{"id":121213,"date":"2024-10-15T00:30:46","date_gmt":"2024-10-15T03:30:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/?p=121213"},"modified":"2024-10-15T00:30:46","modified_gmt":"2024-10-15T03:30:46","slug":"18-e-21-de-outubro-projeto-sertao-sankofa-apresenta-espetaculo-memorias-imaginadas-em-vitoria-da-conquista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/2024\/10\/15\/18-e-21-de-outubro-projeto-sertao-sankofa-apresenta-espetaculo-memorias-imaginadas-em-vitoria-da-conquista\/","title":{"rendered":"18 e 21 de outubro | Projeto Sert\u00e3o Sankofa apresenta espet\u00e1culo &#8220;Mem\u00f3rias Imaginadas&#8221; em Vit\u00f3ria da Conquista"},"content":{"rendered":"<p id=\"m_-5446948928490037488m_4588974745506167906m_-6570131645504268241docs-internal-guid-7d38994f-7fff-20c9-5197-479030194435\" dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Dani de Iracema realiza dias 18 e 21 de outubro o quilombo art\u00edstico Sert\u00e3o Sankofa<\/em><\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\"><strong><em>A ser realizado no Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima, o Projeto tem como programa\u00e7\u00e3o performances art\u00edsticas e apresenta\u00e7\u00e3o do solo de dan\u00e7a \u201cMem\u00f3rias Imaginadas das Terras por Onde Andei\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Travessia. Um ir e voltar. Retornar, retomada. O movimentar de corpos-mem\u00f3rias que resistem. O visibilizar da contribui\u00e7\u00e3o e presen\u00e7a negra e ind\u00edgena no interior da Bahia. Assim se faz, Sert\u00e3o Sankofa, um quilombo\/aldeia art\u00edstico idealizado pela performer conquistense Dani de Iracema, que retorna a cidade natal para oferecer este projeto autoral que conecta artistas negros e ind\u00edgenas em uma resid\u00eancia art\u00edstica que ter\u00e1 como resultado uma performance coletiva que far\u00e1 a abertura da duas apresenta\u00e7\u00f5es do solo \u201cMem\u00f3rias imaginadas das terras por onde andei\u201d, no Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima, em Vit\u00f3ria da Conquista, nos dias 18 e 21 de outubro, respectivamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">No primeiro dia ocorre ainda a roda de conversa \u201cSert\u00e3o Afroind\u00edgena\u201d. A segunda apresenta\u00e7\u00e3o, \u00e0s 19h, integra a programa\u00e7\u00e3o do FUICA &#8211; Festival Universit\u00e1rio Intercampi de Cultura e Arte &#8211; UESB. A performance &#8211; que tem como artistas integrante Afrontosa Let, Duda Nazar\u00e9, Jade Roxo, Raff\u00e1 Ob\u00e1 Mirim e Rafa Pereira &#8211; \u00e9 fruto de uma resid\u00eancia art\u00edstica ocorrida em duas etapas (Ra\u00edzes \u00cdntimas e Ra\u00edzes Coletivas) desde 11 de outubro, que teve como abertura uma viv\u00eancia com Vando Oliveira, artista pl\u00e1stico ind\u00edgena Paneleiro-Mogoy\u00f3. Durante o processo, os performers vivenciaram a comunidade quilombola Batalha, localizada na zona rural de Vit\u00f3ria da Conquista que, assim como outras comunidades quilombolas da regi\u00e3o, est\u00e1 reivindicando a ancestralidade ind\u00edgena e o reconhecimento do territ\u00f3rio como Aymor\u00e9-Mongoy\u00f3.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Captura-de-tela-2024-10-14-235758j.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-121214\" src=\"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Captura-de-tela-2024-10-14-235758j.jpg\" alt=\"\" width=\"394\" height=\"263\" \/><\/a><\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 o espet\u00e1culo solo\u00a0 \u201cMem\u00f3rias imaginadas das terras por onde andei\u201d \u00e9 uma narrativa perform\u00e1tica autobiogr\u00e1fica em que a atriz-performer Dani de Iracema, nascida e criada no sert\u00e3o da Bahia, em Vit\u00f3ria da Conquista, mergulha no seu processo de migrar do interior para a capital, mas tamb\u00e9m acessa, por meio da imagina\u00e7\u00e3o, mem\u00f3rias de como sua ancestralidade africana chegou no sert\u00e3o baiano. Uma fabula\u00e7\u00e3o de mem\u00f3rias sobre constru\u00e7\u00e3o de pertencimento do corpo enquanto territ\u00f3rio afro-origin\u00e1rio, atravessado por banzo, fugas, retir\u00e2ncias, o reinventar e apontar de caminhos de retorno e retomada para terras arrancadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Corpografia<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Em 2024, completa dez anos que a artista Dani de Iracema chega a Salvador para estudar, um caminho comum para artistas interioranos em busca de forma\u00e7\u00e3o art\u00edstica no ensino superior. \u00c9 na capital afro que tamb\u00e9m passa pelo seu processo de reconhecimento e afirma\u00e7\u00e3o da negritude &#8211; o gingar da capoeira angola ensinada por Mestre Ren\u00ea e o samba de roda com mestras sambadeiras como Dona Aurinda do Prato e Dona Dalva Damiana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">A conviv\u00eancia com mestres e mestras das tradi\u00e7\u00f5es afro diasp\u00f3ricas levou Dani de Iracema (dentre tantos ensinamentos) a um processo de descoloniza\u00e7\u00e3o do corpo.\u00a0 \u201cEstar com os mestres me levou a perceber a import\u00e2ncia de contar a minha hist\u00f3ria. Falar do seu lugar, do seu bairro, da sua comunidade, da sua fam\u00edlia, tudo isso \u00e9 falar da gente. Em um pa\u00eds onde a Hist\u00f3ria \u00e9 contada pelos colonizadores, falar de n\u00f3s, por n\u00f3s, \u00e9 resistir \u00e0 invisibiliza\u00e7\u00e3o das nossas narrativas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Foi guiada por este aprendizado ancestral que a artista criou em 2019 o solo de dan\u00e7a contempor\u00e2nea, que perpassa por mem\u00f3rias dos seus ancestrais africanos chegando no sert\u00e3o da Ressaca, territ\u00f3rio habitado por ind\u00edgenas Aymor\u00e9s, Patax\u00f3s e Mongoy\u00f3s. Os deslocamentos for\u00e7ados inscritos em sua ancestralidade, a faz cartografar mem\u00f3rias de fuga e banzo, e corpografar imagens de retorno e retomadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Sert\u00e3o da Ressaca<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">A funda\u00e7\u00e3o de Vit\u00f3ria da Conquista \u00e9 um violento mito, conhecido como o banquete da morte, uma emboscada dos Bandeirantes contra os ind\u00edgenas do Sert\u00e3o da Ressaca, um banquete que leva ao envenenamento e morte de grande parte dos origin\u00e1rios. Por conta desse mito, foi secularmente instalado na cidade que os ind\u00edgenas Aymor\u00e9s, Mogoy\u00f3s e Kamac\u00e3s haviam sido exterminados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Nos \u00faltimos 15 anos, essa mentira vem sendo bravamente desmentida. \u201cSert\u00e3o Sankofa \u00e9 retorno, busca, retomada, \u00e9 voltar e pegar o que foi esquecido, em um territ\u00f3rio onde o coronelismo ainda impera e privilegia narrativas euroc\u00eantricas, visibilizar a contribui\u00e7\u00e3o e presen\u00e7a negra e ind\u00edgena se faz com a urg\u00eancia secular de ver nossos corpos e hist\u00f3rias iluminados, n\u00e3o mais na sombra do apagamento, do epistemic\u00eddio, na sanha da viol\u00eancia colonial\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Assim, o projeto Sert\u00e3o Sankofa prop\u00f5e ser um quilombo, \u201cespa\u00e7o simb\u00f3lico do corpo que se move, cuja pot\u00eancia concretiza-se no encontro com outros corpos, na circula\u00e7\u00e3o, no movimento negro comunit\u00e1rio do corpo-mem\u00f3ria que resiste\u201d; uma aldeia art\u00edstica que busca alimento no que veio antes para plantar novas narrativas com ra\u00edzes que dan\u00e7am e voam fazendo encatarias po\u00e9ticas para lembrar, para n\u00e3o esquecer quem somos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Sert\u00e3o Sankofa foi contemplado nos Editais da Paulo Gustavo Bahia e tem apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia atrav\u00e9s da Secretaria de Cultura via Lei Paulo Gustavo, direcionada pelo Minist\u00e9rio da Cultura, Governo Federal. Paulo Gustavo Bahia (PGBA) foi criada para a efetiva\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es emergenciais de apoio ao setor cultural, visando cumprir a Lei Complementar no 195, de 8 de julho de 2022.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Retir\u00e2ncias<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Dani de Iracema \u00e9 m\u00e3e e artista multidisciplinar. Sua pr\u00e1tica e pesquisa art\u00edstica gira em torno da fabula\u00e7\u00e3o de mem\u00f3rias, autobiografias, retomadas, conectando o pulsar das tradi\u00e7\u00f5es e a contemporaneidade. Licenciada em Dan\u00e7a pela UFBA, a artista nascida em Vit\u00f3ria da Conquista, atualmente vive e trabalha em Salvador. Sendo esta retir\u00e2ncia tema comum de seus projetos autorais. Al\u00e9m do solo perform\u00e1tico &#8220;Mem\u00f3rias Imaginadas das Terras por Onde Andei&#8221;, desenvolve o projeto &#8220;Escuro F\u00e9rtil &#8211; oficinas-rituais de autorretrato e fotoperformance para mulheres negras e ind\u00edgenas&#8221;; e desenvolveu em 2021 o projeto multidisciplinar OR\u00cdgin\u00e1rias &#8211; viv\u00eancias art\u00edstico-liter\u00e1rias em parceria com Juci Reis e Flotar Programa (MX-BR).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dani de Iracema realiza dias 18 e 21 de outubro o quilombo art\u00edstico Sert\u00e3o Sankofa A ser realizado no Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima, o Projeto tem como programa\u00e7\u00e3o performances art\u00edsticas e apresenta\u00e7\u00e3o do solo de dan\u00e7a \u201cMem\u00f3rias Imaginadas das Terras por Onde Andei\u201d &nbsp; Travessia. Um ir e voltar. Retornar, retomada. 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