{"id":119107,"date":"2024-04-12T15:32:37","date_gmt":"2024-04-12T18:32:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/?p=119107"},"modified":"2024-04-12T15:33:45","modified_gmt":"2024-04-12T18:33:45","slug":"o-nosso-jornalismo-precisa-ser-mais-questionador-e-investigativo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/2024\/04\/12\/o-nosso-jornalismo-precisa-ser-mais-questionador-e-investigativo\/","title":{"rendered":"O nosso jornalismo precisa ser mais questionador e investigativo"},"content":{"rendered":"<p><strong>O conte\u00fado, a \u00e9tica,\u00a0 a\u00a0 resposabilidae com a not\u00edcia devem estar acima da tecnologia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Sou da velha gera\u00e7\u00e3o dos anos 70 dos tempos da maldita ditadura de 1964 quando tudo era mais dif\u00edcil sem a tecnologia da internet.\u00a0 Do meado para o final dos anos 90 surgiu o computador ainda rombudo e lento. Tivemos que fazer as mudan\u00e7as na ra\u00e7a, sem perder aquela pegada jornal\u00edstica das entrevistas do olho no olho. A partir dos anos 2000 para c\u00e1, fomos sendo engolidos pelos avan\u00e7os do e-mail e das redes sociais, tornando o fazer mais f\u00e1cil onde o profissional passou a morar mais na reda\u00e7\u00e3o que nas ruas.\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0\u00a0Sou dos idos da era anal\u00f3gica dos rolos de filmes de 36 chapas, da m\u00e1quina de datilografia, do teletipo, da impress\u00e3o a quente, do revisor, do copidesque, do telefone fixo, das fontes em off, das reda\u00e7\u00f5es barulhentas onde um jogava papel no outro e botava esporas nos sapatos dos amigos, dos telex vagarosos onde as fotos vinham pontilhadas e sem nitidez, do diagramador\u00a0 de r\u00e9gua e compasso, do editor que criticava o rep\u00f3rter e mandava refazer a mat\u00e9ria, mas se tinha mais conte\u00fado, esp\u00edrito investigativo e questionamentos, regidos pelo b\u00e1sico do por que, do quando, do onde no sentido do bem informar o p\u00fablico leitor ou ouvinte.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0Com os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos de hoje onde o clicar dos sites (Google, Yahoo, Wikip\u00e9dia e outros tantos), e n\u00e3o mais dos livros, lhe d\u00e3o respostas e informa\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas (\u00e0s vezes deturpadas e limitadas), o entrevistador e o entrevistado ficam em telas pr\u00f3ximas de cada lado, mas distantes um do outro ou nem se veem nos zaps, faces e instagrams. O nosso jornalismo ficou mais insosso e morno, um tanto pregui\u00e7oso, cheio de boletins de ocorr\u00eancias e menos empolgante.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0Com raras exce\u00e7\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 mais aquele jornalismo provocador e investigativo como antigamente, mas do am\u00e9m. Fico a refletir que as televis\u00f5es est\u00e3o sempre mudando seus cen\u00e1rios de apresenta\u00e7\u00f5es (dizem mais bonitos e interativos nas dimens\u00f5es 3d), os impressos transformando seus visuais gr\u00e1ficos, os r\u00e1dios aumentando seus raios de alcance (agora estamos na onda do podcast \u2013 nada de diferente), mas pouco se comenta sobre o refor\u00e7o do conte\u00fado, das mat\u00e9rias mais completas e comprometedoras com o povo. Infelizmente, hoje confundimos muito o papel do jornalista e do entrevistado.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0\u00a0Existe uma cumplicidade entre as partes, e o rep\u00f3rter, oper\u00e1rio da not\u00edcia, parece ter esquecido de se colocar no lugar da popula\u00e7\u00e3o, o que ela quer saber, principalmente nas perguntas que deixam muito a desejar. Fico estarrecido quando o jornalista diz ser gr\u00e1tis um show ou espet\u00e1culo pago pelo poder p\u00fablico. N\u00e3o sei se \u00e9 de prop\u00f3sito ou falta de consci\u00eancia pol\u00edtica. Isso n\u00e3o \u00e9 informar. \u00c9 desinformar e enganar o povo. Quem paga \u00e9 o contribuinte que vai ou n\u00e3o vai ao evento.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0N\u00e3o basta a tela, jornal ou revista serem interativos, din\u00e2micos e coloridos como uma arara. As pautas e as mat\u00e9rias da nossa m\u00eddia em geral s\u00e3o requentadas e repetidas. Faltam criatividade e imagina\u00e7\u00e3o por parte dos chefes de reportagem e pauteiros (nem sei se existem mais). Quase n\u00e3o se escuta e n\u00e3o se l\u00ea mais mat\u00e9rias especiais de peso para serem premiadas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0\u00a0A pessoa do outro lado tem que sentir aquela sensa\u00e7\u00e3o de estar sendo representada numa entrevista. \u00c9 aquela coisa de se dizer que o jornalista fez a indaga\u00e7\u00e3o atrevida que todos gostariam de fazer, e n\u00e3o ficar com medo diante de qualquer autoridade ou passar a impress\u00e3o de vi\u00e9s tendencioso e parcial, por mais que existam interesses comerciais e capitalistas da empresa de comunica\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Precisamos de perguntas mais incisivas, objetivas e diretas (n\u00e3o se envolver emocionalmente com o entrevistado). Antes de mais nada, o jornalista tem que ser um c\u00e9tico. O rep\u00f3rter que est\u00e1 ali na labuta do notici\u00e1rio do dia a dia, n\u00e3o \u00e9 para emitir opini\u00e3o, ser ancora, mas para provocar, e quem est\u00e1 do outro lado que fa\u00e7a sua interpreta\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, depois de ouvir as v\u00e1rias vers\u00f5es dos fatos, sem deixar buracos e d\u00favidas para o leitor ou ouvinte. Comentarista \u00e9 uma coisa e rep\u00f3rter \u00e9 outra. Cada qual na sua fun\u00e7\u00e3o.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0Por outro lado, em decorr\u00eancia do baixo n\u00edvel educacional e cultural (pouca leitura) do nosso povo brasileiro, existe uma acomoda\u00e7\u00e3o e aliena\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 uma cobran\u00e7a e cr\u00edtica quanto a qualidade do nosso jornalismo, que caiu muito nos \u00faltimos tempos. Cada comunidade deveria ter o seu Conselho de Comunica\u00e7\u00e3o Social, para analisar o nosso jornalismo e apontar os acertos e falhas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0\u00a0Ao contr\u00e1rio, h\u00e1 elogios baratos que me fazem lembrar daquela frase do cancioneiro Raul Seixas, de que \u201co jornalista quer \u00e9 bajula\u00e7\u00e3o\u201d. A vaidade, o pedantismo e o ar de superioridade s\u00e3o grandes males dos nossos coleguinhas. Aprendi na faculdade que jornalista n\u00e3o \u00e9 not\u00edcia, nem vedete e pop-estar, s\u00f3 quando comete crime de irresponsabilidade ou morre. A liberdade de express\u00e3o est\u00e1 sendo banalizada.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Repito sempre que o direito \u00e0 liberdade de imprensa acaba quando n\u00e3o se tem \u00e9tica e responsabilidade. A partir disso, o profissional est\u00e1 sujeito a ser processado na justi\u00e7a comum como um criminoso da informa\u00e7\u00e3o. Nunca ache que \u00e9 o sabe tudo e nunca se coloque como se fosse um quarto poder para julgar e sentenciar. Basta dos tr\u00eas poderes que usam e abusam de seus poderes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0Vejo hoje uma m\u00eddia (a maior culpa \u00e9 das empresas) interligada financeiramente com o consumismo, com a oligarquia, com as elites burguesas e que mistura o comercial com o que \u00e9 jornalismo. Uma coisa tem que ser separada da outra. Vejo um jornalismo que manipula a informa\u00e7\u00e3o e, ao inv\u00e9s de informar, desinforma. Ser\u00e1 que o jornalismo ainda \u00e9 o c\u00e3o de guarda da nossa sociedade? \u00a0 \u00a0 <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O conte\u00fado, a \u00e9tica,\u00a0 a\u00a0 resposabilidae com a not\u00edcia devem estar acima da tecnologia \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Sou da velha gera\u00e7\u00e3o dos anos 70 dos tempos da maldita ditadura de 1964 quando tudo era mais dif\u00edcil sem a tecnologia da internet.\u00a0 Do meado para o final dos anos 90 surgiu o computador ainda rombudo e lento. 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