{"id":123104,"date":"2025-05-06T04:04:17","date_gmt":"2025-05-06T07:04:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/?p=123104"},"modified":"2025-05-06T04:04:30","modified_gmt":"2025-05-06T07:04:30","slug":"ha-44-anos-um-desesperado-maio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/2025\/05\/06\/ha-44-anos-um-desesperado-maio\/","title":{"rendered":"H\u00e1 44 anos, um desesperado maio"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><em>29th\/dez\/2008 . 5:30 am<\/em><em>\u00a0<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Por Ruy Medeiros*<\/strong><strong><br \/>\n<\/strong><strong>para \u00c9rico Gon\u00e7alves Aguiar, in memorian<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Antecedentes<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">As elei\u00e7\u00f5es de 1962 foram bem polarizadas em Vit\u00f3ria da Conquista. Apesar de concorrerem ao mandato de prefeito mais de um candidato, a disputa esteve mesmo entre Jos\u00e9 Fernandes Pedral Sampaio, candidato da coliga\u00e7\u00e3o PSD\/MTR, e Jesus Gomes dos Santos, candidato da coliga\u00e7\u00e3o UDN.\/PRP. Dr. Hugo de Castro Lima, apesar do grande prest\u00edgio que gozava na cidade, candidato do PTB, n\u00e3o conseguiu ampliar sua candidatura, e Jorge Stolz Dias, que houvera sido barulhento prefeito numa interinidade, candidato pelo PSP, n\u00e3o tinha express\u00e3o eleitoral suficiente.<br \/>\nQuando as elei\u00e7\u00f5es foram apuradas, confirmou-se o favoritismo de Jos\u00e9 Fernandes Pedral Sampaio. Este obtivera 7.051 votos, enquanto Jesus Gomes dos Santos conseguira 4.667 votos. Hugo de Castro Lima foi agraciado com 555 votos, e Jorge Stolz Dias com 96.<br \/>\nAquelas elei\u00e7\u00f5es culminavam um processo de diverg\u00eancias acentuadas entre grupos. J\u00e1 em 1954, n\u00e3o fora f\u00e1cil ao grupo de Gerson Sales viabilizar a elei\u00e7\u00e3o de Edvaldo de Oliveira Flores. Contra este insurgiu-se mesmo uma parcela do PSD, que resolvera apoiar a candidatura de dr. Nilton Gon\u00e7alves, candidato com discurso populista. Foi a campanha do \u201cTost\u00e3o contra o Milh\u00e3o\u201d, que tanto marcou a d\u00e9cada de 50 em Vit\u00f3ria da Conquista. O \u201cTost\u00e3o\u201d era dr. Nilton Gon\u00e7alves, e o \u201cMilh\u00e3o\u201d era Edvaldo Oliveira Flores. Deu \u201cMilh\u00e3o\u201d na cabe\u00e7a. Em 1958, Gerson Gusm\u00e3o Sales, que havia sido prefeito, pretendeu voltar ao governo, sucedendo seu correligion\u00e1rio Edvaldo Oliveira Flores, e o conseguiu. Em disputa contra Jos\u00e9 Fernandes Pedral Sampaio, Gerson foi eleito prefeito de Vit\u00f3ria da Conquista. Ent\u00e3o, Gerson j\u00e1 n\u00e3o estava mais no PSD. Candidatara-se pela UDN. Pedral fora candidato pelo PSD. O resultado num\u00e9rico das elei\u00e7\u00f5es demonstrara que Gerson Sales ainda tinha muito peso eleitoral. Conseguira 7.320 votos, contra 5.432 de Jos\u00e9 Pedral.<br \/>\nMas a oposi\u00e7\u00e3o foi retomando seu curso de crescimento. Na c\u00e2mara, despontava Alberto Farias, vereador muito combativo. O jornal \u201cO Conquistense\u201d (t\u00edtulo que antes pertencera \u00e0 situa\u00e7\u00e3o), passou a ser ve\u00edculo de aglutina\u00e7\u00e3o de for\u00e7as. \u00c0 medida que iam aproximando-se as elei\u00e7\u00f5es de 1962, a situa\u00e7\u00e3o foi complicando-se para Gerson Sales. Este e seu grupo optariam por tentar dividir a oposi\u00e7\u00e3o. Finalmente, o candidato apresentado pelas for\u00e7as \u201cgersistas\u201d foi um vereador que houvera militado na oposi\u00e7\u00e3o: Jesus Gomes dos Santos, poeta. Sim, o poeta de \u201cMaria Guabiraba\u201d e da \u201cProciss\u00e3o\u201d, poesias que lhe causaram dor de cabe\u00e7a durante as elei\u00e7\u00f5es, por seu conte\u00fado social.<br \/>\nJos\u00e9 Fernandes Pedral Sampaio vencera o pleito com ampla margem de votos, considerando-se o n\u00famero de eleitores da \u00e9poca. Foram 2.384 votos de diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o a Jesus Gomes dos Santos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O novo prefeito inicia seu governo municipal numa fase agitada da hist\u00f3ria do pa\u00eds. Desde a posse de J\u00e2nio Quadros na presid\u00eancia da Rep\u00fablica a situa\u00e7\u00e3o agravara-se. Era evidente que a crise n\u00e3o era apenas institucional. Era algo bem mais profundo. Jo\u00e3o Goulart, vice-presidente, substituto legalmente previsto de J\u00e2nio Quadros, s\u00f3 conseguiu tomar posse ap\u00f3s forte rea\u00e7\u00e3o aos militares que pretendiam dar um golpe de Estado. Surgiu uma solu\u00e7\u00e3o: o vice-presidente assumiria o cargo de presidente da Rep\u00fablica sob um sistema parlamentar. Antiga proposta de emenda constitucional adotando o parlamentarismo foi desengavetada e aprovada. Jo\u00e3o Goulart assumiu a presid\u00eancia e depois conseguiu, via plebiscito, retomar o sistema presidencialista.<br \/>\nA fase de governo de Jo\u00e3o Goulart coincide com momento de lutas sociais. Do ponto de vista pol\u00edtico mais amplo, surgiu o debate em torno das chamadas \u201cReformas de Base\u201d. Os reformistas, inclusive o setor majorit\u00e1rio das esquerdas, divulgavam amplamente que o Pa\u00eds s\u00f3 cresceria e s\u00f3 sairia da crise se adotasse um amplo conjunto de reformas: reforma do sistema banc\u00e1rio; altera\u00e7\u00e3o na pol\u00edtica de exporta\u00e7\u00e3o, c\u00e2mbio e capital estrangeiro; reforma agr\u00e1ria; reforma urbana; reforma da educa\u00e7\u00e3o etc.<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/u0SgwkbbWeA?si=NHTZGGfvZ-x4uoRE\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><br \/>\nOs sindicatos passaram a atuar de forma mais ampla e fora criada a CGT (impedida, depois, por for\u00e7a dos acontecimentos, de estruturar-se legalmente). As esquerdas mobilizavam-se e o PCB buscava sua legaliza\u00e7\u00e3o. O \u201cprograma\u201d do \u201cdesenvolvimentismo nacional\u201d ganhava espa\u00e7o entre pol\u00edticos, intelectuais e a popula\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA direita passou a articular o golpe, que seria desferido em 31 de mar\u00e7o, ou 1\u00ba de abril, tanto faz. O fato de haver sido desferido em 1\u00ba de abril, dia da mentira, n\u00e3o impede a realidade do autoritarismo implantado.<br \/>\nEm Vit\u00f3ria da Conquista, as id\u00e9ias de \u201cReformas de Base\u201d alcan\u00e7aram repercuss\u00e3o. Na d\u00e9cada de 60, eram aqui discutidas e fizeram-se acompanhar de movimento mobilizador. Os banc\u00e1rios realizaram greve. Os pedreiros fundaram seu sindicato. Os estudantes organizaram seus gr\u00eamios e passou a haver certo movimento estudantil.<br \/>\nA polariza\u00e7\u00e3o nacional repercutia em Vit\u00f3ria da Conquista e aqui se acentuou quando Jo\u00e3o Goulart assinou o decreto da Reforma Agr\u00e1ria, t\u00edmida medida de desapropria\u00e7\u00e3o de \u00e1reas ao longo das rodovias federais. A medida motivou muitos protestos e, em Vit\u00f3ria da Conquista, pol\u00edticos de direita e fazendeiros reagiram. No Cine Conquista, realizaram um ato durante o qual criticaram veementemente o presidente da Rep\u00fablica, combateram a ideia de reforma e os comunistas. Os discursos dos oradores diziam mais que o simples descontentamento com a reforma agr\u00e1ria trombeteada, apesar de t\u00edmida em sua proposta oficial.<br \/>\nMas os derrotados nas elei\u00e7\u00f5es de 1962 ainda viviam o desconforto da derrota. N\u00e3o a aceitavam. Parecia-lhes absurdo a perda do m\u00edsero poder local. Na imprensa, com o jornal \u201cO Sertanejo\u201d, e na c\u00e2mara, com os vereadores da UDN e do PTB, desenvolviam a oposi\u00e7\u00e3o, quer \u00e0 administra\u00e7\u00e3o local, quer \u00e0s reformas pretendidas.<br \/>\nO golpe<br \/>\nEm abril, o golpe. Parecido com todos os golpes, j\u00e1 disseram. O estabelecimento da ditadura, parecida a todas as ditaduras, j\u00e1 disseram tamb\u00e9m. A ditadura que dizia ser feita para salvar a democracia, come\u00e7ou como come\u00e7am as ditaduras em geral \u2013 proibindo o direito de emiss\u00e3o do pensamento contr\u00e1rio ao poder e o direito de reuni\u00e3o. Tudo seguido de pris\u00e3o, torturas, ex\u00edlios, cassa\u00e7\u00e3o de mandatos, expuls\u00f5es de empregos etc, etc. A orgia s\u00e1dica dos vencedores. H\u00e1 situa\u00e7\u00f5es para as quais as defini\u00e7\u00f5es n\u00e3o bastam. A situa\u00e7\u00e3o de terror imposta pela ditadura militar no Brasil \u00e9 uma daquelas.<br \/>\nEm Vit\u00f3ria da Conquista, era chegada a hora da desforra. N\u00e3o se tratava apenas (no entender de alguns derrotados em 1962) de combater a subvers\u00e3o e os comunistas. Era preciso ir \u00e0 forra. Vingar-se. O caminho at\u00e9 maio foi dif\u00edcil, mas aquele terr\u00edvel m\u00eas de maio chegou. \u201cO Sertanejo\u201d agitava a defesa dos golpistas e, na C\u00e2mara de Vereadores, os edis da UDN e do PTB falavam em \u201cincorporar Vit\u00f3ria da Conquista aos fatos nacionais recentes\u201d. Ou seja \u2013 para ser claro \u2013 o golpe deve agir mais intensamente no munic\u00edpio, \u00e9 o que queriam dizer. Depois, abertamente, sugerem e aprovam o convite para que aqui venha apurar fatos uma comiss\u00e3o dos novos senhores do poder (novos?).<br \/>\nMaio de 1964 A.D. (A.D.?)<br \/>\nEm 5 de maio de 1964, eles chegaram. Em 6 de maio come\u00e7aram o trabalho sujo auxiliados pelo despudor da dela\u00e7\u00e3o. Os \u201ccomunistas\u201d iriam \u201cver como se faz\u201d.<br \/>\nJ\u00e1 no dia seguinte, 6 de maio, as pris\u00f5es tiveram in\u00edcio. P\u00e1ra um \u00f4nibus, estacionado na pra\u00e7a Bar\u00e3o do Rio Branco, no centro da cidade, eram conduzidos os prisioneiros. Dali foram levados \u00e0s celas do Batalh\u00e3o de Pol\u00edcia (hoje 9\u00ba BPM\/VC), onde eram interrogados, respondendo a IPM \u2013 Inqu\u00e9rito Policial Militar, sob supervis\u00e3o do sr. Antonio Bendochi Alves Filho, capit\u00e3o do Ex\u00e9rcito.<br \/>\nForam presos Alcides Ara\u00fajo Barbosa (presidente do Sindicato dos Comerci\u00e1rios), Altino Pereira (presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Constru\u00e7\u00e3o Civil), An\u00edbal Lopes Viana (jornalista e suplente de vereador), Atenor Rodrigues Lima, \u201cBad\u00fa\u201d, (comerci\u00e1rio), Edvaldo Silva (presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Panificadores), \u00c9rico Gon\u00e7alves Aguiar (agricultor), Franklin Ferraz Neto (juiz trabalhista), Galdino Louren\u00e7o (motorista), Gilson Moura e Silva (radialista), Hemet\u00e9rio Alves Pereira (livreiro), Hugo de Castro Lima (m\u00e9dico), Ivo Vila\u00e7a Freire de Aguiar (funcion\u00e1rio p\u00fablico), Jackson Fonseca (radiot\u00e9cnico), Jo\u00e3o Idelfonso Filho (publicit\u00e1rio), Jos\u00e9 Luiz Santa Izabel (banc\u00e1rio), Jos\u00e9 Fernandes Pedral Sampaio (engenheiro civil, prefeito), Juracy Louren\u00e7o Neto (comerci\u00e1rio), L\u00facio Fl\u00e1vio Viana Lima (banc\u00e1rio), Luis Carlos (banc\u00e1rio), Paulo Dem\u00f3crito Caires (estudante), P\u00e9ricles Gusm\u00e3o R\u00e9gis (comerci\u00e1rio e vereador), Raimundo Pinto (comerciante), Raul Carlos Andrade Ferraz (advogado), Reginaldo Santos (banc\u00e1rio, diretor do jornal \u201cO Combate\u201d), Vicente Quadros Silva Filho (radiot\u00e9cnico) e outros.<br \/>\nDepois, foram presos Everardo P\u00fablio de Castro (professor), Anfil\u00f3fio Pedral Sampaio (funcion\u00e1rio p\u00fablico e suplente de vereador), Camilo de Jesus Lima (escritor e oficial do Registro de Im\u00f3veis), este preso em Macarani e transportado para Vit\u00f3ria da Conquista. Fl\u00e1vio Viana de Jesus, marceneiro e diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Constru\u00e7\u00e3o Civil, n\u00e3o suportando mais a press\u00e3o de boatos e intimida\u00e7\u00f5es, entregou-se \u00e0 pris\u00e3o. A repress\u00e3o n\u00e3o ficou nisso. O Sindicato dos Trabalhadores na Constru\u00e7\u00e3o Civil foi fechado e a popula\u00e7\u00e3o foi atemorizada. No pr\u00f3prio dia 6, por determina\u00e7\u00e3o militar, a C\u00e2mara de Vereadores cassou o mandato do prefeito e empossou no cargo o vereador Orlando da Silva Leite, que seria eleito formalmente, pela C\u00e2mara Municipal, prefeito, em junho. O cerco aumentava, a direita divulgava boatos, os meios de comunica\u00e7\u00e3o elogiavam os ditadores. Em 13 de maio de 1964, um dos presos, P\u00e9ricles Gusm\u00e3o R\u00e9gis(1) apareceu morto na cela onde fora aprisionado. Era um vereador combativo. Embora vinculado ao MTR \u2013 Movimento Trabalhista Renovador \u2013 pelo qual fora eleito, tinha liga\u00e7\u00e3o com grupo de esquerda (sempre que ia a Belo Horizonte, voltava com literatura pol\u00edtica entregue pelo grupo, ao que consta). Sua morte n\u00e3o foi bem explicada e a informa\u00e7\u00e3o oficial (que aparece em seu registro de \u00f3bito) \u00e9 a de suic\u00eddio. \u00c9 poss\u00edvel que tenha sido assassinado. Um dos presos na \u00e9poca relata que ouvira de um companheiro de cela a informa\u00e7\u00e3o de que havia ocorrido luta corporal entre P\u00e9ricles Gusm\u00e3o R\u00e9gis e o capit\u00e3o Bendochi Alves Filho. O primeiro parente a ver o corpo nu de P\u00e9ricles estranhou a grande quantidade de hematomas e de cortes e ficou com a impress\u00e3o de que P\u00e9ricles tenha sido torturado, amarrado com fios met\u00e1licos finos que o cortaram quando tentara desvencilhar-se. Os cortes teriam sido provocados pelo fio, e n\u00e3o pela l\u00e2mina de barbear encontrada na cela(2).<br \/>\nO grande cortejo f\u00fanebre de P\u00e9ricles Gusm\u00e3o R\u00e9gis n\u00e3o foi simples homenagem ao morto. A\u00ed estava presente o profundo sentido de protesto: protesto, pesar e homenagem.<br \/>\nDentre os presos, Atenor Rodrigues Lima (Bad\u00fa), Camilo de Jesus Lima, Fl\u00e1vio Viana de Jesus, Franklin Ferraz Neto, Hemet\u00e9rio Alves Pereira, Jo\u00e3o Idelfonso, Jos\u00e9 Pedral, Paulo Dem\u00f3crito e Raul Ferraz foram transferidos para Salvador, onde permaneceram respondendo a IPM. Seriam liberados depois, demorando mais o professor Everardo, que ficou onze meses e que seria o \u00fanico formalmente condenado por crime pol\u00edtico, em raz\u00e3o do referido IPM, retornando anos depois \u00e0 pris\u00e3o(3). Jos\u00e9 Pedral teve seus direitos pol\u00edticos suspensos por dez anos, quando da edi\u00e7\u00e3o do Ato Institucional n\u00ba 2 pela ditadura militar.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>* Ruy Medeiros \u00e9 advogado e historiador<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>29th\/dez\/2008 . 5:30 am\u00a0 Por Ruy Medeiros* para \u00c9rico Gon\u00e7alves Aguiar, in memorian Antecedentes As elei\u00e7\u00f5es de 1962 foram bem polarizadas em Vit\u00f3ria da Conquista. 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