{"id":129929,"date":"2026-07-04T18:27:33","date_gmt":"2026-07-04T21:27:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/?p=129929"},"modified":"2026-07-04T18:27:33","modified_gmt":"2026-07-04T21:27:33","slug":"operacao-fraudulenta-de-paulo-figueiredo-quebra-hotel-e-lesa-aposentados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/2026\/07\/04\/operacao-fraudulenta-de-paulo-figueiredo-quebra-hotel-e-lesa-aposentados\/","title":{"rendered":"Opera\u00e7\u00e3o fraudulenta de Paulo Figueiredo quebra hotel e lesa aposentados"},"content":{"rendered":"<p><strong>A fal\u00eancia ocorreu cerca de um ano e meio depois de o bolsonarista Paulo Figueiredo ter sido condenado.<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">A fal\u00eancia da LSH Barra, empresa respons\u00e1vel por um empreendimento hoteleiro na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, consolidou o preju\u00edzo de institutos de previd\u00eancia e de um fundo de pens\u00e3o que investiram quase R$ 200 milh\u00f5es no projeto. A companhia, que anunciava a constru\u00e7\u00e3o de um hotel associado \u00e0 marca de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, teve a quebra decretada pela Justi\u00e7a do Rio na semana passada.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">As informa\u00e7\u00f5es foram publicadas pelo jornalista Dem\u00e9trio Vecchioli, no Metr\u00f3poles, neste s\u00e1bado (4). Segundo a reportagem, a fal\u00eancia ocorreu cerca de um ano e meio depois de o bolsonarista Paulo Figueiredo ter sido condenado pela Comiss\u00e3o de Valores Mobili\u00e1rios (CVM) por opera\u00e7\u00f5es fraudulentas no per\u00edodo em que atuou como CEO da empresa.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">Entre 2014 e 2016, o Fundo de Investimentos e Participa\u00e7\u00f5es LSH captou recursos de dez institutos de previd\u00eancia estaduais e municipais, conhecidos como RPPS, al\u00e9m do Serpros, fundo de pens\u00e3o dos servidores do Serpro. Entre os maiores aportes estavam os de Tocantins, com R$ 35 milh\u00f5es; Campinas, com R$ 15 milh\u00f5es; e Campos dos Goytacazes, com R$ 40 milh\u00f5es. O Serpros investiu R$ 56 milh\u00f5es. Em valores atualizados, o preju\u00edzo estimado chega a R$ 400 milh\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">De acordo com a CVM, o empreendimento foi estruturado a partir de uma opera\u00e7\u00e3o fraudulenta que envolvia a valoriza\u00e7\u00e3o artificial das cotas do fundo e o desvio sistem\u00e1tico de recursos para o patrim\u00f4nio de seus idealizadores. O \u00f3rg\u00e3o regulador apontou que investidores institucionais foram levados a adquirir cotas com base em avalia\u00e7\u00f5es infladas e premissas falsas sobre o valor real do projeto.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">No per\u00edodo em que comandou a LSH Barra como CEO e \u201cs\u00f3cio desenvolvedor\u201d, Paulo Figueiredo teria participado, segundo a CVM, de um mecanismo para retirar recursos da empresa investida pelo fundo. O voto do relator Jo\u00e3o Accioly, aprovado por unanimidade pelo colegiado da autarquia em dezembro de 2024, apontou o uso de contratos com prestadores de servi\u00e7os fict\u00edcios para gerar vantagens financeiras a Figueiredo e a pessoas ligadas a ele.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">Entre as empresas citadas pela CVM estavam a Polaris e a Great Wall, das quais Figueiredo era s\u00f3cio. Para a autarquia, esses contratos teriam servido como instrumento para esvaziar o caixa da LSH Barra, comprometendo a sustentabilidade financeira do empreendimento e agravando as perdas dos investidores.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">A CVM tamb\u00e9m identificou uma \u201ctransfer\u00eancia indevida de riqueza\u201d de aproximadamente R$ 400 milh\u00f5es dos investidores institucionais para os s\u00f3cios fundadores do neg\u00f3cio: Paulo Figueiredo, Arthur Soares, conhecido como Rei Arthur, e Ricardo Rodrigues, chamado de Ricardo Gordo. Segundo o \u00f3rg\u00e3o, o valor do projeto foi artificialmente elevado por meio de laudos de avalia\u00e7\u00e3o baseados em informa\u00e7\u00f5es inconsistentes.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">Com a sobrevaloriza\u00e7\u00e3o das cotas, Figueiredo e Rodrigues teriam conseguido vender suas participa\u00e7\u00f5es por valores muito acima da realidade econ\u00f4mica do empreendimento. Os compradores, em sua maioria fundos de previd\u00eancia, n\u00e3o teriam conhecimento da real situa\u00e7\u00e3o financeira da empresa nem da fragilidade do projeto que lastreava os investimentos.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">Ricardo Rodrigues voltou recentemente ao notici\u00e1rio ao ser alvo de uma opera\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Federal. Ele \u00e9 acusado de atuar como intermedi\u00e1rio em aportes da Rioprevid\u00eancia, o regime pr\u00f3prio de previd\u00eancia do estado do Rio de Janeiro, no Banco Master. Paulo Figueiredo vive atualmente nos Estados Unidos, onde mant\u00e9m atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em parceria com o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">No processo administrativo da CVM, Paulo Figueiredo e Ricardo Rodrigues receberam multas que, somadas, ultrapassam R$ 135 milh\u00f5es. No caso de Figueiredo, foram aplicadas duas penalidades: uma de R$ 54 milh\u00f5es, relacionada aos desvios de recursos por meio de contratos considerados fict\u00edcios, e outra de R$ 27 milh\u00f5es, ligada \u00e0 sobrevaloriza\u00e7\u00e3o dos ativos.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">Ricardo Rodrigues foi multado em R$ 53 milh\u00f5es por tamb\u00e9m ter se beneficiado da transfer\u00eancia indevida de riqueza, segundo a CVM. A autarquia concluiu que ele vendeu cotas com base em laudos fraudulentos, em preju\u00edzo de investidores institucionais que aplicaram recursos de regimes previdenci\u00e1rios.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">Figueiredo e Rodrigues tamb\u00e9m foram denunciados pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal no \u00e2mbito da Opera\u00e7\u00e3o Circus Maximus, por suspeitas de corrup\u00e7\u00e3o ativa, gest\u00e3o fraudulenta, desvio de recursos de institui\u00e7\u00e3o financeira e lavagem de dinheiro. No entanto, em mar\u00e7o de 2022, a 3\u00aa Turma do Tribunal Regional Federal da 1\u00aa Regi\u00e3o trancou o processo criminal contra Paulo Figueiredo.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">A decis\u00e3o do TRF1 apontou atipicidade da conduta e aus\u00eancia de justa causa para a a\u00e7\u00e3o penal. O tribunal considerou que a den\u00fancia apresentada pelo MPF era \u201cinepta\u201d por n\u00e3o detalhar atos criminosos espec\u00edficos atribu\u00eddos a Figueiredo, sustentando que a acusa\u00e7\u00e3o buscava responsabiliz\u00e1-lo apenas pelo cargo de CEO que ocupava na empresa.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">A defesa de Figueiredo tamb\u00e9m argumentou que Ricardo Rodrigues, colaborador da Justi\u00e7a no processo, afirmou em depoimento que o ex-CEO n\u00e3o participava das negocia\u00e7\u00f5es nem do pagamento de propinas. Com isso, a a\u00e7\u00e3o penal contra ele foi encerrada naquela inst\u00e2ncia, embora a condena\u00e7\u00e3o administrativa na CVM tenha permanecido.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">O hotel foi inaugurado em 2016, mas de forma incompleta. Dos 170 quartos inicialmente previstos, apenas 75 foram entregues. A marca Trump, que havia sido usada para promover o empreendimento, acabou retirada do projeto ap\u00f3s o operador considerar que o hotel n\u00e3o atendia ao padr\u00e3o de luxo anunciado.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">Em 2019, a LSH Barra entrou em recupera\u00e7\u00e3o judicial. No ano passado, a assembleia de credores chegou a aprovar um plano de recupera\u00e7\u00e3o com o voto favor\u00e1vel de Paulo Figueiredo, que se habilitou no processo a partir de uma d\u00edvida trabalhista. A participa\u00e7\u00e3o dele, por\u00e9m, foi contestada judicialmente por outros credores.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">Os credores argumentaram que Figueiredo n\u00e3o deveria votar no plano de recupera\u00e7\u00e3o porque havia sido condenado pela CVM por lesar a pr\u00f3pria empresa que tentava se reestruturar. A Justi\u00e7a acolheu a impugna\u00e7\u00e3o. Sem o voto do ex-CEO, a classe trabalhista rejeitou o plano, o que levou \u00e0 sua derrubada.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">A empresa ainda conseguiu uma liminar para suspender os efeitos da quebra, mas a situa\u00e7\u00e3o se agravou quando o Fundo Polo, que havia financiado o empreendimento, obteve o direito de tomar a propriedade do im\u00f3vel dado como garantia. Sem o pr\u00e9dio, a LSH Barra perdeu seu principal ativo.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">Diante da aus\u00eancia de patrim\u00f4nio relevante e sem um plano de recupera\u00e7\u00e3o aprovado, o Minist\u00e9rio P\u00fablico reconheceu que a companhia n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es de se reerguer. Na sequ\u00eancia, a Justi\u00e7a do Rio de Janeiro decretou a fal\u00eancia definitiva da LSH Barra.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">Com a empresa falida e sem o im\u00f3vel que deveria sustentar o investimento, os cotistas do FIP LSH \u2014 em sua maioria institutos de previd\u00eancia \u2014 ficaram sem perspectiva de recupera\u00e7\u00e3o dos valores aplicados. Para os regimes previdenci\u00e1rios atingidos, o caso representa um preju\u00edzo que come\u00e7ou com a compra de cotas avaliadas artificialmente e se encerra com pap\u00e9is de uma companhia quebrada e sem patrim\u00f4nio para distribuir.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A fal\u00eancia ocorreu cerca de um ano e meio depois de o bolsonarista Paulo Figueiredo ter sido condenado. 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