{"id":128934,"date":"2026-04-22T19:16:36","date_gmt":"2026-04-22T22:16:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/?p=128934"},"modified":"2026-04-22T19:16:36","modified_gmt":"2026-04-22T22:16:36","slug":"tiradentes-e-a-mesa-da-historia-um-dialogo-permanente-pela-soberania-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/2026\/04\/22\/tiradentes-e-a-mesa-da-historia-um-dialogo-permanente-pela-soberania-brasileira\/","title":{"rendered":"Tiradentes e a mesa da hist\u00f3ria: um di\u00e1logo permanente pela soberania brasileira"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>No contexto brasileiro, essa reflex\u00e3o ganha densidade na obra de Carolina Maria de Jesus, que, ao afirmar o dom\u00ednio da palavra como instrumento de liberta\u00e7\u00e3o, recoloca o sujeito marginalizado no centro da narrativa. A escrita, nesse sentido, transforma-se em ferramenta de leitura cr\u00edtica da realidade e de enfrentamento das opress\u00f5es historicamente impostas.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por Joilson Bergher<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nTiradentes e a mesa da hist\u00f3ria: um di\u00e1logo permanente pela soberania brasileira.A mem\u00f3ria de Tiradentes, evocada no feriado de 21 de abril, n\u00e3o se restringe a um epis\u00f3dio isolado da hist\u00f3ria brasileira, mas se projeta como um eixo simb\u00f3lico permanente das disputas em torno da soberania nacional. Inserido no contexto da Inconfid\u00eancia Mineira, Tiradentes foi al\u00e7ado \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de m\u00e1rtir n\u00e3o apenas por sua execu\u00e7\u00e3o, mas pelo significado pol\u00edtico de sua insurg\u00eancia. A rea\u00e7\u00e3o das elites coloniais e metropolitanas \u00e0 sua figura revela um padr\u00e3o hist\u00f3rico recorrente: a deslegitima\u00e7\u00e3o e o silenciamento de vozes que tensionam estruturas de poder. Nesse sentido, a atualidade de Tiradentes reside menos na biografia e mais na perman\u00eancia do conflito que ele encarnou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao ampliar o debate, \u00e9 poss\u00edvel situar essa experi\u00eancia no horizonte mais amplo do Iluminismo, cuja centralidade da raz\u00e3o e da cr\u00edtica \u00e0s estruturas absolutistas ecoava nas col\u00f4nias. A busca por um \u201chomem novo\u201d e por formas mais justas de organiza\u00e7\u00e3o social aproxima, ainda que em contextos distintos, figuras como Di\u00f3genes de Sinope \u2014 que simbolicamente procurava um homem honesto em meio \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o \u2014 e processos hist\u00f3ricos como a Revolu\u00e7\u00e3o Russa, que, apesar de suas contradi\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m projetou ideais de transforma\u00e7\u00e3o radical da sociedade. Esses elementos evidenciam que a luta por justi\u00e7a, dignidade e emancipa\u00e7\u00e3o atravessa diferentes tempos e geografias, constituindo um fio cont\u00ednuo de inquieta\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse mesmo fio pode ser percebido nas dimens\u00f5es \u00e9ticas e espirituais do debate, quando se evocam figuras como Jesus Cristo e Nostradamus, frequentemente mobilizado como s\u00edmbolo de uma inquieta\u00e7\u00e3o com o destino humano. No contexto brasileiro, essa reflex\u00e3o ganha densidade na obra de Carolina Maria de Jesus, que, ao afirmar o dom\u00ednio da palavra como instrumento de liberta\u00e7\u00e3o, recoloca o sujeito marginalizado no centro da narrativa. A escrita, nesse sentido, transforma-se em ferramenta de leitura cr\u00edtica da realidade e de enfrentamento das opress\u00f5es historicamente impostas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, ao transpor essa discuss\u00e3o para o campo cultural, a obra de Glauber Rocha oferece uma s\u00edntese potente dessa mem\u00f3ria insurgente, ao retratar, em linguagem est\u00e9tica e pol\u00edtica, as contradi\u00e7\u00f5es de um pa\u00eds marcado pela desigualdade. Assim, imaginar uma mesa de bar ou uma assembleia onde essas vozes se encontram n\u00e3o \u00e9 mero exerc\u00edcio ret\u00f3rico, mas uma forma de reconhecer que a constru\u00e7\u00e3o de um Brasil soberano depende da capacidade coletiva de revisitar criticamente o passado, compreender o presente e projetar um futuro orientado pela justi\u00e7a social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se estiv\u00e9ssemos reunidos em uma grande mesa \u2014 com Tiradentes, Glauber Rocha, Nostradamus, Carolina Maria de Jesus, Jesus Cristo, Karl Marx e n\u00f3s, brasileiros \u2014 o que se ouviria n\u00e3o seria um consenso f\u00e1cil, mas um chamado profundo \u00e0 responsabilidade hist\u00f3rica. Tiradentes nos lembraria que a soberania tem pre\u00e7o e exige coragem; Glauber tensionaria as estruturas com sua est\u00e9tica da fome, denunciando as perman\u00eancias da opress\u00e3o; Carolina reivindicaria a palavra como instrumento de dignidade; Marx apontaria as engrenagens da explora\u00e7\u00e3o; Jesus evocaria o valor do humano acima de todas as coisas; e at\u00e9 Nostradamus, entre s\u00edmbolos e enigmas, insinuaria que o futuro n\u00e3o est\u00e1 dado, mas em disputa. Entre vozes distintas, o que se ergueria como s\u00edntese seria a compreens\u00e3o de que o 21 de abril n\u00e3o \u00e9 apenas mem\u00f3ria, mas convoca\u00e7\u00e3o: um convite permanente para que o povo brasileiro assuma seu lugar na hist\u00f3ria, transformando indigna\u00e7\u00e3o em a\u00e7\u00e3o concreta, cr\u00edtica em consci\u00eancia coletiva e sonho em projeto de na\u00e7\u00e3o soberana.<br \/>\n__<br \/>\nJoilson Bergher.<br \/>\nProfessor e Analista Cr\u00edtico de Pol\u00edtica e Sociedade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No contexto brasileiro, essa reflex\u00e3o ganha densidade na obra de Carolina Maria de Jesus, que, ao afirmar o dom\u00ednio da palavra como instrumento de liberta\u00e7\u00e3o, recoloca o sujeito marginalizado no centro da narrativa. A escrita, nesse sentido, transforma-se em ferramenta de leitura cr\u00edtica da realidade e de enfrentamento das opress\u00f5es historicamente impostas. 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