{"id":127583,"date":"2026-01-30T09:23:32","date_gmt":"2026-01-30T12:23:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/?p=127583"},"modified":"2026-01-30T09:23:32","modified_gmt":"2026-01-30T12:23:32","slug":"entre-a-ambicao-e-o-vazio-a-eleicao-presidencial-sendo-jogada-no-colo-de-lula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/2026\/01\/30\/entre-a-ambicao-e-o-vazio-a-eleicao-presidencial-sendo-jogada-no-colo-de-lula\/","title":{"rendered":"Entre a ambi\u00e7\u00e3o e o vazio: a elei\u00e7\u00e3o presidencial sendo jogada no colo de Lula!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por Joilson Bergher<\/strong><\/p>\n<p>__<br \/>\nO cen\u00e1rio pol\u00edtico brasileiro recente evidencia um paradoxo cada vez mais expl\u00edcito: enquanto a extrema-direita n\u00e3o disp\u00f5e de um nome eleitoralmente vi\u00e1vel para disputar a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, os movimentos partid\u00e1rios se intensificam como se a simples ocupa\u00e7\u00e3o do tabuleiro resolvesse a aus\u00eancia de capilaridade nacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pris\u00e3o da principal lideran\u00e7a desse campo n\u00e3o apenas desorganizou sua base, como exp\u00f4s a fragilidade estrutural de um projeto pol\u00edtico fundado mais no \u00f3dio e na guerra cultural do que em programa, alian\u00e7as e enraizamento social. Sem o \u201cmito\u201d, seus herdeiros pol\u00edticos revelam limites claros:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tarc\u00edsio depende da sombra do padrinho; o filho do ex-presidente carrega rejei\u00e7\u00e3o ainda maior; Caiado permanece regional; Zema n\u00e3o rompe a bolha mineira; e outros nomes sequer ultrapassam o notici\u00e1rio local.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em elei\u00e7\u00f5es presidenciais, vontade n\u00e3o basta \u2014 \u00e9 preciso alcance nacional, algo que, neste campo, simplesmente n\u00e3o existe. Nesse v\u00e1cuo, os chamados arranjos ganham protagonismo. N\u00e3o porque apontem um projeto alternativo consistente, mas porque os partidos precisam \u201cter um nome\u201d, ainda que sem lastro eleitoral real. \u00c9 nesse contexto que se insere a tentativa de reposicionar figuras como Ronaldo Caiado no PSD ou de inflar a ret\u00f3rica de uma \u201cterceira via\u201d que, na pr\u00e1tica, nunca se consolidou como polo aut\u00f4nomo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que se observa \u00e9 mais ambi\u00e7\u00e3o individual do que constru\u00e7\u00e3o coletiva; mais marketing do que pol\u00edtica. A soberba de quem acredita que o cansa\u00e7o da polariza\u00e7\u00e3o, por si s\u00f3, gera uma alternativa vi\u00e1vel ignora um dado elementar: elei\u00e7\u00f5es se vencem com base social, alian\u00e7as amplas e narrativa nacional \u2014 e n\u00e3o com frases gen\u00e9ricas sobre \u201cnovo Brasil\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paralelamente, o governo Lula opera no sentido inverso. Enquanto a extrema-direita fragmentada disputa espa\u00e7os imagin\u00e1rios, o Executivo consolida sua base real, inclusive dialogando com partidos que flertam com o discurso da autonomia, mas orbitam pragmaticamente o governo. Esse movimento revela maturidade pol\u00edtica: Lula compreende que governabilidade se constr\u00f3i com fatos, n\u00e3o com bravatas. A ades\u00e3o ou aproxima\u00e7\u00e3o de setores do PSD, do Uni\u00e3o Brasil e de outras siglas demonstra que, mesmo sem unanimidade ideol\u00f3gica, h\u00e1 reconhecimento de onde est\u00e1 o centro de gravidade do poder pol\u00edtico nacional neste momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caso de Rodrigo Pacheco, por exemplo, ilustra bem esse rearranjo silencioso. Em Minas Gerais \u2014 estado frequentemente mitificado como \u201cdecisivo\u201d para o pa\u00eds \u2014 o PT reconhece seus limites eleitorais e passa a considerar solu\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que n\u00e3o passem pela filia\u00e7\u00e3o direta ao partido, mas tamb\u00e9m n\u00e3o se alinhem \u00e0 extrema-direita. O Uni\u00e3o Brasil surge, nesse contexto, como espa\u00e7o poss\u00edvel, sobretudo por suas rela\u00e7\u00f5es institucionais com o governo federal e por figuras como Davi Alcolumbre, que operam interesses cruzados no plano nacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda assim, \u00e9 preciso relativizar o mito mineiro: a elei\u00e7\u00e3o brasileira n\u00e3o \u201cpassa\u201d por um \u00fanico estado. A vit\u00f3ria de Lula em 2022 demonstrou que o Nordeste \u2014 com a Bahia exercendo papel central \u2014 foi decisivo. Cada leitura regional reflete, em grande medida, mais o desejo de centralidade pol\u00edtica do que a realidade eleitoral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Conclus\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante do exposto, conclui-se que o atual cen\u00e1rio pol\u00edtico brasileiro aponta para um desfecho paradoxal: enquanto a direita e a extrema-direita insistem em movimentos desarticulados, personalistas e regionalizados, o campo governista avan\u00e7a na consolida\u00e7\u00e3o de sua base nacional. A aus\u00eancia de um candidato com capilaridade, baixa rejei\u00e7\u00e3o e projeto consistente acaba, objetivamente, por lan\u00e7ar a disputa presidencial no colo de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, que se encaminha para sua quarta elei\u00e7\u00e3o em um contexto de fragmenta\u00e7\u00e3o advers\u00e1ria. Assim, mais do que for\u00e7a pr\u00f3pria, o que sustenta essa possibilidade \u00e9 a incapacidade dos opositores de \u201cbotar o p\u00e9 no ch\u00e3o\u201d e compreender que pol\u00edtica nacional exige menos soberba e mais realidade.<br \/>\n__<br \/>\n<strong>Joilson Bergher\/Rede M-Coeso!<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Joilson Bergher __ O cen\u00e1rio pol\u00edtico brasileiro recente evidencia um paradoxo cada vez mais expl\u00edcito: enquanto a extrema-direita n\u00e3o disp\u00f5e de um nome eleitoralmente vi\u00e1vel para disputar a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, os movimentos partid\u00e1rios se intensificam como se a simples ocupa\u00e7\u00e3o do tabuleiro resolvesse a aus\u00eancia de capilaridade nacional. 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