{"id":130432,"date":"2026-08-16T02:25:45","date_gmt":"2026-08-16T05:25:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/?p=130432"},"modified":"2026-08-16T02:25:45","modified_gmt":"2026-08-16T05:25:45","slug":"50-anos-da-morte-de-juscelino-kubitschek","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/2026\/08\/16\/50-anos-da-morte-de-juscelino-kubitschek\/","title":{"rendered":"50 anos da morte de Juscelino Kubitschek"},"content":{"rendered":"<p><strong>Livro revisita o legado de Juscelino Kubitschek e questiona os custos do desenvolvimentismo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Em \u201cJuscelino: Uma Cr\u00edtica ao Desenvolvimentismo\u201d, Ant\u00f4nio Claret Jr. e Lucas Berlanza analisam as consequ\u00eancias econ\u00f4micas, pol\u00edticas e institucionais do modelo associado ao ex-presidente<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/files.pressmanager.net\/clientes\/655c59c0f8313d741e0c6781a1eaad30\/imagens\/2026\/08\/15\/d3a6564adb9aef7bac1677264a948415.jpg\" alt=\"\" width=\"851\" height=\"462\" \/><\/p>\n<p><em>Ant\u00f4nio Claret Jr. e Lucas Berlanza &#8211; Divulga\u00e7\u00e3o &#8211;\u00a0<\/em><a href=\"https:\/\/imagens.pressmanager.net\/galeria?rid=1133331&amp;rhash=f29c2fbfe834432071125e741ac0ad07&amp;did=1840764080&amp;dhash=4e40ee8ffed8fac60e2e8707c4bbbe8a\"><em>Visualizar todas as imagens em alta resolu\u00e7\u00e3o<\/em><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0s v\u00e9speras dos 50 anos de sua morte, Juscelino Kubitschek continua ocupando um lugar singular no imagin\u00e1rio brasileiro. Associado ao lema \u201c50 anos em 5\u201d, \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia e \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria automobil\u00edstica, JK tornou-se s\u00edmbolo de uma \u00e9poca marcada pelo otimismo e pela cren\u00e7a de que o Brasil poderia superar rapidamente o subdesenvolvimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa mem\u00f3ria consagrada \u00e9 reexaminada por Ant\u00f4nio Claret Jr. e Lucas Berlanza em\u00a0<strong>\u201cJuscelino: Uma Cr\u00edtica ao Desenvolvimentismo\u201d<\/strong>, publicado pela LVM Editora. Em vez de uma biografia tradicional, o livro analisa a trajet\u00f3ria p\u00fablica de JK e as consequ\u00eancias do modelo pol\u00edtico e econ\u00f4mico adotado em suas passagens pela Prefeitura de Belo Horizonte, pelo Governo de Minas Gerais e pela Presid\u00eancia da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A obra aborda o desenvolvimentismo como uma estrat\u00e9gia baseada na atua\u00e7\u00e3o do Estado como indutor da industrializa\u00e7\u00e3o, nos grandes investimentos p\u00fablicos e na atra\u00e7\u00e3o de capital estrangeiro. O objetivo n\u00e3o \u00e9 negar a import\u00e2ncia hist\u00f3rica de JK, mas discutir os custos que acompanharam suas principais realiza\u00e7\u00f5es. \u201cJuscelino tinha uma combina\u00e7\u00e3o rara de carisma, habilidade pol\u00edtica e capacidade de transmitir confian\u00e7a. Seu governo ficou associado \u00e0 ideia de que o Brasil estava deixando para tr\u00e1s o atraso e entrando em uma fase de crescimento\u201d, afirmam os autores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Plano de Metas concentrou investimentos em \u00e1reas como energia, transportes, alimenta\u00e7\u00e3o, ind\u00fastria de base e educa\u00e7\u00e3o. Bras\u00edlia, inicialmente fora das 30 metas setoriais, tornou-se a chamada \u201cmeta-s\u00edntese\u201d do projeto. Segundo a Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas, o programa alcan\u00e7ava setores p\u00fablicos e privados respons\u00e1veis por aproximadamente um quarto da produ\u00e7\u00e3o nacional. A pol\u00edtica econ\u00f4mica combinava interven\u00e7\u00e3o estatal, participa\u00e7\u00e3o do capital privado brasileiro e entrada de investimentos estrangeiros para acelerar a industrializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os resultados foram relevantes. Durante o per\u00edodo, a economia brasileira cresceu, em m\u00e9dia, mais de 7% ao ano, enquanto a produ\u00e7\u00e3o industrial avan\u00e7ou e o setor automobil\u00edstico se consolidou. A instala\u00e7\u00e3o das montadoras impulsionou fornecedores, gerou empregos e difundiu novos conhecimentos t\u00e9cnicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Claret Jr. e Berlanza, entretanto, o per\u00edodo tamb\u00e9m consolidou a ideia de que caberia ao Estado selecionar setores estrat\u00e9gicos, direcionar investimentos, conceder incentivos e proteger determinadas atividades. \u201cEsse modelo produziu resultados importantes, como a expans\u00e3o da infraestrutura e da ind\u00fastria. Seria errado ignorar isso. Mas ele tamb\u00e9m fortaleceu uma cultura de depend\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao Estado, estimulando subs\u00eddios, protecionismo e uma rela\u00e7\u00e3o muito pr\u00f3xima entre poder p\u00fablico e grupos econ\u00f4micos\u201d, afirma Claret Jr.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro destaca que a acelera\u00e7\u00e3o do crescimento foi acompanhada pelo aumento dos gastos p\u00fablicos, pelo endividamento externo e por press\u00f5es inflacion\u00e1rias. Levantamento hist\u00f3rico do CPDOC registra que a infla\u00e7\u00e3o m\u00e9dia anual passou de 13,5%, entre 1948 e 1955, para 22,4% durante o governo JK. Parte dos investimentos tamb\u00e9m foi financiada por opera\u00e7\u00f5es externas de curto prazo e custo elevado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na vis\u00e3o dos autores, o \u00eaxito pol\u00edtico de Juscelino acabou sendo confundido com a efic\u00e1cia permanente de seu modelo econ\u00f4mico. \u201cO maior equ\u00edvoco \u00e9 transformar Juscelino em um personagem que n\u00e3o pode ser criticado. JK foi relevante, tinha talento pol\u00edtico, conduziu grandes projetos e marcou o pa\u00eds. O ponto do livro \u00e9 questionar se o modelo desenvolvimentista adotado por ele deve continuar servindo como refer\u00eancia\u201d, explicam.<\/p>\n<p><strong>Bras\u00edlia: s\u00edmbolo e contradi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Inaugurada em 21 de abril de 1960, Bras\u00edlia sintetiza as realiza\u00e7\u00f5es e as contradi\u00e7\u00f5es do per\u00edodo. A nova capital representou um marco arquitet\u00f4nico, urban\u00edstico e pol\u00edtico, favoreceu a interioriza\u00e7\u00e3o do desenvolvimento e concretizou uma aspira\u00e7\u00e3o presente em constitui\u00e7\u00f5es anteriores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao mesmo tempo, segundo os autores, a obra exigiu elevados recursos p\u00fablicos em um pa\u00eds que ainda enfrentava graves problemas em \u00e1reas como educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e saneamento. \u201cBras\u00edlia sintetiza a l\u00f3gica das grandes obras, da forte presen\u00e7a estatal e do crescimento acelerado, mas com pouca preocupa\u00e7\u00e3o com os custos fiscais e os efeitos de longo prazo\u201d, afirma Lucas Berlanza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para os autores, a capital n\u00e3o deve ser vista apenas como uma demonstra\u00e7\u00e3o do sucesso de JK nem como simples desperd\u00edcio de recursos. Ela representa tanto a capacidade realizadora do per\u00edodo quanto os dilemas econ\u00f4micos do modelo utilizado para viabiliz\u00e1-la.<\/p>\n<p><strong>Uma discuss\u00e3o que permanece atual<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora examine decis\u00f5es tomadas entre as d\u00e9cadas de 1940 e 1960, o livro dialoga com quest\u00f5es contempor\u00e2neas: qual deve ser o papel do Estado na economia? Como financiar investimentos p\u00fablicos? Como conciliar crescimento, responsabilidade fiscal, planejamento e participa\u00e7\u00e3o do setor privado?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA experi\u00eancia de JK mostra que \u00e9 poss\u00edvel acelerar a economia por meio do gasto p\u00fablico e da expans\u00e3o do investimento estatal. A quest\u00e3o \u00e9 o que acontece depois. Quando esse crescimento vem acompanhado de infla\u00e7\u00e3o, endividamento e perda de efici\u00eancia, os custos aparecem mais cedo ou mais tarde\u201d, afirmam Claret Jr. e Berlanza. A cr\u00edtica da obra n\u00e3o se dirige ao investimento p\u00fablico em si, mas \u00e0 ideia de que o Estado pode impulsionar continuamente a economia sem considerar limites fiscais, qualidade dos gastos, produtividade dos projetos e condi\u00e7\u00f5es para o investimento privado.<\/p>\n<p><strong>A mem\u00f3ria de JK 50 anos depois<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Juscelino morreu em 22 de agosto de 1976, em um acidente na Rodovia Presidente Dutra. A proximidade dos 50 anos de sua morte tamb\u00e9m reabre as discuss\u00f5es sobre as circunst\u00e2ncias do epis\u00f3dio. Em 2014, a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade concluiu que n\u00e3o havia elementos materiais que indicassem homic\u00eddio. Em 2026, por\u00e9m, um relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o Especial sobre Mortos e Desaparecidos Pol\u00edticos voltou a apontar a possibilidade de atentado. \u201cCaso um dia haja uma conclus\u00e3o definitiva sobre as circunst\u00e2ncias da morte de JK, isso certamente ter\u00e1 impacto na compreens\u00e3o de seus \u00faltimos anos e de sua rela\u00e7\u00e3o com a ditadura militar. Mas n\u00e3o altera o debate sobre o legado pol\u00edtico e econ\u00f4mico de seu governo\u201d, afirmam os autores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao examinar Juscelino por um \u00e2ngulo menos habitual,\u00a0<strong>\u201cJuscelino: Uma Cr\u00edtica ao Desenvolvimentismo\u201d<\/strong>\u00a0convida o leitor a separar a for\u00e7a simb\u00f3lica de JK da avalia\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas que implementou. Mais do que negar seus feitos, a obra questiona os custos do crescimento acelerado e a perman\u00eancia dessa heran\u00e7a na maneira como o Brasil ainda discute desenvolvimento, planejamento e atua\u00e7\u00e3o estatal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Livro revisita o legado de Juscelino Kubitschek e questiona os custos do desenvolvimentismo Em \u201cJuscelino: Uma Cr\u00edtica ao Desenvolvimentismo\u201d, Ant\u00f4nio Claret Jr. e Lucas Berlanza analisam as consequ\u00eancias econ\u00f4micas, pol\u00edticas e institucionais do modelo associado ao ex-presidente &nbsp; Ant\u00f4nio Claret Jr. e Lucas Berlanza &#8211; Divulga\u00e7\u00e3o &#8211;\u00a0Visualizar todas as imagens em alta resolu\u00e7\u00e3o \u00c0s v\u00e9speras [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":130433,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[103,71],"tags":[8734,8732,8733,1703,1108],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/130432"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=130432"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/130432\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":130434,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/130432\/revisions\/130434"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/130433"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=130432"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=130432"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=130432"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}