos números do saneamento no Brasil. São cerca de 35 milhões de brasileiros sem acesso a água tratada. Isso equivale a toda população do Canadá sem água potável. Além disso, quase metade da população não tem serviço de coleta de esgoto. O reflexo na saúde de adultos e crianças em 1.935 dos 5.570 municípios brasileiros é perceptível. Nessas cidades foram registradas epidemias ou endemias ligadas à falta de saneamento básico, como dengue e diarreias.

Atraso na universalização

Estudo feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com base no Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), estima que no atual ritmo de investimentos, o Brasil deve atrasar pelo menos em três décadas a meta do Plano Nacional de Saneamento básico, que é de universalizar os serviços de água e esgoto no país o que ocorreria somente após 2060.

A cada 19 horas, uma pessoa é assassinada no Brasil por causa de sua orientação sexual ou identidade de gênero


STF volta a discutir a discriminação da comunidade LGBTI+ no próximo dia 23

Foto: Agência Brasil

Representantes da comunidade LGBTI denunciaram, nesta semana, em um debate na Comissão de Direitos Humanos (CDH) que, a cada 19 horas, uma pessoa é assassinada no Brasil por causa de sua orientação sexual ou identidade de gênero. A reunião ocorreu em celebração do Dia Internacional de Enfrentamento à LGBTIfobia, lembrado nesta sexta-feira, 17 de maio.

Tathiane de Araújo, presidente da Rede Trans Brasil, entidade nacional que representa pessoas travestis e transexuais do Brasil, ressalta que a maior parte dos assassinatos ocorrem em via pública e no período noturno.

“De todos os casos catalogados em 2018, das mortes, 89 dessas foram em via pública. Todas, em maioria, à noite, em um espaço em que essa pessoa tenta sobreviver e é assassinada, muitas das vezes, de forma brutal, cruel”, relata.

Amanda, moradora de Colombo, região metropolitana de Curitiba, de 24 anos, é homossexual, e faz parte da estatística de pessoas LGBTI que já sofreram com o preconceito por conta de sua orientação sexual.

“Eu fui mandada embora logo depois que a minha esposa foi me encontrar no trabalho e eu a cumprimentei, na frente do meu ambiente de trabalho, com um selinho. Logo depois que eu retornei do meu horário de pausa, eu fui chamada pelo RH para ser mandada embora”, conta.

FILOSOFIA, LEITURA E LADROAGEM


Jeremias Macário

“Penso, logo existo”. Comecei a pensar com mais clareza e a compreender melhor a lógica das coisas quando iniciei meus estudos básicos de filosofia nos antigos cursos ginasial e no clássico no Seminário de Amargosa e de Salvador. As citações dos pensamentos dos grandes filósofos gregos me deixaram encantado e até hoje não me canso de revê-los nos livros. Eles me ensinam a aprimorar o conhecimento e o saber.
Passados muitos anos de luta e viver, hoje sinto-me triste e desiludido quando vejo um governo desastroso renegar o ensino daquela que é a mãe de todas as ciências, e ainda colocar a sociologia também como um estudo sem valor para os jovens. É como dizer que a partir de agora é proibido pensar no Brasil. As pessoas, há muito tempo, estão deixando de existir porque deixaram de pensar, como diz a lógica.
Serve para todas as profissões
Como disse um leitor de um jornal da capital, a filosofia ensina a pensar, e esse dom do pensar serve para todas as profissões. Mas, para o ministro do Bozó, ela tem pouca importância. Na sua ótica vesga, a prioridade é aprender a fazer contas, mas como fazer contas sem saber pensar? Os grandes filósofos como Arquimedes, Pitágoras, Aristóteles e outros foram matemáticos, astrônomos e inventores.
Diante de tantas insanidades nestes primeiros meses do governo do capitão, só posso pensar que o país está sendo conduzido por um bando de malucos. Como disse o leitor lá na frente, “o tempo é o senhor da razão” Em 341 a.C., o pensador grego Epicuro afirmou que todos são capazes de aprender filosofia em todas as idades, sendo ela um caminho para a liberdade.
O conhecimento filosófico é fundamental para o desenvolvimento humano e ensinar a interpretar melhor a vida, e até achar algum sentido para ela. Para a ignorância, a estupidez e o totalitarismo, a filosofia é um grande perigo. Entre a militarização e os astrólogos, o Ministério da Educação virou uma balbúrdia, e o grande chefe Bozó chama os estudantes e os professores de idiotas e inocentes úteis, repetindo os mesmos chavões da esquerda.
LEITURA
A perda pelo hábito da leitura no país levou o brasileiro a deixar de pensar e a engolir tudo que recebe como se fosse um pacote de verdade. Infelizmente, perdemos também a filosofia do ler. Uma prova é que o setor livreiro vive em crise, de acordo com a Câmara Brasileira do Livro. Estamos mais habituados à oralidade. Entre o primeiro bimestre de 2018, em comparação com o atual, as vendas de livros caíram 18% em volume e 19% em valor. Se serve de consolo, em Vitória da Conquista, conforme o movimento das livrarias Nobel, o valor de vendas entre 2017 e 2018 se equiparou, mais por causa da demanda por livros infanto-juvenil e de autoajuda.
Parece uma contradição, mas, graças à expansão digital, nunca se escreveu e se leu tanto, considerando o acesso fácil às redes sociais e aos textos em formato PDF. Se o célebre poeta clássico Eurípedes colecionava papiros, a substituição deste meio pelo livro também provocou problemas. No papiro, a leitura não tinha quebras de continuidade. Muitos devem ter questionado o novo invento.