{"id":129006,"date":"2026-04-28T14:13:14","date_gmt":"2026-04-28T17:13:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/?p=129006"},"modified":"2026-04-28T14:13:14","modified_gmt":"2026-04-28T17:13:14","slug":"bioma-caatinga-em-alerta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/2026\/04\/28\/bioma-caatinga-em-alerta\/","title":{"rendered":"Bioma Caatinga em alerta"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Hoje (28\/4) \u00e9 dia de comemorar o Dia Nacional da Caatinga, momento de reflex\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o sobre a import\u00e2ncia da conserva\u00e7\u00e3o do bioma<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por Jos\u00e9 Coelho de Ara\u00fajo Filho, Fl\u00e1vio Adriano Marques e Maria Sonia Lopes da Silva, pesquisadores da Embrapa Solos; e Josu\u00e9 Francisco da Silva Junior, pesquisador\u00a0da\u00a0<em>Embrapa Tabuleiros Costeiros<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 28 de abril, comemora-se o Dia Nacional da Caatinga, uma data criada em homenagem ao ec\u00f3logo pernambucano Vasconcelos Sobrinho, pioneiro no estudo da regi\u00e3o semi\u00e1rida. Neste dia, todos devem aproveitar para refletir e se mobilizar em luta pela preserva\u00e7\u00e3o deste bioma. Preserv\u00e1-lo \u00e9 garantir a base da produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel para as fam\u00edlias agricultoras residentes no meio rural. No entanto, isso requer iniciativas da sociedade, bem como compromissos governamentais, como o incentivo a pol\u00edticas p\u00fablicas conservacionistas para os solos e para a vegeta\u00e7\u00e3o, do ponto de vista econ\u00f4mico, social e ambiental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O termo \u201cCaatinga\u201d \u00e9 de origem Tupi-Guarani e significa mata clara, esbranqui\u00e7ada ou mesmo branca. Essa tonalidade de cor se destaca na esta\u00e7\u00e3o seca, que corresponde \u00e0 grande parte do ano, quando a maioria de suas esp\u00e9cies perde as folhas. Por outro lado, no per\u00edodo chuvoso, em poucos dias ocorre uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o da natureza. Essa vegeta\u00e7\u00e3o se renova, rebrotando a sua folhagem, tornando-se completamente verde e, em seguida, produz flores e frutos, que garantem a perpetua\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Caatinga \u00e9 um bioma exclusivamente brasileiro com uma enorme biodiversidade, possuindo esp\u00e9cies \u00fanicas da fauna brasileira e vegetais de porte arb\u00f3reo, arbustivo e herb\u00e1ceo. As esp\u00e9cies s\u00e3o muito bem adaptadas ao clima semi\u00e1rido, cujas precipita\u00e7\u00f5es pluviom\u00e9tricas s\u00e3o muito irregulares no espa\u00e7o e no tempo, com m\u00e9dia anual inferior a 800 mm, mas \u00e9 onde est\u00e3o cerca de 12% da popula\u00e7\u00e3o brasileira (mais de 22 milh\u00f5es de habitantes).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em geral, a vegeta\u00e7\u00e3o \u00e9 o componente mais caracter\u00edstico do bioma, reconhecendo-se duas fases: a mais seca, conhecida como Caatinga hiperxer\u00f3fila e, a menos seca, denominada Caatinga hipoxer\u00f3fila. Algumas esp\u00e9cies s\u00e3o indicadoras dessas duas fitofisionomias. Na primeira, destacam-se o xique-xique e a faveleira ou favela; e na segunda, a palmeira denominada popularmente como ouricuri ou licuri e o tamboril ou orelha-de-macaco. A maioria das esp\u00e9cies, entretanto, \u00e9 comum \u00e0s duas fases, como por exemplo, o marmeleiro, a catingueira, o mandacaru, o juazeiro e o angico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Caatinga \u00e9 um bioma extremamente amea\u00e7ado e, em fun\u00e7\u00e3o do uso e ocupa\u00e7\u00e3o sem planejamento das terras, a sua vegeta\u00e7\u00e3o atualmente encontra-se muito devastada. Por sua vez, a combina\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es antr\u00f3picas em \u00e1reas de solos rasos a pouco profundos, muito suscet\u00edveis \u00e0 eros\u00e3o, juntamente com o desmatamento e as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, conduz aos processos de desertifica\u00e7\u00e3o, que t\u00eam sido registrados nesse bioma. Tais solos, associados \u00e0 pouca cobertura vegetal, facilitam e\/ou aceleram os processos erosivos e a degrada\u00e7\u00e3o ambiental. Esses ambientes constituem n\u00facleos de desertifica\u00e7\u00e3o, a exemplo de Cabrob\u00f3 (PE), Serid\u00f3 (RN\/PB), Irau\u00e7uba (CE) e Gilbu\u00e9s (PI). Em situa\u00e7\u00e3o mais grave, foram recentemente constatados ambientes que j\u00e1 se enquadram cientificamente no contexto de climas \u00e1ridos, como \u00e9 o caso de uma \u00e1rea no norte do estado da Bahia e no oeste de Pernambuco, no Vale do Subm\u00e9dio S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda no contexto ambiental da Caatinga, os solos associados aos diferentes geoambientes, como chapadas, planaltos, depress\u00f5es, possuem atributos morfol\u00f3gicos, f\u00edsicos, qu\u00edmicos e mineral\u00f3gicos muito heterog\u00eaneos. Essa heterogeneidade resulta, sobretudo, das varia\u00e7\u00f5es do seu material de origem, como \u00e9 o caso de rochas cristalinas (\u00edgneas e metam\u00f3rficas), rochas sedimentares ou sedimentos inconsolidados. Nesse sentido, onde se destacam as rochas cristalinas, como gnaisses, granitos e xistos, s\u00e3o desenvolvidos solos rasos (\u2264 50 cm) a pouco profundos (&gt; 50 cm e \u2264 100 cm), em geral pedregosos, como Neossolos Lit\u00f3licos, Luvissolos e Planossolos, comumente utilizados com pastagem natural ou plantada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas \u00e1reas onde ocorrem sedimentos inconsolidados, rochas sedimentares (como arenitos) ou alguma cobertura sedimentar sobre rochas cristalinas, predominam solos profundos (&gt; 100 cm e \u2264 200 cm) a muito profundos (&gt; 200 cm), como Neossolos Quartzar\u00eanicos, Neossolos Fl\u00favicos, Latossolos e Argissolos, muito utilizados com agricultura irrigada, a exemplo do polo de irriga\u00e7\u00e3o do munic\u00edpio de Petrolina (PE), ou prevalecem usos com culturas dependentes de chuvas. Por sua vez, no contexto de bacias sedimentares onde ocorrem rochas calc\u00e1rias ou sedimentos ricos em carbonatos, os solos formados s\u00e3o, em geral, profundos e com alta a muita alta fertilidade natural, como \u00e9 o caso de Cambissolos e Vertissolos, os quais re\u00fanem excelentes propriedades para fins agr\u00edcolas, notadamente com o emprego da irriga\u00e7\u00e3o. Como exemplo desses solos, destaca-se o polo de irriga\u00e7\u00e3o no munic\u00edpio de Juazeiro (BA), onde se conseguem as mais altas produtividades com a cultura da cana-de-a\u00e7\u00facar no Brasil, podendo ultrapassar a marca de 200 t\/ha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, cabe destacar que, em fun\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas nos dom\u00ednios da Caatinga, onde a evapotranspira\u00e7\u00e3o \u00e9 muito superior \u00e0s precipita\u00e7\u00f5es pluviais, tamb\u00e9m ocorrem naturalmente ambientes e solos afetados por sais, isto \u00e9, solos s\u00f3dicos e\/ou salinos, cujo manejo merece o m\u00e1ximo cuidado e aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, al\u00e9m da necessidade de conserva\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o da Caatinga, \u00e9 imperativa a conserva\u00e7\u00e3o do solo deste bioma, promovendo o seu uso racional, em conformidade com suas potencialidades e limita\u00e7\u00f5es naturais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje (28\/4) \u00e9 dia de comemorar o Dia Nacional da Caatinga, momento de reflex\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o sobre a import\u00e2ncia da conserva\u00e7\u00e3o do bioma Por Jos\u00e9 Coelho de Ara\u00fajo Filho, Fl\u00e1vio Adriano Marques e Maria Sonia Lopes da Silva, pesquisadores da Embrapa Solos; e Josu\u00e9 Francisco da Silva Junior, pesquisador\u00a0da\u00a0Embrapa Tabuleiros Costeiros No dia 28 de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":129007,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[67,72],"tags":[8135,436,8137,8136],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/129006"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=129006"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/129006\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":129008,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/129006\/revisions\/129008"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/129007"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=129006"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=129006"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=129006"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}