{"id":129048,"date":"2026-05-03T13:45:19","date_gmt":"2026-05-03T16:45:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/?p=129048"},"modified":"2026-05-03T13:45:19","modified_gmt":"2026-05-03T16:45:19","slug":"morre-raimundo-rodrigues-pereira-o-maior-dos-jornalistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/2026\/05\/03\/morre-raimundo-rodrigues-pereira-o-maior-dos-jornalistas\/","title":{"rendered":"Morre Raimundo Rodrigues  Pereira, o maior dos jornalistas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Durante o regime militar, Raimundo Pereira foi o grande l\u00edder da imprensa alternativa, abandonando as reda\u00e7\u00f5es dos grandes grupos empresariais.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Por Bruno Altman<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A morte de Raimundo Rodrigues Pereira, neste 2 de maio de 2026, aos 85 anos, nos obriga a olhar para tr\u00e1s e reconhecer a dimens\u00e3o de uma trajet\u00f3ria rara no jornalismo brasileiro \u2014 talvez a maior de todas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Expulso do Instituto Tecnol\u00f3gico de Aeron\u00e1utica, Raimundo fez um movimento pouco convencional: deixou para tr\u00e1s a engenharia e escolheu o jornalismo como trincheira. Essa transi\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi apenas profissional, mas profundamente pol\u00edtica. Em vez de c\u00e1lculos e projetos t\u00e9cnicos, passou a lidar com a mat\u00e9ria viva da sociedade brasileira, buscando compreend\u00ea-la e transform\u00e1-la pela palavra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sua passagem pelas revistas Realidade e Veja marcou uma gera\u00e7\u00e3o. Em Realidade, participou de um dos momentos mais criativos e ousados da imprensa nacional, ajudando a construir uma linguagem inovadora, investigativa e profundamente conectada com o pa\u00eds real. Em Veja, atuou em sua fase inicial, quando a revista ainda buscava um jornalismo mais anal\u00edtico e ambicioso, antes de se transformar em outra coisa ao longo dos anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas foi sobretudo na imprensa alternativa, sob a sombra da ditadura, que Raimundo Rodrigues Pereira deixou sua marca mais profunda. Foi um dos fundadores do jornal Opini\u00e3o, espa\u00e7o decisivo de resist\u00eancia intelectual e pol\u00edtica. Em seguida, teve papel central na cria\u00e7\u00e3o do Movimento, que se tornaria um dos mais importantes ve\u00edculos de oposi\u00e7\u00e3o ao regime militar, reunindo vozes cr\u00edticas e ajudando a manter acesa a chama do debate p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sua inquieta\u00e7\u00e3o jamais cessou. Raimundo tamb\u00e9m esteve \u00e0 frente de projetos como o Retratos do Brasil e a revista Reportagem, sempre com o mesmo objetivo: compreender o Brasil em profundidade, dar voz aos silenciados e oferecer ao leitor instrumentos para pensar criticamente a realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais do que os ve\u00edculos que ajudou a fundar ou dirigir, foi sua postura que marcou \u00e9poca. Raimundo nunca se rendeu ao jornalismo acomodado, nem \u00e0 falsa neutralidade que tantas vezes serve para mascarar interesses. Sua escrita era clara, firme, ancorada em princ\u00edpios. Ele sabia de que lado estava \u2014 e nunca fez disso um segredo. Tampouco cedia na ferramenta que escolhera: o jornalismo rigoroso, bem apurado, colado nos fatos, sem concess\u00f5es \u00e0 propaganda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para quem teve o privil\u00e9gio de acompanhar sua trajet\u00f3ria, fica a impress\u00e3o de que Raimundo Rodrigues Pereira n\u00e3o apenas atravessou a hist\u00f3ria recente do Brasil, mas ajudou a mold\u00e1-la. Seu legado n\u00e3o est\u00e1 apenas nos textos ou nas publica\u00e7\u00f5es, mas na ideia de que o jornalismo pode ser, ao mesmo tempo, rigoroso e comprometido, cr\u00edtico e transformador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante muitos anos tive a honra de partilhar projetos com esse grande mestre. Convidei-o a participar em empreendimentos sob meu comando, como as revistas P\u00e1gina Aberta e Aten\u00e7\u00e3o!, e fui seu colaborador em empreitadas como a revista Reportagem. Foram tempos de ensinamentos inesquec\u00edveis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sua morte encerra uma vida, mas n\u00e3o apaga sua presen\u00e7a. Ao contr\u00e1rio: em tempos de desinforma\u00e7\u00e3o e de crise no jornalismo, sua trajet\u00f3ria se torna ainda mais necess\u00e1ria. Lembr\u00e1-lo \u00e9, tamb\u00e9m, assumir o compromisso de seguir adiante com sua miss\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante o regime militar, Raimundo Pereira foi o grande l\u00edder da imprensa alternativa, abandonando as reda\u00e7\u00f5es dos grandes grupos empresariais. 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