{"id":128389,"date":"2026-03-22T11:03:10","date_gmt":"2026-03-22T14:03:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/?p=128389"},"modified":"2026-03-22T11:03:10","modified_gmt":"2026-03-22T14:03:10","slug":"familias-comprometem-29-da-renda-com-dividas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/2026\/03\/22\/familias-comprometem-29-da-renda-com-dividas\/","title":{"rendered":"Fam\u00edlias comprometem 29% da renda com d\u00edvidas"},"content":{"rendered":"<p><strong>Dados do Banco Central mostram maior comprometimento da renda em 20 anos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0O avan\u00e7o do endividamento das fam\u00edlias brasileiras passou a acender um sinal de alerta em diferentes setores da economia. Mesmo com o desemprego em n\u00edveis historicamente baixos e a infla\u00e7\u00e3o sob controle at\u00e9 o momento, o peso das d\u00edvidas sobre a renda dos consumidores cresce de forma consistente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com a\u00a0<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2026\/03\/familias-comprometem-29-da-renda-com-dividas-maior-patamar-em-20-anos.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">Folha de S\u00e3o Paulo<\/a>, dados do Banco Central apontam que as fam\u00edlias passaram a comprometer 29% de sua renda com o pagamento de d\u00edvidas desde outubro do ano passado \u2014 o maior patamar registrado em pelo menos duas d\u00e9cadas.<\/p>\n<h2>Endividamento elevado e avan\u00e7o da inadimpl\u00eancia<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do total comprometido, 10,38% correspondem apenas aos juros, enquanto 18,81% s\u00e3o destinados ao pagamento do principal. O cen\u00e1rio tem levado a um aumento nos atrasos: a inadimpl\u00eancia chegou a 6,9% entre o fim de 2025 e janeiro deste ano, acima dos 5,6% observados no mesmo per\u00edodo anterior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Especialistas apontam que o crescimento de modalidades de cr\u00e9dito mais arriscadas tem sido um dos principais fatores por tr\u00e1s desse movimento, especialmente entre consumidores de baixa renda.<\/p>\n<h2>Cr\u00e9dito caro impulsiona d\u00edvidas<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre as linhas mais problem\u00e1ticas est\u00e3o o rotativo do cart\u00e3o de cr\u00e9dito, com inadimpl\u00eancia de 63,5%, o cheque especial (16,5%) e o parcelamento da fatura (13%). Essas modalidades tamb\u00e9m apresentam juros elevados, chegando a 14,81% ao m\u00eas no caso do rotativo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O volume de cr\u00e9dito nessas categorias segue em expans\u00e3o. O saldo do rotativo cresceu 31,2% em um ano, enquanto o parcelado avan\u00e7ou 18,3% e o cheque especial, 13,8%. No geral, o cr\u00e9dito com recursos livres teve alta de 12,4%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Everton Gon\u00e7alves, diretor da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Bancos (ABBC), a mudan\u00e7a no perfil das opera\u00e7\u00f5es contribui para o aumento dos atrasos. \u201cH\u00e1 um crescimento maior do que a m\u00e9dia nas opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito de maior risco. Com isso, se nota uma mudan\u00e7a na composi\u00e7\u00e3o da carteira de cr\u00e9dito total, o que pesa na inadimpl\u00eancia\u201d, afirmou.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Impacto maior sobre a baixa renda<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O avan\u00e7o da inadimpl\u00eancia \u00e9 mais intenso entre as fam\u00edlias de menor renda. Levantamento da Febraban indica que consumidores que recebem at\u00e9 tr\u00eas sal\u00e1rios m\u00ednimos registraram taxa de atrasos acima de 90 dias de 7,5%.<\/p>\n<div class=\"contentAd contentAd--noBackground marginBottom30\">\n<div class=\"marginTop10 adBackground\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Luiz Fernando Castelli, gerente de economia da entidade, a vulnerabilidade financeira desse grupo \u00e9 maior diante de imprevistos. \u201cO or\u00e7amento \u00e9 mais apertado. Qualquer imprevisto financeiro coloca a pessoa em dificuldades com as quais n\u00e3o consegue lidar\u201d, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O professor da FGV Rafael Schiozer destaca que o acesso ampliado ao cr\u00e9dito trouxe benef\u00edcios, mas tamb\u00e9m riscos. \u201c\u00c9 positivo que pessoas com mais necessidade de cr\u00e9dito tenham acesso a ele. Mas tamb\u00e9m h\u00e1 riscos no endividamento excessivo da baixa renda, que pode ter impacto sobre o consumo no longo prazo\u201d, afirmou.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Mudan\u00e7as regulat\u00f3rias e transpar\u00eancia<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Parte da alta recente da inadimpl\u00eancia tamb\u00e9m est\u00e1 associada a mudan\u00e7as nas regras do Banco Central. Desde janeiro de 2025, os bancos passaram a manter por mais tempo em seus balan\u00e7os cr\u00e9ditos inadimplentes antes de reconhecer preju\u00edzos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Isabela Tavares, economista da consultoria Tend\u00eancias, a medida melhora a leitura do cen\u00e1rio financeiro. \u201cEssa resolu\u00e7\u00e3o veio para dar maior clareza sobre as finan\u00e7as dos brasileiros. Antes a inadimpl\u00eancia sa\u00eda mais r\u00e1pido das estat\u00edsticas, mas agora temos no\u00e7\u00e3o do quanto as pessoas est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o financeira delicada\u201d, explicou.<\/p>\n<h2>Reflexos no varejo e na economia<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O n\u00edvel elevado de endividamento j\u00e1 impacta o com\u00e9rcio. Empresas do varejo t\u00eam adotado postura mais cautelosa na concess\u00e3o de cr\u00e9dito. O presidente da Casas Bahia, Renato Franklin, afirmou que a companhia est\u00e1 mais rigorosa nas vendas parceladas. \u201c\u00c9 muito f\u00e1cil voc\u00ea se empolgar com o cen\u00e1rio de desemprego em queda e aumento da renda real, querer acelerar demais e se endividar de novo\u201d, declarou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dados da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Shopping Centers mostram que o setor cresceu apenas 1,2% em termos nominais em 2025, somando R$ 200,9 bilh\u00f5es \u2014 desempenho inferior \u00e0 infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2>Efeitos no cen\u00e1rio pol\u00edtico<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O aumento do endividamento tamb\u00e9m influencia a percep\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da popula\u00e7\u00e3o em um ano eleitoral. Pesquisa Datafolha indica piora na avalia\u00e7\u00e3o do cen\u00e1rio: 46% dos brasileiros consideram que a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do pa\u00eds se deteriorou, ante 41% em dezembro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, 33% afirmam que a pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o financeira piorou nos \u00faltimos meses, frente a 26% anteriormente. Para o cientista pol\u00edtico Rafael Cortez, o fen\u00f4meno revela um descompasso entre indicadores econ\u00f4micos e percep\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cVemos a renda crescendo e a menor taxa de desemprego da hist\u00f3ria, mas isso n\u00e3o se traduz em popularidade para o governo. Como se transforma renda em bem estar? Se a renda est\u00e1 direcionada ao consumo \u00e9 uma coisa, mas, se for para quitar d\u00edvidas, \u00e9 outro cen\u00e1rio\u201d, analisou.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dados do Banco Central mostram maior comprometimento da renda em 20 anos \u00a0O avan\u00e7o do endividamento das fam\u00edlias brasileiras passou a acender um sinal de alerta em diferentes setores da economia. 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