{"id":129593,"date":"2026-06-16T00:47:43","date_gmt":"2026-06-16T03:47:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/?p=129593"},"modified":"2026-06-16T00:47:43","modified_gmt":"2026-06-16T03:47:43","slug":"sarau-debate-casas-de-farinha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/2026\/06\/16\/sarau-debate-casas-de-farinha\/","title":{"rendered":"Sarau debate &#8220;Casas de farinha&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\nA professora e doutora Marise Oliveira Santos foi a palestrante do \u201cSarau A Estrada\u201d, realizado no \u00faltimo s\u00e1bado (dia 13\/06\/2026), no Espa\u00e7o Cultural do mesmo nome, com o tema \u201cCasas de Farinha\u201d. A professora fez um relato do seu estudo e pesquisa de doutorado sobre essas unidades produtivas no Planalto de Vit\u00f3ria da Conquista.<br \/>\nOs trabalhos do Sarau foram abertos por volta das 21 horas com o novo Hino do Sarau composto por Jeremias Mac\u00e1rio e os m\u00fasicos e cantores Dorinho e Baducha, com todos cantando o refr\u00e3o \u201cAvante, Avante, oh Sarau! \/ Estradeiros da Cultura\/ de Mensagem Universal\u201d.<br \/>\nEstiveram presentes ao evento cerca de 40 pessoas entre artistas, professores, estudantes, jovens e interessados pela cultura. Ap\u00f3s os informes e comunicados, o cantor, compositor e m\u00fasico Carlos Moreno nos brindou com sua cantoria num estilo rom\u00e2ntico em homenagem ao Dia dos Namorados, 12 de junho e o de Santo Ant\u00f4nio casamenteiro (13\/06).<br \/>\nNum estilo pedag\u00f3gico, esclarecedor e simples, a professora Marise discorreu sobre o assunto lembrando dos seus antepassados que viviam dessa atividade.<br \/>\nEm sua tese de doutorado decidiu, ent\u00e3o, levantar esta mem\u00f3ria, um pouco perdida ao longo dos tempos, com o avan\u00e7o do progresso onde hoje essas casas s\u00e3o todas motorizadas com as novas tecnologias.<br \/>\nDurante o bate-papo, a pesquisadora contou v\u00e1rias hist\u00f3rias de pessoas entrevistadas donas de casas tradicionais de farinha que ainda eram movidas totalmente pelo bra\u00e7o humano. Segundo ela, essas casas foram desaparecendo em decorr\u00eancia da for\u00e7a do capital onde a pequena atividade familiar vai sendo esmagada para dar lugar aos grandes empreendimentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-129595\" src=\"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Sarau-junho-2.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"331\" \/><br \/>\nDurante as interven\u00e7\u00f5es, muitos deram seus testemunhos de pais que tamb\u00e9m viveram desse of\u00edcio com suas casas de farinha artesanais, como o jornalista e escritor Jeremias Mac\u00e1rio que lembrou de ter nascido e se criado dentro de uma casa de farinha.<br \/>\nAl\u00e9m de viver do plantio da mandioca e ser dono de casa de farinha, seu pai tamb\u00e9m era construtor dessas unidades, cujos aviamentos principais eram constitu\u00eddos de parafusos, feitos da bara\u00fana, prensa, roda de cedro puxada a dois, ralador da mandioca, coxos e o forno que torrava a massa e a transformava em farinha.<br \/>\nEm sua cultura tradicional, a professora ainda citou as raspadeiras, muito importantes no processo da farinha. Enquanto elas trabalhavam, faziam suas cantorias, contavam seus causos e fofocas. Esse lado cultural se encerrava quando a farinha estava pronta e a\u00ed entravam os beijus depois de um dia de labuta.<br \/>\nAp\u00f3s essa discuss\u00e3o, o sarau teve mais uma noite memor\u00e1vel na cantoria da viola, com os cantores e m\u00fasicos Manno Di Souza, Baducha, Dorinho, Fabr\u00edcio e Alex Nery. A viola foi intercalada com a declama\u00e7\u00e3o de poemas, inclusive sobre \u201cCasa de Farinha\u201d.<br \/>\nNum clima fraternal e de amizade entre os participantes, com a troca de conhecimento e saber, a festa cultural foi acompanhada dos comes e bebes t\u00edpicos do per\u00edodo junino e varou a madrugada, como sempre acontece.<br \/>\nA comiss\u00e3o organizadora conduziu os trabalhos com maestria, composta por Cleu Flor, Dal Farias (cicerone), Viviane Gama e Eduardo Marques. Como parte das atividades culturais, tivemos ainda a exposi\u00e7\u00e3o da artista pl\u00e1stica Beth David, com seus quadros representando a indument\u00e1ria dos cangaceiros.<br \/>\nNa ocasi\u00e3o, Manno Di Souza e a escritora e poetisa Regina Chaves fizeram depoimentos emocionantes sobre as origens do sarau, que est\u00e1 completando, agora em julho, dezesseis anos de exist\u00eancia, as hist\u00f3rias, as acirradas discuss\u00f5es, o conv\u00edvio entre as pessoas, os temas discutidos e a aprendizagem na troca de ideias.<br \/>\nNa oportunidade, Regina doou seus livros publicados, \u201cEntre Palavras e Mar\u00e9s: Vozes Femininas\u201d (Colet\u00e2nia), \u201cEscritas do Pensamento- o murm\u00fario das ideias em voz alta\u201d, \u201cSuspiros Po\u00e9ticos- a beleza da lira cor\u201d, e \u201cBrisa Ventilando a Poesia\u201d para o acervo do Sarau.<br \/>\nManno Di Souza, um dos fundadores, lembrou de casos interessantes durante esse tempo, inclusive de que o sarau nasceu do grupo \u201cVinho Vinil\u201d l\u00e1 atr\u00e1s, numa conversa com Jeremias Mac\u00e1rio e o fot\u00f3grafo Jos\u00e9 Carlos D\u00b4Almeida entre um vinho e um petisco. Sua filha Maria Luiza foi uma das crias do Sarau ainda crian\u00e7a.<br \/>\nDe l\u00e1 para c\u00e1, o \u201cSarau A Estrada\u201d cresceu, aumentou sua estrutura, inclusive com mais participantes, divulgou um CD de m\u00fasicas e poemas autorais, v\u00eddeos, apresentou-se no Teatro Carlos Jheovah e at\u00e9 j\u00e1 recebeu o trof\u00e9u Glauber Rocha. O pr\u00f3ximo evento j\u00e1 est\u00e1 marcado para agosto, provavelmente no dia 22.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A professora e doutora Marise Oliveira Santos foi a palestrante do \u201cSarau A Estrada\u201d, realizado no \u00faltimo s\u00e1bado (dia 13\/06\/2026), no Espa\u00e7o Cultural do mesmo nome, com o tema \u201cCasas de Farinha\u201d. A professora fez um relato do seu estudo e pesquisa de doutorado sobre essas unidades produtivas no Planalto de Vit\u00f3ria da Conquista. 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