{"id":128913,"date":"2026-04-21T17:06:40","date_gmt":"2026-04-21T20:06:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/?p=128913"},"modified":"2026-04-21T17:06:40","modified_gmt":"2026-04-21T20:06:40","slug":"fandango-caicara-uma-tradicao-que-permanece-no-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/2026\/04\/21\/fandango-caicara-uma-tradicao-que-permanece-no-tempo\/","title":{"rendered":"Fandango Cai\u00e7ara: uma tradi\u00e7\u00e3o que permanece (no tempo)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Poucas manifesta\u00e7\u00f5es culturais conseguem atravessar s\u00e9culos sem desaparecer. O Fandango Cai\u00e7ara \u00e9 uma delas. Presente no litoral sul e sudeste do Brasil, essa pr\u00e1tica segue viva mesmo diante das profundas transforma\u00e7\u00f5es sociais, econ\u00f4micas e culturais do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Segundo o\u00a0Diccionario\u00a0de Autoridades da Real Academia\u00a0Espa\u00f1ola, de 1732, o Fandango \u00e9 descrito como um \u201cbaile introduzido por aqueles que vieram dos reinos \u2018Las\u00a0\u00cdndias\u2019, realizado ao som de uma melodia muito alegre e festiva\u201d. Essa defini\u00e7\u00e3o remete ao contexto do in\u00edcio do s\u00e9culo XVIII, quando os espanh\u00f3is denominavam suas terras colonizadas nas Am\u00e9ricas como \u201cLas\u00a0\u00cdndias\u201d, o\u00a0que indica que o Fandango j\u00e1 era uma pr\u00e1tica festiva nas regi\u00f5es coloniais\u00a0das Am\u00e9ricas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">J\u00e1 o historiador Lu\u00eds da C\u00e2mara Cascudo, em seu Dicion\u00e1rio do Folclore Brasileiro, descreve o Fandango praticado no Norte e Nordeste como um \u201cauto popular dos marujos\u201d, enquanto nas regi\u00f5es Sul e Sudeste aparece como uma festa com dan\u00e7as variadas, como o rufado, marcado pelo sapateado, e o valsado, realizado em pares. \u00c9 esse Fandango do litoral de S\u00e3o Paulo e Paran\u00e1 que viria a ser reconhecido, em 2012, como patrim\u00f4nio cultural imaterial pelo\u00a0Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (IPHAN).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Caracterizado por instrumentos artesanais como a rabeca, a viola cai\u00e7ara, o\u00a0machete, a caixa de folia e o adufe, o Fandango embalou por s\u00e9culos as festas ap\u00f3s os mutir\u00f5es comunit\u00e1rios. Mais do que m\u00fasica e dan\u00e7a, ele expressa modos de vida, rela\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias e saberes tradicionais; \u00e9 nessa dimens\u00e3o cultural que habita sua for\u00e7a temporal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">No Brasil, pouco se discute como essas culturas resistem ao tempo. Em um pa\u00eds marcado pela velocidade e pelo consumo, pr\u00e1ticas enraizadas em territ\u00f3rios s\u00e3o frequentemente invisibilizadas ou tratadas como vest\u00edgios do passado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a cultura de massa, a urbaniza\u00e7\u00e3o e as transforma\u00e7\u00f5es territoriais trouxeram desafios reais. Ainda assim, o Fandango n\u00e3o desapareceu. Ao contr\u00e1rio, se reorganizou e hoje circula entre festas comunit\u00e1rias, festivais e apresenta\u00e7\u00f5es institucionais.\u00a0<\/span><span data-contrast=\"none\">Entre elas, destacam-se a Festa Nacional do Fandango Cai\u00e7ara, em Paranagu\u00e1, e as festas realizadas em Canan\u00e9ia e Ubatuba.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span data-contrast=\"auto\">Essa perman\u00eancia revela que culturas populares n\u00e3o s\u00e3o est\u00e1ticas: elas se transformam e dialogam com o presente sem romper com suas ra\u00edzes. Mais do que preservar, \u00e9 preciso\u00a0reconhecer essas manifesta\u00e7\u00f5es como formas leg\u00edtimas de conhecimento e fortalecer as comunidades que as mant\u00eam vivas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span data-contrast=\"auto\">*Rodrigo Fonseca\u00a0\u00e9 autor do livro \u201cA Comunica\u00e7\u00e3o da Cultura Popular\u201d, artista multim\u00eddia, produtor cultural, pesquisador e doutorando em Comunica\u00e7\u00e3o e Cultura na Universidade de Sorocaba.<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Poucas manifesta\u00e7\u00f5es culturais conseguem atravessar s\u00e9culos sem desaparecer. O Fandango Cai\u00e7ara \u00e9 uma delas. Presente no litoral sul e sudeste do Brasil, essa pr\u00e1tica segue viva mesmo diante das profundas transforma\u00e7\u00f5es sociais, econ\u00f4micas e culturais do pa\u00eds. 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