{"id":129275,"date":"2026-05-23T13:28:10","date_gmt":"2026-05-23T16:28:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/?p=129275"},"modified":"2026-05-23T13:36:21","modified_gmt":"2026-05-23T16:36:21","slug":"que-fim-levou-a-poupanca-de-lydia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/2026\/05\/23\/que-fim-levou-a-poupanca-de-lydia\/","title":{"rendered":"Que fim levou a poupan\u00e7a de Lydia"},"content":{"rendered":"<p><strong>Descobrir o que aconteceu com os dep\u00f3sitos de pessoas escravizadas na Caixa Econ\u00f4mica \u00e9 um dever hist\u00f3rico do Brasil.<\/strong><br \/>\nKeila Grinberg<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por que pessoas escravizadas confiavam seus recursos a um banco p\u00fablico? E de que forma conseguiam algum recurso? Em teoria, tudo o que lhes pertencesse deveria ir para seus senhores. Afinal, uma pessoa escravizada havia sido comprada por algu\u00e9m ou nascida em cativeiro, for\u00e7ada a trabalhar sem receber nada em troca, apenas alojamento, alimenta\u00e7\u00e3o e talvez roupas limpas. Ela n\u00e3o tinha propriedade \u2013 ela\u00a0<em data-original-font-size=\"24\">era<\/em>\u00a0propriedade de algu\u00e9m. Como, ent\u00e3o, essa pessoa poderia economizar? E, no entanto, ela economizavaIsso se explica pela exist\u00eancia dos chamados \u201cescravos de ganho\u201d \u2013 homens e mulheres escravizados que trabalhavam nas ruas, no com\u00e9rcio e em servi\u00e7os, caso das lavadeiras, dos barbeiros etc. Minoria entre a popula\u00e7\u00e3o de escravizados, eles pagavam uma porcentagem do que recebiam ao seu senhor e ficavam com outra para si. Com esta parte geralmente bancavam a pr\u00f3pria subsist\u00eancia e, se houvesse sobras, faziam dep\u00f3sitos na Caixa Econ\u00f4mica (como era chamada na \u00e9poca, ainda sem a palavra \u201cFederal\u201d), o banco de poupan\u00e7a do Brasil. Essas pessoas guardavam o dinheiro para a futura compra da liberdade, cujo valor variava bastante, a depender de muitos fatores. Estima-se que, na segunda metade do s\u00e9culo XIX, a alforria custava entre 200.000 mil-r\u00e9is e dois contos de r\u00e9is.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-original-font-size=\"24\">Em 2009, fui convidada a escrever um artigo sobre as contas-poupan\u00e7a de pessoas escravizadas para um livro institucional do sesquicenten\u00e1rio da Caixa Econ\u00f4mica Federal, que seria comemorado dali a dois anos. O pr\u00f3prio banco me enviou c\u00f3pias de v\u00e1rios documentos mantidos em seus arquivos em Bras\u00edlia. Esse livro havia sido precedido por outro, que comemorou o 140\u00ba anivers\u00e1rio da institui\u00e7\u00e3o, em 2001. Embora encomendados por diferentes governos, ambos se apoiavam na mesma ideia: destacar a hist\u00f3ria do \u201cbanco das classes desfavorecidas\u201d, como a Caixa \u00e9 conhecida desde sua funda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-original-font-size=\"24\">O fato de o banco receber dep\u00f3sitos de pessoas escravizadas, que economizavam para comprar sua liberdade, era a melhor contribui\u00e7\u00e3o para essa narrativa. Isso foi amplamente explorado pela Caixa, inclusive com propagandas televisivas. Mas, mesmo que esse objetivo n\u00e3o estivesse totalmente expl\u00edcito, celebrar o banco significava tamb\u00e9m elogiar o Estado brasileiro, que na segunda metade do s\u00e9culo XIX era representado pelo imperador Pedro II. Quando o livro de 2011 foi publicado, justamente em raz\u00e3o da pol\u00eamica criada pelos an\u00fancios na tev\u00ea, meu texto circulou bastante e ajudou a consolidar a ideia de que na \u00e9poca da escravid\u00e3o havia algum espa\u00e7o na sociedade brasileira para uma pessoa escravizada conseguir sua liberdade por meio da compra da pr\u00f3pria alforria, ainda que isso fosse dif\u00edcil.<\/p>\n<p class=\"drop-cap\" style=\"text-align: justify;\" data-original-font-size=\"24\">Desde 2023, fa\u00e7o parte de um grupo de historiadores que vem estudando como institui\u00e7\u00f5es brasileiras se beneficiaram do sistema escravista no s\u00e9culo XIX. Mais especificamente, analisamos como o Banco do Brasil, primeiro banco p\u00fablico do pa\u00eds (criado em 1808 e, depois de sucessivas crises, refundado em 1853), teve seu capital associado ao investimento no com\u00e9rcio de africanos escravizados quando isso j\u00e1 era considerado ilegal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-original-font-size=\"24\">Nosso estudo foi enviado ao Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, que instaurou um inqu\u00e9rito civil p\u00fablico. O objetivo principal era iniciar o debate sobre a responsabilidade de institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas na perpetua\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es sociais criadas durante o per\u00edodo escravista, muitas das quais persistem nos dias de hoje. A exemplo do que tem sido feito em outros pa\u00edses, pretendemos contribuir para que se discuta no Brasil uma poss\u00edvel repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica pelos crimes do passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-original-font-size=\"24\">Tanto esse debate como as discuss\u00f5es mais amplas sobre repara\u00e7\u00f5es pela escravid\u00e3o no mundo atl\u00e2ntico me fizeram voltar ao tema do meu artigo escrito h\u00e1 quinze anos e me perguntar sobre algo que agora parece t\u00e3o \u00f3bvio, mas que n\u00e3o havia me ocorrido antes: o que aconteceu com as poupan\u00e7as dos indiv\u00edduos escravizados mantidas na Caixa Econ\u00f4mica ap\u00f3s a Aboli\u00e7\u00e3o da Escravid\u00e3o, em 13 de maio de 1888? A princ\u00edpio, o objetivo das contas era permitir a compra da alforria. Mas, uma vez que estavam todos libertos, o que aconteceu com o dinheiro? Ele foi resgatado por essas pessoas e suas fam\u00edlias?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-original-font-size=\"24\">Para aqueles que tiveram a infelicidade de permanecer escravizados at\u00e9 a data da Aboli\u00e7\u00e3o, o dinheiro ajudava a ter alguma esperan\u00e7a de que poderiam obter a alforria enquanto ainda estavam vivos \u2013 ou a esperan\u00e7a de que, caso a escravid\u00e3o um dia realmente chegasse ao fim, teriam recursos para se sustentar como pessoas livres. O que mais, sen\u00e3o o sonho da liberdade, levaria um escravizado como Ambrozio a assinar com sua pr\u00f3pria letra a abertura de uma caderneta de poupan\u00e7a em junho de 1887, na qual fez um \u00fanico dep\u00f3sito de 50 mil-r\u00e9is? Que outra motiva\u00e7\u00e3o teria Maria, \u201cescrava do Doutor Jos\u00e9 Antonio Moutinho\u201d, ao abrir uma caderneta em 1886 e depositar menos de 10 mil-r\u00e9is por m\u00eas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-original-font-size=\"24\">Para esses dois, o final foi feliz: como a Aboli\u00e7\u00e3o n\u00e3o implicou, muito justamente, em qualquer indeniza\u00e7\u00e3o aos propriet\u00e1rios de escravizados, Ambrozio e Maria n\u00e3o gastaram um tost\u00e3o para alcan\u00e7ar a liberdade. Em julho de 1888, pouco mais de dois meses depois do Treze de Maio, ambos retiraram todo o dinheiro que haviam depositado na Caixa Econ\u00f4mica e encerraram suas contas.<\/p>\n<div class=\"d-flex justify-content-center my-3\">\n<div id=\"banner-300x250-incremental-4\" data-desktop=\"300x250\" data-mobile=\"320x50\" data-google-query-id=\"CP-jgaznz5QDFWle3QIdfpAWxw\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/8804\/parceiros\/revista_piaui_3__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<figure class=\"image align-center\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/piaui.uol.com.br\/media\/uploads\/2026\/05\/1886-maria-002.jpg\" alt=\"\" width=\"795\" height=\"579\" \/><\/figure>\n<p>\u201cMaria, escrava do Doutor Jos\u00e9 Antonio Moutinho, com autoriza\u00e7\u00e3o do Juiz de \u00d3rf\u00e3os.&#8221; Cr\u00e9dito: Arquivo Caixa Cultural\/Bras\u00edlia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-original-font-size=\"24\">Quando recebi pela primeira vez c\u00f3pias das cadernetas, n\u00e3o percebi que podiam ser aquelas das quais seus donos sacaram seus fundos. V\u00e1rios anos depois, gra\u00e7as \u00e0 generosidade dos historiadores Clemente Pena e Thiago Alvarenga, cujos trabalhos t\u00eam sido cruciais para o avan\u00e7o das pesquisas sobre a hist\u00f3ria econ\u00f4mica do Brasil no s\u00e9culo XIX, pude comparar as cadernetas abertas no Rio de Janeiro em 1886 com dois livros cont\u00e1beis de contas-poupan\u00e7a da Caixa Econ\u00f4mica. Das contas listadas nesses livros, algumas foram encerradas logo ap\u00f3s a Aboli\u00e7\u00e3o da Escravid\u00e3o, como no caso de Maria e Ambrozio. Foi o que aconteceu tamb\u00e9m com Tertuliano, um \u201cescravo do Conselheiro Antonio Nicolau Tolentino\u201d (como est\u00e1 escrito na caderneta), residente no Centro do Rio. No seu documento algu\u00e9m escreveu a l\u00e1pis: \u201cA caderneta no arquivo\u201d (ver foto a seguir).<\/p>\n<figure class=\"image align-center\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/piaui.uol.com.br\/media\/uploads\/2026\/05\/tertuliano.jpg\" alt=\"\" width=\"795\" height=\"1193\" \/><\/figure>\n<p>Cr\u00e9dito: Arquivo Caixa Cultural\/Bras\u00edlia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-original-font-size=\"24\">Uma an\u00e1lise mais cuidadosa dos livros cont\u00e1beis, por\u00e9m, mostra que o ocorrido com as contas de Tertuliano, Maria e Ambrozio era incomum. Poucas contas foram efetivamente esvaziadas e encerradas por seus donos. A maioria das poupan\u00e7as de ex-escravizados permaneceu intacta pelo menos at\u00e9 1931, quando as anota\u00e7\u00f5es nos livros foram interrompidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-original-font-size=\"24\">\u00c9 o caso de Lydia, lavadeira do Rio de Janeiro, \u201cescrava de Maria Carlota Fortuna\u201d, residente na Rua da Sa\u00fade, 281. Em 1903, Lydia tinha 303.071 mil-r\u00e9is. Com a adi\u00e7\u00e3o de juros de 6% a cada seis meses, em dezembro de 1931 somava 1.052.094 mil-r\u00e9is. Como muitos libertos poupadores, Lydia n\u00e3o fez nenhum dep\u00f3sito ap\u00f3s 1888 e nunca retirou seu dinheiro. Ela \u00e9 uma das 24 pessoas diretamente identificadas nos documentos da Caixa como \u201cescravos\u201d ou \u201cnegros livres\u201d (pretos livres). Tamb\u00e9m h\u00e1 outras cujas liga\u00e7\u00f5es anteriores com a escravid\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o claras, mas que podem muito bem existir, como Raimundo Leite, solteiro, de 36 anos, entalhador, residente na Rua Nova de Pr\u00edncipe, em Pernambuco; ou Silvana Santos, de 50 anos, engomadeira, residente na Rua dos Andradas, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-original-font-size=\"24\">O que aconteceu com as economias de Lydia? O que aconteceu com as contas-poupan\u00e7a abertas por pessoas escravizadas que permaneceram intocadas? Que ningu\u00e9m se engane: a liberdade custava muito caro para quem era escravizado no Brasil, e pouqu\u00edssimos conseguiam guardar algum dinheiro, que dir\u00e1 comprar a alforria. Lydia certamente estava poupando para comprar sua pr\u00f3pria liberdade, mas a Aboli\u00e7\u00e3o chegou antes. Por que nem ela nem seus familiares resgataram seus fundos, como aconteceu com as poupan\u00e7as de v\u00e1rias outras pessoas escravizadas? A resposta est\u00e1 guardada na Caixa Econ\u00f4mica Federal.<\/p>\n<p class=\"drop-cap\" data-original-font-size=\"24\">Embora seja cedo para conclus\u00f5es, \u00e9 prov\u00e1vel que muitos libertos e seus descendentes tenham tentado sacar seus fundos. Alguns tiveram sucesso; a maioria, n\u00e3o. Supondo que essas contas tenham sido incorporadas ao capital do banco, \u00e9 poss\u00edvel que os descendentes saquem esses fundos hoje? Seriam esses casos pass\u00edveis de restitui\u00e7\u00e3o? A resposta deve ser dada pela Caixa Econ\u00f4mica Federal e pela sociedade brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-original-font-size=\"24\">No ano passado, o movimento Quilombo Ra\u00e7a e Classe procurou o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) para que este solicitasse \u00e0 Caixa o tratamento (higieniza\u00e7\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o, digitaliza\u00e7\u00e3o e cataloga\u00e7\u00e3o) de sua documenta\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de sua ampla disponibiliza\u00e7\u00e3o ao p\u00fablico. O banco guarda cerca de 15 km de documentos em seu acervo em Bras\u00edlia. H\u00e1 papeis ainda em outras sedes, como no Rio e em Salvador. Nos \u00faltimos anos, a Caixa tem organizado essa documenta\u00e7\u00e3o, mas o acesso ao p\u00fablico em geral continua bastante limitado, sem instrumentos adequados de pesquisa e busca de informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-original-font-size=\"24\">Em resposta ao requerimento do MPF, a Caixa tem feito esfor\u00e7os para identificar as cadernetas de pessoas escravizadas. At\u00e9 o momento, foram encontradas 158 em Mato Grosso e no Rio de Janeiro, fato\u00a0<a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/brasil\/noticia\/2026\/05\/10\/caixa-tem-158-contas-que-foram-abertas-por-escravizados-herdeiros-podem-ser-indenizados.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-original-font-size=\"24\">noticiado<\/a>\u00a0recentemente pelo jornal\u00a0<em data-original-font-size=\"24\">O Globo<\/em>. Embora esse procedimento seja fundamental, n\u00e3o \u00e9 suficiente para esclarecer o destino dos fundos \u2013 ali\u00e1s, de todos os fundos das cadernetas abertas por descendentes de escravizados que n\u00e3o foram movimentados, bem como de trabalhadores imigrantes. S\u00f3 a compara\u00e7\u00e3o entre as cadernetas de poupan\u00e7a e os registros de contas-correntes permitir\u00e1 avan\u00e7ar na discuss\u00e3o sobre o destino das economias das pessoas escravizadas. \u00c9 preciso organizar, digitalizar e catalogar os livros de contas-correntes. Por deter a guarda dessa documenta\u00e7\u00e3o essencial \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria e \u00e0 pesquisa hist\u00f3rica no Brasil, a Caixa tem a responsabilidade \u00e9tica e o dever de garantir aos cidad\u00e3os o direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-original-font-size=\"24\">O banco, at\u00e9 aqui, tem adotado um posicionamento defensivo em suas respostas. Em nota recente, ap\u00f3s reuni\u00f5es com o MPF e o movimento Quilombo Ra\u00e7a e Classe (participei da primeira delas), a Caixa afirmou que \u201ca guarda, conserva\u00e7\u00e3o e pesquisa no acervo hist\u00f3rico \u00e9 um processo cont\u00ednuo e permanente\u201d, feito por equipes multidisciplinares na Caixa Cultural. E informou que \u201cas pesquisas em outras tipologias documentais, como livros de contas-correntes, est\u00e3o em andamento e ser\u00e3o reportadas oportunamente na forma da legisla\u00e7\u00e3o pertinente\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-original-font-size=\"24\">Essa postura me parece equivocada. Outros bancos nos Estados Unidos, na Inglaterra e at\u00e9 mesmo o Banco do Brasil t\u00eam, ainda que timidamente, assumido seu envolvimento com o sistema escravista. O reconhecimento desse passado, embora n\u00e3o seja a \u00fanica medida suficiente, \u00e9 um primeiro passo rumo \u00e0 necess\u00e1ria repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica pela escravid\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-original-font-size=\"24\">Se a Caixa entender o questionamento sobre seu passado como um convite ao di\u00e1logo, o banco \u201cdas classes desvalidas\u201d ter\u00e1 uma oportunidade \u00fanica de honrar a mem\u00f3ria daqueles que, mesmo nas condi\u00e7\u00f5es mais adversas, investiram no sonho da liberdade pr\u00f3pria, entregando a ela suas reservas financeiras. \u00c9 a chance de contribuir para que o maior pa\u00eds escravista das Am\u00e9ricas enfrente seu passado e, com a mesma coragem, encare as desigualdades criadas pela escravid\u00e3o \u2013 para, assim, finalmente super\u00e1-las.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-original-font-size=\"24\"><strong>*<em data-original-font-size=\"24\">N\u00e3o h\u00e1 indica\u00e7\u00e3o do sobrenome de Evaristo na documenta\u00e7\u00e3o. Era comum que pessoas escravizadas ou libertas n\u00e3o tivessem sobrenomes no Brasil do s\u00e9culo XIX, adotando-os apenas depois da Aboli\u00e7\u00e3o da Escravid\u00e3o.<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Descobrir o que aconteceu com os dep\u00f3sitos de pessoas escravizadas na Caixa Econ\u00f4mica \u00e9 um dever hist\u00f3rico do Brasil. Keila Grinberg Por que pessoas escravizadas confiavam seus recursos a um banco p\u00fablico? E de que forma conseguiam algum recurso? Em teoria, tudo o que lhes pertencesse deveria ir para seus senhores. 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