{"id":122750,"date":"2025-03-22T07:47:14","date_gmt":"2025-03-22T10:47:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/?p=122750"},"modified":"2025-03-22T07:47:14","modified_gmt":"2025-03-22T10:47:14","slug":"a-ligacao-do-cla-bolsonaro-com-paramilitares-e-milicianos-se-estreitou-com-a-eleicao-de-flavio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/2025\/03\/22\/a-ligacao-do-cla-bolsonaro-com-paramilitares-e-milicianos-se-estreitou-com-a-eleicao-de-flavio\/","title":{"rendered":"A liga\u00e7\u00e3o do cl\u00e3 Bolsonaro com paramilitares e milicianos se estreitou com a elei\u00e7\u00e3o de Fl\u00e1vio"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia um trecho do novo livro do jornalista, escritor e pesquisador Bruno Paes Manso, \u2018A Rep\u00fablica das mil\u00edcias\u2019, publicado pela editora Todavia<\/strong><\/p>\n<p><strong>BRUO PAES MANSO<\/strong><\/p>\n<p><strong>ABRIL DE 2021<\/strong><\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">A liga\u00e7\u00e3o do cl\u00e3 Bolsonaro com a rede de paramilitares e milicianos que se formava na zona oeste se estreitou em 2002 com a elei\u00e7\u00e3o de<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/flavio-nantes-bolsonaro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-link-track-dtm=\"\" data-mrf-link=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/flavio-nantes-bolsonaro\/\">\u00a0Fl\u00e1vio Bolsonaro<\/a>\u00a0para a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/alerj-assembleia-legislativa-estado-rio-de-janeiro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-link-track-dtm=\"\" data-mrf-link=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/alerj-assembleia-legislativa-estado-rio-de-janeiro\/\">Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro<\/a>. O deputado de apenas 22 anos, ne\u00f3fito no Parlamento, pretendia se vender como o representante pol\u00edtico e ideol\u00f3gico dos \u201cguerreiros fardados\u201d que lutavam por espa\u00e7o e poder nos territ\u00f3rios do Rio. Ao longo dos anos, coube a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/fabricio-jose-carlos-de-queiroz\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-link-track-dtm=\"\" data-mrf-link=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/fabricio-jose-carlos-de-queiroz\/\">Fabr\u00edcio Queiroz<\/a>\u00a0o papel de principal articulador dessa rede de apoio no mandato do deputado primog\u00eanito. Queiroz seria fundamental para ajudar a fortalecer a base de votos do cl\u00e3 Bolsonaro nos batalh\u00f5es policiais, para onde levou Fl\u00e1vio, em sua primeira campanha, para pedir votos.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Queiroz era amigo de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/jair-messias-bolsonaro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-link-track-dtm=\"\" data-mrf-link=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/jair-messias-bolsonaro\/\">Jair Bolsonaro<\/a>\u00a0desde os tempos do Ex\u00e9rcito.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-06-19\/cerco-contra-queiroz-empareda-bolsonaro-que-teme-delacao-de-aliado.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-link-track-dtm=\"\" data-mrf-link=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-06-19\/cerco-contra-queiroz-empareda-bolsonaro-que-teme-delacao-de-aliado.html\">Eles se conheceram em 1984<\/a>, no oitavo grupo de Artilharia de Campanha Paraquedista, na Vila Militar no Rio. Fl\u00e1vio, ent\u00e3o, tinha tr\u00eas anos e chamava Queiroz de tio. Na mesma artilharia, em 1987, Queiroz conheceu o futuro vice-presidente Hamilton Mour\u00e3o, trabalhando como motorista do jipe do oficial. Na \u00e9poca, Bolsonaro sugeriu ao soldado que prestasse concurso para a pol\u00edcia. O ingresso de Queiroz na corpora\u00e7\u00e3o ocorreu naquele mesmo 1987, e a rela\u00e7\u00e3o de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-08-24\/os-89000-reais-pagos-a-michelle-bolsonaro-sao-a-ponta-do-iceberg-em-esquema-envolvendo-dinheiro-vivo.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-link-track-dtm=\"\" data-mrf-link=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-08-24\/os-89000-reais-pagos-a-michelle-bolsonaro-sao-a-ponta-do-iceberg-em-esquema-envolvendo-dinheiro-vivo.html\">lealdade e confian\u00e7a entre os dois se manteria<\/a> desde ent\u00e3o.<\/p>\n<article id=\"main-content\" class=\"a _g _g-lg _g-o\">\n<div class=\"a_c clearfix\" data-dtm-region=\"articulo_cuerpo\">\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Quando Fl\u00e1vio se elegeu deputado estadual, Jair Bolsonaro, o chefe do cl\u00e3, estava em uma encruzilhada. Na \u00e9poca, final de 2002, Jair era uma\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/11\/23\/politica\/1511456838_152216.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-link-track-dtm=\"\" data-mrf-link=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/11\/23\/politica\/1511456838_152216.html\">figura com perspectivas eleitorais duvidosas<\/a>. Folcl\u00f3rico no Congresso Nacional, com apelo restrito \u00e0 parcela ultraconservadora do eleitorado, parecia destinado a perder for\u00e7a, a exemplo de diversos parlamentares populistas, defensores de uma pol\u00edcia truculenta. Faltava a ele jogo de cintura para se aproximar dos partidos e dos colegas. Ostentava ainda um temperamento paranoico, o que parecia um empecilho aos acordos que definiam os poderes na Nova Rep\u00fablica. Na elei\u00e7\u00e3o de 2002, Jair obteve menos votos do que em suas duas elei\u00e7\u00f5es anteriores, apesar do sobrenome ainda ser popular. O futuro presidente do Brasil parecia satisfeito em seguir no Parlamento, diante da situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica adversa. Mas precisaria suar. A direita, sem espa\u00e7o no per\u00edodo da redemocratiza\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m estava fragilizada naquele ano. Depois de tr\u00eas derrotas consecutivas, o candidato\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/luiz-inacio-da-silva\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-link-track-dtm=\"\" data-mrf-link=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/luiz-inacio-da-silva\/\">Luiz In\u00e1cio Lula da Silva<\/a>\u00a0finalmente venceu as elei\u00e7\u00f5es e iniciou seu primeiro mandato como presidente.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">A elei\u00e7\u00e3o do filho mais velho de Jair Bolsonaro, o zero um, abriu espa\u00e7o para a fam\u00edlia no debate estadual da seguran\u00e7a p\u00fablica. Fl\u00e1vio era o segundo rebento a ganhar uma elei\u00e7\u00e3o se valendo do nome da fam\u00edlia. Dois anos antes,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/carlos-bolsonaro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-link-track-dtm=\"\" data-mrf-link=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/carlos-bolsonaro\/\">Carlos Bolsonaro<\/a>, o zero dois, tinha sido o mais jovem vereador eleito da hist\u00f3ria do Brasil, com dezessete anos. Seguran\u00e7a p\u00fablica, entretanto, n\u00e3o era um tema para debater no \u00e2mbito municipal. Na Assembleia Legislativa, Fl\u00e1vio poderia brilhar defendendo a bandeira populista do pai da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/03\/27\/opinion\/1553688411_058227.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-link-track-dtm=\"\" data-mrf-link=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/03\/27\/opinion\/1553688411_058227.html\">guerra contra o crime<\/a>. Com isso tamb\u00e9m poderia se destacar entre os mandachuvas da pol\u00edtica fluminense, como os deputados Paulo Melo, Jorge Picciani e Domingos Braz\u00e3o, pouco conhecidos fora do Rio, mas capazes de grande articula\u00e7\u00e3o no submundo pol\u00edtico. Naquele ano, o futuro governador\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/sergio-cabral\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-link-track-dtm=\"\" data-mrf-link=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/sergio-cabral\/\">S\u00e9rgio Cabral Filho<\/a>\u00a0deixaria a Assembleia depois de tr\u00eas mandatos consecutivos, para concorrer ao Senado, de onde sairia para assumir o Governo do Rio em 2007.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Fl\u00e1vio se movimentava com tranquilidade na zona de conforto da fam\u00edlia Bolsonaro, entremeando sua pauta anti<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/derechos-humanos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-link-track-dtm=\"\" data-mrf-link=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/derechos-humanos\/\">direitos humanos<\/a>\u00a0com projetos de lei em defesa da pol\u00edcia e com homenagens a seus integrantes. Por sugest\u00e3o do pai, Fl\u00e1vio entregou in\u00fameras medalhas a policiais, mesmo \u00e0queles flagrados em a\u00e7\u00f5es suspeitas. Durante seus quatro mandatos na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Fl\u00e1vio Bolsonaro aprovou 495 mo\u00e7\u00f5es e concedeu 32 medalhas a policiais militares, policiais civis, bombeiros, guardas municipais e membros do Ex\u00e9rcito, da Marinha e da Aeron\u00e1utica. As homenagens, que naqueles anos n\u00e3o passavam de agrado \u00e0 sua base eleitoral, acabaram deixando um rastro das afinidades da fam\u00edlia Bolsonaro com os\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/opiniao\/2020-02-20\/por-que-o-miliciano-adriano-da-nobrega-pode-ser-mais-perigoso-morto-do-que-vivo.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-link-track-dtm=\"\" data-mrf-link=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/opiniao\/2020-02-20\/por-que-o-miliciano-adriano-da-nobrega-pode-ser-mais-perigoso-morto-do-que-vivo.html\">milicianos mais perigosos do Rio<\/a>. A insist\u00eancia em condecorar os maiores vil\u00f5es da corpora\u00e7\u00e3o deixou cristalizada a ideologia de guerra que Jair Bolsonaro sempre sustentou.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">As primeiras homenagens ocorreram ainda no primeiro ano do mandato de Fl\u00e1vio Bolsonaro, no dia 27 de outubro de 2003. O sargento Fabr\u00edcio Queiroz estava entre os laureados e recebeu uma mo\u00e7\u00e3o de louvor e congratula\u00e7\u00f5es concedida pelo Parlamento. A estrela principal, contudo, foi\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/adriano-magalhaes-da-nobrega\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-link-track-dtm=\"\" data-mrf-link=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/adriano-magalhaes-da-nobrega\/\">Adriano Magalh\u00e3es da N\u00f3brega<\/a>, o tenente que carregava na bagagem a marca da caveira do Bope e a parceria com Queiroz nas vielas da Cidade de Deus. Na homenagem, havia ainda sete integrantes do Grupo de A\u00e7\u00f5es T\u00e1ticas do 16\u00ba Batalh\u00e3o de Olaria, onde Adriano passara a trabalhar poucos meses antes. [Posteriormente Adriano foi acusado de chefiar o grupo criminoso conhecido como Escrit\u00f3rio do Crime, que teria envolvimento com a morte de Marielle Franco.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-02-15\/o-policial-criminoso-que-levou-para-o-tumulo-os-segredos-do-submundo-do-rio-de-janeiro.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-link-track-dtm=\"\" data-mrf-link=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-02-15\/o-policial-criminoso-que-levou-para-o-tumulo-os-segredos-do-submundo-do-rio-de-janeiro.html\">Ele foi morto pela pol\u00edcia baiana em fevereiro de 2020<\/a>].<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">O texto da homenagem era o mesmo para todos: \u201cCom v\u00e1rios anos de atividade este policial militar desenvolve sua fun\u00e7\u00e3o com dedica\u00e7\u00e3o, brilhantismo e galhardia. Presta servi\u00e7os \u00e0 Sociedade desempenhando com absoluta presteza e excepcional comportamento nas suas atividades. No decorrer de sua carreira, atuou direta e indiretamente em a\u00e7\u00f5es promotoras de seguran\u00e7a e tranquilidade para a Sociedade, recebendo v\u00e1rios elogios curriculares consignados em seus assentamentos funcionais. Imbu\u00eddo de esp\u00edrito comunit\u00e1rio, o que sempre pautou sua vida profissional, atua no cumprimento do seu dever de policial militar no atendimento ao cidad\u00e3o\u201d. O fato de alguns homenageados serem suspeitos de extors\u00e3o n\u00e3o preocupava. Afinal, a pr\u00e1tica era tolerada pela corpora\u00e7\u00e3o. Os verdadeiros inimigos, no entender desse n\u00facleo, eram os bandidos e os\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/12\/14\/politica\/1544807070_057021.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-link-track-dtm=\"\" data-mrf-link=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/12\/14\/politica\/1544807070_057021.html\">defensores de direitos humanos<\/a>\u00a0e dos controles estabelecidos pela legisla\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o entendiam os riscos envolvidos na guerra contra o crime.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Algumas homenagens pareciam concebidas apenas para provocar pol\u00eamica. Eram oportunidades para um deputado sem brilho se afirmar como herdeiro das ideias folcl\u00f3ricas do pai. Em mar\u00e7o de 2004, o homenageado foi\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/01\/22\/politica\/1548165508_401944.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-link-track-dtm=\"\" data-mrf-link=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/01\/22\/politica\/1548165508_401944.html\">o capit\u00e3o Ronald Paulo Alves Pereira<\/a>, que atuava no 22\u00ba Batalh\u00e3o, por seus \u201cimportantes servi\u00e7os prestados ao estado do Rio de Janeiro quando da opera\u00e7\u00e3o policial realizada no Conjunto Esperan\u00e7a no dia 22 de janeiro de 2004 \u00e0s 0h30 que resultou em confronto armado com marginais da Lei, onde tr\u00eas destes vieram a falecer, sendo um deles o meliante Macumba,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/08\/14\/politica\/1565803890_702531.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-link-track-dtm=\"\" data-mrf-link=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/08\/14\/politica\/1565803890_702531.html\">l\u00edder do tr\u00e1fico no Conjunto Esperan\u00e7a, Complexo da Mar\u00e9<\/a>, logrado \u00eaxito em apreender dois fuzis m16 a2, uma granada marca fmk de fabrica\u00e7\u00e3o argentina, dois aparelhos de telefonia celular, um r\u00e1dio transmissor da marca icom, 58 proj\u00e9teis intactos de 5.56 mm e tr\u00eas projeteis de 7.62 mm\u201d.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Tr\u00eas meses antes, o capit\u00e3o Ronald havia sido acusado de participar da chacina de quatro jovens \u2014entre eles um garoto de treze anos\u2014 na casa de espet\u00e1culos Via Show, em S\u00e3o Jo\u00e3o de Meriti, na Baixada Fluminense. Os jovens foram abordados no estacionamento pelo chefe da seguran\u00e7a de uma boate, formada por policiais que faziam bico. Geraldo, uma das v\u00edtimas, era soldado do Ex\u00e9rcito. Foi acusado de tentar roubar um carro pelo chefe da seguran\u00e7a, que acionou os policiais militares. Os PMs espancaram os garotos e os levaram para uma fazenda distante, onde foram torturados e depois assassinados com tiros de fuzil. Os corpos foram encontrados tr\u00eas dias depois num cemit\u00e9rio clandestino. Al\u00e9m de Ronald, oito policiais foram acusados pelo crime. Quatro acabaram condenados, sendo tr\u00eas deles soldados. Ronald, o \u00fanico oficial envolvido na chacina, desmembrou o processo e continuou trabalhando normalmente como policial. Com o incentivo de pol\u00edticos como o deputado Fl\u00e1vio Bolsonaro.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">No caso de Adriano e de seus colegas do Grupo de A\u00e7\u00f5es T\u00e1ticas do 16\u00ba Batalh\u00e3o, a homenagem ocorreu um m\u00eas antes de uma situa\u00e7\u00e3o suspeita e escandalosa, que estouraria em seguida. Depois da homenagem de Fl\u00e1vio na Assembleia Legislativa do Rio, Adriano e os policiais laureados foram presos, acusados de sequestro, tortura e extors\u00e3o de tr\u00eas jovens em Parada de Lucas, comunidade da zona norte da cidade. Segundo testemunhos, os policiais aplicavam a velha pr\u00e1tica da minera\u00e7\u00e3o [tentativa de cobrar dinheiro de pessoas ligadas ao tr\u00e1fico] e do arrego. Contudo, um homic\u00eddio em especial desafiou a Secretaria de Seguran\u00e7a, comandada na \u00e9poca por Anthony Garotinho, que assumira o posto na gest\u00e3o de sua esposa e sucessora no governo do Rio, Rosinha Garotinho.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">A v\u00edtima de Adriano e sua tropa foi o guardador de carros Leandro dos Santos Silva, de 24 anos, morto com tr\u00eas tiros. Antes de ser assassinado, Leandro esteve na Inspetoria de Pol\u00edcia, \u00f3rg\u00e3o criado por Garotinho com a finalidade de apurar desvios de policiais, para fazer uma den\u00fancia. Contou que, na semana anterior, tinha sido espancado por policiais do 16\u00ba Batalh\u00e3o e foi obrigado a pagar mil reais a eles. De acordo com o depoimento de Leandro, os policiais usaram sacos pl\u00e1sticos para asfixi\u00e1-lo e exigiram outros mil reais para deix\u00e1-lo em paz. Leandro foi levado \u00e0 delegacia para confirmar as den\u00fancias e depois encaminhado ao Instituto M\u00e9dico Legal para o exame de corpo de delito. O subsecret\u00e1rio de Seguran\u00e7a, Marcelo Itagiba, e o inspetor combinaram com Leandro um flagrante, para prenderem o grupo no ato do pagamento do arrego. N\u00e3o deu tempo. Ele foi assassinado \u00e0s 6h30 na porta de casa.<\/p>\n<p class=\"\"><a href=\"https:\/\/suscripciones.elpais.com\/para-conhecer\/\" data-link-track-dtm=\"\" data-mrf-link=\"https:\/\/suscripciones.elpais.com\/para-conhecer\/\"><i><b>Apoie nosso jornalismo. 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