{"id":128000,"date":"2026-03-03T22:31:24","date_gmt":"2026-03-04T01:31:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/?p=128000"},"modified":"2026-03-03T22:33:57","modified_gmt":"2026-03-04T01:33:57","slug":"a-politica-do-artificio-o-fenomeno-quinho-e-a-degradacao-do-cenario-baiano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/2026\/03\/03\/a-politica-do-artificio-o-fenomeno-quinho-e-a-degradacao-do-cenario-baiano\/","title":{"rendered":"A Pol\u00edtica do Artif\u00edcio: O Fen\u00f4meno &#8220;Quinho&#8221; e a Degrada\u00e7\u00e3o do Cen\u00e1rio Baiano"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\nO cen\u00e1rio pol\u00edtico da Bahia assiste, com uma mistura de perplexidade e desd\u00e9m, \u00e0 ascens\u00e3o de figuras cuja relev\u00e2ncia n\u00e3o se baseia na compet\u00eancia administrativa, mas na sutil e persistente arte da lisonja. Jos\u00e9 Henrique Silva Tigre, amplamente conhecido pela alcunha de Quinho, ex-prefeito de Belo Campo e ex-presidente da UPB (Uni\u00e3o dos Munic\u00edpios da Bahia), tornou-se o arqu\u00e9tipo desse comportamento: o pol\u00edtico que substitui o projeto de estado pela conveni\u00eancia do privil\u00e9gio.<\/p>\n<p><strong>A Engenharia do Poder e a Invas\u00e3o de Vit\u00f3ria da Conquista<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Egresso de um munic\u00edpio de apenas 18 mil habitantes, Quinho parece sofrer de um descompasso entre sua entrega real e sua ambi\u00e7\u00e3o. Seu projeto &#8220;vision\u00e1rio&#8221; de comandar Vit\u00f3ria da Conquista \u2014 cidade de import\u00e2ncia hist\u00f3rica e econ\u00f4mica vital para o Nordeste \u2014 soa como um acinte \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica local. A tentativa de transpor um modelo de gest\u00e3o paroquial para uma metr\u00f3pole regional revela uma desqualifica\u00e7\u00e3o que a liturgia do cargo n\u00e3o deveria permitir.<\/p>\n<p><strong>O &#8220;Passo de M\u00e1gica&#8221; Eleitoral<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A estrat\u00e9gia de expans\u00e3o familiar \u00e9 o exemplo mais n\u00edtido de seus m\u00e9todos. A transfer\u00eancia estrat\u00e9gica do domic\u00edlio eleitoral de sua esposa L\u00e9a , para Vit\u00f3ria da Conquista, culminando em sua elei\u00e7\u00e3o como vereadora com cerca de 4.000 votos, ainda \u00e9 cercada por nuvens de controv\u00e9rsia. No xadrez pol\u00edtico, o resultado foi visto como fruto de influ\u00eancias que muitos classificam como &#8220;duvidosas&#8221;, utilizando-se de uma estrutura que prioriza o \u00eaxito familiar em detrimento do debate democr\u00e1tico saud\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>A Ciranda dos Munic\u00edpios<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa ciranda de domic\u00edlios, Quinho encarna o Macuna\u00edma da pol\u00edtica baiana: o her\u00f3i sem nenhum car\u00e1ter \u2014 nem ideol\u00f3gico, nem \u00e9tico. Tal qual o personagem de M\u00e1rio de Andrade, ele \u00e9 um mutante que troca de forma e de cidade ao sabor do apetite pelo poder. Se o her\u00f3i folcl\u00f3rico buscava a Muiraquit\u00e3 perdida, o &#8220;ex-cacique&#8221; de Belo Campo persegue a capitania heredit\u00e1ria do voto, tratando o eleitorado de Conquista como uma maloca a ser explorada e a democracia como uma brincadeira de conveni\u00eancia.&#8221;<\/p>\n<p><strong>A Sombra dos Gigantes e o Papel de &#8220;Porta-Voz&#8221;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Filiado ao PSD (Partido Social Democr\u00e1tico), Quinho agora pavimenta seu caminho rumo \u00e0 Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). Para isso, utiliza uma ret\u00f3rica de proximidade quase umbilical com nomes de peso: diz-se &#8220;irm\u00e3o&#8221; do ministro Rui Costa, \u00edntimo do senador Otto Alencar e interlocutor frequente do governador Jer\u00f4nimo Rodrigues.<br \/>\nAo comportar-se como um &#8220;porta-voz oficioso&#8221;, antecipando obras e investimentos do governo estadual, ele n\u00e3o apenas quebra protocolos, mas tenta cooptar lideran\u00e7as locais atrav\u00e9s de uma promessa de acesso facilitado \u00e0s verbas p\u00fablicas \u2014 uma pr\u00e1tica que esvazia a autonomia dos munic\u00edpios em troca de submiss\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p><strong>O Sil\u00eancio dos Cl\u00e1ssicos e a Realidade Deplor\u00e1vel<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se revisitarmos os pilares do pensamento pol\u00edtico, a frustra\u00e7\u00e3o \u00e9 inevit\u00e1vel. De Arist\u00f3teles, que via a pol\u00edtica como a busca do bem comum, a Hannah Arendt, que alertava sobre o perigo do esvaziamento da esfera p\u00fablica, nenhum fil\u00f3sofo previu um cen\u00e1rio onde o &#8220;bajulador de plant\u00e3o&#8221; teria tanto espa\u00e7o. Vivemos a era da pol\u00edtica inexpressiva, onde o apoio de lideran\u00e7as nacionais serve de muleta para candidatos incapazes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u00faltima elei\u00e7\u00e3o para o Executivo Federal criou uma onda que carregou consigo figuras sem estofo t\u00e9cnico. Contudo, o tempo \u00e9 o senhor da raz\u00e3o. Espera-se que, no pr\u00f3ximo pleito, o eleitorado baiano saiba distinguir entre quem tem servi\u00e7os prestados e quem possui apenas uma agenda de contatos e uma disposi\u00e7\u00e3o infinita para a lisonja.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O cen\u00e1rio pol\u00edtico da Bahia assiste, com uma mistura de perplexidade e desd\u00e9m, \u00e0 ascens\u00e3o de figuras cuja relev\u00e2ncia n\u00e3o se baseia na compet\u00eancia administrativa, mas na sutil e persistente arte da lisonja. 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