{"id":129678,"date":"2026-06-19T21:12:27","date_gmt":"2026-06-20T00:12:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/?p=129678"},"modified":"2026-06-19T21:12:27","modified_gmt":"2026-06-20T00:12:27","slug":"analfabetismo-no-brasil-cai-para-menos-de-5-mas-ainda-atinge-84-milhoes-de-pessoas-em-2025","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/2026\/06\/19\/analfabetismo-no-brasil-cai-para-menos-de-5-mas-ainda-atinge-84-milhoes-de-pessoas-em-2025\/","title":{"rendered":"Analfabetismo no Brasil cai para menos de 5%, mas ainda atinge 8,4 milh\u00f5es de pessoas em 2025"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dados do IBGE mostram avan\u00e7o hist\u00f3rico na alfabetiza\u00e7\u00e3o, mas revelam desigualdades regionais, raciais e et\u00e1rias persistentes.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Brasil registrou em 2025 a menor taxa de analfabetismo desde o in\u00edcio da s\u00e9rie hist\u00f3rica recente da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (PNAD) Cont\u00ednua. Segundo dados divulgados nesta quinta-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), o \u00edndice caiu para 4,9% da popula\u00e7\u00e3o com 15 anos ou mais, ficando pela primeira vez abaixo da marca de 5%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As informa\u00e7\u00f5es foram publicadas pelo IBGE no m\u00f3dulo Educa\u00e7\u00e3o da PNAD Cont\u00ednua e mostram que o pa\u00eds ainda possui 8,4 milh\u00f5es de pessoas incapazes de ler e escrever um bilhete simples, apesar da redu\u00e7\u00e3o de 592 mil analfabetos em compara\u00e7\u00e3o com 2024.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O resultado representa um avan\u00e7o importante nos indicadores educacionais brasileiros, embora o objetivo estabelecido pelo Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (PNE), que previa a erradica\u00e7\u00e3o do analfabetismo at\u00e9 2024, n\u00e3o tenha sido alcan\u00e7ado.<\/p>\n<h2><b>Nordeste concentra mais da metade dos analfabetos do pa\u00eds<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A distribui\u00e7\u00e3o regional do analfabetismo continua marcada por fortes desigualdades. Mais da metade dos brasileiros analfabetos vive no Nordeste, onde est\u00e3o concentradas 4,8 milh\u00f5es de pessoas nessa condi\u00e7\u00e3o. A taxa regional alcan\u00e7ou 10,6%, mais que o dobro da m\u00e9dia nacional.<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia aparecem as regi\u00f5es Norte (5,7%), Centro-Oeste (3,3%), Sul (2,4%) e Sudeste (2,3%). Entre 2024 e 2025, apenas o Sudeste apresentou queda significativa no indicador, com redu\u00e7\u00e3o de 0,5 ponto percentual.<\/p>\n<h2><b>Idosos representam 58% do total de analfabetos<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os dados revelam que o analfabetismo est\u00e1 cada vez mais concentrado entre a popula\u00e7\u00e3o idosa. Pessoas com 60 anos ou mais correspondem a 58% de todos os analfabetos do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em n\u00fameros absolutos, s\u00e3o 4,9 milh\u00f5es de idosos que n\u00e3o sabem ler nem escrever, o equivalente a 13,8% da popula\u00e7\u00e3o nessa faixa et\u00e1ria. Entre pessoas de 15 a 59 anos, a taxa de analfabetismo cai para apenas 2,6%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O analista do IBGE William Kratochwill destacou a import\u00e2ncia das pol\u00edticas educacionais voltadas tanto para a alfabetiza\u00e7\u00e3o de adultos quanto para a perman\u00eancia de crian\u00e7as e jovens na escola.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA diferen\u00e7a entre esses grupos da popula\u00e7\u00e3o refor\u00e7a a import\u00e2ncia de pol\u00edticas de manuten\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e jovens na escola, bem como aquelas espec\u00edficas para alfabetiza\u00e7\u00e3o de adultos e idosos. Tamb\u00e9m indica que as novas gera\u00e7\u00f5es tiveram maior acesso \u00e0 escolariza\u00e7\u00e3o e foram alfabetizadas ainda na inf\u00e2ncia. Portanto, o analfabetismo segue mais associado aos idosos.\u201d<\/p>\n<h2><b>Pela primeira vez, mulheres idosas t\u00eam taxa de analfabetismo menor que a dos homens<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro dado in\u00e9dito apontado pela pesquisa \u00e9 que, entre pessoas com 60 anos ou mais, a taxa de analfabetismo das mulheres passou a ser inferior \u00e0 dos homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2025, o \u00edndice entre mulheres idosas ficou em 13,7%, enquanto entre os homens alcan\u00e7ou 14,1%. Considerando toda a popula\u00e7\u00e3o com 15 anos ou mais, as mulheres tamb\u00e9m apresentam taxa menor (4,6%) do que os homens (5,2%).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Kratochwill, os n\u00fameros indicam uma transforma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica no acesso feminino \u00e0 educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEsses resultados sugerem avan\u00e7os na escolariza\u00e7\u00e3o feminina em todas as gera\u00e7\u00f5es, apontando para uma revers\u00e3o do legado de desigualdade educacional do passado.\u201d<\/p>\n<h2><b>Desigualdade racial permanece elevada<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pesquisa tamb\u00e9m evidencia que o analfabetismo continua afetando de forma desproporcional a popula\u00e7\u00e3o preta e parda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre pessoas com 15 anos ou mais, a taxa de analfabetismo foi de 6,5% para pretos e pardos, enquanto entre brancos ficou em 2,8%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A diferen\u00e7a torna-se ainda mais acentuada entre os idosos. Na popula\u00e7\u00e3o com 60 anos ou mais, a taxa de analfabetismo alcan\u00e7ou 20,6% entre pretos e pardos, quase tr\u00eas vezes superior \u00e0 registrada entre brancos, de 7,3%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar disso, houve melhora em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior. O analista do IBGE observou que a taxa de analfabetismo dos idosos pretos e pardos caiu 1,2 ponto percentual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEm rela\u00e7\u00e3o a 2024, houve queda de 1,2 p.p. na taxa de analfabetismo entre idosos pretos ou pardos, o que sugere avan\u00e7o, mas evidencia um legado estrutural p\u00fablico de exclus\u00e3o educacional.\u201d<\/p>\n<h2><b>Ensino m\u00e9dio avan\u00e7a entre pretos e pardos<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pela primeira vez, mais da metade dos pretos e pardos com 25 anos ou mais concluiu o ensino m\u00e9dio. O percentual chegou a 51,3% em 2025.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre brancos da mesma faixa et\u00e1ria, o \u00edndice alcan\u00e7ou 64,9%, mantendo uma diferen\u00e7a de 13,6 pontos percentuais. Embora a dist\u00e2ncia tenha diminu\u00eddo em rela\u00e7\u00e3o a 2016, quando era de 16,4 pontos, ela permaneceu praticamente est\u00e1vel frente a 2024.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Considerando toda a popula\u00e7\u00e3o com 25 anos ou mais, 57,4% conclu\u00edram a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica obrigat\u00f3ria. A m\u00e9dia nacional de anos de estudo atingiu 10,2 anos, acima dos 9,1 anos registrados em 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As mulheres seguem apresentando maior escolaridade m\u00e9dia, com 10,4 anos de estudo, contra 10 anos dos homens.<\/p>\n<h2><b>Norte e Nordeste enfrentam maior escassez de creches<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O levantamento tamb\u00e9m identificou dificuldades de acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o infantil, especialmente nas regi\u00f5es Norte e Nordeste.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre crian\u00e7as de 0 a 1 ano que n\u00e3o frequentavam creche, 35,2% no Norte e 36,1% no Nordeste estavam fora das institui\u00e7\u00f5es por falta de vagas, inexist\u00eancia de unidades na localidade ou impedimentos relacionados \u00e0 idade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No grupo de 2 a 3 anos, os percentuais chegaram a 44,5% no Norte e 37,2% no Nordeste.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora a principal raz\u00e3o para a aus\u00eancia na creche continue sendo a op\u00e7\u00e3o dos pais ou respons\u00e1veis, a insufici\u00eancia de oferta de vagas permanece como um obst\u00e1culo relevante.<\/p>\n<h2><b>Meta do PNE \u00e9 alcan\u00e7ada no ensino fundamental<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A propor\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as de 6 a 14 anos matriculadas na etapa adequada para a idade atingiu 96,1% em 2025, superando a meta de 95% estabelecida pelo Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O indicador cresceu em rela\u00e7\u00e3o a 2024, quando estava em 94,6%, mas ainda n\u00e3o retornou aos n\u00edveis observados antes da pandemia de Covid-19.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Kratochwill atribui parte desse atraso aos impactos da interrup\u00e7\u00e3o das atividades presenciais durante o per\u00edodo pand\u00eamico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEssas crian\u00e7as podem n\u00e3o ter se adaptado \u00e0s aulas online ou podem ter sido tiradas da escola pelos pais durante a pandemia. Assim, esse per\u00edodo criou um grupo de crian\u00e7as que perderam um ou dois anos de estudo, ficando, ent\u00e3o, atrasados.\u201d<\/p>\n<h2><b>Jovens negros e homens t\u00eam menor presen\u00e7a no ensino m\u00e9dio<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre adolescentes de 15 a 17 anos, 80,6% frequentavam ou j\u00e1 haviam conclu\u00eddo o ensino m\u00e9dio em 2025. Apesar do avan\u00e7o de 3,8 pontos percentuais em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior, o \u00edndice permanece abaixo da meta de 85% prevista pelo PNE.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As desigualdades tamb\u00e9m aparecem nesse indicador. Entre as mulheres, a taxa chegou a 84%, enquanto entre os homens ficou em 77,4%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 entre brancos, 84,9% estavam na etapa adequada para a idade, contra 77,8% dos pretos e pardos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o analista do IBGE, os dados apontam redu\u00e7\u00e3o das desigualdades, embora as diferen\u00e7as permane\u00e7am significativas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEmbora pretos ou pardos e homens ainda estejam atr\u00e1s em rela\u00e7\u00e3o a pessoas brancas e mulheres, os dados mostram uma redu\u00e7\u00e3o na desigualdade na s\u00e9rie hist\u00f3rica da pesquisa.\u201d<\/p>\n<h2><b>Ensino superior segue marcado por desigualdades raciais<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre jovens de 18 a 24 anos, 24,5% frequentavam o ensino superior, enquanto 7% apresentavam atraso escolar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A participa\u00e7\u00e3o dos brancos na etapa adequada para a idade chegou a 33,4%, contra 18,9% entre pretos e pardos. Al\u00e9m disso, 6,2% dos jovens brancos j\u00e1 haviam conclu\u00eddo a gradua\u00e7\u00e3o, percentual mais que duas vezes superior aos 3% registrados entre pretos e pardos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Kratochwill, a principal meta do PNE para o ensino superior foi atingida apenas entre os brancos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEssa meta foi superada apenas entre as pessoas brancas. O desafio do pa\u00eds, portanto, envolve reduzir as desigualdades de acesso e conclus\u00e3o no ensino superior, enfrentar o atraso escolar, bem como garantir a perman\u00eancia dos jovens no sistema educacional.\u201d<\/p>\n<h2><b>Abandono escolar cresce a partir dos 16 anos<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pesquisa identificou 7,7 milh\u00f5es de jovens de 14 a 29 anos que n\u00e3o conclu\u00edram o ensino m\u00e9dio, seja por abandono escolar ou por nunca terem frequentado a escola.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os maiores \u00edndices de evas\u00e3o foram observados entre 16 e 18 anos. Aos 16 anos, 18,5% dos jovens deixaram a escola; aos 17 anos, o percentual chegou a 20%; e aos 18 anos, ficou em 17,6%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo assim, o abandono precoce ainda preocupa. Segundo o IBGE, 15,1% dos jovens deixaram a escola at\u00e9 os 14 anos de idade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cOs percentuais de abandono antes dos 14 anos equivalente a 15,1% do total. S\u00e3o elevados e caracterizam-se como elementos fundamentais na precariza\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo. Esse dado representa sa\u00eddas durante o ensino fundamental, etapa que deveria estar plenamente universalizada.\u201d<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>Trabalho e falta de interesse lideram motivos para evas\u00e3o<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A necessidade de trabalhar continua sendo o principal fator de afastamento escolar entre jovens de 14 a 29 anos. Em 2025, 43% dos entrevistados apontaram essa raz\u00e3o para abandonar ou nunca frequentar a escola.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O segundo motivo mais citado foi a falta de interesse pelos estudos, mencionada por 25,6% dos jovens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os homens, 54,2% atribu\u00edram a evas\u00e3o \u00e0 necessidade de trabalhar. J\u00e1 entre as mulheres, o trabalho tamb\u00e9m liderou as respostas, com 26,2%, mas gravidez (24,7%) e responsabilidades dom\u00e9sticas ou de cuidado (8,6%) tiveram peso significativo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Kratochwill ressaltou que os resultados refletem desafios distintos enfrentados por homens e mulheres na trajet\u00f3ria educacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cS\u00e3o resultados que evidenciam que, para al\u00e9m da condi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, as responsabilidades reprodutivas e dom\u00e9sticas ainda figuram entre os principais entraves \u00e0 perman\u00eancia das mulheres jovens na escola, ao passo que a necessidade de trabalhar mant\u00e9m os homens fora da escola em maior propor\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dados do IBGE mostram avan\u00e7o hist\u00f3rico na alfabetiza\u00e7\u00e3o, mas revelam desigualdades regionais, raciais e et\u00e1rias persistentes. 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