{"id":130198,"date":"2026-07-30T07:30:42","date_gmt":"2026-07-30T10:30:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/?p=130198"},"modified":"2026-07-29T16:43:38","modified_gmt":"2026-07-29T19:43:38","slug":"mais-de-50-das-brasileiras-afirmam-ter-sofrido-violencia-em-relacionamentos-aponta-pesquisa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/2026\/07\/30\/mais-de-50-das-brasileiras-afirmam-ter-sofrido-violencia-em-relacionamentos-aponta-pesquisa\/","title":{"rendered":"Mais de 50% das brasileiras afirmam ter sofrido viol\u00eancia em relacionamentos, aponta pesquisa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Estudo do Instituto Patr\u00edcia Galv\u00e3o e do Instituto Locomotiva revela abismo entre relatos das v\u00edtimas e percep\u00e7\u00e3o dos agressores, al\u00e9m de expor impunidade e lentid\u00e3o da Justi\u00e7a como maiores gargalos.<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">Mais da metade (54%) das brasileiras que j\u00e1 se relacionaram com homens afirmam ter sido v\u00edtimas de algum tipo de viol\u00eancia praticada por parceiros ou ex-parceiros. Em contrapartida, apenas 11% dos homens admitem ter cometido qualquer tipo de agress\u00e3o contra suas companheiras ou antigas parceiras, segundo reportagem do\u00a0<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/politica\/noticia\/2026\/07\/29\/mais-da-metade-das-brasileiras-que-ja-se-relacionaram-com-homens-dizem-ter-sofrido-violencia-diz-pesquisa.ghtml\">G1<\/a> com base na pesquisa in\u00e9dita \u201c20 anos da Lei Maria da Penha: percep\u00e7\u00e3o da sociedade brasileira\u201d, realizada pelo Instituto Patr\u00edcia Galv\u00e3o e pelo Instituto Locomotiva, com o apoio da Uber.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">O levantamento traz um balan\u00e7o abrangente sobre as duas d\u00e9cadas de vig\u00eancia da legisla\u00e7\u00e3o e projeta que cerca de 30 milh\u00f5es de mulheres no Brasil dizem j\u00e1 ter sofrido viol\u00eancia no \u00e2mbito de um relacionamento afetivo. Quando o questionamento detalha situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de abuso, o n\u00famero de v\u00edtimas brasileiras salta para quase 48 milh\u00f5es. O objetivo central do estudo \u00e9 mensurar o n\u00edvel de conhecimento da popula\u00e7\u00e3o, avaliar a efetividade dos mecanismos de prote\u00e7\u00e3o e identificar os desafios persistentes no combate \u00e0s desigualdades de g\u00eanero.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Formas de agress\u00e3o e o perfil dos agressores<\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">A viol\u00eancia psicol\u00f3gica lidera os relatos das entrevistadas, sendo citada por 42% das mulheres. Na sequ\u00eancia aparecem a viol\u00eancia f\u00edsica (25%), a viol\u00eancia moral (19%), a viol\u00eancia sexual (10%) e a viol\u00eancia patrimonial (9%). No total, mais da metade das brasileiras declara ter sido v\u00edtima de pelo menos uma dessas modalidades previstas na legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">O estudo tamb\u00e9m revela uma assimetria no conhecimento sobre os tipos de abuso: a viol\u00eancia f\u00edsica \u00e9 reconhecida por 88% das mulheres, a psicol\u00f3gica por 78%, a sexual por 76% e a moral por 61%. A viol\u00eancia patrimonial figura como a menos conhecida, lembrada por 46% das entrevistadas. Al\u00e9m disso, somente 39% das brasileiras sabem que a Lei Maria da Penha abrange e protege contra todos esses cinco tipos de viol\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A percep\u00e7\u00e3o de quem pratica as agress\u00f5es refor\u00e7a a proximidade dos autores:<\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Parceiros ou ex-parceiros:<\/strong>\u00a088%<\/li>\n<li><strong>Familiares ou parentes pr\u00f3ximos:<\/strong>\u00a033%<\/li>\n<li><strong>Pessoas conhecidas:<\/strong>\u00a029%<\/li>\n<li><strong>Desconhecidos:<\/strong>\u00a027%<\/li>\n<li><strong>Todos os tipos de homens igualmente:<\/strong>\u00a09%<\/li>\n<li><strong>Outras mulheres:<\/strong>\u00a06%<\/li>\n<\/ul>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Gargalos no enquadramento e na prote\u00e7\u00e3o das v\u00edtimas<\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">Apesar dos progressos legislativos, a pesquisa aponta que a sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a permanece intr\u00ednseca ao cotidiano feminino. Entre os principais obst\u00e1culos para o enfrentamento da viol\u00eancia contra a mulher, as entrevistadas destacam:<\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Medo de denunciar por repres\u00e1lias ou falta de prote\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a068%<\/li>\n<li><strong>Risco de impunidade dos agressores:<\/strong>\u00a056%<\/li>\n<li><strong>Lentid\u00e3o da Justi\u00e7a:<\/strong>\u00a039%<\/li>\n<li><strong>Cultura que naturaliza ou minimiza a viol\u00eancia:<\/strong>\u00a035%<\/li>\n<li><strong>Falta de servi\u00e7os de apoio \u00e0s v\u00edtimas:<\/strong>\u00a025%<\/li>\n<li><strong>Falta de aplica\u00e7\u00e3o das leis:<\/strong>\u00a024%<\/li>\n<li><strong>Falta de preparo das for\u00e7as de seguran\u00e7a:<\/strong>\u00a023%<\/li>\n<li><strong>Falta de informa\u00e7\u00e3o sobre direitos e canais de ajuda:<\/strong>\u00a017%<\/li>\n<li><strong>Falta de envolvimento dos homens no enfrentamento da viol\u00eancia:<\/strong>\u00a013%<\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">As medidas protetivas de urg\u00eancia s\u00e3o de amplo conhecimento do p\u00fablico feminino: 83% conhecem as medidas que impedem a aproxima\u00e7\u00e3o do agressor, 74% sabem sobre o afastamento do agressor do lar, 68% identificam os abrigos para mulheres em situa\u00e7\u00e3o de risco, 64% mencionam o atendimento psicol\u00f3gico e jur\u00eddico gratuito, enquanto 38% conhecem a prote\u00e7\u00e3o patrimonial destinada \u00e0s v\u00edtimas.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">No tocante aos servi\u00e7os de apoio, a Delegacia da Mulher \u00e9 o \u00f3rg\u00e3o mais lembrado pelas entrevistadas (75%), seguida pelo Ligue 180 (64%), Pol\u00edcia Militar\/190 (55%), Disque Den\u00fancia (54%), CRAS e CREAS (34%), Juizados de Viol\u00eancia Dom\u00e9stica e Familiar (34%), SOS Mulher (32%), Casa da Mulher Brasileira (32%), Defensoria P\u00fablica (29%) e Minist\u00e9rio P\u00fablico (23%).<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Rea\u00e7\u00f5es diante de agress\u00f5es e comportamento masculino<\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">Diante de uma cena de agress\u00e3o presenciada contra uma mulher, a postura de homens e mulheres apresenta diverg\u00eancias. Enquanto 70% das mulheres afirmam que chamariam a pol\u00edcia ou outras autoridades, entre os homens esse percentual cai para 56%. J\u00e1 a interven\u00e7\u00e3o direta usando a for\u00e7a, se necess\u00e1rio, \u00e9 a op\u00e7\u00e3o de 15% dos homens contra 7% das mulheres; 19% dos homens tentariam intervir discretamente sem uso da for\u00e7a (contra 9% das mulheres); 11% das mulheres procurariam ajuda de outras pessoas (contra 4% dos homens); 3% dos homens dizem que n\u00e3o interfeririam (contra 1% das mulheres); e 3% dos homens n\u00e3o souberam responder (contra 1% das mulheres).<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">A pesquisa aponta ainda um distanciamento cultural sobre o tema: 77% das mulheres acreditam que os homens n\u00e3o entendem determinadas atitudes como viol\u00eancia, e 82% consideram que muitos homens se omitem diante de agress\u00f5es cometidas por outros homens.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">Do lado masculino, a legisla\u00e7\u00e3o demonstra certo impacto comportamental: 57% dos homens concordam que a exist\u00eancia da Lei Maria da Penha faz com que tratem as mulheres de forma melhor, e 60% afirmam que a lei os deixa mais em alerta sobre os riscos de cometer viol\u00eancia no dia a dia.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Impacto social e desafios para o futuro da lei<\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">Criada para prevenir e coibir a viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar no Brasil, a Lei n\u00ba 11.340\/2006 homenageia a farmac\u00eautica Maria da Penha, que ficou parapl\u00e9gica ap\u00f3s sofrer duas tentativas de feminic\u00eddio praticadas por seu ent\u00e3o marido e lutou por quase duas d\u00e9cadas at\u00e9 obter a puni\u00e7\u00e3o do agressor.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">O levantamento revela a transforma\u00e7\u00e3o da percep\u00e7\u00e3o social em rela\u00e7\u00e3o ao passado: 81% das entrevistadas lembram que antes da lei predominava a ideia de que \u201cem briga de marido e mulher n\u00e3o se mete a colher\u201d, 81% afirmam que as mulheres n\u00e3o tinham onde buscar ajuda e 64% pontuam que as puni\u00e7\u00f5es eram brandas.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">Atualmente, 7 em cada 10 mulheres afirmam que a lei produz impacto real na vida da popula\u00e7\u00e3o feminina, 54% declaram se sentir mais protegidas por sua exist\u00eancia e 3 em cada 4 dizem que a legisla\u00e7\u00e3o as tornou mais conscientes sobre os riscos de viol\u00eancia. A associa\u00e7\u00e3o principal feita \u00e0 lei por quem a conhece \u00e9 a prote\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres e v\u00edtimas (73%), a responsabiliza\u00e7\u00e3o criminal dos agressores (15%), a preven\u00e7\u00e3o e enfrentamento (4%), a prote\u00e7\u00e3o institucional e acesso \u00e0 Justi\u00e7a (3%), direitos e cidadania (3%), cr\u00edticas ou nega\u00e7\u00e3o (1%) e outros (1%).<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda assim, o descr\u00e9dito no sistema completo de aplica\u00e7\u00e3o persiste:<\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li style=\"text-align: justify;\"><strong>Prote\u00e7\u00e3o efetiva:<\/strong>\u00a0Apenas 25% acreditam que a lei protege totalmente as mulheres; 67% dizem que protege em parte e 8% avaliam que n\u00e3o protege.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><strong>Funcionamento pr\u00e1tico:<\/strong>\u00a080% concordam que a lei ainda n\u00e3o funciona na pr\u00e1tica como deveria.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><strong>Insufici\u00eancia isolada:<\/strong>\u00a082% entendem que a legisla\u00e7\u00e3o, sozinha, \u00e9 insuficiente para deter a viol\u00eancia.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><strong>Preparo policial:<\/strong>\u00a0Apenas 41% consideram que as for\u00e7as de seguran\u00e7a p\u00fablica est\u00e3o preparadas para atender adequadamente as v\u00edtimas.<\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">Para avan\u00e7ar, os entrevistados indicam como medidas mais eficazes: ampliar o apoio e a prote\u00e7\u00e3o \u00e0s v\u00edtimas (91%); endurecer as leis e aumentar as puni\u00e7\u00f5es (91%); melhorar a aplica\u00e7\u00e3o das leis e o funcionamento da Justi\u00e7a (90%); promover educa\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o nas escolas e campanhas (89%); facilitar o acesso aos canais de den\u00fancia (89%); promover a autonomia financeira das mulheres (88%); fortalecer a atua\u00e7\u00e3o das for\u00e7as de seguran\u00e7a (88%); e criar grupos de reflex\u00e3o para homens agressores (73%).<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">A consolida\u00e7\u00e3o desse processo exige uma a\u00e7\u00e3o articulada entre \u00f3rg\u00e3os estatais, redes de prote\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00f5es culturais cont\u00ednuas para erradicar o machismo e a misoginia. O levantamento foi realizado entre 22 e 30 de abril de 2026, com 1.500 pessoas de 16 anos ou mais em todas as regi\u00f5es do pa\u00eds, por meio de entrevistas digitais de autopreenchimento, com margem de erro de 2,8 pontos percentuais.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Canais de atendimento e den\u00fancia<\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">A den\u00fancia \u00e9 o passo fundamental para romper o ciclo da viol\u00eancia dom\u00e9stica, garantir a integridade da v\u00edtima e possibilitar a responsabiliza\u00e7\u00e3o do agressor.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">A Central de Atendimento \u00e0 Mulher atende pelo telefone 180, oferecendo orienta\u00e7\u00e3o gratuita sobre direitos e servi\u00e7os em todo o pa\u00eds. Em situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia ou flagrante, a orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 ligar para a Pol\u00edcia Militar pelo n\u00famero 190. Tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel registrar ocorr\u00eancias em delegacias comuns, Delegacias Especializadas de Atendimento \u00e0 Mulher (Deams), al\u00e9m de buscar suporte no Minist\u00e9rio P\u00fablico e na Defensoria P\u00fablica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo do Instituto Patr\u00edcia Galv\u00e3o e do Instituto Locomotiva revela abismo entre relatos das v\u00edtimas e percep\u00e7\u00e3o dos agressores, al\u00e9m de expor impunidade e lentid\u00e3o da Justi\u00e7a como maiores gargalos. 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