{"id":127567,"date":"2026-01-28T11:58:12","date_gmt":"2026-01-28T14:58:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/?p=127567"},"modified":"2026-01-28T11:58:12","modified_gmt":"2026-01-28T14:58:12","slug":"a-sentenca-silenciosa-o-maior-crime-do-ex-presidente-presidiario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/2026\/01\/28\/a-sentenca-silenciosa-o-maior-crime-do-ex-presidente-presidiario\/","title":{"rendered":"A Senten\u00e7a silenciosa: o maior crime do ex-presidente presidi\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Por Joilson Bergher<br \/>\n___<br \/>\n1.<br \/>\nO crime n\u00e3o foi cometido nas sombras de um beco, ao som de tiros ou ao brilho de um punhal. Foi perpetrado \u00e0 luz do dia, atr\u00e1s de uma mesa, diante de c\u00e2meras. O instrumento do delito n\u00e3o foi uma arma, mas um microfone. O alvo n\u00e3o foi um indiv\u00edduo, mas um corpo inteiro: o corpo febril, ofegante e aterrorizado de uma na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.<br \/>\nEnquanto a sombra longa e \u00famida da pandemia se estendia sobre o pa\u00eds, cobrindo cidades em um sil\u00eancio de medo pontuado pelo r\u00e1dio de ambul\u00e2ncias, o carcereiro-mor brincava. A doen\u00e7a era uma \u201cgripezinha\u201d. A esperan\u00e7a, encapsulada em frascos de vidro, era tratada com suspeita e um sorriso de deboche. Vacinas? Potenciais venenos. Marcas da servid\u00e3o. Neg\u00f3cios obscuros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3.<br \/>\nCada d\u00favida semeada era um gr\u00e3o de terra jogado sobre um caix\u00e3o que ainda n\u00e3o estava fechado. Cada piada era um golpe no ventilador pulmonar que mantinha viva a esperan\u00e7a. Cada dia de hesita\u00e7\u00e3o calculada, cada reuni\u00e3o onde a log\u00edstica da morte superava a da vida, era um ato de estrangulamento lento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4.<br \/>\nAs v\u00edtimas n\u00e3o t\u00eam nomes para ele. S\u00e3o apenas n\u00fameros que ele nunca quis ver. S\u00e3o os 400 mil, os 500 mil, os 600 mil\u2026 Pilhas de estat\u00edsticas que, em sua origem, eram pais agarrando a m\u00e3o de filhos por uma tela de celular, eram m\u00e9dicos chorando em corredores, eram idosos sussurrando \u201cn\u00e3o me deixem morrer sozinho\u201d antes do \u00faltimo suspiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5.<br \/>\nO maior crime de Bolsonaro n\u00e3o foi a morte em si. Foi a senten\u00e7a. Foi levantar o cetro do poder e, com um misto de neglig\u00eancia, ideologia cega e uma crueldade quase sociopata, negar o ant\u00eddoto. Assinar, com a caneta da Presid\u00eancia, a condena\u00e7\u00e3o de milhares \u00e0 asfixia, ao colapso, ao frio de um necrot\u00e9rio improvisado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6.<br \/>\nEle n\u00e3o puxou o gatilho. Ele simplesmente trancou o cofre onde estava a chave para desarmar a bomba. E ficou olhando, com os bra\u00e7os cruzados e um discurso de \u00f3dio, enquanto o dispositivo de contagem regressiva chegava a zero, vez ap\u00f3s vez, em cada canto deste pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">7.<br \/>\nAgora, ele usa o uniforme listrado de presidi\u00e1rio. As grades s\u00e3o de metal, vis\u00edveis. Mas suas grades mais sombrias, as que ele forjou para o povo, eram feitas de ignor\u00e2ncia, desd\u00e9m e uma pol\u00edtica de morte. Ele habita uma cela concreta. Mas a cela que ele construiu para o Brasil era feita de UTIs superlotadas, covas rasas e o sil\u00eancio ensurdecedor de uma popula\u00e7\u00e3o esperando por uma vacina que seu l\u00edder se recusava a abra\u00e7ar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">8.<br \/>\nO ar dentro dessa cela que ele criou ainda \u00e9 pesado. Ainda cheira a luto, a trai\u00e7\u00e3o e ao mais profundo dos crimes: o de um pastor que, diante do lobo, entregou o rebanho.<br \/>\n__<br \/>\nJoilson Bergher\/Trabalhador P\u00fablico no Estado da Bahia na Secretaria de Sa\u00fade!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Joilson Bergher ___ 1. O crime n\u00e3o foi cometido nas sombras de um beco, ao som de tiros ou ao brilho de um punhal. Foi perpetrado \u00e0 luz do dia, atr\u00e1s de uma mesa, diante de c\u00e2meras. O instrumento do delito n\u00e3o foi uma arma, mas um microfone. 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