{"id":125126,"date":"2025-08-25T13:04:49","date_gmt":"2025-08-25T16:04:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/?p=125126"},"modified":"2025-08-25T13:04:49","modified_gmt":"2025-08-25T16:04:49","slug":"a-queda-do-imperio-e-a-distopia-norte-americana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/2025\/08\/25\/a-queda-do-imperio-e-a-distopia-norte-americana\/","title":{"rendered":"A queda do imp\u00e9rio e a distopia norte-americana"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><i>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0(Prof. Dirl\u00eai A Bonfim)*<\/i><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ideia de que o imp\u00e9rio americano est\u00e1 em decl\u00ednio \u00e9 um tema recorrente tanto em c\u00edrculos acad\u00eamicos quanto na m\u00eddia. <strong><em><u>O conceito de &#8220;imp\u00e9rio&#8221; aplicado aos Estados Unidos refere-se \u00e0 sua hegemonia global,<\/u><\/em><\/strong>\u00a0exercida atrav\u00e9s de poder econ\u00f4mico, militar, pol\u00edtico e cultural desde o final da Segunda Guerra Mundial. H\u00e1 uma s\u00e9rie de an\u00e1lises que apontam para o comportamento de <strong><em><u>Trump no cen\u00e1rio mundial \u2013 de intimida\u00e7\u00e3o e extors\u00e3o que mais lembram a um mafioso que a um estadista <\/u><\/em><\/strong>\u2013 como falha de car\u00e1ter pessoal. Embora esse comportamento tenha sido chocante na sua falta de polidez, Trump marca o culminar de uma tend\u00eancia de d\u00e9cadas que transformou a pol\u00edtica externa dos EUA de um regime de \u201cprote\u00e7\u00e3o leg\u00edtima\u201d em meados do s\u00e9culo XX num \u201cesquema extorsivo de prote\u00e7\u00e3o\u201d na virada do s\u00e9culo XXI. Embora os temperamentos de sucessivos presidentes tenham sido importantes, os problemas enfrentados pelos EUA e seu papel no mundo n\u00e3o s\u00e3o atribu\u00edveis a personalidades, mas s\u00e3o fundamentalmente estruturais, majoritariamente decorrentes das contradi\u00e7\u00f5es de suas tentativas de se agarrar \u00e0 sua preemin\u00eancia diante das transforma\u00e7\u00f5es na distribui\u00e7\u00e3o global de poder. A incapacidade de seus sucessivos governos \u2013 incluindo Trump e Biden \u2013 de romper com a mentalidade de primazia dos EUA resultou numa situa\u00e7\u00e3o de \u201cdomina\u00e7\u00e3o sem hegemonia\u201d, na qual desempenham papel cada vez mais disfuncional no mundo. Essa din\u00e2mica mergulhou o mundo num per\u00edodo de caos sist\u00eamico an\u00e1logo \u00e0 primeira metade do s\u00e9culo XX e nesse limiar do s\u00e9culo XXI. O Escritor, jornalista brasileiro e internacional, Jamil Chade, expressou muito bem o projeto de geopol\u00edtica de Donald Trump: \u201cEle j\u00e1 deixa bem claro: n\u00e3o ir\u00e1 fazer diplomacia. Vai atuar com a for\u00e7a, tanto b\u00e9lica quanto econ\u00f4mica e comercial. Na sua vis\u00e3o imperialista de constru\u00e7\u00e3o de uma nova ordem n\u00e3o passa pela paz. Mas pela capitula\u00e7\u00e3o do advers\u00e1rio\u201d. <strong>Nos textos reunidos, no seu \u00faltimo livro: \u00a0\u201cTomara que voc\u00ea seja deportado\u201d : Uma viagem pela distopia americana, Jamil Chade (2025), \u00a0descreve um cen\u00e1rio devastador sob qualquer ponto de vista, evidenciando a magnitude da decad\u00eancia da\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/tvtnews.com.br\/tag\/eua\/\"><strong><u>sociedade estadunidense<\/u><\/strong><\/a><strong>.<\/strong>\u00a0Compreendendo o per\u00edodo entre a campanha eleitoral de\u00a0<a href=\"https:\/\/tvtnews.com.br\/tag\/trump\/\"><u>Donald Trump<\/u><\/a>\u00a0e o in\u00edcio dos esfor\u00e7os eugenistas de sua pol\u00edtica de imigra\u00e7\u00e3o, a trag\u00e9dia norte-americana ganha aqui rosto e materialidade. <strong>Chade (2025), \u00a0percorre os locais por onde se espraia o \u00f3dio e o rancor, a pobreza e a ilus\u00e3o, de Manhattan ao M\u00e9xico, do Madison Square Garden aos abrigos para deportados nas cidades mexicanas na fronteira. O que o leitor entrev\u00ea \u00e9 um desastre humanit\u00e1rio, \u00e9tico,<\/strong>\u00a0pol\u00edtico, espiritual. A atmosfera inequ\u00edvoca de persegui\u00e7\u00e3o, o medo do imigrante de ser ca\u00e7ado. <strong>Mas tamb\u00e9m a perversidade da ofensiva trumpista no que diz respeito a outros temas, como a educa\u00e7\u00e3o e os direitos de pessoas\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/tvtnews.com.br\/tag\/lgbtqiapn\/\"><strong><u>LGBTQIAPN+<\/u><\/strong><\/a><strong>, outrora relevantes para a<\/strong>\u00a0composi\u00e7\u00e3o de um cen\u00e1rio, uma ordem mundial, que glorificava a na\u00e7\u00e3o que tomou para si o termo \u201cAm\u00e9rica\u201d. Pelas palavras de\u00a0<a href=\"https:\/\/tvtnews.com.br\/walter-salles-ia-dizer-no-oscar-ditadura-nunca-mais\/\"><u>Walter Salles<\/u><\/a>, que prefacia o livro, de Chade realiza \u201cn\u00e3o somente um extraordin\u00e1rio trabalho jornal\u00edstico, mas tamb\u00e9m um ensaio de grande lucidez sobre como podem sucumbir as democracias\u201d. <strong><em><u>Jamil Chade(2025), mostra a queda avassaladora da democracia nos EUA nos primeiros meses do segundo mandato de Trump<\/u><\/em><\/strong>\u00a0ao visitar quinze estados do pa\u00eds. O trabalho do jornalista, aqui, marcado tamb\u00e9m pela experi\u00eancia pessoal \u2013 Chade se mudou com a fam\u00edlia para os Estados Unidos \u2013 \u00e9 revelador do esfacelamento simb\u00f3lico da solidez que consagrou os Estados Unidos da Am\u00e9rica como a na\u00e7\u00e3o mais poderosa do mundo. Uma na\u00e7\u00e3o que demole a si mesma, com os golpes imprudentes de um l\u00edder autorit\u00e1rio. <strong><em>&#8220;<\/em><\/strong><strong><em><u>A trag\u00e9dia do capitalismo canibal&#8221;<\/u><\/em><\/strong><strong><em>\u00a0refere-se \u00e0 ideia da Fil\u00f3sofa Professora \u00a0<\/em><\/strong><a href=\"https:\/\/www.google.com\/search?sca_esv=ec2e9b053eb14c18&amp;cs=0&amp;sxsrf=AE3TifMkPTtClMqgLBhWfcApxKW8hAD5aQ%3A1756057985415&amp;q=Nancy+Fraser&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwjE-LHjgaSPAxXgFLkGHRd-DuMQxccNegQIAhAB&amp;mstk=AUtExfDKoybpfDF-lYSNTNalRRiBPlwSm3Pd2JMRqM3bwMXDHsS9kkv72t29hBAf9Tm58TC4skXxcFgUowqZFeBMzM69yV2h0Tpk-n1L4i8_Pm8BjMOaTjXXDWyM1r1qM2U-Wc98KhC4OEi5MWyO0hjfFMQlFIdsOVbnqJ6QSnl4Tz2M9IQFGJ0xD68BeCpV4V704PkccYoeSC_X1yDPCw9uZ9Zo0XVh0OkvIVeh8IfD4xm52q4jBfzbOq4Xn93T8TrLmkPm2vhNuXvvayFr-mdH9000&amp;csui=3\"><strong><em><u>Nancy Fraser<\/u><\/em><\/strong><\/a><strong><em>(2024),\u00a0de<\/em><\/strong><em>\u00a0<\/em><strong><em>que o capitalismo,<\/em><\/strong><em>\u00a0em sua busca incessante por crescimento, devora as<\/em>\u00a0condi\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias (como recursos naturais, cuidado social, e democracias) que ele pr\u00f3prio necessita para funcionar, levando a uma crise ecol\u00f3gica, social e pol\u00edtica generalizada.\u00a0Para a autora, o sistema n\u00e3o \u00e9 apenas econ\u00f4mico, mas uma forma de sociedade que depende de recursos extra-econ\u00f4micos, como a explora\u00e7\u00e3o do trabalho n\u00e3o-remunerado e a expropria\u00e7\u00e3o da natureza, <em>culminando em uma situa\u00e7\u00e3o de auto-destrui\u00e7\u00e3o.<\/em><em>\u00a0<\/em><strong><em><u>\u201cOs Elementos Devorados\u201d<\/u><\/em><\/strong><em>. <\/em>O termo &#8220;canibal&#8221; ilustra a forma como o capitalismo consome as suas pr\u00f3prias bases de sustenta\u00e7\u00e3o: <strong><b>Natureza:<\/b><\/strong><em>\u00a0<\/em>consome os recursos naturais, como \u00e1gua pot\u00e1vel e terra ar\u00e1vel, que s\u00e3o essenciais para a vida e, por extens\u00e3o, para a economia.\u00a0<strong><b>Trabalho de Cuidado:<\/b><\/strong><em>\u00a0<\/em>Subvaloriza e, por vezes, nega o trabalho de cuidado, majoritariamente realizado por mulheres, que \u00e9 fundamental para a reprodu\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho e da sociedade.\u00a0<strong><b>Democracia e Infraestrutura:<\/b><\/strong><em>\u00a0<\/em>devora a democracia, os bens p\u00fablicos e as infraestruturas materiais e jur\u00eddicas que s\u00e3o necess\u00e1rias para que o sistema funcione de maneira mais est\u00e1vel.\u00a0<strong>As Implica\u00e7\u00f5es da Crise:<\/strong><em>\u00a0<\/em>Essa din\u00e2mica autodestrutiva, para Nancy Fraser, resulta em:<em>\u00a0<\/em><strong><b>Crise Ecol\u00f3gica:<\/b><\/strong>\u00a0A explora\u00e7\u00e3o desenfreada da natureza leva \u00e0 devasta\u00e7\u00e3o do planeta.\u00a0<strong><b>Desigualdade Social:<\/b><\/strong>\u00a0Aprofunda a explora\u00e7\u00e3o de diferentes grupos sociais, incluindo comunidades n\u00e3o-capitalistas e popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis.\u00a0<em>\u00a0<\/em><strong><b>Colapso da Sociedade:<\/b><\/strong>\u00a0A democracia e outras institui\u00e7\u00f5es sociais s\u00e3o corro\u00eddas, tornando-se insuficientes para lidar com a magnitude dos problemas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em><u>A necessidade de u<\/u><\/em><\/strong><strong><em><u>ma Nova Vis\u00e3o de Sociedade<\/u><\/em><\/strong>, <strong><em><u>mais humanizada e menos retr\u00f3grada.<\/u><\/em><\/strong>\u00a0Segundo o<strong><em>\u00a0Professor Byung-Chul Han(2024),<\/em><\/strong><em>\u00a0vai acrescentar sobre essa <\/em><em>rela\u00e7\u00e3o \u201c <\/em><strong><em>(capitalismo x ser humano)<\/em><\/strong><em>\u00a0<\/em><strong><em>como \u201cexist\u00eancia econ\u00f4mica\u201d.<\/em><\/strong><em>\u00a0<\/em>Na qual o modo de vida \u00e9 estruturado pelo modelo econ\u00f4mico e se transforma em uma tentativa constante de triunfo sobre a morte, garantindo a qualquer custo a preserva\u00e7\u00e3o do &#8220;eu&#8221;, sem a menor preocupa\u00e7\u00e3o com o outro, com a coletividade, a sociedade que nos encontramos, essa a muito numa crise para al\u00e9m de existencial, crise pol\u00edtica, social, econ\u00f4mica, \u00e9tica e tentando sobreviver no limite da exist\u00eancia, inundada com a brutal invers\u00e3o de valores. Nessa mesma linha de racioc\u00ednio, <strong>a <\/strong><strong>Professora Fraser (2024),<\/strong>\u00a0vai defender \u00a0<strong><em><u>\u201ca necessidade de ir al\u00e9m do reducionismo econ\u00f4mico e construir um &#8220;socialismo p\u00f3s-moderno&#8221;, numa esp\u00e9cie de<\/u><\/em><\/strong><u>\u00a0<\/u><strong><em><u>\u201ccapitalismo socializ\u00e1vel\u201d<\/u><\/em><\/strong><em><u>, <\/u><\/em><strong><em><u>com excelente distribui\u00e7\u00e3o de renda, \u00e0 toda a sociedade, sem distin\u00e7\u00e3o e a luta permanente por uma sociedade voltada para o \u201c estado de bem estar social\u201d<\/u><\/em><\/strong><em><u>,<\/u><\/em>\u00a0sem que n\u00e3o se repita os velhos erros dos s\u00e9culos XIX, XX e esse limiar de XXI. \u00a0Isso implica em lutar por uma nova forma de vida, que n\u00e3o seja definida pelo apetite voraz do capital, mas que priorize o cuidado, com a justi\u00e7a social digna distribui\u00e7\u00e3o de renda em toda a <strong><em>sociedade humana, al\u00e9m das responsabilidades sociais preservadas, a preserva\u00e7\u00e3o ambiental do planeta. \u00c9 poss\u00edvel, que tenhamos uma sociedade mais justa e um planeta mais saud\u00e1vel. A crise do Capital, n\u00e3o \u00e9 da falta de recursos, mas uma crise \u00c9tica e Moral. Na hist\u00f3ria do Capitalismo, nunca se acumulou tantos recursos, concentrado nas m\u00e3os de t\u00e3o poucos.<\/em><\/strong><strong><em>\u00a0\u00a0<\/em><\/strong>A intimida\u00e7\u00e3o promovida por Trump, incluindo seu comportamento no cen\u00e1rio mundial como presidente dos EUA, geralmente foi entendida como falha de car\u00e1ter pessoal \u2013 o que sem d\u00favida foi. No entanto, embora a intimida\u00e7\u00e3o vinda de Trump como presidente tenha sido sem precedentes em qu\u00e3o sem polidez foi, em vez de ser uma aberra\u00e7\u00e3o completa, ele marca o culminar de um processo de d\u00e9cadas que transformou a pol\u00edtica externa dos EUA de um regime de \u201canomalias\u201d em meados do s\u00e9culo XX, para um \u201cesquema extorsivo de prote\u00e7\u00e3o\u201d no in\u00edcio do s\u00e9culo XXI.A\u00a0<a href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/tarifa%C3%A7o-de-trump-contra-o-brasil-entra-em-vigor\/a-73545800\"><strong><b>imposi\u00e7\u00e3o de tarifas de 50%, sobre os pa\u00edses em geral, no caso das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras para E<\/b><\/strong><\/a><strong>UA<\/strong>, se\u00a0deflagrou uma\u00a0<a href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/entenda-a-escalada-de-tens%C3%A3o-entre-eua-e-brasil\/a-73337005\"><strong><b>escalada in\u00e9dita de tens\u00f5es<\/b><\/strong><\/a>\u00a0entre os dois pa\u00edses. No caso brasileiro pode-se classificar, &#8220;esse, como um dos piores momentos da rela\u00e7\u00e3o bilateral com o Brasil. Trump tem uma vis\u00e3o imperial da pol\u00edtica externa, n\u00e3o \u00e0 toa menciona o presidente McKinley, associado ao\u00a0<a href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/coluna-quando-a-casa-branca-flerta-com-o-golpismo-no-brasil\/a-73620767\"><strong><b>imperialismo<\/b><\/strong><\/a>&#8220;, afirma o Professor Cientista pol\u00edtico <strong><em>Carlos Poggio (2025). Ao ignorar completamente o \u201cprinc\u00edpio da Soberania Nacional\u201d. Ele explica que o<\/em><\/strong>\u00a0<strong><em>conceito de imperialismo<\/em><\/strong>,\u00a0ou interfer\u00eancia na pol\u00edtica interna de um outro pa\u00eds, pode ser atribu\u00eddo \u00e0 atual pol\u00edtica externa americana por causa da tentativa do governo Trump de impor san\u00e7\u00f5es e influenciar as decis\u00f5es do Judici\u00e1rio brasileiro por meio da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/como-o-tarifa%C3%A7o-de-trump-pode-afetar-o-brasil\/a-73238176\"><strong><b>press\u00e3o comercial<\/b><\/strong><\/a>. Pela cede de dom\u00ednio e tentativas em v\u00e3o de que possa ter algum controle sobre a situa\u00e7\u00e3o externa que envolve o dia a dia e cotidianos de outros pa\u00edses e na\u00e7\u00f5es, sem qualquer tipo de respeito \u00e0 soberania nacional dos pa\u00edses em geral e n\u00e3o apenas ao Brasil.\u00a0<strong><em><u><b>BRICS, China, R\u00fassia &#8211; <\/b><\/u><\/em><\/strong><strong><em><u>novamente, tudo isso \u00e9 uma fun\u00e7\u00e3o do decl\u00ednio do imperialismo dos EUA em rela\u00e7\u00e3o a outras pot\u00eancias imperialistas em ascens\u00e3o. Intimidar a Groenl\u00e2ndia, Dinamarca, Panam\u00e1 e at\u00e9 mesmo Canad\u00e1 ou M\u00e9xico<\/u><\/em><\/strong><strong>\u00a0<\/strong>pode lhe render algumas concess\u00f5es, mas grandes pot\u00eancias como China, R\u00fassia e at\u00e9 mesmo o Ir\u00e3 n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o f\u00e1ceis de pressionar. Ap\u00f3s d\u00e9cadas de insol\u00eancia e desd\u00e9m dos EUA, essas e outras pot\u00eancias em ascens\u00e3o foram empurradas para mais perto umas das outras econ\u00f4mica e militarmente. Entre elas, China e R\u00fassia controlam juntas enormes territ\u00f3rios, popula\u00e7\u00f5es e recursos naturais, sem mencionar uma formid\u00e1vel base militar-industrial. Todas as coisas\u00a0permanecendo\u00a0iguais \u2014 tecnologia, acesso a recursos naturais, for\u00e7a de trabalho qualificada etc. \u2014 um pa\u00eds com uma popula\u00e7\u00e3o maior superar\u00e1 um com uma popula\u00e7\u00e3o menor. <strong><em><u>Apesar de ter apenas 5% da popula\u00e7\u00e3o mundial, foi sua posi\u00e7\u00e3o privilegiada e a t\u00e9cnica superior do capitalismo dos EUA que lhe permitiu dominar a economia mundial ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial. <\/u><\/em><\/strong>Isso foi apoiado pelo poderio militar e\u00a0por\u00a0uma s\u00e9rie de interven\u00e7\u00f5es imperialistas para\u00a0criar\u00a0esferas de interesse, investimento e extra\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria-prima. Institui\u00e7\u00f5es como o Banco Mundial e o FMI perpetuaram o endividamento e a depend\u00eancia. Essa pilhagem por lucro, por sua vez, manteve a maioria do mundo em estado de pobreza e falta de competitividade. No entanto, a gan\u00e2ncia m\u00edope dos capitalistas os levou a desindustrializar seus pr\u00f3prios pa\u00edses enquanto aceleravam involuntariamente o desenvolvimento do capitalismo em outros pa\u00edses. Eles tamb\u00e9m impuseram san\u00e7\u00f5es e outras restri\u00e7\u00f5es ao com\u00e9rcio, for\u00e7ando muitos pa\u00edses a\u00a0desenvolverem\u00a0suas pr\u00f3prias tecnologias avan\u00e7adas. Como resultado, pa\u00edses como China e R\u00fassia n\u00e3o s\u00e3o mais como eram h\u00e1 30 anos.\u00a0At\u00e9 aqui chegou\u00a0o suposto \u201cfim da hist\u00f3ria\u201d. <strong><em>A ascens\u00e3o do BRICS \u00e9 o exemplo mais gr\u00e1fico dessa mudan\u00e7a.<\/em><\/strong>\u00a0As estimativas variam, mas, por algumas medidas, os dez membros e oito parceiros do bloco econ\u00f4mico <strong><em><u>respondem por quase 50% do PIB mundial, superando o G7<\/u><\/em><\/strong>. Dos dez\u00a0principais pa\u00edses por PIB, cinco est\u00e3o <strong><em><u>nos BRICS: China, \u00cdndia, R\u00fassia, Brasil<\/u><\/em><\/strong><strong><em><u>\u00a0<\/u><\/em><\/strong>e seu membro mais recente, a Indon\u00e9sia, a s\u00e9tima maior economia do mundo e a quarta mais populosa. Os outros cinco s\u00e3o EUA, Jap\u00e3o, Alemanha, Fran\u00e7a e Reino Unido. No entanto, a compara\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais gritante quando medida pela manufatura em vez do PIB, que inclui servi\u00e7os intang\u00edveis. <strong><em>Com a amplia\u00e7\u00e3o dos BRICS e o processo de desdolariza\u00e7\u00e3o da economia global,<\/em><\/strong>\u00a0tudo isso vem contribuir com o isolamento dos EUA refor\u00e7ando a ideia da inevit\u00e1vel queda do imp\u00e9rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em><u><i>**contribui\u00e7\u00e3o do Professor DsC. Dirl\u00eai A Bonfim, Doutor em Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Ambiental, \u00a0Professor da SEC\/BA**Sociologia** Plano de Forma\u00e7\u00e3o Continuada Territorial \u2013 IAT\/SEC\/BA.08\/2025.2**<\/i><\/u><\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0(Prof. Dirl\u00eai A Bonfim)* A ideia de que o imp\u00e9rio americano est\u00e1 em decl\u00ednio \u00e9 um tema recorrente tanto em c\u00edrculos acad\u00eamicos quanto na m\u00eddia. O conceito de &#8220;imp\u00e9rio&#8221; aplicado aos Estados Unidos refere-se \u00e0 sua hegemonia global,\u00a0exercida atrav\u00e9s de poder econ\u00f4mico, militar, pol\u00edtico e cultural desde o final da Segunda Guerra Mundial. H\u00e1 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":108697,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[67,71],"tags":[6459,6460,1914],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/125126"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=125126"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/125126\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":125127,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/125126\/revisions\/125127"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/108697"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=125126"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=125126"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=125126"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}