{"id":125911,"date":"2025-10-08T02:05:36","date_gmt":"2025-10-08T05:05:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/?p=125911"},"modified":"2025-10-07T20:09:02","modified_gmt":"2025-10-07T23:09:02","slug":"considerada-a-primeira-construcao-em-estilo-medieval-no-brasil-a-casa-da-torre-de-garcia-davila-concluida-em-1624-com-muralhas-e-torre-de-vigia-guarda-quase-500-anos-de","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/2025\/10\/08\/considerada-a-primeira-construcao-em-estilo-medieval-no-brasil-a-casa-da-torre-de-garcia-davila-concluida-em-1624-com-muralhas-e-torre-de-vigia-guarda-quase-500-anos-de\/","title":{"rendered":"Considerada a primeira constru\u00e7\u00e3o em estilo medieval no Brasil, a Casa da Torre de Garcia d\u2019\u00c1vila \u2014 conclu\u00edda em 1624, com muralhas e torre de vigia \u2014 guarda quase 500 anos de hist\u00f3ria da coloniza\u00e7\u00e3o portuguesa"},"content":{"rendered":"<div class=\"size-[43px] overflow-hidden rounded-full [&amp;_img]:size-full [&amp;_img]:object-cover\"><img loading=\"lazy\" class=\"avatar avatar-43 photo entered lazyloaded\" src=\"https:\/\/clickpetroleoegas.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/avatar_user_27_1724952892-43x43.jpg\" srcset=\"https:\/\/clickpetroleoegas.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/avatar_user_27_1724952892-86x86.jpg 2x\" alt=\"\" width=\"43\" height=\"43\" data-lazy-srcset=\"https:\/\/clickpetroleoegas.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/avatar_user_27_1724952892-86x86.jpg 2x\" data-lazy-src=\"https:\/\/clickpetroleoegas.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/avatar_user_27_1724952892-43x43.jpg\" data-ll-status=\"loaded\" \/><\/div>\n<div><span class=\"dark:text-white block\">Escrito por<\/span><a class=\"block font-bold text-primary\" href=\"https:\/\/clickpetroleoegas.com.br\/author\/flclucas\/\">Fabio Lucas Carvalho<\/a><\/div>\n<h5 id=\"h-erguida-no-alto-de-uma-colina-na-praia-do-forte-a-casa-da-torre-de-garcia-d-avila-e-um-dos-mais-impressionantes-legados-do-brasil-colonial-com-474-anos-foi-a-primeira-construcao-com-tracos-medievais-das-americas-unindo-fortaleza-residencia-e-capela-de-suas-muralhas-de-pedra-a-familia-d-avila-comandou-o-litoral-e-o-sertao-baiano-por-quase-tres-seculos\" class=\"wp-block-heading\" style=\"text-align: justify;\">Erguida no alto de uma colina na Praia do Forte, a Casa da Torre de Garcia d\u2019\u00c1vila \u00e9 um dos mais impressionantes legados do Brasil colonial. Com 474 anos, foi a primeira constru\u00e7\u00e3o com tra\u00e7os medievais das Am\u00e9ricas, unindo fortaleza, resid\u00eancia e capela. De suas muralhas de pedra, a fam\u00edlia d\u2019\u00c1vila comandou o litoral e o sert\u00e3o baiano por quase tr\u00eas s\u00e9culos.<\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">Poucos lugares no Brasil colonial reuniram tanta riqueza, poder e hist\u00f3ria quanto a\u00a0<strong>Casa da Torre de Garcia d\u2019\u00c1vila<\/strong>, uma imponente fortifica\u00e7\u00e3o erguida no s\u00e9culo XVI no alto de uma colina da atual Praia do Forte, na Bahia.<\/p>\n<p>Constru\u00edda em pedra e cal, com apar\u00eancia de castelo europeu e vista privilegiada para o Atl\u00e2ntico, ela abrigou por quase 300 anos uma das fam\u00edlias mais poderosas do per\u00edodo colonial.<\/p>\n<p>S\u00edmbolo do avan\u00e7o portugu\u00eas rumo ao interior, foi centro de um dom\u00ednio que chegou a cobrir \u00e1reas equivalentes a v\u00e1rios estados do Nordeste.<\/p>\n<p>Hoje, em ru\u00ednas, permanece como um dos mais importantes marcos da coloniza\u00e7\u00e3o e da arquitetura luso-brasileira.<\/p>\n<div style=\"width: 800px;\" class=\"wp-video\"><!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('video');<\/script><![endif]-->\n<video class=\"wp-video-shortcode\" id=\"video-125911-1\" width=\"800\" height=\"450\" preload=\"metadata\" controls=\"controls\"><source type=\"video\/mp4\" src=\"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/videofile-638192-20251007-desktop.mp4?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/videofile-638192-20251007-desktop.mp4\">https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/videofile-638192-20251007-desktop.mp4<\/a><\/video><\/div>\n<h5 id=\"h-fundacao-e-construcao-do-castelo\" class=\"wp-block-heading\">Funda\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o do castelo<\/h5>\n<p>A hist\u00f3ria come\u00e7a em\u00a0<strong>1549<\/strong>, quando\u00a0<strong>Tom\u00e9 de Sousa<\/strong>\u00a0chegou \u00e0\u00a0<strong>Bahia\u00a0<\/strong>para fundar Salvador, acompanhado de um jovem fidalgo portugu\u00eas chamado\u00a0<strong>Garcia d\u2019\u00c1vila<\/strong>.<\/p>\n<p>Nomeado almoxarife e feitor da nova cidade, d\u2019\u00c1vila logo se destacou por sua lealdade e capacidade administrativa.<\/p>\n<p>Em\u00a0<strong>1552<\/strong>, recebeu do governo-geral uma\u00a0<strong>sesmaria de duas l\u00e9guas<\/strong>\u00a0e algumas cabe\u00e7as de gado trazidas de Cabo Verde, dando in\u00edcio \u00e0 cria\u00e7\u00e3o bovina na regi\u00e3o.<\/p>\n<p><em><mark class=\"has-inline-color\"><strong>sesmaria<\/strong>\u00a0era uma forma de\u00a0<strong>concess\u00e3o de terras<\/strong>\u00a0usada por Portugal durante o per\u00edodo colonial.<\/mark><\/em><\/p>\n<p>Poucos anos depois, o fidalgo decidiu erguer em suas terras uma\u00a0<strong>casa-forte<\/strong>\u00a0para proteger o territ\u00f3rio e servir como resid\u00eancia.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o, iniciada por volta de\u00a0<strong>1551<\/strong>, \u00e9 considerada a\u00a0<strong>primeira grande edifica\u00e7\u00e3o civil portuguesa do Brasil<\/strong>.<\/p>\n<p>O conjunto inclu\u00eda resid\u00eancia, torre de vigia e capela, sendo conhecido inicialmente como\u00a0<strong>Torre Singela de S\u00e3o Pedro<\/strong>.<\/p>\n<p>Sua estrutura de pedra e cal, as ameias e a posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica \u00e0 beira do mar davam-lhe aspecto de fortifica\u00e7\u00e3o medieval, um estilo raro no continente americano.<\/p>\n<p>A obra levou d\u00e9cadas para ser conclu\u00edda. Somente por volta de\u00a0<strong>1624<\/strong>, j\u00e1 sob o comando de\u00a0<strong>Francisco Dias d\u2019\u00c1vila<\/strong>, neto do fundador, a Casa da Torre alcan\u00e7ou a forma que a tornaria c\u00e9lebre.<\/p>\n<p>As espessas muralhas, os baluartes e a vista ampla do oceano faziam dela um ponto militarmente estrat\u00e9gico e, ao mesmo tempo, um s\u00edmbolo da prosperidade da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>No topo da colina, a fortaleza dominava a paisagem e controlava tanto o litoral quanto os sert\u00f5es pr\u00f3ximos.<\/p>\n<h2 id=\"h-a-dinastia-garcia-d-avila-e-o-sistema-de-sesmarias\" class=\"wp-block-heading\">A dinastia Garcia d\u2019\u00c1vila e o sistema de sesmarias<\/h2>\n<p>A fortuna dos d\u2019\u00c1vila nasceu com a terra. Gra\u00e7as \u00e0s sesmarias concedidas pela Coroa, a fam\u00edlia construiu um\u00a0<strong>verdadeiro imp\u00e9rio rural<\/strong>\u00a0que se estendia da Bahia at\u00e9 o Piau\u00ed.<\/p>\n<p>Em 1563, Garcia d\u2019\u00c1vila recebeu nova concess\u00e3o de terras \u2014\u00a0<strong>seis l\u00e9guas de costa por quatorze l\u00e9guas de profundidade<\/strong>\u00a0\u2014 transformando-se num dos maiores propriet\u00e1rios da col\u00f4nia.<\/p>\n<p>Quando morreu em 1609, aos 90 anos, deixava um vasto patrim\u00f4nio que passaria a seu neto\u00a0<strong>Francisco Dias d\u2019\u00c1vila<\/strong>, o primeiro morgado da Casa da Torre.<\/p>\n<p>Francisco ampliou ainda mais o dom\u00ednio familiar. Em\u00a0<strong>1624<\/strong>, o rei Felipe IV autorizou-o a \u201c<strong>devassar os sert\u00f5es<\/strong>\u201d, ou seja, conquistar e colonizar terras no interior.<\/p>\n<p>Essa permiss\u00e3o, somada ao poder econ\u00f4mico e \u00e0 for\u00e7a militar da fam\u00edlia, deu origem a uma dinastia quase feudal.<\/p>\n<p>Os Garcia d\u2019\u00c1vila controlavam\u00a0<a href=\"https:\/\/clickpetroleoegas.com.br\/maior-fazenda-da-america-latina-fica-no-brasil-flpc96\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">fazendas<\/a>, rotas de gado, povoados e at\u00e9 aldeamentos ind\u00edgenas, expandindo suas posses por s\u00e9culos.<\/p>\n<p>No auge, o territ\u00f3rio administrado a partir da Casa da Torre alcan\u00e7ava mais de\u00a0<strong>260 l\u00e9guas ao longo do rio S\u00e3o Francisco<\/strong>, segundo registros de\u00a0<strong>1711\u00a0<\/strong>do cronista Andr\u00e9 Jo\u00e3o Antonil.<\/p>\n<p>Essa \u00e1rea equivalia a\u00a0<strong>dois estados modernos do Nordeste<\/strong>. Assim, a\u00a0<strong>Casa da Torre<\/strong>\u00a0se tornou s\u00edmbolo de um modelo de poder rural aut\u00f4nomo, sustentado por sesmarias, escravid\u00e3o ind\u00edgena e cria\u00e7\u00e3o extensiva de gado \u2014 o chamado \u201c<strong>feudo dos d\u2019\u00c1vila<\/strong>\u201d.<\/p>\n<h2 id=\"h-um-centro-economico-e-militar-decisivo\" class=\"wp-block-heading\">Um centro econ\u00f4mico e militar decisivo<\/h2>\n<p>A Casa da Torre n\u00e3o era apenas resid\u00eancia, mas o\u00a0<strong>cora\u00e7\u00e3o de um imp\u00e9rio econ\u00f4mico e militar<\/strong>.<\/p>\n<p>Sua principal fonte de riqueza era a\u00a0<strong>pecu\u00e1ria<\/strong>, atividade introduzida por Garcia d\u2019\u00c1vila e respons\u00e1vel por abastecer engenhos e povoados de carne, couro e animais de tra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia criou as primeiras\u00a0<strong>rotas de boiadas<\/strong>\u00a0do Brasil, conectando o litoral ao sert\u00e3o e, mais tarde, \u00e0s \u00e1reas mineradoras de Minas Gerais. O famoso \u201cCaminho da Bahia\u201d teve origem em suas fazendas.<\/p>\n<p>O poder econ\u00f4mico sustentava tamb\u00e9m uma estrutura de defesa. A Casa da Torre, localizada em posi\u00e7\u00e3o elevada, servia de\u00a0<strong>posto de observa\u00e7\u00e3o do litoral<\/strong>.<\/p>\n<p>Por meio de sinais de fuma\u00e7a e tochas, os sentinelas alertavam Salvador sobre a aproxima\u00e7\u00e3o de navios inimigos.<\/p>\n<p>Essa rede de comunica\u00e7\u00e3o foi essencial nas defesas contra\u00a0<strong>cors\u00e1rios franceses<\/strong>\u00a0no s\u00e9culo XVI e contra a\u00a0<strong>invas\u00e3o holandesa<\/strong>\u00a0no s\u00e9culo XVII.<\/p>\n<p>Francisco Dias d\u2019\u00c1vila participou ativamente da expuls\u00e3o dos holandeses da Bahia em 1625 e forneceu homens e recursos em novas campanhas at\u00e9 1640.<\/p>\n<p>O castelo chegou a abrigar\u00a0<strong>um pequeno ex\u00e9rcito privado<\/strong>, formado por vaqueiros e \u00edndios aliados. Esses grupos, al\u00e9m de defender a regi\u00e3o, foram usados em expedi\u00e7\u00f5es de conquista e apresamento de ind\u00edgenas no interior \u2014 pr\u00e1tica comum na expans\u00e3o territorial da \u00e9poca.<\/p>\n<p>Ao longo de tr\u00eas s\u00e9culos, a Casa da Torre funcionou como\u00a0<strong>quartel, fazenda, fortaleza e centro administrativo<\/strong>.<\/p>\n<p>Nenhuma outra propriedade particular no Brasil colonial exerceu tanto poder territorial. Por isso, estudiosos como Pedro Calmon e Moniz Bandeira chamaram-na de \u201c<strong>a sede do primeiro imp\u00e9rio privado do Brasil<\/strong>\u201d.<\/p>\n<h2 id=\"h-arquitetura-entre-o-castelo-e-o-engenho\" class=\"wp-block-heading\">Arquitetura: entre o castelo e o engenho<\/h2>\n<p>A Casa da Torre impressiona at\u00e9 hoje por sua\u00a0<strong>arquitetura h\u00edbrida<\/strong>, misto de fortaleza europeia e solar senhorial tropical.<\/p>\n<p>Erguida com pedra calc\u00e1ria local e cal de conchas, possu\u00eda\u00a0<strong>muros de at\u00e9 dois metros de espessura<\/strong>\u00a0e janelas estreitas, adequadas \u00e0 defesa.<\/p>\n<p>A planta seguia o modelo das casas-fortes medievais portuguesas, com\u00a0<strong>torre de vigia<\/strong>, p\u00e1tio interno e depend\u00eancias residenciais dispostas ao redor.<\/p>\n<p>Integrada ao conjunto, a\u00a0<strong>Capela de Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0foi constru\u00edda ainda no s\u00e9culo XVI e ampliada no XVII.<\/p>\n<p>Seu formato hexagonal e as portas em cantaria refletem influ\u00eancias do estilo manuelino, e parte da estrutura original ainda se conserva. Era o centro religioso da propriedade, onde a fam\u00edlia realizava batismos e missas privadas.<\/p>\n<p>Durante os s\u00e9culos XVII e XVIII, o conjunto foi sendo ampliado, incorporando\u00a0<strong>alas residenciais e p\u00e1tios de servi\u00e7o<\/strong>.<\/p>\n<p>Apesar de assemelhar-se a um castelo, o local tamb\u00e9m funcionava como\u00a0<strong>engenho de subsist\u00eancia<\/strong>, com dep\u00f3sitos, senzalas e currais. Essa combina\u00e7\u00e3o de casa senhorial, fortaleza e fazenda \u00e9 o que torna o edif\u00edcio um exemplar \u00fanico na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XIX, com a perda de prest\u00edgio da fam\u00edlia, a manuten\u00e7\u00e3o cessou. Partes do telhado ru\u00edram, e o interior foi saqueado. Hoje restam apenas\u00a0<strong>paredes, arcos e funda\u00e7\u00f5es<\/strong>, que, mesmo em ru\u00ednas, ainda revelam a grandiosidade da constru\u00e7\u00e3o original.<\/p>\n<h2 id=\"h-personagens-marcantes-da-linhagem\" class=\"wp-block-heading\">Personagens marcantes da linhagem<\/h2>\n<p>A hist\u00f3ria da Casa da Torre se confunde com a de seus donos. Entre os principais personagens destacam-se:<\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Garcia d\u2019\u00c1vila (1528\u20131609)<\/strong>: o fundador, considerado o primeiro grande fazendeiro do Brasil. Chegou \u00e0 Bahia na comitiva de Tom\u00e9 de Sousa e introduziu a cria\u00e7\u00e3o de gado no pa\u00eds.<\/li>\n<li><strong>Francisco Dias d\u2019\u00c1vila (c.1575\u20131641)<\/strong>: neto do fundador e primeiro morgado. Foi guerreiro, explorador e administrador, respons\u00e1vel pela consolida\u00e7\u00e3o do poder da fam\u00edlia e pela expans\u00e3o de suas terras sert\u00e3o adentro.<\/li>\n<li><strong>Garcia d\u2019\u00c1vila II (1609\u20131658)<\/strong>: continuou a pol\u00edtica de alian\u00e7as e expandiu os dom\u00ednios, enfrentando mission\u00e1rios jesu\u00edtas e competidores como a Casa da Ponte, dos Guedes de Brito.<\/li>\n<li><strong>Lu\u00eds Pires de Carvalho e Albuquerque (Visconde da Torre de Garcia d\u2019\u00c1vila, 1789\u20131847)<\/strong>: descendente direto que apoiou a Independ\u00eancia da Bahia em 1823 e recebeu t\u00edtulo de nobreza no Imp\u00e9rio. Sob sua administra\u00e7\u00e3o, o poder dos d\u2019\u00c1vila j\u00e1 declinava.<\/li>\n<\/ul>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m uma figura lend\u00e1ria associada \u00e0 linhagem:\u00a0<strong>Diogo \u00c1lvares Correia, o Caramuru<\/strong>, n\u00e1ufrago portugu\u00eas que viveu entre os tupinamb\u00e1s e casou-se com Paragua\u00e7u. Parte da genealogia dos Garcia d\u2019\u00c1vila remonta a ele, unindo o sangue ind\u00edgena e europeu na origem da fam\u00edlia.<\/p>\n<h2 id=\"h-declinio-e-abandono\" class=\"wp-block-heading\">Decl\u00ednio e abandono<\/h2>\n<p>O decl\u00ednio come\u00e7ou no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX. As mudan\u00e7as pol\u00edticas e econ\u00f4micas ap\u00f3s a Independ\u00eancia enfraqueceram as antigas casas senhoriais.<\/p>\n<p>Em 1835, a lei que extinguiu os\u00a0<strong>morgadios<\/strong>\u00a0acabou com a heran\u00e7a integral dos dom\u00ednios, fragmentando as propriedades.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a crise da lavoura a\u00e7ucareira reduziu as rendas e levou ao abandono progressivo do castelo.<\/p>\n<p>Por volta de\u00a0<strong>1850<\/strong>, a Casa da Torre estava em ru\u00ednas. Partes da estrutura foram desmontadas para reaproveitamento de pedras, e o local foi sendo engolido pela vegeta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Apesar de ter servido como base para tropas libertadoras durante as guerras de independ\u00eancia da Bahia, nunca mais voltou a ser habitada.<\/p>\n<p>Durante o s\u00e9culo XX, as ru\u00ednas se tornaram ponto de curiosidade e estudo. Em\u00a0<strong>1938<\/strong>, o ent\u00e3o Servi\u00e7o do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (<strong><a href=\"http:\/\/portal.iphan.gov.br\/uploads\/ckfinder\/arquivos\/Servi%C3%A7o%20do%20Patrim%C3%B4nio%20Hist%C3%B3rico%20e%20Art%C3%ADstico%20Nacional.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">SPHAN<\/a><\/strong>, atual IPHAN)\u00a0<strong>tombou oficialmente o conjunto<\/strong>, reconhecendo seu valor hist\u00f3rico e arquitet\u00f4nico. Foi um dos primeiros monumentos brasileiros em ru\u00ednas a receber prote\u00e7\u00e3o federal.<\/p>\n<p>Nos anos 1970 e 1980, equipes do IPHAN e da Universidade Federal da Bahia realizaram\u00a0<strong>escava\u00e7\u00f5es arqueol\u00f3gicas e obras de consolida\u00e7\u00e3o<\/strong>, evitando desabamentos.<\/p>\n<p>A capela foi restaurada e preserva elementos originais como o altar e a pia batismal. J\u00e1 o castelo foi mantido como ru\u00edna consolidada, sem reconstru\u00e7\u00f5es artificiais, respeitando sua autenticidade.<\/p>\n<h2 id=\"h-a-casa-da-torre-hoje\" class=\"wp-block-heading\">A Casa da Torre hoje<\/h2>\n<p>Atualmente, a Casa da Torre integra o\u00a0<strong>Parque Hist\u00f3rico Garcia d\u2019\u00c1vila<\/strong>, mantido pela\u00a0<strong>Funda\u00e7\u00e3o Garcia D\u2019\u00c1vila<\/strong>\u00a0em parceria com o IPHAN.<\/p>\n<p>O espa\u00e7o abriga um\u00a0<strong>museu interativo<\/strong>\u00a0que recria, com proje\u00e7\u00f5es e maquetes, a hist\u00f3ria do castelo e da fam\u00edlia. H\u00e1 tamb\u00e9m exposi\u00e7\u00f5es sobre arqueologia, escravid\u00e3o, pecu\u00e1ria e o sistema de sesmarias.<\/p>\n<p>As ru\u00ednas est\u00e3o cercadas por coqueirais e t\u00eam vista panor\u00e2mica do mar.\u00a0<strong>O cen\u00e1rio combina o passado colonial e o turismo moderno, atraindo visitantes do mundo inteiro.<\/strong><\/p>\n<p>Concertos, feiras e eventos culturais utilizam o espa\u00e7o, que hoje simboliza tanto a heran\u00e7a do poder colonial quanto a resist\u00eancia da mem\u00f3ria\u00a0<a href=\"https:\/\/clickpetroleoegas.com.br\/petrobras-faz-primeira-importacao-de-gas-natural-da-argentina-operacao-historica-com-vaca-muerta-e-gasodutos-fortalece-oferta-energetica-para-o-brasil-hl1402\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">hist\u00f3rica\u00a0<\/a>brasileira.<\/p>\n<p>Mesmo em ru\u00ednas, a Casa da Torre continua a inspirar. \u00c9 um\u00a0<strong>monumento \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do Brasil<\/strong>, \u00e0s contradi\u00e7\u00f5es do per\u00edodo colonial e \u00e0 persist\u00eancia da cultura luso-brasileira. Nela convivem o esplendor e a ru\u00edna, o luxo e a solid\u00e3o \u2014 marcas de um tempo em que o litoral e o sert\u00e3o eram governados a partir de uma \u00fanica torre de pedra, erguida sob o sol da Bahia h\u00e1 quase cinco s\u00e9culos.<\/p>\n<p><em>Este artigo foi elaborado com base em informa\u00e7\u00f5es do\u00a0<strong>Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (IPHAN)<\/strong>, da\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/fgd.org.br\/sobre-a-fgd\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">Funda\u00e7\u00e3o Garcia D\u2019\u00c1vila<\/a><\/strong>, de obras cl\u00e1ssicas como Hist\u00f3ria da Casa da Torre (Pedro Calmon, 1958) e O Feudo \u2013 A Casa da Torre de Garcia d\u2019\u00c1vila<strong>\u00a0(Luiz Alberto Moniz Bandeira, 2000)<\/strong>, al\u00e9m de registros hist\u00f3ricos dispon\u00edveis em acervos p\u00fablicos e universit\u00e1rios.<\/em><\/p>\n<p><em>Caso algum leitor identifique\u00a0<strong>imprecis\u00f5es, omiss\u00f5es ou queira contribuir com novas refer\u00eancias hist\u00f3ricas<\/strong>, pode deixar um coment\u00e1rio. Toda colabora\u00e7\u00e3o \u00e9 bem-vinda para manter o conte\u00fado\u00a0<strong>preciso, atualizado e fiel \u00e0 mem\u00f3ria da Casa da Torre<\/strong>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escrito porFabio Lucas Carvalho Erguida no alto de uma colina na Praia do Forte, a Casa da Torre de Garcia d\u2019\u00c1vila \u00e9 um dos mais impressionantes legados do Brasil colonial. Com 474 anos, foi a primeira constru\u00e7\u00e3o com tra\u00e7os medievais das Am\u00e9ricas, unindo fortaleza, resid\u00eancia e capela. De suas muralhas de pedra, a fam\u00edlia d\u2019\u00c1vila [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":125913,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[124,72],"tags":[6876],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/125911"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=125911"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/125911\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":125915,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/125911\/revisions\/125915"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/125913"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=125911"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=125911"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=125911"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}