{"id":122543,"date":"2025-03-04T00:13:44","date_gmt":"2025-03-04T03:13:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/?p=122543"},"modified":"2025-03-03T23:17:11","modified_gmt":"2025-03-04T02:17:11","slug":"ainda-estou-aqui-com-as-feridas-abertas-da-ditadura-civil-militar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/2025\/03\/04\/ainda-estou-aqui-com-as-feridas-abertas-da-ditadura-civil-militar\/","title":{"rendered":"&#8221; Ainda estou aqui&#8221; com as feridas abertas da ditadura  civil-militar"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Muitas vibra\u00e7\u00f5es pelo Brasil a fora em plena festa carnavalesca misturada com cerveja e \u00e1lcool pelo \u00f3scar ao filme brasileiro \u201cAinda Estou Aqui\u201d, do brasileiro Walter Salles com seu elenco principal Fernanda Torres, sua m\u00e3e e Selton Mello, mas as feridas da ditadura continuam abertas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temos que comemorar pela primeira vit\u00f3ria de uma estatueta na categoria cinematogr\u00e1fica, mas precisamos tamb\u00e9m refletir sobre tudo que o pa\u00eds atravessou com o regime militar durante mais de 20 anos, sem contar as mortes de presos pol\u00edticos, as torturas e os desaparecimento de corpos, cujos atores das arbitrariedades (muitos j\u00e1 morreram), ficaram impunes com a anistia mambembe de 1979.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o estou aqui para colocar \u00e1gua no chope dessa grande fa\u00e7anha no campo cultural. O reconhecimento \u00e9 merecido. No entanto, o filme deixou um vazio quando n\u00e3o mostrou cenas de torturas que Rubens Paiva sofreu antes da sua morte e nem contou como seu corpo foi desaparecido. Al\u00e9m do mais, o filme mostra Fernanda Torres, na representa\u00e7\u00e3o de Eunice Paiva, festejando um atestado de obtido mentiroso dado pelos generais da \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra coisa que me deixa triste \u2013 e a\u00ed \u00e9 onde falo das feridas abertas \u2013 \u00e9 que essa hist\u00f3ria \u00e9 praticamente desconhecida e esquecida pelas novas gera\u00e7\u00f5es onde milhares nem acreditam que a ditadura existiu. Nesse rol de pensamento, tamb\u00e9m incluo os extremistas da direita que abrem a boca para dizer que ela \u00e9 uma fal\u00e1cia da esquerda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa hist\u00f3ria foi t\u00e3o apagada do conhecimento popular que muita gente que assistiu ao filme sai dos cinemas achando que o enredo se trata de um romance entre uma fam\u00edlia que foi perseguida pela pol\u00edcia, e n\u00e3o consegue compreender o seu contexto. Al\u00e9m do mais, esse epis\u00f3dio, infelizmente, foi banido do ensino escolar e poucas pessoas t\u00eam o cuidado de ler sobre o que de fato ocorreu. Precisamos conhecer, por exemplo, sobre a Guerrilha do Araguaia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando falo de \u201cAinda Estou Aqui\u201d com as feridas abertas da ditadura, seria melhor ainda que os brasileiros n\u00e3o apenas comemorassem esse primeiro \u00f3scar, mas que refletissem sobriamente sobre tudo que passou, sobretudo a respeito dos anos de chumbo, de 1969 a 1974, no governo do general M\u00e9dici. \u00c9 momento de valorizarmos mais ainda a liberdade e a democracia e n\u00e3o atentar contra elas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o restam d\u00favidas que foi uma grande premia\u00e7\u00e3o, mas seria mais intensa e gloriosa se os torturadores tivessem sido punidos, como aconteceu nos nossos pa\u00edses vizinhos do Uruguai, da Argentina e do Chile onde os regimes foram ainda mais cru\u00e9is.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passaram-se os governos de esquerda, do Lula e de Dilma e, praticamente, nada foi feito em termos de repara\u00e7\u00e3o, a n\u00e3o ser indeniza\u00e7\u00f5es aos que foram perseguidos e torturados barbaramente nos por\u00f5es da ditadura. Esse tipo de repara\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria, por incr\u00edvel que nos pare\u00e7a, beneficiou tamb\u00e9m torturadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Comiss\u00e3o da Verdade apurou e recomendou levar os torturadores aos tribunais, mas os governantes acharam que era revanchismo e preferiram engavetar os escritos. Ainda hoje, centenas de fam\u00edlias derramam suas l\u00e1grimas porque n\u00e3o tiveram o direito de sepultar seus entes queridos e fazer seus rituais f\u00fanebres como manda nossos h\u00e1bitos culturais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, gl\u00f3ria para a estatueta do \u00f3scar que abre portas para o nosso cinema, fortalece a nossa arte e o Brasil passa a ter mais visibilidade no exterior. Ganhou como melhor filme internacional e isso \u00e9 muito importante e nos orgulha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 claro que \u00e9 raz\u00e3o para se comemorar, mas as feridas da ditadura continuam t\u00e3o abertas que ainda tem multid\u00f5es que v\u00e3o \u00e0s ruas e pra\u00e7as defender interven\u00e7\u00e3o militar e tentar um golpe de Estado. Oxal\u00e1 esse filme nos sirva de li\u00e7\u00e3o para que ditadura nunca mais no Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muitas vibra\u00e7\u00f5es pelo Brasil a fora em plena festa carnavalesca misturada com cerveja e \u00e1lcool pelo \u00f3scar ao filme brasileiro \u201cAinda Estou Aqui\u201d, do brasileiro Walter Salles com seu elenco principal Fernanda Torres, sua m\u00e3e e Selton Mello, mas as feridas da ditadura continuam abertas. 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