O caos sem o aporte econômico


Jeremias Macário

Talvez eu seja o único jornalista e cidadão que há duas semanas vem alertando que as medidas de isolamento de ficar em casa para combater a pandemia tinham que vir acompanhadas de um imediato aporte econômico do Estado. Somente agora, com atraso, a grande mídia burguesa vem tocando no assunto, ainda de forma tímida subindo os morros.
O mandar ficar em casa é uma recomendação dos organismos de saúde, mas não pensaram nos milhões de brasileiros que vivem de uma renda mínima da informalidade, de comissões, do trabalho intermitente, autônomos, dos desempregados que fazem bicos e outras atividades para sobreviver e comprar o pão de cada dia, numa expressão mais simples e direta.
Não estou com isso sendo contrário ao isolamento, contanto que os governantes adicionassem seus caixas para sustentar as famílias pobres que vivem nas favelas e em seus barracos vivendo na linha de pobreza, muitos das quais em plena miséria, sem dinheiro para o álcool gel e até sem água nas torneiras.
Somente agora, o governo federal está apresentando um conjunto de medidas para amparar esses milhões de brasileiros, mas, como tudo no Brasil é burocrático e demorado, não se sabe a forma, quando e como esse socorro vai ser concretizado. Sem um urgente aporte econômico, o Brasil pode virar um território de caos social onde a fome pode falar mais alto que o vírus, e aí vamos ter mais vítimas.
Nesse bate boca político, científico e de economistas dando palpites, até agora só vemos falatórios demagógicos dos governantes, sem apresentar uma saída para atender o menos favorecidos. Nesse sistema capitalista selvagem e predador, numa catástrofe ou tragédia, os pobres são os mais atingidos. É lamentável dizer isso, mas só os fortes sobrevivem nessa selva de hipocrisias.
Nessa avalanche de informações, colocaram os idosos como se fossem únicos grupos de risco, quando, na verdade, todas as pessoas com doenças crônicas (diabetes, pressão alta, câncer, problemas coronários e outras), sejam jovens ou velhos, não estão imunes e podem perecer. Houve uma discriminação generalizada porque a maioria dos idosos entre 70 a 80 anos têm problemas de saúde e tomam remédios contínuos.
Essa mídia burguesa, que passou todo o tempo de costas para a pobreza, só faltou sugerir a criação de campos de concentração para os idosos. Nessa história existe muita hipocrisia e falsos heróis, criados por essa mídia. É verdade que os caminhoneiros estão nas estradas transportando alimentos e produtos para o abastecimento do mercado, mas não me venham com essa de que estão ali só com essa missão sublime de salvar vidas.
Eles são uma categoria que ainda têm a permissão de trabalhar, e estão também ganhando seu dinheiro para sustentar suas famílias e pagar as prestações de seus carros. Não existe essa de sacrifício pleno, sem benefício. E como ficam aqueles que nem estão podendo produzir alguma coisa para sobreviver?
Por último, a grande emissora Globo, que vem comandando os noticiários, com suas tendências de sempre, mostra um senhor esportista amador, como exemplo de ficar em casa, correndo tranquilamente em seu apartamento de classe média alta, confortavelmente bem tratado e alimentado, quando milhões vivem em barracos apertados, em becos estreitos e sujos, sem o mínimo de saneamento básico. Não se falou quanto esse senhor ganha por mês como aposentado e qual sua renda.
Eu também faço aqui meus exercícios diários em meu quintal apertado e ainda sou um privilegiado porque tenho um benefício merreca, mas muito longe daqueles que estão sofrendo, passando fome, privações e outras necessidades. No lugar deles, tenho que agradecer a minha situação, que não é boa financeiramente, mas vai dando para tocar a vida, sem a agonia e a miséria batendo todos os dias em minha porta.

Justiça Federal suspende medida de Bolsonaro que permitia abrir igrejas e lotéricas


Juiz federal substituto Márcio Santoro Rocha, da 1ª Vara Federal de Duque de Caxias atendeu a uma ação do MPF e suspendeu o decreto de Jair Bolsonaro enquanto durar o período de isolamento social para conter a disseminação do novo coronavírus

(Foto: Romulo Faro)

 O juiz federal substituto Márcio Santoro Rocha, da 1ª Vara Federal de Duque de Caxias, Rio de Janeiro, suspendeu nesta sexta-feira, 27, os efeitos do decreto de Jair Bolsonaro que definia atividades religiosas e o funcionamento de casas lotéricas como serviços públicos essenciais.

O magistrado atendeu a uma ação do Ministério Público Federal e suspendeu o decreto enquanto durar o período de isolamento social para conter a disseminação do novo coronavírus.

“O acesso a igrejas, templos religiosos e lotéricas estimula a aglomeração e circulação de pessoas”, escreveu o juiz federal substituto Márcio Santoro Rocha.

Na decisão, o juiz anotou que tanto o Município de Caxias quanto a União, como previsto na decisão, não podem tomar qualquer medida que contrarie a recomendação de isolamento social da Organização Mundial da Saúde. O magistrado também fixou multa de R$ 100 mil caso essa ordem seja descumprida.

Procurador-geral da República defende pronunciamento criminoso de Bolsonaro; nem todo baiano é sábio


Augusto Aras, procurador-geral da República indicado diretamente por Jair Bolsonaro, publicou ofício em que manifesta a licitude do pronunciamento em cadeia nacional do presidente da República, alvo de críticas severas no mundo todo

Jair Bolsonaro e Augusto Aras
Jair Bolsonaro e Augusto Aras (Foto: Reuters | STF)

O procurador-geral da República Augusto Aras disse que Jair Bolsonaro não cometeu crime no pronunciamento da última terça, 24. A manifestação arquivou a recomendação elaborada por procuradores contra a Presidência.

A reportagem do jornal O Estado de S. Paulo destaca que “no ofício, Aras afirma que não há ‘indícios de eventual prática de ilícito de natureza criminal’ por parte do presidente em seu pronunciamento à nação, no qual atacou a imprensa, minimizou o avanço do coronavírus e se manifestou pela reabertura do comércio em um esquema de ‘isolamento vertical’.”

O ofício prossegue: “em um ambiente crítico marcado pelo reconhecimento da pandemia do COVID-19 e pela existência de incertezas científicas que decorrem naturalmente da excepcionalidade vivenciada, não cabe ao Ministério Público a tarefa de definir a melhor estratégia para implementação dos planos de ação de governo e dos serviços de saúde adequados às circunstâncias geopolíticas e socioculturais brasileiras.”

Médica paraibana sugere que defensores da abertura do comércio abdiquem de respiradores


“Sugiro que quem for favorável a acabar com o isolamento social e abrir o comércio, assinar um termo dizendo que abre mão de um respirador quando nós, profissionais da saúde, tivermos que escolher quem vai morrer ou viver”, postou Adriana Melo

(Foto: reprodução)

 A médica paraibana Adriana Melo, referência nacional no tratamento da microcefalia e especialista em medicina fetal, usou as redes sociais para enviar um duro recado aos defensores do fim do isolamento social e da reabertura do comércio, medidas adotadas por estados e municípios com base em protocolos da Organização Mundial de Saúde (OMS).

“Sugiro que quem for favorável acabar com o isolamento social e abrir o comercio, assinar um termo dizendo que abre mão de um respirador quando nós, profissionais da saúde, tivermos que escolher quem vai morrer ou viver. #euacreditonaciencia”, postou.

A postagem da médica veio na esteira do anúncio da realização de uma carreata, em Campina Grande, nesta sexta-feira (27), em apoio ao pedido feito por Jair Bolsonaro para que o comércio volte a funcionar a despeito da pandemia – chamada por ele de “gripezinha” – e da divulgação de uma campanha do Governo pelo fim do isolamento.

IMPEACHMENT, IMPEACHMENT, IMPEACHMENT…


*Edwaldo Alves – PT Conquista

O Brasil começa a viver novamente o clima popular de impeachment presidencial. Cada aparição televisa ou nas redes sociais do atual presidente provoca uma onda de panelaços que ecoa pelas janelas de todo o país. As piadas, as galhofas, os memes brotam da criatividade popular mesmo no atual momento de angústia e incertezas. O sentimento nacional de aversão e desprezo por Bolsonaro e seus generais só não explode nas ruas, trazendo os caras pintadas, porque a grande maioria da população atende as recomendações médicas e dos especialistas e se recolhe em suas casas. Não acata a insana opinião do presidente de que todos devem voltar à normalidade porque estamos enfrentado apenas uma simples “gripezinha” ou “resfriadinho”. A desmoralização e isolamento de Bolsonaro, de sua família e seus asseclas são totais. Aqueles que o inventaram como empresários e fazendeiros poderosos, a grande mídia, militares de alta e baixa patente saudosos da ditadura militar, religiosos oportunistas e interesseiros, e, todos, com a enorme ajuda de chicanas jurídicas, se aproveitaram de uma classe média atrasada e preconceituosa para criar uma falso mito que pela força das armas e da violência salvaria os privilegiados que ocupam o cume da pirâmide de uma sociedade injusta e desigual. Hoje, somente uma parte residual desta massa direitista e reacionária aprova os descalabros do ocupante da cadeira presidencial. Bastou a eclosão da pandemia de coronavirus para revelar ao Brasil e ao mundo a total incompetência e incapacidade política de Bolsonaro para dirigir o país. Seu projeto político de revogar conquistas trabalhistas e sociais dos trabalhadores e do povo e com tais medidas submeter ainda mais a nação aos interesses mesquinhos da minoria privilegiada está naufragando. Este fracasso provoca desconfiança até nos representantes das classes dominantes e nos representantes do grande capital. O povo quer Bolsonaro fora para ter uma vida melhor, parte das classes dominantes o quer fora para encontrar alguém mais capacitado para defender seus privilégios.
Não se pode esquecer que os processos de impeachment nunca são iguais. Começam, se desenvolvem, alcançam o clímax e chegam a um desfecho seja lá qual for. No período histórico e democrático pós constituição de 1988, o Brasil viveu dois momentos cruciais: o processo de impedimento de Fernando Collor que o levou à renúncia e o processo de impeachment/golpe que provocou a destituição da presidenta Dilma Roussef.
Nas primeiras eleições democráticas e diretas após a ditadura miliar, realizadas em 1989, as classes direitistas e conservadores aglutinaram-se em torno de Fernando Collor no segundo turno para derrotar Lula. Conseguiram apertada vitória, auxiliados por uma edição facciosa da TV Globo do último debate entre os dois candidatos e pela mentira, divulgada amplamente pela mídia, de suposta relação entre o sequestro do empresário Abilio Diniz com a campanha eleitoral de Lula.. Chegaram à desfaçatez de vestirem camisetas do PT nos sequestradores. Portanto, a história revela que a farsa policial e jurídica que impediram Lula de eleger-se presidente em 2018 não é novidade.
O aventureiro Collor logo se revelou ao país. Corrupção, demagogia, escândalos, insanidade, provocaram uma ampla campanha política que levou ao processo de impeachment e renúncia do presidente collorido.

País tem 78 mortes e 2.915 casos confirmados de coronavírus


Os números representam um aumento de 54% nos casos em relação ao início da semana

Foto: Michael Schwenk/Fotos Públicas
Foto: Michael Schwenk/Fotos Públicas

O Brasil completa nesta quinta-feira (26) um mês do primeiro caso confirmado do novo coronavírus (covid-19). Durante este período a pandemia produziu 78 mortes, conforme atualização do Ministério da Saúde. A taxa de letalidade é de 2,7%.

Na quarta, as mortes já haviam se expandido para além de São Paulo e do Rio de Janeiro, com falecimentos em Pernambuco, no Rio Grande do Sul e no Amazonas.

Considerando um mês após o primeiro infectado, o Brasil fica atrás da China (213 mortes e 9.802 casos) mas a frente da Itália (29 mortes e 1.694 casos).

O total de casos confirmados saiu de 2.433 ontem para 2.915 casos. O resultado marcou um aumento de 54% nos casos em relação ao início da semana, quando foram contabilizadas 1.891 pessoas infectadas.

Falta de testes para Covid-19 em Vitória da Conquista causa angústia e indignação em pacientes suspeitos


 O clima é de desconfiança em meio à troca de acusações entre Prefeitura e Governo do Estado e reforça a possibilidade de haver subnotificação de casos na cidade

Avoador – Era noite da última segunda-feira, 23, quando um áudio enviado ao jornalista Ricardo Gordo começou a circular em grupos de WhatsApp de Vitória da Conquista. A voz por trás da gravação era de Amanda Santos, moradora do bairro Cidade Modelo. A balconista fazia um apelo ao repórter para que ele ajudasse o marido dela a conseguir fazer o teste para a Covid-19.

Segundo Amanda, seu esposo apresentava sintomas da doença desde que havia retornado, no dia 19, de uma viagem a São Paulo. Por isso, ele procurou uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde foi orientado a ficar em isolamento domiciliar. Além disso, foi informado ainda que a coleta de secreção nasal e da garganta, necessária para detectar a presença do coronavírus em seu organismo, seria feita, posteriormente, pela equipe da Vigilância de Saúde de Conquista.

Três dias depois, porém, a espera do casal pela realização do teste se tornou mais angustiante, pois Amanda e seu marido já haviam sido avisados que não tinha mais kits de coleta no município. À sua angústia, se somaram a indignação e a desconfiança sobre a ausência de casos confirmados na cidade. Foi então que ela e sua família decidiram expor a situação na mídia: “Meu marido vai precisar morrer para que os casos de coronavírus em Vitória da Conquista comecem a aparecer?”, questionou ao final do áudio.

O apelo aos veículos jornalísticos surtiu efeito. Na última terça-feira, 24, a coleta do material necessário para o exame laboratorial do seu esposo foi feita. Por outro lado, a situação enfrentada por Amanda e sua família expôs os efeitos causados pela suposta ausência desses kits de coleta na vida de conquistenses que apresentaram sintomas da Covid-19. Muitos deles ainda convivem com a incerteza de não saber se estão ou não com a doença, que já foi registrada em 17 municípios baianos.

Salvador concentra a maioria dos casos registrados de Covid-19 na Bahia. Infográfico: Avoador.

A arquiteta Carolina Santana* é uma dessas pessoas. Ela apresentou alguns dos sintomas da Covid-19, como tosse, dor de garganta e dor de cabeça, a partir do último dia 15, logo após voltar de uma viagem para a festa de formatura de um amigo, em Salvador, onde já havia casos confirmados da doença. Na terça-feira, 17, após perceber que não melhorava, ela procurou um médico, que identificou os sintomas como sendo os mesmos de uma gripe comum.

Apesar disso, ele a incluiu na lista de suspeitos e a orientou a continuar em quarentena. “A partir desse momento, eu me isolei no meu quarto, apesar de morar com minha família. Todos os meus talheres, pratos e copos foram separados. Eu procuro não sair pela casa e, quando eu saio, uso máscara”, relatou Carolina à reportagem do Avoador.

De acordo com a arquiteta, logo após chegar da consulta com o médico, ela ligou para o Labo, por ter sido informada que a organização estava fazendo testes para a Covid-19 na cidade, desde que houvesse recomendação médica. Entretanto, ela descobriu que já não havia mais testes disponíveis no Laboratório. Foi aí que ela decidiu entrar em contato com a Vigilância de Saúde do município, na quarta-feira, 18.

Primeiramente, ela respondeu a um extenso questionário, detalhando todos os seus sintomas e aspectos relacionados à sua saúde. Então, também lhe disseram que seu caso seria notificado e que enviariam um agente até sua casa para lhe examinar e realizar a coleta de secreção para dar prosseguimento ao teste. Porém, de acordo com Carolina, até o momento não fizeram isso.

Mais de uma semana depois da sua consulta e apesar de já não apresentar mais os sintomas, ela segue adotando as mesmas medidas de precaução, pois os membros de sua família fazem parte do grupo de risco e a arquiteta tem medo de acabar contaminando algum deles por não ter certeza se está ou não com a Covid-19. “Me sinto sozinha e muito mal de ter algum contato com eles e isso acabar acontecendo. Se eu tivesse a certeza de que não estou com o vírus, eu estaria em quarentena, mas junto com eles. Porém, não saberei se tenho a doença ou não porque simplesmente não tenho como testar”.

Na página da Prefeitura Municipal no Facebook, chamou atenção dos internautas na noite dessa quarta-feira, 25, o comentário da conquistense Poliana Gonçalves em uma publicação na qual o prefeito Herzem Gusmão agradece aos profissionais que estão “na linha de frente do combate à Covid-19”. Em seu relato, Poliana se identifica como uma dessas profissionais e conta que está com sintomas da doença. Diz ainda que ligou três vezes para a Vigilância Sanitária para informar o seu estado de saúde, mas destaca que não obteve nenhum retorno.

Só hoje, quando ela decidiu se dirigir até uma UPA para fazer uma consulta, foi avisada pelo médico que a atendeu que seus sintomas são, sim, de Covid-19. “Já me falaram que o teste não vai ser feito em mim. Falaram pra esperar pra ver como vou ficar com o isolamento. Febre não passa com isolamento. Falta de ar não passa com isolamento. O teste é 500 reais. E aí, querido prefeito? É me isolar e esperar a morte?”, questionou.

Impasse entre PMVC e Governo do Estado

A falta de testes foi denunciada pela própria Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista, que publicou nota, no dia 22, afirmando que eles são de responsabilidade do Governo do Estado e que este não estaria repassando os kits necessários para a coleta das amostras de secreção que são encaminhadas para análise no Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), localizado em Salvador. É de lá que saem os resultados, que duram, em média, 48 horas para serem divulgados, segundo a Secretaria de Saúde do Estado (Sesab).

A Prefeitura afirmou que é também do Lacen que são enviados os kits utilizados para a realização da coleta. A assessoria do Governo do Estado, no entanto, também divulgou nota em resposta à denúncia da PMVC, no dia 23, dizendo que “a coleta do material em pacientes com sintomas da Covid-19 é feita com aparelho descartável disponível em qualquer unidade básica de saúde”. A reportagem do Avoador foi até dois postos de saúde da cidade, na terça-feira, 24, para tentar checar essa informação. Porém, fomos informados por funcionários dessas unidades que eles estão estritamente proibidos de dar qualquer declaração à imprensa sem autorização da Secretaria Municipal de Comunicação.

Já nessa quarta-feira, 25, uma fonte anônima nos enviou uma nota técnica que parece contradizer o posicionamento emitido pelo Governo do Estado. O documento, elaborado pela própria Sesab e datado de 28 de fevereiro deste ano, descreve as instruções para coleta e cadastro das amostras dos casos suspeitos de Covid-19 na Bahia. Mas constam nele também orientações para solicitar os kits de coleta ao Lacen, que, por sua vez, é abastecido pela Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz). 17,9 mil testes foram distribuídos a Lacens de todo o país até a última quinta-feira, 19, a pedido do Ministério da Saúde.

Em Laboratórios como o de Salvador, são disponibilizados dois tipos de materiais, segundo a nota: um “tubo plástico com tampa de rosca com Meio de Transporte Viral” e um “Swab de Rayon” (similar a um cotonete). O tubo, responsável por preservar a amostra coletada com o Swab, seria o material que, segundo a PMVC, estaria em falta, impedindo que a coleta fosse realizada em Conquista e enviada ao Lacen. Em réplica da Prefeitura à nota emitida pela assessoria do governo estadual, foi afirmado ainda que os resultados dos testes não têm saído em até 48 horas, mas sim em uma média de cinco dias.

O isolamento social e os desafios durante o enfrentamento ao Coronavírus


 

É necessário entender que estamos atravessando uma grave crise provocada pelo Coronavírus (Covid-19), que provocou uma situação de emergência sanitária e crise na economia mundial. A Organização Mundial de Saúde (OMS) classificou como pandemia, pois já levou milhares de pessoas à morte, e bilhões de pessoas ao isolamento social em diversos países do mundo. Portanto, é um desafio muito sério a ser enfrentado.
Na Itália o número de pessoas mortas já ultrapassou o da China, (o epicentro da pandemia), e as evidências mostram que isso ocorreu porque o governo italiano não fez o Isolamento social no momento adequado, ou seja, subestimaram a grave crise provocada pela pandemia do Covid-19, o que levou milhares de italianos à morte.

O melhor exemplo dado foi o da Coreia do Sul, onde fizeram o isolamento antes da pandemia se alastrar, e os resultados alcançados foram excelentes, o que reforçou a tese de que fazer o isolamento é o mais correto, porque comprovadamente ajuda a salvar vidas. Por isso, salvar vidas é o primeiro desafio.
O segundo desafio é criar uma rede de assistência e serviços, a exemplo de uma renda social para garantir os direitos básicos da população de baixa renda, dos autônomos, trabalhadores informais e dos trabalhadores que poderão ter seus contratos suspensos, e de todos os que estão desempregados, para que essas pessoas possam alimentar-se, ter acesso ao atendimento de saúde, higienizar-se, ter acesso contínuo aos serviços de fornecimento de água, energia e gás.

O terceiro desafio inclui os Governos Federal, Estaduais e Municipais, que devem criar um programa de recuperação da economia com financiamento público e, envolvendo as empresas, os comerciantes, também geradores de emprego e renda.

Para superar esta grave crise devemos somar esforços, independentemente de posicionamentos ideológicos, político-partidários ou religiosos. Somente assim construiremos uma solução diante de um problema que é mundial, e que os governos ainda estão aprendendo como enfrentá-lo.

Uma possibilidade que já discutem é a quarentena vertical, na qual apenas os grupos de riscos ficarão em casa. São discussões a serem feitas, mas ouvindo antes os especialistas e profissionais da saúde para que se garanta o controle sanitário.
A única certeza no momento é que devemos priorizar vidas e agir com responsabilidade social, fazendo o devido planejamento para recuperar a economia. Entendo que apenas dessa forma iremos atravessar esta grave crise.

Um abraço, Professor Cori. vereador em Vitória da Conquista

Segurança de Bolsonaro, com 39 anos, está em estado grave com coronavírus


Um segurança de Jair Bolsonaro está em estado grave, após ser infectado com o coronavírus. Ari Celso Rocha de Lima Barros é capitão da PM-DF e foi internado no Hospital de Base do Distrito Federal

(Foto: Isac Nobrega – PR)

Um segurança de Jair Bolsonaro está em estado grave, após ser infectado com o coronavírus. Ari Celso Rocha de Lima Barros tem 39 anos e foi internado na noite dessa quarta-feira (25) no Hospital de Base do Distrito Federal. Barros é capitão da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) e foi diagnosticado com a doença em 18 de março. Desde então, cumpria isolamento domiciliar. Mas, segundo a família, o quadro piorou.

“Estava em casa, sob controle. Ontem (quarta), se sentiu mal e foi internado no Hospital de Base”, contou a mãe do segurança, dona Julmar Rocha de Lima de Barros, ao site Metrópoles. “Ele trabalha na Presidência. É segurança do presidente. Ele sempre viaja com ele. E eu acredito que esse vírus ele adquiriu nessas viagens que fez”, acrescentou. Na viagem de Miami, em que integrantes da comitiva presidencial adoeceram, Ari não esteve presente.

Leia a íntegra no Metrópoles

Coronavírus sofre mutações no Brasil e reforça necessidade de quarentena


Sequenciamento genético feito por cientistas brasileiros aponta que o novo coronavírus sofreu mutações desde que chegou ao país. Mutações reforçam a necessidade de medidas como a quarentena, o que vem sendo negado por Jair Bolsonaro sob a justificativa de que a covid-19 é apenas uma “gripezinha”

(Foto: Reuters | Reprodução | Roberto Parizotti)

De acordo com reportagem do jornal O Globo, o trabalho de vigilância genética viral mapeou os vírus de 19 pacientes em hospitais do, Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Ao todo, 17 vírus foram identificados como sendo de origem europeia e os outros dois de origem asiática.

“Nosso trabalho reforça a importância do isolamento social e da testagem para conter a transmissão da Covid-19 no Brasil. São as armas que temos agora. Não teremos vacina ou remédios prontos a tempo de salvar as vítimas dessa pandemia”, diz um dos coordenadores da pesquisa, Renato Santana, do Departamento de Genética, Ecologia e Evolução da UFMG.

 O sequenciamento genético do novo coronavírus, feito em tempo recorde por cientistas brasileiros em pacientes das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, apontam que o vírus já sofreu mutações no país que apontam características distintas dos coronavírus introduzidos. Para os especialistas, as mutações reforçam a necessidade de medidas como a querentena, o que vem sendo negado por Jair Bolsonaro alegando que não se pode deixar o país quebrar por causa de uma “gripezinha”.

Mapa do dia 26 5ª feira sobre o coronavírus


Bolsonaro defende isolamento vertical

Governadores querem renda mínima

96% dos shoppings estão fechados

Príncipe Charles é 1 dos infectados

O Brasil amanhece nesta 5ª feira (26.mar.2020) com o governo federal e os Estados em conflito a respeito da propagação do coronavírus. O presidente da República segue defendendo o isolamento vertical, com o argumento de que a economia precisa ser protegida. Os mandatários estaduais insistem que a quarentena geral é necessária para enfrentar a escalada da covid-19 e diminuir o número de mortes.

Clique aqui para entender o jogo de pôquer de Jair Bolsonaro e dos governadores. E leia aqui o que abre e o que fecha em cada Estado e nas capitais por conta da pandemia.

Congresso fará renda mínima durante pandemia se governo demorar, diz senador


Congressista cobra MP do Planalto

Afirma que medida está atrasada

Senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) durante entrevista ao Poder360 em outubroSérgio Lima/Poder360 – 30.out.2019

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) cobrou do governo medida imediata para proporcionar renda durante a crise econômica provocada pela covid-19. “Isso deveria ser a primeira medida”, disse em entrevista ao Poder360 nesta 4ª feira (25.mar.2020).

Vieira disse que espera uma medida provisória para que a implementação seja mais rápida. Mas diz que há vários projetos no Congresso sobre o tema“A escolha política do governo é se ele estará vencedor ou derrotado nesse processo”, afirmou.

Ele criticou o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro em cadeia de rádio e televisão na 3ª feira (24.mar). “Foi absolutamente irresponsável, equivocado. O presidente Jair Bolsonaro insiste em permanecer em uma bolha com certa dose de ignorância, indo na contramão do que a maioria dos países vem fazendo do ponto vista de medidas sanitárias e econômicas”, afirmou.

Assista à íntegra da entrevista concedida em 25 de março abaixo (18min09seg):

Para o senador, a prioridade deve ser a redução do número de mortos com a covid-19, independentemente dos custos com as medidas restritivas que governos estaduais e municipais vêm adotando. “Você não pode trocar vida por dinheiro. A vida é o bem maior. Isso está na Constituição”, disse.

Argumenta, porém, que é possível buscar a redução das perdas econômicas. “Se isso for feito com boa coordenação, reduz o dano para o cidadão e para a economia O problema da gestão Bolsonaro é que há divergência entre técnicos e o poder político”, afirmou.

Sobre a redução de salários de funcionários públicos e congressistas, ele disse que aceita, desde que se discutam antes alternativas, como o uso das emendas ao Orçamento e o fundo partidário.

Tem uma serie de movimentos para fazer antes de interferir no salário das pessoas. Mas quando chegar nesse ponto, não tem dúvida de que a gente vai fazer a nossa parte nesse esforço”, disse.