{"id":129460,"date":"2026-06-06T12:26:31","date_gmt":"2026-06-06T15:26:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/?p=129460"},"modified":"2026-06-06T12:26:31","modified_gmt":"2026-06-06T15:26:31","slug":"o-silencio-do-triangulo-quem-expulsou-o-forro-do-sao-joao-e-transformou-a-festa-em-um-balcao-de-caches-milionarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/2026\/06\/06\/o-silencio-do-triangulo-quem-expulsou-o-forro-do-sao-joao-e-transformou-a-festa-em-um-balcao-de-caches-milionarios\/","title":{"rendered":"O sil\u00eancio do tri\u00e2ngulo: quem expulsou o forr\u00f3 do S\u00e3o Jo\u00e3o e transformou a festa em um balc\u00e3o de cach\u00eas milion\u00e1rios?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O resultado \u00e9 que o S\u00e3o Jo\u00e3o vai perdendo sua identidade, trocando o som da sanfona pelo teclado eletr\u00f4nico, arrocha e sertanejos sem lastro, horror musical e pela l\u00f3gica do mercado. A festa vai excluindo sem d\u00f3 nem piedade, o [nordeste] de sua grade musical.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 raro ouvir a pergunta: &#8220;Onde foram parar os sanfoneiros, os trios de forr\u00f3, os cantadores e os artistas que constru\u00edram a identidade do S\u00e3o Jo\u00e3o?&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O debate n\u00e3o \u00e9 exatamente contra este ou aquele cantor. A quest\u00e3o \u00e9 que, quando os maiores cach\u00eas e os melhores hor\u00e1rios s\u00e3o ocupados por sertanejo, arrocha ou outros g\u00eaneros, o forr\u00f3 tradicional perde espa\u00e7o simb\u00f3lico e econ\u00f4mico. O pr\u00f3prio forrozeiro Adelm\u00e1rio Coelho tem defendido mais protagonismo para os artistas locais e para o forr\u00f3 raiz nos festejos juninos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao mesmo tempo, h\u00e1 uma contradi\u00e7\u00e3o interessante: o p\u00fablico do forr\u00f3 n\u00e3o desapareceu. Em Salvador, por exemplo, shows de artistas como Fl\u00e1vio Jos\u00e9, L\u00e9o Estakazero e outros nomes do p\u00e9-de-serra continuam lotando espa\u00e7os dedicados ao g\u00eanero durante o S\u00e3o Jo\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez o problema seja outro: o mercado descobriu que determinados artistas geram mais visibilidade, patroc\u00ednio e circula\u00e7\u00e3o nas redes sociais. E, aos poucos, a l\u00f3gica comercial passou a orientar festas que nasceram como express\u00e3o cultural popular. Em discuss\u00f5es recentes na internet, muitos nordestinos reclamam justamente que os palcos juninos est\u00e3o ficando parecidos entre si, com menos espa\u00e7o para o forr\u00f3 tradicional e para artistas regionais.<\/p>\n<p>Se eu transformasse sua reflex\u00e3o em um par\u00e1grafo de opini\u00e3o, ficaria assim:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0Cad\u00ea os novos Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Fl\u00e1vio Jos\u00e9? Cad\u00ea os trios de sanfona, zabumba e tri\u00e2ngulo que fizeram do S\u00e3o Jo\u00e3o a maior festa popular do Nordeste? Enquanto milh\u00f5es s\u00e3o gastos para trazer atra\u00e7\u00f5es de fora, muitos artistas locais permanecem invis\u00edveis, sem palco e sem investimento. O resultado \u00e9 que o S\u00e3o Jo\u00e3o vai perdendo sua identidade, trocando o som da sanfona pelo teclado eletr\u00f4nico e pela l\u00f3gica do mercado. A festa continua grande, mas tem se ri tornado cada vez menos nordestina. Preservar o forr\u00f3 n\u00e3o \u00e9 rejeitar outros ritmos; \u00e9 garantir que a cultura que construiu essa celebra\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja empurrada para os bastidores da pr\u00f3pria festa<\/em><\/strong>.<br \/>\n<strong>__<\/strong><br \/>\n<strong>Joilson Bergher.<\/strong><br \/>\n<strong>Analista Cr\u00edtico de Pol\u00edtica e Sociedade.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O resultado \u00e9 que o S\u00e3o Jo\u00e3o vai perdendo sua identidade, trocando o som da sanfona pelo teclado eletr\u00f4nico, arrocha e sertanejos sem lastro, horror musical e pela l\u00f3gica do mercado. A festa vai excluindo sem d\u00f3 nem piedade, o [nordeste] de sua grade musical. 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