{"id":127257,"date":"2026-01-06T06:58:53","date_gmt":"2026-01-06T09:58:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/?p=127257"},"modified":"2026-01-06T06:58:53","modified_gmt":"2026-01-06T09:58:53","slug":"o-sequestro-do-presidente-da-venezuela-tratado-como-um-fato-normalizado-pela-imprensa-no-brasil-ou-que-padrao-de-democracia-querem-nos-impor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/2026\/01\/06\/o-sequestro-do-presidente-da-venezuela-tratado-como-um-fato-normalizado-pela-imprensa-no-brasil-ou-que-padrao-de-democracia-querem-nos-impor\/","title":{"rendered":"O Sequestro do Presidente da Venezuela tratado como um fato normalizado pela imprensa no Brasil ou qu\u00ea padr\u00e3o de democracia querem nos impor!"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Joilson Bergher<\/strong><\/p>\n<p>Resumo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este artigo analisa criticamente o papel da grande imprensa na normaliza\u00e7\u00e3o de rupturas da soberania nacional em pa\u00edses latino-americanos, com foco na cobertura sobre a Venezuela. Sustenta-se que a m\u00eddia hegem\u00f4nica opera a partir de um duplo padr\u00e3o democr\u00e1tico, no qual pr\u00e1ticas consideradas inaceit\u00e1veis nos pa\u00edses centrais s\u00e3o tratadas como naturais ou necess\u00e1rias quando aplicadas ao Sul Global. Tal l\u00f3gica contribui para a legitima\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica de interven\u00e7\u00f5es estrangeiras e enfraquece a compreens\u00e3o p\u00fablica da democracia como valor universal.<\/p>\n<p>Palavras-chave.<\/p>\n<p>Imprensa; soberania; Venezuela; democracia.<\/p>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A m\u00eddia contempor\u00e2nea exerce papel estrat\u00e9gico na constru\u00e7\u00e3o dos sentidos pol\u00edticos que orientam a opini\u00e3o p\u00fablica. Longe de atuar como mera transmissora de fatos, a grande imprensa participa ativamente da produ\u00e7\u00e3o de consensos, especialmente em contextos de disputa geopol\u00edtica. No caso latino-americano, observa-se uma recorrente deslegitima\u00e7\u00e3o de governos que n\u00e3o se alinham aos interesses das pot\u00eancias centrais, sendo a Venezuela um exemplo paradigm\u00e1tico desse processo.<\/p>\n<p><strong>A normaliza\u00e7\u00e3o da ruptura democr\u00e1tica.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cobertura midi\u00e1tica dominante sobre a Venezuela \u00e9 marcada por um discurso reiterativo que associa o pa\u00eds \u00e0 ideia de colapso permanente. Esse enquadramento simb\u00f3lico cria as condi\u00e7\u00f5es para que pr\u00e1ticas extremas, como a retirada for\u00e7ada ou o sequestro de um presidente eleito, sejam apresentados como solu\u00e7\u00f5es pol\u00edticas aceit\u00e1veis. Em contraste, eventos semelhantes ocorridos em pa\u00edses do Norte Global seriam imediatamente classificados como golpes de Estado e graves viola\u00e7\u00f5es do direito internacional, evidenciando um duplo padr\u00e3o na defesa da democracia.<\/p>\n<p><strong>Apagamento do conflito e colonialidade da Informa\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro aspecto central dessa cobertura \u00e9 o apagamento sistem\u00e1tico da resist\u00eancia popular. Enquanto ve\u00edculos alternativos e internacionais registram mobiliza\u00e7\u00f5es em defesa da soberania venezuelana, a imprensa hegem\u00f4nica tende a apresentar uma narrativa de normalidade institucional. Esse silenciamento n\u00e3o \u00e9 neutro: constitui uma pr\u00e1tica de colonialidade da informa\u00e7\u00e3o, na qual as vozes dos povos perif\u00e9ricos s\u00e3o desautorizadas e substitu\u00eddas por interpreta\u00e7\u00f5es externas legitimadoras da interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A an\u00e1lise evidencia que a naturaliza\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica da viola\u00e7\u00e3o da soberania em pa\u00edses perif\u00e9ricos n\u00e3o se trata de um desvio pontual, mas de uma l\u00f3gica estrutural. Ao relativizar a deposi\u00e7\u00e3o criminosa de dirigentes eleitos, a imprensa contribui para esvaziar o sentido universal da democracia, transformando-a em um valor seletivo. Defender a soberania venezuelana, nesse contexto, n\u00e3o significa endossar governos espec\u00edficos, mas afirmar um princ\u00edpio fundamental: n\u00e3o h\u00e1 democracia poss\u00edvel onde o sequestro de presidentes pode ser tratado como fato ordin\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BOURDIEU, Pierre. Sobre a televis\u00e3o. Rio de Janeiro: Zahar, 1997.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GRAMSCI, Antonio. Cadernos do C\u00e1rcere. Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 2000.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SANTOS, Boaventura de Sousa. A dif\u00edcil democracia: reinventar as esquerdas. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">AL JAZEERA. Latin America and U.S. foreign policy. Doha: Al Jazeera Media Network, diversos relat\u00f3rios e coberturas especiais.<br \/>\n__<br \/>\nJoilson Bergher\/Rede M-Coeso e Produtor de Conhecimento na \u00e1rea de Filosofia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Joilson Bergher Resumo. Este artigo analisa criticamente o papel da grande imprensa na normaliza\u00e7\u00e3o de rupturas da soberania nacional em pa\u00edses latino-americanos, com foco na cobertura sobre a Venezuela. Sustenta-se que a m\u00eddia hegem\u00f4nica opera a partir de um duplo padr\u00e3o democr\u00e1tico, no qual pr\u00e1ticas consideradas inaceit\u00e1veis nos pa\u00edses centrais s\u00e3o tratadas como naturais [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":127258,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[67,71],"tags":[3081,7467,771],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/127257"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=127257"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/127257\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":127259,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/127257\/revisions\/127259"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/127258"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=127257"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=127257"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=127257"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}