{"id":125901,"date":"2025-10-07T15:41:22","date_gmt":"2025-10-07T18:41:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/?p=125901"},"modified":"2025-10-07T15:42:30","modified_gmt":"2025-10-07T18:42:30","slug":"palestinos-explicam-raizes-na-terra-e-por-que-populacoes-nao-deixarao-gaza-e-a-cisjordania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/2025\/10\/07\/palestinos-explicam-raizes-na-terra-e-por-que-populacoes-nao-deixarao-gaza-e-a-cisjordania\/","title":{"rendered":"Palestinos explicam ra\u00edzes na terra e por que popula\u00e7\u00f5es n\u00e3o deixar\u00e3o Gaza e a Cisjord\u00e2nia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8216;Partir significa desrespeitar todo o sacrif\u00edcio que nosso povo fez&#8217;, resume um dos palestinos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em fevereiro, menos de 15 dias na presid\u00eancia dos Estados Unidos, Donald Trump falava em deportar dois milh\u00f5es de palestinos de Gaza, para\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/04\/08\/ao-lado-de-netanyahu-trump-chama-gaza-de-propriedade-imobiliaria\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">construir no local a \u201cRiviera do Oriente M\u00e9dio\u201d<\/a>. Nos meses seguintes, o magnata repetiu a ideia de expulsar a popula\u00e7\u00e3o palestina de sua terra, alegando que o \u201cesfor\u00e7o\u201d de transfer\u00eancia for\u00e7ada seria para dar a eles \u201cum futuro melhor\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por mais ilegal e cruel, a ideia de abandonar o inferno que \u00e9 viver sob o genoc\u00eddio que completa dois nesta ter\u00e7a (7),\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/08\/22\/onu-reconhece-oficialmente-fome-em-gaza-e-acusa-israel-de-crime-de-guerra\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">escapar da fome, da sede,<\/a>\u00a0doen\u00e7a, bombas e balas que matam dezenas a cada dia, proporcionando assim um futuro vi\u00e1vel para suas fam\u00edlias, pode n\u00e3o parecer t\u00e3o absurdo para muitos. A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) calcula que, ao redor do mundo, mais de 300 milh\u00f5es de pessoas vivam em um pa\u00eds diferente do que nasceram, e muita gente poderia se perguntar por que os palestinos simplesmente n\u00e3o aceitam se mudar para um lugar mais seguro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a coisa n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples. O\u00a0<strong>Brasil de Fato<\/strong>\u00a0ouviu quatro palestinos que explicaram a rela\u00e7\u00e3o existencial da na\u00e7\u00e3o com o territ\u00f3rio, que \u00e9 muito mais forte do que mera no\u00e7\u00e3o de geografia ou propriedade individual, mas vive na psique coletiva como\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/01\/07\/antes-do-sionismo-a-palestina-era-um-dos-lugares-mais-seguros-do-mundo-para-o-judeu-diz-breno-altman\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">alicerce insubstitu\u00edvel de sua identidade<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNossa conex\u00e3o com a terra n\u00e3o \u00e9 apenas emocional, mas est\u00e1 ligada \u00e0 identidade, \u00e0 ancestralidade e ao pertencimento. Muitas fam\u00edlias podem tra\u00e7ar suas ra\u00edzes por gera\u00e7\u00f5es, centenas de anos atr\u00e1s e, em nossa cultura, somos criados com base no princ\u00edpio de que n\u00e3o h\u00e1 dignidade sem terra\u201d, explica Farid*, morador da Cisjord\u00e2nia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPor milhares de anos, nosso povo preferiu mudar de religi\u00e3o, mas n\u00e3o abandonar a terra. Os palestinos ainda usam em seu cotidiano palavras da l\u00edngua arameu e de outras l\u00ednguas milenares. O trauma da Nakba ainda est\u00e1 vivo em nossas mentes e cultura, e n\u00e3o passaremos por isso novamente.\u201d<\/p>\n<p>Ele se refere aos eventos que levaram a cria\u00e7\u00e3o de Israel e, consequentemente, \u00e0 expuls\u00e3o de centenas de milhares de palestinos (a estimativa \u00e9 de mais de 700 mil pessoas),<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/05\/15\/o-que-foi-a-nakba-palestina-e-por-que-ela-e-importante\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u00a0chamado de Nakba<\/a>\u00a0\u2014 ou trag\u00e9dia em portugu\u00eas. Todos eles se tornaram refugiados em 1948. Apesar da resolu\u00e7\u00e3o 194 da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) adotada naquele mesmo ano, que estabelece como lei internacional o direito de retorno, ou seja, que toda pessoa tem o direito de retornar ao seu pa\u00eds de origem, isso nunca ocorreu por recusa de Israel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPor milhares de anos, nosso povo preferiu mudar de religi\u00e3o, mas n\u00e3o abandonar a terra. Os palestinos ainda usam em seu cotidiano palavras da l\u00edngua arameu e de outras l\u00ednguas milenares. O trauma da Nakba ainda est\u00e1 vivo em nossas mentes e cultura, e n\u00e3o passaremos por isso novamente.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele se refere aos eventos que levaram a cria\u00e7\u00e3o de Israel e, consequentemente, \u00e0 expuls\u00e3o de centenas de milhares de palestinos (a estimativa \u00e9 de mais de 700 mil pessoas),<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/05\/15\/o-que-foi-a-nakba-palestina-e-por-que-ela-e-importante\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u00a0chamado de Nakba<\/a>\u00a0\u2014 ou trag\u00e9dia em portugu\u00eas. Todos eles se tornaram refugiados em 1948. Apesar da resolu\u00e7\u00e3o 194 da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) adotada naquele mesmo ano, que estabelece como lei internacional o direito de retorno, ou seja, que toda pessoa tem o direito de retornar ao seu pa\u00eds de origem, isso nunca ocorreu por recusa de Israel.<\/p>\n<div class=\"jeg_ad jeg_ad_article jnews_content_inline_3_ads \">\n<div class=\"ads-wrapper align-center \">\n<div class=\"ads_shortcode\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">A chave como s\u00edmbolo de resili\u00eancia<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro morador da Cisjord\u00e2nia, Ahmed*, explica \u00e0 reportagem que\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/05\/15\/nakba-2024-e-o-ano-da-nova-tragedia-palestina\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">a import\u00e2ncia da Nakba<\/a>\u00a0n\u00e3o pode ser reduzida \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do inconsciente palestino. \u201cEm nossa compreens\u00e3o, a Nakba nunca terminou em 1948, mas naquele momento, nosso povo acreditou que seu deslocamento e fuga dos massacres sionistas seriam tempor\u00e1rios \u2014 apenas dias ou semanas \u2014, com a esperan\u00e7a de que os ex\u00e9rcitos \u00e1rabes, ent\u00e3o em guerra com as mil\u00edcias sionistas, resgatassem nosso povo que havia sofrido muito.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMas a esperan\u00e7a revelou-se uma ilus\u00e3o. Os Estados \u00e1rabes rec\u00e9m-estabelecidos, ainda sob influ\u00eancia imperial global, n\u00e3o lutaram contra as mil\u00edcias sionistas, mas se renderam. Como resultado, mais de 700 mil palestinos tornaram-se refugiados na Cisjord\u00e2nia, em Gaza e na di\u00e1spora. Hoje, mais de 6 milh\u00f5es de refugiados ainda defendem firmemente seu direito de retorno\u201d, diz ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Importante ter em mente que Gaza e Cisjord\u00e2nia passaram a representar, em 1948, apenas 22% da terra originalmente palestina, com Israel ficando com 78% do territ\u00f3rio. Gaza foi capturada pelo Egito e a Jord\u00e2nia com a Cisjord\u00e2nia e os palestinos que fugiram para l\u00e1, vindos de outras partes do pa\u00eds, tamb\u00e9m se tornaram refugiados, neste caso, internos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O presidente da Federa\u00e7\u00e3o \u00c1rabe Palestina do Brasil, Ualid Rabah, ressalta que a limpeza \u00e9tnica que ocorreu entre 1947 e 1951 \u201ccorrespondeu a 88% da popula\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria, e isso conta\u201d.<\/p>\n<p>\u201cQuando a popula\u00e7\u00e3o palestina foge dos seus locais de resid\u00eancia, de trabalho, de cultivo, escolas, etc., e leva as chaves na m\u00e3o, \u00e9 porque ela acreditava que retornaria, mas n\u00e3o p\u00f4de retornar. Hoje, ela sabe que se sair, provavelmente n\u00e3o vai voltar\u201d, diz ele.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-822908 not-transparent\" src=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/10\/AFP__20131108__Nic6216208__v1002__MidRes__PalestinianIsraelConflictGaza-1024x570.webp\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/10\/AFP__20131108__Nic6216208__v1002__MidRes__PalestinianIsraelConflictGaza-300x202.webp 300w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/10\/AFP__20131108__Nic6216208__v1002__MidRes__PalestinianIsraelConflictGaza-768x516.webp 768w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/10\/AFP__20131108__Nic6216208__v1002__MidRes__PalestinianIsraelConflictGaza-750x536.webp 750w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/10\/AFP__20131108__Nic6216208__v1002__MidRes__PalestinianIsraelConflictGaza-1024x570.webp 1024w\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"688\" data-od-added-loading=\"\" data-od-replaced-sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" data-od-xpath=\"\/HTML\/BODY\/DIV[@class='jeg_viewport']\/*[5][self::DIV]\/*[1][self::DIV]\/*[1][self::DIV]\/*[1][self::DIV]\/*[1][self::DIV]\/*[1][self::DIV]\/*[2][self::DIV]\/*[1][self::DIV]\/*[1][self::DIV]\/*[2][self::DIV]\/*[2][self::DIV]\/*[5][self::DIV]\/*[2][self::DIV]\/*[15][self::FIGURE]\/*[1][self::IMG]\" data-dominant-color=\"6a7053\" data-has-transparency=\"false\" data-pin-no-hover=\"true\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Menina palestina segura uma r\u00e9plica de chave nos marcos dos 65 anos da Nakba, em 2013. A chave das casas perdidas se tornou um dos s\u00edmbolos palestinos. Foto: Mohammed ABED \/ AFP<\/figcaption><\/figure>\n<p>Farid explica que a frustra\u00e7\u00e3o com os omissos vizinhos \u00e1rabes durante a Nakba tamb\u00e9m ajudou a forjar a necessidade de construir a autossufici\u00eancia palestina.<\/p>\n<p>\u201cNaquele momento, os palestinos aprenderam uma li\u00e7\u00e3o importante: nenhuma for\u00e7a externa os trar\u00e1 de volta \u00e0 sua terra natal se a deixarem. Eles sabem que, uma vez deslocados, nunca mais retornar\u00e3o \u2014 como \u00e9 o caso dos refugiados que ainda vivem em campos d\u00e9cadas depois\u201d, explica.<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">E os vizinhos \u00e1rabes?<\/h4>\n<p>Muitos, por ingenuidade, desconhecimento ou simplesmente mal-intencionados, argumentam que acomodar a popula\u00e7\u00e3o palestina por diferentes pa\u00edses \u00e1rabes resolveria o conflito mais importante do mundo, uma solu\u00e7\u00e3o, relativamente mais simples do que as tentadas at\u00e9 hoje. Para exemplificar, Ualid Rabah cita uma declara\u00e7\u00e3o de Ram Ben-Barak, parlamentar israelense do partido Yesh Atid, que defende o exterm\u00ednio ou expuls\u00e3o de todos os palestinos.<\/p>\n<p>\u201cSe todos em Gaza s\u00e3o refugiados, ent\u00e3o vamos dispers\u00e1-los pelo mundo. H\u00e1 2,5 milh\u00f5es de pessoas l\u00e1, cada pa\u00eds poderia acolher 20 mil pessoas, 100 pa\u00edses. \u00c9 humano, \u00e9 necess\u00e1rio\u201d, afirmou Ben-Barak, que tamb\u00e9m foi diretor adjunto do Mossad, a ag\u00eancia de espionagem israelense, em uma pouco convincente manifesta\u00e7\u00e3o de preocupa\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria com os palestinos. Ualid lembra que o acolhimento palestino feito por outros pa\u00edses \u00e1rabes, no fim dos anos 1940, ocorreu em troca de chantagem e compensa\u00e7\u00e3o financeira, n\u00e3o solidariedade aos irm\u00e3o \u00e1rabes.<\/p>\n<p>\u201cA Jord\u00e2nia aceitou abrir suas fronteiras, receber o mar de refugiados e impedir que eles retornassem em troca de ficar com metade do que seria destinado ao futuro Estado da Palestina, a Cisjord\u00e2nia\u201d, diz ele.<\/p>\n<p>Ahmed ressalta ainda que \u201c\u00e9 importante entender que simplesmente sair n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel, dado o cerco, o encerramento da passagem de Rafah e a posi\u00e7\u00e3o do Egito que impede muitos de sair\u201d. J\u00e1 Farid explica que essa recusa internacional de receber mais palestinos se deve \u00e0 certeza de que eles v\u00e3o seguir reivindicando a consolida\u00e7\u00e3o da Palestina, estejam onde estiverem.<\/p>\n<p>\u201cO mundo \u00e1rabe n\u00e3o acolhe os palestinos porque sabe que eles continuar\u00e3o a lutar em seus pa\u00edses, o que lhes causar\u00e1 muitos problemas. Foi o que aconteceu em todos os lugares onde os palestinos estiveram: L\u00edbano, Jord\u00e2nia, Tun\u00edsia, Egito, Europa, etc\u201d, resume.<\/p>\n<p>H\u00e1 dez anos no Brasil, a palestina nascida na S\u00edria Rawa Alsagheer ressalta \u00e0 reportagem que muitos pa\u00edses \u00e1rabes j\u00e1 receberam centenas de milhares de palestinos, incluindo sua pr\u00f3pria fam\u00edlia, que se refugiou na S\u00edria, onde nasceu. Mas a maioria desses governos foi \u201cpromovida e apoiada pelo colonialismo\u201d.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o ditaduras fascistas, t\u00eam acordos com a ocupa\u00e7\u00e3o israelense, oprimem seu povo\u201d, diz a cineasta e ativista pol\u00edtica de 29 anos. Do Brasil , Alsagheer coordena a\u00a0<em>Samidoun<\/em>, a rede de solidariedade aos prisioneiros palestinos nas pris\u00f5es da ocupa\u00e7\u00e3o israelense e integra o movimento Caminho Palestino Revolucion\u00e1rio Alternativo e o\u00a0<em>Alkaramah<\/em>, para as mulheres palestinas.<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">N\u00f3s entendemos isso?<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro elemento da quest\u00e3o \u00e9 a origem milenar do povo palestino. \u201cEstamos falando de uma popula\u00e7\u00e3o que come\u00e7ou a se sedentarizar h\u00e1 11 mil anos atr\u00e1s, que ergueu a primeira cidade, Jeric\u00f3, as primeiras cidades-estado do mundo\u201d, explica Ualid.<\/p>\n<p>\u201cEnt\u00e3o n\u00e3o se trata s\u00f3 de terra, mas de ancestralidade, hist\u00f3ria, cultura, cidades milenares, espiritualidade, ali nasce e se desenvolve o monote\u00edsmo, quer dizer, a desracializa\u00e7\u00e3o de Deus. Isso tudo n\u00e3o \u00e9 apenas sair de um torr\u00e3o de terra e ir para outro.\u201d<\/p>\n<p>Todo esse denso pacote torna mais dif\u00edcil para outras na\u00e7\u00f5es entenderem naturalmente esse enraizamento, como \u00e9 o caso de pa\u00edses com 500 anos de exist\u00eancia, ou parcos 5% do tempo de exist\u00eancia da na\u00e7\u00e3o palestina. Mas, ser\u00e1 mesmo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rawa Alsagheer defende que mesmo que alguns jovens no Brasil sejam influenciados pela extrema direita e a propaganda sionista, os brasileiros, de forma geral, n\u00e3o t\u00eam dificuldade de entender a quest\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cOs brasileiros ind\u00edgenas s\u00e3o os mais que entendem a nossa luta, porque a gente compartilha o mesmo sofrimento, a gente compartilha a mesma hist\u00f3ria, que \u00e9 limpeza \u00e9tnica com massacres aos ind\u00edgenas e o roubo de terras e ocupa\u00e7\u00e3o\u201d, exemplifica Alsagheer.<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Enraizados como as oliveiras<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Farid, morador da Cisjord\u00e2nia, afirma que, quando questionado sobre a possibilidade de ir embora e refazer a vida em outro lugar, se sente incomodado. \u201cDepois de 77 anos desde a Nakba, n\u00e3o \u00e9 que queiramos viver assim, mas queremos viver aqui. Partir significa desrespeitar todo o sacrif\u00edcio que nosso povo fez. E sabemos que a pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o jamais nos perdoar\u00e1 se o fizermos. Porque eles ser\u00e3o marcados como refugiados pelo resto de suas vidas.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em artigo publicado na\u00a0<em>Al Jazeera<\/em>, o estudante de direito palestino-estadunidense Ahmed Ibsais defende que \u201ca quest\u00e3o de por que os palestinos se recusam a deixar seus lares e terras ancestrais, mesmo diante de bombardeios implac\u00e1veis, invas\u00f5es, invas\u00e3o de colonos e desapropria\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, \u00e9 profundamente pessoal e fundamental para a identidade palestina.\u201d<\/p>\n<p>\u201cComo sociedade agr\u00e1ria, os palestinos t\u00eam um lugar especial para a terra em sua cultura e consci\u00eancia coletiva. A oliveira \u00e9 o s\u00edmbolo perfeito disso. As oliveiras s\u00e3o antigas, resilientes e profundamente enraizadas, assim como o povo palestino. As fam\u00edlias cuidam dessas \u00e1rvores da mesma forma que cuidam de sua heran\u00e7a. O ato de colher azeitonas, prensar azeite e compartilhar esse azeite com entes queridos \u00e9 um ato de preserva\u00e7\u00e3o cultural\u201d, explica Ibsais.<\/p>\n<p>\u201cMas, ao ver oliveiras palestinas queimadas, \u00e1gua palestina desviada e roubada, e casas palestinas demolidas, tamb\u00e9m testemunhei resist\u00eancia e desafio. Palestinos estavam construindo tanques de \u00e1gua para sobreviver aos per\u00edodos de cortes de \u00e1gua pelos israelenses. Eles estavam reconstruindo suas casas \u00e0 noite ap\u00f3s uma demoli\u00e7\u00e3o e corriam para ajudar comunidades como Huwara quando um ataque de colonos acontecia.\u201d<\/p>\n<p>O palestino-estadunidense explica que abandonar a terra significaria permitir o apagamento da hist\u00f3ria, da cultura e da alma coletiva. \u201cH\u00e1 uma teimosia nessa decis\u00e3o, sim, mas tamb\u00e9m uma profunda compreens\u00e3o de que partir seria romper uma conex\u00e3o que existe h\u00e1 gera\u00e7\u00f5es\u201d, explica.<\/p>\n<p>\u201cUm ano ap\u00f3s o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/10\/04\/apos-ordem-de-trump-para-fim-do-genocidio-israel-mata-ao-menos-20-palestinos-em-gaza\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">in\u00edcio deste genoc\u00eddio<\/a>, os palestinos permanecem porque precisam\u201d, resume.<\/p>\n<p><em>*Nomes fict\u00edcios a pedido dos entrevistados<\/em><\/p>\n<div class=\"jeg_meta_post_footer\">\n<div class=\"jeg_meta_editors\">Editado por: Maria Teresa Cruz<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;Partir significa desrespeitar todo o sacrif\u00edcio que nosso povo fez&#8217;, resume um dos palestinos Em fevereiro, menos de 15 dias na presid\u00eancia dos Estados Unidos, Donald Trump falava em deportar dois milh\u00f5es de palestinos de Gaza, para\u00a0construir no local a \u201cRiviera do Oriente M\u00e9dio\u201d. 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