{"id":123829,"date":"2025-06-15T02:59:35","date_gmt":"2025-06-15T05:59:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/?p=123829"},"modified":"2025-06-15T02:59:35","modified_gmt":"2025-06-15T05:59:35","slug":"evandro-correia-o-guardiao-das-cancoes-e-da-arte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/2025\/06\/15\/evandro-correia-o-guardiao-das-cancoes-e-da-arte\/","title":{"rendered":"Evandro Correia: o guardi\u00e3o das can\u00e7\u00f5es e da arte"},"content":{"rendered":"<p>Por\u00a0<a title=\"Posts de Herberson Sonkha*\" href=\"https:\/\/conquistareporter.com.br\/artigo-evandro-correia-o-guardiao-das-cancoes-e-da-arte\/\" rel=\"author\">Herberson Sonkha*<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">C<strong>om 40 anos dedicados \u00e0 m\u00fasica, o cantor e compositor conquistense atravessou gera\u00e7\u00f5es com passo firme e olhar atento. Ele morreu nesta quinta-feira, 12, aos 66 anos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nem todos os homens que constroem cidades usam cimento. H\u00e1 aqueles que, em sil\u00eancio, erguem colunas invis\u00edveis, moldam atmosferas, tra\u00e7am mapas interiores com gestos simples e notas exatas. Evandro Correia \u00e9 um desses raros art\u00edfices, um compositor de refinamento singular, cuja obra resiste ao tempo n\u00e3o por vaidade ou espet\u00e1culo, mas pela consist\u00eancia do que \u00e9 feito para durar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com 40 anos dedicados \u00e0 m\u00fasica, 11 discos e dois \u00e1lbuns autorais, Evandro atravessou gera\u00e7\u00f5es como quem atravessa uma floresta com passo firme e olhar atento. Fez da can\u00e7\u00e3o um of\u00edcio e da escuta um dom. Sua voz, sempre afinada nas alturas e nos sil\u00eancios, trazia n\u00e3o apenas melodias, mas sentidos. E mais do que artista, foi um homem de princ\u00edpios bem tra\u00e7ados, desses que parecem carregar, sem alarde, algum segredo antigo sobre como viver com eleg\u00e2ncia e coer\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos s\u00e1bados que hoje soam distantes, era poss\u00edvel encontr\u00e1-lo no m\u00edtico Bar de Meirinha, lugar modesto, reservado, onde os encontros n\u00e3o dependiam de convite, mas de afinidade. Evandro tocava ali como se estivesse em casa ou em algo ainda mais \u00edntimo: um espa\u00e7o de recolhimento partilhado. Sua m\u00fasica ecoava por entre ta\u00e7as, sorrisos, confid\u00eancias e sil\u00eancios. Aqueles que o cercavam sabiam que estavam diante de algo maior que um simples show.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o havia ali palco, nem cortina, nem roteiro. Havia uma roda. Havia escuta. Havia, sobretudo, o tempo respeitado. Cada acorde marcava um compasso n\u00e3o s\u00f3 da m\u00fasica, mas da conviv\u00eancia. Era como se ele soubesse medir o que nos falta e nos ofertasse isso com sua voz. Repert\u00f3rio apurado, afeto contido, presen\u00e7a marcante. Tudo nele parecia calculado com precis\u00e3o e ternura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Evandro Correia n\u00e3o formou apenas m\u00fasicos. Formou sensibilidades. Sua obra influenciou pensadores, professores, poetas, estudantes, bo\u00eamios e amantes da cidade. Seus versos, sem grito, sem cartaz, foram se tornando parte da paisagem sonora de Vit\u00f3ria da Conquista, uma cidade que ele nunca deixou para tr\u00e1s, mesmo quando poderia. Preferiu permanecer, como quem cuida da pr\u00f3pria casa, porque sabe que certas ra\u00edzes sustentam mais que \u00e1rvores, sustentam legados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que talvez poucos percebam \u00e9 que Evandro organizava o mundo \u00e0 sua maneira, com rigor e delicadeza, como se cada can\u00e7\u00e3o fosse um pequeno projeto de constru\u00e7\u00e3o \u00e9tica. Havia m\u00e9todo em sua arte. Havia lapida\u00e7\u00e3o. Havia medida. Mas nunca rigidez. Era um oper\u00e1rio do sens\u00edvel, atento aos detalhes, fiel aos princ\u00edpios do of\u00edcio bem feito, generoso com os que se aproximavam, exigente apenas consigo mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sua aus\u00eancia hoje se converte em eco. N\u00e3o o eco vazio da saudade, mas o eco vivo do que foi bem plantado. H\u00e1 quem diga que ele partiu cedo demais. Mas os que compreendem a natureza de certos homens sabem que o tempo deles n\u00e3o se mede por calend\u00e1rio, mas por densidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Evandro Correia \u00e9 agora um nome que ressoa em sil\u00eancio. Sua obra permanece como b\u00fassola invis\u00edvel a orientar quem ainda acredita na m\u00fasica como linguagem maior. E isso basta. Porque certos homens n\u00e3o s\u00e3o lembrados, s\u00e3o\u00a0reconhecidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>*Herberson Sonkha \u00e9 poeta, compositor, educador, editor do\u00a0<a href=\"https:\/\/blogsonkha.blogspot.com\/\">Blog do Sonkha,<\/a>\u00a0colunista do Conquista Rep\u00f3rter e militante negro comunista em defesa da cultura popular e da justi\u00e7a social.<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0Herberson Sonkha* Com 40 anos dedicados \u00e0 m\u00fasica, o cantor e compositor conquistense atravessou gera\u00e7\u00f5es com passo firme e olhar atento. Ele morreu nesta quinta-feira, 12, aos 66 anos. Nem todos os homens que constroem cidades usam cimento. 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