{"id":123448,"date":"2025-05-24T12:14:15","date_gmt":"2025-05-24T15:14:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/?p=123448"},"modified":"2025-05-24T12:14:39","modified_gmt":"2025-05-24T15:14:39","slug":"racismo-estrutural-compromete-saude-mental-de-negros-no-brasil-alerta-psicanalista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/2025\/05\/24\/racismo-estrutural-compromete-saude-mental-de-negros-no-brasil-alerta-psicanalista\/","title":{"rendered":"Racismo estrutural compromete sa\u00fade mental de negros no Brasil, alerta psicanalista"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Casos recentes de discrimina\u00e7\u00e3o racial reacendem debate sobre o sofrimento ps\u00edquico da popula\u00e7\u00e3o negra<\/strong><\/p>\n<div id=\"__next\">\n<div class=\"container\">\n<div class=\"mainCols article\">\n<div class=\"main--left\">\n<article class=\"article__full\">\n<div class=\"article__text article_speakable\">\n<div data-cy=\"articleBody\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u00a0<\/b>Casos de racismo registrados recentemente em S\u00e3o Paulo e Alagoas expuseram mais uma vez os efeitos devastadores da discrimina\u00e7\u00e3o racial sobre a sa\u00fade mental da popula\u00e7\u00e3o negra. A repercuss\u00e3o de epis\u00f3dios envolvendo uma aluna do tradicional Col\u00e9gio Mackenzie, encontrada desacordada ap\u00f3s sofrer ataques racistas, e a demiss\u00e3o da jovem Gabriela Barros por usar tran\u00e7as no cabelo, reacenderam o debate sobre como o racismo, mais do que um ato de preconceito isolado, \u00e9 uma engrenagem permanente de sofrimento psicol\u00f3gico e exclus\u00e3o social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em entrevista ao Portal CUT, a psic\u00f3loga e psicanalista Maria L\u00facia da Silva, especialista em sa\u00fade mental da popula\u00e7\u00e3o negra, alerta que o racismo estrutural opera como um fator cont\u00ednuo de adoecimento ps\u00edquico. \u201cN\u00e3o se trata apenas de epis\u00f3dios isolados, mas de um modo cont\u00ednuo de existir em uma sociedade que nega humanidade, voz e pertencimento \u00e0s pessoas negras\u201d, afirmou a psicanalista, que tamb\u00e9m \u00e9 cofundadora do AMMA Psique e Negritude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo ela, o impacto se manifesta de diversas formas: estresse cr\u00f4nico, ansiedade, depress\u00e3o, s\u00edndrome do p\u00e2nico e um sofrimento ps\u00edquico difuso que, muitas vezes, nem chega a ser diagnosticado corretamente. \u201cO racismo age como um trauma cr\u00f4nico. Cada crian\u00e7a negra que nasce j\u00e1 vem inscrita com significados que o racismo produziu\u201d, destacou.<\/p>\n<p><b>Casos concretos de viol\u00eancia simb\u00f3lica e institucional<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Col\u00e9gio Mackenzie, localizado em Higien\u00f3polis, bairro nobre da capital paulista, uma estudante de 15 anos foi encontrada desmaiada no banheiro ap\u00f3s sofrer bullying e ataques racistas cont\u00ednuos desde 2024. Em outro caso, a alagoana Gabriela Barros, de 21 anos, foi demitida de seu emprego por usar tran\u00e7as \u2014 uma express\u00e3o est\u00e9tica ancestral da cultura negra. A empresa alegou que o uso do penteado contrariava uma \u201cregra interna\u201d. Gabriela levou o caso \u00e0 Justi\u00e7a do Trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esses epis\u00f3dios n\u00e3o s\u00e3o exce\u00e7\u00f5es. Dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade revelam que jovens negros de 10 a 29 anos t\u00eam 45% mais risco de suic\u00eddio do que brancos da mesma faixa et\u00e1ria, sendo os homens negros os mais vulner\u00e1veis. O \u00edndice entre a popula\u00e7\u00e3o negra subiu 12% nos \u00faltimos anos, enquanto se manteve est\u00e1vel entre brancos.<\/p>\n<p><b>Racismo internalizado e autoestima fragmentada<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maria L\u00facia explica que o racismo internalizado \u00e9 um dos fen\u00f4menos mais cru\u00e9is desse processo. \u201cA pessoa negra incorpora os valores da branquitude como medida de valor. Isso se manifesta em autodeprecia\u00e7\u00e3o, desejo de embranquecimento, vergonha da pr\u00f3pria apar\u00eancia e hist\u00f3ria.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com base nos estudos do pensador Frantz Fanon, a psicanalista afirma que essa internaliza\u00e7\u00e3o do olhar do opressor leva \u00e0 fragmenta\u00e7\u00e3o ps\u00edquica e ao adoecimento silencioso. \u201cO negro, ao se ver pelos olhos do colonizador, muitas vezes adoece por n\u00e3o se reconhecer como sujeito pleno\u201d, afirma.<\/p>\n<p><b>Ambiente escolar e profissional como gatilhos<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ambientes como escolas e locais de trabalho, fundamentais para o desenvolvimento e a identidade social, muitas vezes se tornam espa\u00e7os de silenciamento, exclus\u00e3o ou hipervigil\u00e2ncia racial. \u201cEsses espa\u00e7os, que deveriam promover pertencimento, acabam funcionando como dispositivos de sofrimento para a popula\u00e7\u00e3o negra\u201d, alerta Maria L\u00facia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela acrescenta que a jovem do Mackenzie \u201cn\u00e3o adoeceu por fragilidade, mas por necessidade de sobreviv\u00eancia em um ambiente hostil e intolerante\u201d. Para a psicanalista, a repeti\u00e7\u00e3o di\u00e1ria de microagress\u00f5es pode ser t\u00e3o devastadora quanto agress\u00f5es expl\u00edcitas.<\/p>\n<p><b>Pol\u00edticas p\u00fablicas e forma\u00e7\u00e3o antirracista s\u00e3o urgentes<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para enfrentar esse quadro alarmante, a psicanalista defende a implementa\u00e7\u00e3o efetiva da Pol\u00edtica Nacional de Sa\u00fade Integral da Popula\u00e7\u00e3o Negra, com reconhecimento do racismo como determinante social de sa\u00fade. Isso inclui:<\/p>\n<p>Forma\u00e7\u00e3o antirracista de profissionais da sa\u00fade;<\/p>\n<p>Inclus\u00e3o de psic\u00f3logas e psicanalistas negras nos atendimentos p\u00fablicos;<\/p>\n<p>Programas de cuidado para juventudes negras;<\/p>\n<p>Articula\u00e7\u00e3o entre sa\u00fade, cultura e ancestralidade como caminho terap\u00eautico.<\/p>\n<p>\u201cA sa\u00fade mental n\u00e3o pode ser pensada fora das rela\u00e7\u00f5es de poder racializadas. O sistema de sa\u00fade precisa escutar o sofrimento racial sem patologiz\u00e1-lo ou individualiz\u00e1-lo\u201d, afirma.<\/p>\n<p><b>O papel transformador da escola e da comunidade<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maria L\u00facia tamb\u00e9m aponta caminhos dentro da educa\u00e7\u00e3o. Segundo ela, a escola deve ser espa\u00e7o de \u201cconstru\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, e n\u00e3o de aniquila\u00e7\u00e3o subjetiva\u201d. Por isso, defende a implementa\u00e7\u00e3o efetiva da Lei 10.639\/03, que torna obrigat\u00f3rio o ensino da hist\u00f3ria e cultura afro-brasileira, e a cria\u00e7\u00e3o de protocolos de acolhimento para situa\u00e7\u00f5es de racismo, com escuta qualificada e responsabiliza\u00e7\u00e3o institucional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, destaca o papel dos coletivos negros e movimentos sociais, que atuam como espa\u00e7os de cura e reconstru\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica. \u201cS\u00e3o fontes de vida, repara\u00e7\u00e3o e mem\u00f3ria. Ao nomear o racismo, sa\u00edmos da solid\u00e3o e produzimos conhecimento e dignidade.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A entrevista da psicanalista refor\u00e7a a urg\u00eancia de medidas institucionais e sociais para enfrentar os efeitos do racismo na sa\u00fade mental da popula\u00e7\u00e3o negra. Trata-se de uma quest\u00e3o de justi\u00e7a, dignidade e repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, que s\u00f3 poder\u00e1 ser superada com mudan\u00e7a estrutural, pol\u00edtica p\u00fablica eficaz e compromisso antirracista de toda a sociedade.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"article__notif\"><\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<div id=\"taboola-below-article-thumbnails-new\" class=\"trc_related_container tbl-feed-container render-late-effect tbl-feed-frame-DIVIDER\" data-feed-container-num=\"1\" data-feed-main-container-id=\"taboola-below-article-thumbnails-new\" data-parent-placement-name=\"Below Article Thumbnails New\" data-pub-lang=\"pt\">\n<div id=\"taboola-below-article-thumbnails-new-pl1\" class=\"tbl-feed-card trc_related_container tbl-trecs-container trc_spotlight_widget trc_elastic trc_elastic_thumbs-feed-01-b-delta\" data-card-index=\"1\" data-placement-name=\"Below Article Thumbnails New | Card 1\">\n<div class=\"trc_rbox_container\">\n<div>\n<div id=\"trc_wrapper_8135387017\" class=\"trc_rbox thumbs-feed-01-b-delta trc-content-sponsored\">\n<div id=\"outer_8135387017\" class=\"trc_rbox_outer\">\n<div id=\"rbox-t2v\" class=\"trc_rbox_div trc_rbox_border_elm\">\n<div id=\"internal_trc_8135387017\">\n<div class=\"videoCube trc_spotlight_item origin-default textItem thumbnail_top videoCube_3_child syndicatedItem trc_excludable\" data-item-id=\"~~V1~~-4734902173506464645~~eMpG7KJ0jhyvNgnehFN8ueU9fPy0tghx_u6RJxTLLzEe79Ni-eBnd8iQ4KmvvX-QZfbPHwKBVRWQcf0ZAA2nV3ECSSYxncMoxFxhoJGeYZDUk8rQnR1sGGOJIc2c8MazdW88_aC3g_Cdsf9AZFWohb7rnORXvyuOyEmJeH9U-MISoL7CUS7rRyiZM8Vyhsuy5YNH1AoMJBRoQVhSkZbg2Q\" data-item-title=\"Resort com tudo inclu\u00eddo na Bahia\" data-item-thumb=\"https:\/\/cdn.taboola.com\/libtrc\/static\/thumbnails\/9714e09cfd2b440f7c555a8b6deba419.jpg\" data-item-syndicated=\"true\">\n<div class=\"logoDiv link-disclosure attribution-disclosure-link-sponsored align-disclosure-left\"><\/div>\n<div class=\"trc_user_exclude_btn\" title=\"Remover este item\"><\/div>\n<div class=\"trc_exclude_overlay trc_fade\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"_cm-communication-input\" data-unit-info=\"\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Casos recentes de discrimina\u00e7\u00e3o racial reacendem debate sobre o sofrimento ps\u00edquico da popula\u00e7\u00e3o negra \u00a0Casos de racismo registrados recentemente em S\u00e3o Paulo e Alagoas expuseram mais uma vez os efeitos devastadores da discrimina\u00e7\u00e3o racial sobre a sa\u00fade mental da popula\u00e7\u00e3o negra. 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