{"id":128473,"date":"2026-03-27T02:59:43","date_gmt":"2026-03-27T05:59:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/?p=128473"},"modified":"2026-03-27T02:59:43","modified_gmt":"2026-03-27T05:59:43","slug":"silencio-e-memoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/2026\/03\/27\/silencio-e-memoria\/","title":{"rendered":"Sil\u00eancio e mem\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p><strong>Reno Viana<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os corredores do F\u00f3rum Jo\u00e3o Mangabeira, naquela tarde de mar\u00e7o de 2026, guardavam o eco de passos antigos. Do lado de fora, o c\u00e9u de Vit\u00f3ria da Conquista insistia em um tom cinza, desses que parecem suspender o tempo. Foi nesse cen\u00e1rio, entre paredes que conhecem leis e esquecimentos, que esta conversa come\u00e7ou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o come\u00e7ou por acaso, mas movida por um prop\u00f3sito muito claro. Conhecer mais de perto a trajet\u00f3ria e o pensamento da professora\u00a0<i>\u00c2ngela Maria de Jesus Souza<\/i>, autora da importante disserta\u00e7\u00e3o<i>\u00a0\u201cA (In)visibilidade de Negros e Ind\u00edgenas no Memorial Casa Governador R\u00e9gis Pacheco: Uma proposta decolonial para o ensino de Hist\u00f3ria\u201d.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sua presen\u00e7a ali era fruto de um encontro cuidadosamente tecido. \u00c2ngela chegou com a serenidade de quem carrega n\u00e3o apenas livros, mas hist\u00f3rias que foram negadas. Ela foi trazida ao F\u00f3rum pelo l\u00edder comunit\u00e1rio Marcos Rocha, figura reconhecida em Vit\u00f3ria da Conquista por sua atua\u00e7\u00e3o firme nas pautas sociais e no sistema de justi\u00e7a, algu\u00e9m acostumado a transformar inquieta\u00e7\u00f5es em a\u00e7\u00e3o concreta. Ao seu lado, o professor Osmundo Mac\u00e1rio, tamb\u00e9m da rede p\u00fablica, historiador de forma\u00e7\u00e3o s\u00f3lida e olhar cr\u00edtico, cuja trajet\u00f3ria, marcada pela origem perif\u00e9rica e pelo compromisso com a educa\u00e7\u00e3o, conferia densidade \u00e0s discuss\u00f5es sobre mem\u00f3ria e pertencimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, ao se formarem em roda naquele espa\u00e7o institucional, n\u00e3o se reuniam apenas tr\u00eas vozes, mas tr\u00eas percursos distintos, profundamente entrela\u00e7ados pelo desejo comum de revisitar a hist\u00f3ria da cidade e devolver voz \u00e0queles que dela foram silenciados. Como se, naquele instante, o pr\u00f3prio F\u00f3rum se tornasse n\u00e3o apenas lugar de julgamento, mas tamb\u00e9m de escuta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre eles, tamb\u00e9m se fazia presente este narrador. N\u00e3o como protagonista, mas como uma esp\u00e9cie de testemunha atenta, quase silenciosa, recolhendo cada palavra como quem recolhe vest\u00edgios. Sentado ali, no mesmo c\u00edrculo, ouvia os depoimentos de \u00c2ngela Maria, Osmundo Mac\u00e1rio e Marcos Rocha com a consci\u00eancia de que n\u00e3o se tratava apenas de uma conversa, mas de um encontro com camadas profundas da mem\u00f3ria da cidade. O olhar transitava entre as vozes e o espa\u00e7o, entre o que era dito e o que aquele velho F\u00f3rum parecia guardar. Percebendo que, mais do que registrar falas, cabia acolher sentidos, organizar sil\u00eancios e dar forma narrativa \u00e0quilo que, por tanto tempo, permanecera disperso ou invis\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c2ngela n\u00e3o come\u00e7ou falando de teoria. Come\u00e7ou falando de si. Filha de uma mulher negra, lavadeira, crescida nas margens sociais da cidade, ela descreve sua trajet\u00f3ria como uma travessia. A universidade, diz ela, n\u00e3o foi um destino natural, mas uma ruptura. E talvez por isso sua pesquisa n\u00e3o foi apenas acad\u00eamica. Foi tamb\u00e9m um gesto de retorno, um esfor\u00e7o de reinscrever no mapa da cidade aqueles que sempre estiveram ali, mas que raramente eram nomeados.<\/p>\n<figure id=\"attachment_128475\" aria-describedby=\"caption-attachment-128475\" style=\"width: 367px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-128475 size-full\" src=\"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Professora-Angela.jpg\" alt=\"\" width=\"367\" height=\"400\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-128475\" class=\"wp-caption-text\">Professora \u00c2ngela Maria de Jesus Souza, com Osmundo Mac\u00e1rio, Reno Viana e Marcos Rocha.<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao falar do Memorial Casa Governador R\u00e9gis Pacheco, sua voz ganha densidade. Ela n\u00e3o o v\u00ea apenas como um espa\u00e7o de preserva\u00e7\u00e3o, mas como um territ\u00f3rio de disputa. O problema, explica, n\u00e3o est\u00e1 no que \u00e9 mostrado, mas no que \u00e9 ocultado. Negros e ind\u00edgenas s\u00e3o figuras dilu\u00eddas na paisagem, destitu\u00eddas de qualquer protagonismo. O museu, que deveria ser lugar de mem\u00f3ria, transforma-se em instrumento de esquecimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Osmundo Mac\u00e1rio, inclinando levemente o corpo para frente, como quem reconhece aquela dor, acrescenta que essa invisibilidade n\u00e3o \u00e9 acidental. Trata-se de um projeto. Um projeto antigo, cuidadosamente constru\u00eddo, que transforma a hist\u00f3ria em narrativa homog\u00eanea. Ele fala de um \u201cmito colonizador\u201d que organiza o passado como uma f\u00e1bula. De um lado, o her\u00f3i civilizador. Do outro, o sil\u00eancio imposto aos vencidos. E lembra que essa simplifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas apaga, ela educa mal, forma consci\u00eancias mutiladas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcos Rocha, acostumado a transitar entre o sistema de justi\u00e7a e as margens sociais, observa que esse apagamento hist\u00f3rico tem consequ\u00eancias concretas. Ele n\u00e3o v\u00ea a hist\u00f3ria como algo distante, mas como algo que se materializa nas desigualdades do presente. Quando fala da popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria, da periferia, dos trabalhadores invis\u00edveis, ele sugere, sem precisar dizer diretamente, que o passado mal contado continua produzindo injusti\u00e7a. A cidade que esquece quem a construiu tamb\u00e9m esquece quem precisa ser protegido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 nesse ponto que a professora \u00c2ngela faz uma pausa mais longa, como quem reorganiza o pr\u00f3prio f\u00f4lego, introduzindo com firmeza a quest\u00e3o ind\u00edgena. Ela lembra que os povos origin\u00e1rios \u2014 Mongoi\u00f3s, Camac\u00e3s, Patax\u00f3s e Ymbor\u00e9s \u2014 n\u00e3o foram figuras secund\u00e1rias na hist\u00f3ria da regi\u00e3o, mas protagonistas de uma resist\u00eancia intensa \u00e0 invas\u00e3o de seus territ\u00f3rios. A narrativa oficial, no entanto, preferiu reduzi-los a um passado encerrado, como se tivessem sido completamente apagados pela marcha da \u201cciviliza\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcos Rocha, com o olhar atento, observa que esse apagamento hist\u00f3rico tem efeitos concretos at\u00e9 hoje. Ele menciona comunidades que continuam lutando por reconhecimento, muitas vezes invis\u00edveis para o poder p\u00fablico. A cidade que se orgulha de sua mem\u00f3ria, diz ele, n\u00e3o reconhece aqueles que ainda carregam no corpo a continuidade desse percurso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c2ngela recorda, com certa indigna\u00e7\u00e3o contida, o epis\u00f3dio da recusa de instala\u00e7\u00e3o de um monumento ind\u00edgena na pra\u00e7a principal da cidade, sob o argumento de que \u201cpoluiria o visual\u201d. A frase, aparentemente banal, revela muito. A mem\u00f3ria ind\u00edgena \u00e9 tratada como algo inconveniente, deslocado, quase um ru\u00eddo na paisagem urbana organizada para exaltar outros s\u00edmbolos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Osmundo complementa dizendo que esse tipo de exclus\u00e3o simb\u00f3lica refor\u00e7a a ideia de que os ind\u00edgenas pertencem ao passado, quando, na verdade, continuam presentes. Ele lembra que a hist\u00f3ria oficial fala em exterm\u00ednio total, mas a realidade insiste em mostrar sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 ent\u00e3o que \u00c2ngela traz \u00e0 conversa uma imagem poderosa, as paneleiras da Batalha. Mulheres que moldam a argila como quem molda a pr\u00f3pria lembran\u00e7a. Ela descreve o gesto, m\u00e3os que giram o barro, olhos atentos, sil\u00eancio concentrado, como uma forma de resist\u00eancia. Ali, naquelas panelas, n\u00e3o est\u00e1 apenas um objeto utilit\u00e1rio, mas a continuidade de uma identidade que se recusou a desaparecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tradi\u00e7\u00e3o das paneleiras, explica ela, \u00e9 mais do que cultura. \u00c9 um arquivo vivo. Cada pe\u00e7a carrega saberes ancestrais, transmitidos de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, desafiando a narrativa de que os povos ind\u00edgenas teriam sido apagados. Ao contr\u00e1rio, eles permanecem, reinventando-se, resistindo, existindo.<\/p>\n<figure id=\"attachment_128476\" aria-describedby=\"caption-attachment-128476\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-128476 size-full\" src=\"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Marcos-Rocha-Joao-Goncalves-2.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"501\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-128476\" class=\"wp-caption-text\">Bandeirante Jo\u00e3o Gon\u00e7alves da Costa, retratado com as fei\u00e7\u00f5es do ativista Marcos Rocha, em desenho do artista Nill Santos.<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcos Rocha observa que essa resist\u00eancia tamb\u00e9m se manifesta na luta por territ\u00f3rio. Muitas dessas comunidades enfrentam dificuldades para manter suas terras, sendo empurradas para as periferias urbanas. Ainda assim, diz ele, mant\u00eam um forte sentimento de pertencimento, uma liga\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se rompe facilmente com o deslocamento f\u00edsico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A conversa ent\u00e3o se desloca para um dos conceitos mais inc\u00f4modos, o mito da \u201cSu\u00ed\u00e7a Baiana\u201d. \u00c2ngela o descreve como uma esp\u00e9cie de fantasia coletiva, uma imagem cuidadosamente cultivada para projetar uma cidade branca, europeizada, civilizada. Mas essa imagem, insiste ela, tem um custo. Para que ela exista, \u00e9 preciso apagar tudo aquilo que n\u00e3o se encaixa nela. E o que n\u00e3o se encaixa? A maioria da popula\u00e7\u00e3o. Negros, ind\u00edgenas, trabalhadores pobres, todos empurrados para fora do quadro oficial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Osmundo concorda, mas vai al\u00e9m. Afirma que esse mito n\u00e3o apenas oculta, ele legitima. Ao exaltar uma origem branca e europeia, a cidade justifica, ainda hoje, a distribui\u00e7\u00e3o desigual de espa\u00e7os e oportunidades. Ele lembra que a hist\u00f3ria ensinada nas escolas, por muito tempo, refor\u00e7ou essa ideia de civiliza\u00e7\u00e3o como algo trazido de fora, como se o sert\u00e3o n\u00e3o tivesse produzido cultura, resist\u00eancia e saber.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 um momento de sil\u00eancio, desses que n\u00e3o interrompem, mas aprofundam. \u00c9 quando surge o nome de Jo\u00e3o Gon\u00e7alves da Costa. A figura do \u201cfundador\u201d da cidade de Vit\u00f3ria da Conquista parece pairar sobre a conversa como um fantasma mal resolvido. \u00c2ngela ent\u00e3o revela o que sua pesquisa escancarava. O her\u00f3i celebrado como branco era, na verdade, um \u201cpreto forro\u201d, um homem negro que nasceu escravizado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O impacto dessa afirma\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 apenas no dado hist\u00f3rico, mas no que foi feito com ele. Ao longo dos s\u00e9culos, explica ela, sua imagem foi cuidadosamente embranquecida, genealogicamente, simbolicamente e, por fim, visualmente. O retrato exposto no Memorial, pintado em 2008, apresenta um homem de tra\u00e7os europeus, apagando qualquer vest\u00edgio de ancestralidade africana. N\u00e3o se trata de erro, trata-se de escolha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcos Rocha observa que esse embranquecimento n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o est\u00e9tica. Ele \u00e9 pol\u00edtico. Ao transformar o fundador em um homem branco, a cidade refor\u00e7a a ideia de que o poder, desde o in\u00edcio, pertenceu a uma elite espec\u00edfica. E isso legitima, ainda hoje, estruturas de exclus\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Osmundo, com a sensatez de quem ensina, lembra que h\u00e1 uma ironia profunda nisso tudo. A pr\u00f3pria figura exaltada como s\u00edmbolo da civiliza\u00e7\u00e3o carrega, em sua origem, aquilo que a cidade tenta esconder. \u00c9 como se a hist\u00f3ria oficial fosse constru\u00edda sobre uma nega\u00e7\u00e3o permanente, uma tentativa de manter intacta uma imagem que nunca correspondeu \u00e0 realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c2ngela retorna ent\u00e3o ao ponto central de sua pesquisa, a necessidade de uma abordagem \u201cdecolonial\u201d. Para ela, n\u00e3o basta incluir negros e ind\u00edgenas na narrativa, \u00e9 preciso reorganizar a narrativa. Mudar o olhar. Permitir que os objetos, os espa\u00e7os e as hist\u00f3rias sejam lidos a partir de outras perspectivas. Ela fala da \u201cpedagogia do objeto\u201d, da aula-oficina, da necessidade de formar alunos que questionem, investiguem e reconstruam o passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A conversa, que come\u00e7ou no campo da mem\u00f3ria, chegou naturalmente \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. Todos parecem concordar que a escola \u00e9 o lugar onde essa disputa pode ser transformada. Onde o sil\u00eancio pode ser rompido. Onde o aluno da periferia pode, pela primeira vez, reconhecer-se como parte da hist\u00f3ria, n\u00e3o como exce\u00e7\u00e3o, mas como protagonista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando a conversa se encerrou, j\u00e1 era noite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do lado de fora do F\u00f3rum, o tempo parecia ter desacelerado, como se a cidade, por um instante, estivesse disposta a ouvir aquilo que sempre evitou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao final, \u00c2ngela n\u00e3o oferece uma conclus\u00e3o, oferece um convite. \u00c9 preciso, diz ela, enfrentar o \u201cperigo da hist\u00f3ria \u00fanica\u201d e permitir que outras vozes ocupem os espa\u00e7os de registro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao nos despedirmos, ficou a sensa\u00e7\u00e3o de que aquela conversa n\u00e3o terminou, mas apenas abriu uma fresta. Como uma porta antiga que range ao ser empurrada, depois de muito tempo fechada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E talvez seja exatamente isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria de Vit\u00f3ria da Conquista precisa, antes de tudo, ser finalmente ouvida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reno Viana Os corredores do F\u00f3rum Jo\u00e3o Mangabeira, naquela tarde de mar\u00e7o de 2026, guardavam o eco de passos antigos. Do lado de fora, o c\u00e9u de Vit\u00f3ria da Conquista insistia em um tom cinza, desses que parecem suspender o tempo. Foi nesse cen\u00e1rio, entre paredes que conhecem leis e esquecimentos, que esta conversa come\u00e7ou. 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