{"id":123639,"date":"2025-06-07T07:00:00","date_gmt":"2025-06-07T10:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/?p=123639"},"modified":"2025-06-07T07:01:52","modified_gmt":"2025-06-07T10:01:52","slug":"123639","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/2025\/06\/07\/123639\/","title":{"rendered":"As palavras do portugu\u00eas que conquistaram o mundo e foram incorporadas em outras l\u00ednguas"},"content":{"rendered":"<h5 class=\"bajada\">Veja palavras do portugu\u00eas que se tornaram parte de outros idiomas, carregando consigo a cultura e a tradi\u00e7\u00e3o do Brasil<\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">O portugu\u00eas tem\u00a0um hist\u00f3rico de influ\u00eancias culturais diverso, com popula\u00e7\u00f5es de colonizadores e imigrantes (de \u00e1rabes a espanh\u00f3is) que incorporaram ao idioma tra\u00e7os de suas tradi\u00e7\u00f5es; mas o contr\u00e1rio tamb\u00e9m \u00e9 verdade:\u00a0n\u00e3o \u00e9 surpresa que algumas palavras origin\u00e1rias do portugu\u00eas (e do Brasil)\u00a0tenham sido adotadas por falantes de\u00a0outros idiomas, especialmente o ingl\u00eas, e carregado consigo aspectos da cultura, da fauna, da m\u00fasica e do estilo de vida brasileiros e portugueses a pa\u00edses ao redor do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Confira, a seguir, um panorama de algumas dessas palavras que passaram a compor o l\u00e9xico de\u00a0outros idiomas al\u00e9m do portugu\u00eas:<\/em><\/p>\n<h3><strong>1. Fetiche (no ingl\u00eas,\u00a0<em>fetish<\/em>)<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">A palavra \u201cfetiche\u201d vem do portugu\u00eas feiti\u00e7o, que originalmente significava \u201cfeiti\u00e7o\u201d ou \u201cencanto\u201d. No s\u00e9culo 15, navegadores portugueses usavam o termo para descrever objetos religiosos ou m\u00e1gicos encontrados em terras africanas, considerados poderosos ou sagrados. O termo foi adotado pelo ingl\u00eas como\u00a0<em>fetish<\/em>, o que ampliou seu significado para designar objetos carregados de poder simb\u00f3lico e, posteriormente, conceitos ligados ao\u00a0<strong>desejo sexual<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o Oxford English Dictionary, o termo entrou no ingl\u00eas no s\u00e9culo 17 a partir do franc\u00eas e do portugu\u00eas, refletindo o contato com culturas africanas no per\u00edodo das Grandes Navega\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h3><strong>2. A\u00e7a\u00ed<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fruta t\u00edpica da regi\u00e3o amaz\u00f4nica do Brasil,\u00a0conhecida por seu sabor \u00fanico e propriedades nutricionais, tem seu nome derivado do tupi<em>\u00a0\u00efwasa\u2019i,<\/em>\u00a0que significa \u201cfruta que chora\u201d \u2014 em refer\u00eancia ao l\u00edquido roxo que escorre do a\u00e7a\u00ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O produto tem se popularizado internacionalmente nos \u00faltimos anos, com o crescimento do mercado de alimentos saud\u00e1veis e do seu consumo como uma esp\u00e9cie de sorvete, incrementando com adicionais variados. Bem diferente do que se come tradicionalmente na regi\u00e3o norte do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, &#8220;a\u00e7a\u00ed&#8221; \u00e9 amplamente usado em ingl\u00eas e em outras l\u00ednguas para falar tanto da fruta como dos produtos derivados dela. A pron\u00fancia se torna, no entanto, algo como &#8220;acai&#8221;, j\u00e1 que o ingl\u00eas n\u00e3o tem uso de cedilha.<\/p>\n<p><strong>3. Cobra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora a palavra \u201ccobra\u201d exista em v\u00e1rios idiomas, vem do portugu\u00eas, em que significa serpente, como conta a Historia Naturalis Brasiliae (1648). Foi o portugu\u00eas, inclusive, o idioma que influenciou diretamente sua incorpora\u00e7\u00e3o no ingl\u00eas, para designar serpentes em geral, especialmente as grandes e venenosas. No ingl\u00eas, \u201ccobra\u201d \u00e9 usada, hoje, para se referir a serpentes espec\u00edficas, como a cobra-real.<\/p>\n<h3><strong>4. Mosquito<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em portugu\u00eas, \u201cmosquito\u201d \u00e9 o diminutivo de \u201cmosca\u201d, mas se refere\u00a0ao inseto pequeno e muitas vezes inc\u00f4modo que consome o sangue das pessoas e faz a pele co\u00e7ar no lugar da picada. Em alguns estados do Brasil, a palavra \u00e9 frequentemente substitu\u00edda por &#8220;pernilongo&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O termo foi incorporado ao ingl\u00eas com o mesmo significado, para denotar insetos pequenos que &#8220;picam&#8221;, e se consolidou no s\u00e9culo 18, quando exploradores e colonizadores portugueses trouxeram a palavra para descrever esses insetos tropicais, comuns nas regi\u00f5es que colonizavam.<\/p>\n<h3><strong>5. Veranda \/ Varanda<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">A palavra \u201cveranda\u201d, usada em ingl\u00eas para descrever um tipo de alpendre ou terra\u00e7o coberto, veio do portugu\u00eas\u00a0<em>varanda<\/em>. A origem da palavra \u00e9 incerta, mas acredita-se que tenha vindo do s\u00e2nscrito e tenha sido assimilada ao portugu\u00eas durante o per\u00edodo colonial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, a \u201cvaranda\u201d \u00e9 uma caracter\u00edstica t\u00edpica da arquitetura colonial portuguesa e brasileira, e o termo foi adotado em ingl\u00eas para descrever esses espa\u00e7os externos cobertos e adjacentes \u00e0s casas.<\/p>\n<h3><strong>6. Bossa Nova<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cBossa nova\u201d, o\u00a0g\u00eanero musical nativo que surgiu na cena brasileira no final dos anos 1950, fundindo nosso samba ao jazz, logo se tornou famoso nos Estados Unidos (e no mundo inteiro). A\u00a0express\u00e3o \u201cbossa\u201d tem origem no portugu\u00eas coloquial e pode ser traduzida como \u201cjeito\u201d, \u201cmaneira\u201d ou \u201cestilo\u201d, e a nossa Bossa Nova se popularizou com a influ\u00eancia de grandes nomes da m\u00fasica, como Frank Sinatra, que gravou m\u00fasicas da Bossa com Jobim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Encyclopedia Britannica destaca a Bossa Nova como um dos movimentos musicais mais influentes do s\u00e9culo 20.<\/p>\n<h3><strong>7. Samba<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro ritmo brasileiro conhecido mundialmente, origin\u00e1rio da tradi\u00e7\u00e3o afro-brasileira, o samba tamb\u00e9m entrou no vocabul\u00e1rio de v\u00e1rias l\u00ednguas, mantendo seu nome original.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O termo\u00a0foi adotado em ingl\u00eas e outras l\u00ednguas especialmente ap\u00f3s a populariza\u00e7\u00e3o internacional do Carnaval carioca.<\/p>\n<h3><strong>8. Capoeira<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">A dan\u00e7a e arte marcial praticada h\u00e1 s\u00e9culos no Brasil\u00a0ganhou reconhecimento internacional, e\u00a0seu nome, de origem ind\u00edgena, foi incorporado a v\u00e1rias l\u00ednguas sem tradu\u00e7\u00e3o, tornando-se um termo universal.<\/p>\n<h3><strong>9. Caipirinha<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais uma joia nacional e t\u00edpica da cultura brasileira, o coquetel &#8216;oficial&#8217; do Brasil, feito com cacha\u00e7a, lim\u00e3o e a\u00e7\u00facar, cujo nome vem do termo \u201ccaipira\u201d unido\u00a0ao sufixo \u201c-inha\u201d, que indica diminutivo carinhoso, foi transportado ao mundo inteiro e hoje \u00e9 reconhecido por seu nome original, que se transportou junto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Veja palavras do portugu\u00eas que se tornaram parte de outros idiomas, carregando consigo a cultura e a tradi\u00e7\u00e3o do Brasil O portugu\u00eas tem\u00a0um hist\u00f3rico de influ\u00eancias culturais diverso, com popula\u00e7\u00f5es de colonizadores e imigrantes (de \u00e1rabes a espanh\u00f3is) que incorporaram ao idioma tra\u00e7os de suas tradi\u00e7\u00f5es; mas o contr\u00e1rio tamb\u00e9m \u00e9 verdade:\u00a0n\u00e3o \u00e9 surpresa que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":123640,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[36,105],"tags":[2000,5742,275,5744,2304,5745,5746,5741,5739,5743,5740],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/123639"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=123639"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/123639\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":123642,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/123639\/revisions\/123642"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/123640"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=123639"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=123639"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=123639"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}