{"id":118978,"date":"2024-03-29T03:42:06","date_gmt":"2024-03-29T06:42:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/?p=118978"},"modified":"2024-03-29T03:44:03","modified_gmt":"2024-03-29T06:44:03","slug":"riocentro-o-247-obtem-depoimento-do-capitao-wilson-machado-guardado-ha-43-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/2024\/03\/29\/riocentro-o-247-obtem-depoimento-do-capitao-wilson-machado-guardado-ha-43-anos\/","title":{"rendered":"Riocentro: o 247 obt\u00e9m depoimento do capit\u00e3o Wilson Machado, guardado h\u00e1 43 anos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Durante 43 anos a \u00edntegra do depoimento do capit\u00e3o Wilson Machado, sobrevivente em estado grave do atentado terrorista forjado, foi mantida em sigilo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesses tempos em que se v\u00ea fatos sendo lan\u00e7ados como dardos contra processos e investiga\u00e7\u00f5es, com o flagrante intento de embaralhar a cena pol\u00edtica, &#8211; como o vazamento dos \u00e1udios do tenente-coronel Mauro Cid, \u00e0 Revista Veja -, o que nos v\u00eam \u00e0 mente \u00e9 um epis\u00f3dio fatal para a derrocada da ditadura: o evento do Riocentro, ocorrido na noite de 30 de abril de 1981.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante 43 anos a \u00edntegra do depoimento do capit\u00e3o Wilson Machado, sobrevivente em estado grave do atentado terrorista forjado pelos agentes do Destacamento de Opera\u00e7\u00f5es de Informa\u00e7\u00f5es &#8211; Centro de Opera\u00e7\u00f5es de Defesa Interna (DOI-CODI), foi mantida em sigilo, nos arquivos do Supremo Tribunal Militar. De l\u00e1 at\u00e9 agora, Machado \u00e9 o \u00fanico personagem ainda vivo, do epis\u00f3dio, e sempre se negou a falar \u00e0 imprensa. Chamado a depor na Comiss\u00e3o Nacional da Verdade em 31\/07\/2014, se limitou a dizer que usaria o seu direito de permanecer em sil\u00eancio, e que o que tinha a dizer foi declarado \u00e0 Justi\u00e7a Militar. Foi, mas nenhum civil jamais teve acesso a ele, at\u00e9 agora, quando o\u00a0<b>247<\/b>\u00a0obteve uma c\u00f3pia da sua vers\u00e3o, na \u00edntegra. Depoimento Falseado, como convinha \u00e0 \u00e9poca, com omiss\u00e3o de detalhes, mas trata-se da vers\u00e3o mantida fora do alcance da m\u00eddia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na noite de 30 de abril para primeiro de maio, do ano de 1981, quando os principais nomes da M\u00fasica Popular Brasileira se apresentavam em um palco montado naquele espa\u00e7o da Zona Oeste carioca, para festejar o Dia do Trabalhador &#8211; num show promovido pelo Centro Brasil Democr\u00e1tico (Cebrade) -, o local se fez escuro e foi sacudido por um estrondo. Naquele minuto uma bomba jogou pelos ares, n\u00e3o apenas a genit\u00e1lia do sargento Guilherme Pereira do Ros\u00e1rio, (que morreu na hora, em decorr\u00eancia da explos\u00e3o, e feriu gravemente o capit\u00e3o Wilson Machado), mas tamb\u00e9m a ditadura civil-militar, decorrida de um golpe que tirou do poder, em 1964, o presidente eleito, Jo\u00e3o Goulart e far\u00e1, portanto, 60 anos daqui a uma semana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a infla\u00e7\u00e3o na casa dos 200%, o poder do \u00faltimo general-ditador, Jo\u00e3o Baptista de Figueiredo, em xeque, e a promessa de \u201cprender e arrebentar\u201d quem n\u00e3o estivesse de acordo com a proposta de abertura \u201clenta e gradual\u201d, iniciada na gest\u00e3o do seu antecessor, Ernesto Geisel, a farsa claudicante montada para encobrir o ato terrorista dos dois oficiais do DOI-CODI, Guilherme do Ros\u00e1rio e Wilson Machado, come\u00e7ou a desnudar todas as demais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 ent\u00e3o, sob o manto da censura que havia vigorado at\u00e9 1978, muitas delas foram empurradas goela abaixo da popula\u00e7\u00e3o oprimida. Por exemplo, a morte na tortura, do jornalista Wladimir Herzog, em 1975, divulgada como \u201csuic\u00eddio\u201d. Naquele ano, o de 1981, a caserna em vias de perder os seus privil\u00e9gios, se rebelou contra a distens\u00e3o da ditadura e forjava atentados \u00e0 bomba, que eram jogados no colo da esquerda. At\u00e9 que aquela explodiu no colo deles, literalmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 23 de maio, dias depois do atentado, no Hospital Central dos Servidores, nas depend\u00eancias do Centro de Tratamento Intensivo (CTI), o capit\u00e3o Wilson Machado, sobrevivente do ato terrorista do Riocentro, foi ouvido. A situa\u00e7\u00e3o, no m\u00ednimo inusitada &#8211; como se sabe o CTI requer isolamento total do paciente -, contou com as seguintes participa\u00e7\u00f5es: o encarregado do IPM, coronel Job Lorena de Sant\u2019Anna, na companhia do Major do Ex\u00e9rcito, Luiz Kardec Vianna (servindo de escriv\u00e3o), acompanhado do Dr. Francisco Jos\u00e9 Soares Cavalcante. Sua presen\u00e7a \u2013 de acordo com documento oficial -, foi uma indica\u00e7\u00e3o do diretor do Hospital Central do Ex\u00e9rcito, que se fez acompanhar do Dr. Gilson Ribeiro Gon\u00e7alves, procurador da Justi\u00e7a Militar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Machado, filho de Theophilo Lyra Machado e Jupyra Chaves Machado, era casado, tinha ent\u00e3o 33 anos, uma filha de seis anos e servia no Comando do 1\u00ba Ex\u00e9rcito. Ele contou em seu depoimento que naquela tarde, na qualidade de chefe do Destacamento, recebeu a miss\u00e3o de cobrir o evento \u00e0 noite. No dia seguinte deveria estar no Campo de S. Crist\u00f3v\u00e3o, mas ao tomar conhecimento de outro evento na Mangueira, optou por ir para o Riocentro. Em seguida chamou o seu subchefe, o \u201cDoutor Navarro\u201d e deu ordem para que mandasse uma equipe para l\u00e1 e refor\u00e7asse o evento do Campo de S. Crist\u00f3v\u00e3o. Para o da Mangueira destinou apenas dois homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O doutor Navarro, nesse dia, lhe pediu dispensa no final de semana e dos eventos que ele iria cobrir at\u00e9 l\u00e1. Machado ent\u00e3o chamou o \u201cagente Wagner\u201d, codinome de Guilherme do Ros\u00e1rio, dando-lhe a incumb\u00eancia de cobrir o Riocentro. Wagner havia sido recomenda\u00e7\u00e3o de Navarro, por ter uma espantosa mem\u00f3ria fotogr\u00e1fica, adquirida ao longo das v\u00e1rias coberturas que fazia na atividade de fot\u00f3grafo\/araponga (do Destacamento). Foi assim que Ros\u00e1rio foi escalado para cobrir o Riocentro. A seguir, pediu que ele entrasse em contato com o \u201cagente Guarany\u201d \u2013 o paraquedista Magno Cantarino Mota, que estava de folga na quinta-feira e deveria ser convocado para se juntar ao \u201cDoutor Diogo\u201d na cobertura fotogr\u00e1fica do evento do Campo de S. Crist\u00f3v\u00e3o, no final de semana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Wilson Machado admitiu que saiu para a\u00a0<b>Miss\u00e3o N\u00ba 115<\/b>, rumo ao Riocentro em seu pr\u00f3prio carro e apontou como testemunha do hor\u00e1rio em que deixara as depend\u00eancias do destacamento, \u201cos agentes de servi\u00e7o no port\u00e3o do DOI\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Negou que carregasse algum volume, como bolsa ou mala e n\u00e3o soube dizer quanto tempo demoraria no Riocentro. Sobre a perman\u00eancia no local, respondeu que ficaria o tempo necess\u00e1rio para o cumprimento da miss\u00e3o, que consistia em localizar os seus agentes de servi\u00e7o e, caso n\u00e3o os encontrasse, daria um tempo maior para ter condi\u00e7\u00f5es de posteriormente verificar os relat\u00f3rios deles. Ros\u00e1rio, ao saber que Machado iria com o seu pr\u00f3prio carro, porque pretendia ficar no show, pediu carona e o convidou para juntar-se no final a um grupo de amigos dele, que tamb\u00e9m estavam com ingressos e at\u00e9 os tinha sobrando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois fez as tratativas sobre o ponto de encontro, num posto da Estrada Graja\u00fa Jacarepagu\u00e1. (Esse ponto de encontro antes das equipes irem para o Riocentro \u00e9 citado pelo ex-delegado e atual pastor, no livro Claudio Guerra: Matar e Queimar. Ele relata que era pr\u00f3ximo ao restaurante Cabana da Serra). Wilson Machado negou que tivesse aberto a porta do carro (um modelo Puma, no interior do qual a bomba que levavam, explodiu), pelo lado de fora, para que o agente Wagner entrasse, quanto pretendiam mudar de lugar no estacionamento no Riocentro, para ficarem mais pr\u00f3ximos \u00e0 sa\u00edda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Respondeu n\u00e3o se lembrar se o havia feito, por dentro do carro, mas afirmou que Wagner entrou no ve\u00edculo quando ele ainda estava na vaga. Perguntado se o agente lhe falou alguma coisa ao entrar, momentos antes da explos\u00e3o, revelou que n\u00e3o se lembrava de terem falado algo. Perguntado se o colega portava algum pacote, bolsa ou mala, disse que os bra\u00e7os dele estavam livres, n\u00e3o portando nenhum volume. (Apesar de estar entre a vida e a morte, bem treinado que era, sabia em quais os pontos as negativas eram importantes)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O capit\u00e3o negou que tivesse visto qualquer volume dentro da viatura, negou tamb\u00e9m que houvesse algo do seu lado e que do lado direito n\u00e3o cuidou de olhar, pois estava atento \u00e0 manobra que fazia com o carro. Negou ter percebido se era seguido e tampouco soube se havia seguran\u00e7as no local. Disse que o colega n\u00e3o comentou qualquer coisa a respeito ou tampouco tivesse algo a acrescentar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de pagar o estacionamento, no p\u00e1tio ainda com poucos carros, Wagner viu o grupo de amigos chegando num Fiat branco e foi encontr\u00e1-los. Nesse momento ambos desceram do Puma e Wilson Machado se afastou para procurar um lugar discreto onde pudesse urinar. Conta que cruzou com grupos de mo\u00e7as e rapazes se divertindo, ouvindo m\u00fasica e bebendo. Passou por um dos carros com quatro elementos que pareceram a ele, estar fumando maconha. Resolveu ent\u00e3o trocar novamente o carro de lugar, pois temeu que pudessem lhe roubar o toca-fitas. Wagner entrou no carro e ele iniciou manobra de marcha-a-r\u00e9. Foi quando houve a explos\u00e3o.<\/p>\n<p><b>Fora do carro, sem sapato e sem socorro<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lembrou que foi jogado para fora do carro, que a porta se abriu e ele percebeu que estava sem um dos sapatos. Levou a m\u00e3o direita instintivamente ao lado direito da barriga \u201catordoado, cambaleando, percebendo ent\u00e3o que n\u00e3o tinha comandamento sobre o bra\u00e7o esquerdo. Sentindo esse bra\u00e7o dormente e percebendo que sangrava muito, dirigiu-se ent\u00e3o ao grupo de jovens pedindo ajuda, mas eles sa\u00edram sem atend\u00ea-lo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Machado conta que se dirigiu a outras pessoas \u201ce estas tamb\u00e9m n\u00e3o o atenderam\u201d. Afinal, apareceu \u201cuma pessoa que lhe pareceu ser um funcion\u00e1rio do Riocentro, e que o levou at\u00e9 a entrada\u201d. Essa pessoa lhe deu \u201cuma cadeira e ent\u00e3o p\u00f4de sentar-se\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A descri\u00e7\u00e3o desses momentos de agonia at\u00e9 ser socorrido ele detalha, embora tenha dito n\u00e3o ter certeza se, de fato, correspondem ao que aconteceu: \u201cdesde o momento que se viu fora do carro esteve atordoado, confuso. Destaca, por\u00e9m, que at\u00e9 pedir ajuda aos jovens os fatos s\u00e3o como descreveu (claro, era a cena principal do atentado). Percebeu grande movimenta\u00e7\u00e3o de pessoas \u00e0 sua volta, \u201cmas o tempo passava e ningu\u00e9m tomava a iniciativa correta\u201d (para salv\u00e1-lo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algu\u00e9m perguntou a um elemento vestido de branco que estava ao seu lado, chamando-o de doutor, se o m\u00e9dico poderia acompanhar esta pessoa que queria levar o depoente ao hospital; \u201cque o m\u00e9dico respondeu que n\u00e3o podia afastar-se do local e permaneceu de p\u00e9 ao seu lado, sem lhe prestar nenhum tipo de socorro, nem tomar nenhuma iniciativa, apenas permanecendo ao seu lado\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A certa altura, o depoente disse para o m\u00e9dico: \u201cDoutor, eu vou morrer aqui? O senhor vai deixar eu morrer aqui?\u201d. Passando mais algum tempo apareceu uma jovem, dizendo que iria lev\u00e1-lo ao hospital. (Logo se soube tratar-se de Andrea Neves, neta de Tancredo Neves, ent\u00e3o deputado federal pelo MDB e irm\u00e3 de A\u00e9cio Neves).<\/p>\n<p>\u201cInsistiu nisso, digo, hospital, insistindo nisso com algumas pessoas e dizendo a um rapaz que fosse buscar o carro, dirigido por um rapaz e que foi colocado no banco da frente junto ao motorista\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No banco de tr\u00e1s entraram a mo\u00e7a e um bombeiro. Sentados atr\u00e1s, durante a viagem os dois comprimiam o seu corpo contra o encosto do banco. Consciente, orientou o motorista que pegasse a praia e fosse em dire\u00e7\u00e3o ao Clube do Flamengo, onde ele sabia que nas proximidades havia um hospital. Durante todo o trajeto dizia aos ocupantes do carro que n\u00e3o queria morrer, pois queria ver a filha. \u201cNessas ocasi\u00f5es as pessoas que o acompanhavam procuravam anim\u00e1-lo e confort\u00e1-lo, dizendo que ele n\u00e3o ia morrer e que tudo ia sair bem\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chegaram ao Hospital da Barra (h\u00e1 um equ\u00edvoco a\u00ed. Machado foi atendido no Hospital Miguel Couto, que fica no final do Leblon, pr\u00f3ximo \u00e0 g\u00e1vea), aonde chegou muito enfraquecido. Nesse ponto entra a amn\u00e9sia conveniente:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cLembra sem convic\u00e7\u00e3o, de ter dado o seu nome e ter dito que era do Ex\u00e9rcito; lembra-se, tamb\u00e9m sem muita convic\u00e7\u00e3o, de ter sido colocado em uma ambul\u00e2ncia e da\u00ed em diante j\u00e1 de nada se lembra\u201d. Perguntado quem era Wagner, respondeu que \u201c\u00e9 o codinome de um agente que ele s\u00f3 conhece como tal\u201d. Machado sabia que n\u00e3o podia ter fornecido tais informa\u00e7\u00f5es, pois era agente do DOI-CODI, da\u00ed no depoimento constar a ressalva: \u201csem convic\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da\u00ed por diante o depoimento segue com quest\u00f5es do tipo o relacionamento entre ele e o subordinado, se os dois estavam armados &#8211; no que respondeu que n\u00e3o -, tampouco se lembra de testemunhas que o tivessem visto estacionar no Riocentro. Contou que quando se afastou do carro para urinar o deixou trancado e com os vidros fechados, do lado do motorista, mas que n\u00e3o tinha certeza se Wagner \u201cfez a mesma coisa\u201d. Aqui, procurando justificar a hip\u00f3tese (falsa) de algu\u00e9m ter jogado a bomba dentro do carro, a fim de provocar a explos\u00e3o. (Talvez os \u201cmaconheiros\u201d, citados por ele anteriormente, j\u00e1 para despistar).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O depoimento, tomado no CTI, \u00e0s 10h, do dia 23 de maio, fora interrompido \u00e0s 13h, reiniciado \u00e0s 14h20, e terminado \u00e0s 18h do mesmo dia. Os presentes assinaram o documento \u201cE que depois de lido e achado conforme, assinam a testemunha&#8230;\u201d e os demais presentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O capit\u00e3o Wilson machado omitiu v\u00e1rios pontos importantes, ou talvez os seus querelantes n\u00e3o tiveram interesse em aprofund\u00e1-los, sabendo dos riscos &#8211; n\u00e3o por quest\u00f5es m\u00e9dicas, pois pelo que se viu, n\u00e3o houve esse tipo de cuidado. Algu\u00e9m que estivesse preocupado com a sua sa\u00fade n\u00e3o o teria ouvido num Centro de Tratamento Intensivo (CTI), de 10 da manh\u00e3 \u00e0s 18h, seguidas. Mas, sim, por recomenda\u00e7\u00e3o do encarregado do inqu\u00e9rito, Job Lorena, que substituiu o coronel Luiz Antonio Prado Ribeiro, primeiro respons\u00e1vel pelo IPM. Ele pediu para sair da coordena\u00e7\u00e3o dos trabalhos, em nome da sua dignidade. N\u00e3o queria participar daquela farsa, levada adiante por Lorena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O epis\u00f3dio do Riocentro enfileira alguns nomes de militares e autoridades respons\u00e1veis pelas investiga\u00e7\u00f5es e julgamentos, que agiram com corre\u00e7\u00e3o e bravura. Um deles, o Almirante J\u00falio Bierrenbach, que ainda no ano de 1981, quando os \u00e2nimos estavam em ebuli\u00e7\u00e3o, votou contra o arquivamento do inqu\u00e9rito. J\u00e1 no ano de 2013, durante entrevista, olhando o seu passado de interventor do Porto de Santos, respons\u00e1vel pela transforma\u00e7\u00e3o do Navio Raul Soares em navio-pris\u00e3o (o que ele negava peremptoriamente, e dizia que n\u00e3o sabia o que se passava dentro do navio), declarou: \u201cEu fiz e desfiz a \u201crevolu\u00e7\u00e3o\u201d. Apoiei o movimento, sem concordar com os seus desdobramentos, e fui o respons\u00e1vel por desnudar a farsa do Riocentro. Portanto, eu a desfiz\u201d, conclu\u00eda sem esconder orgulho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro que fez hist\u00f3ria foi o juiz-auditor Edmundo Franca de Oliveira. Localizado pelo\u00a0<b>247<\/b>\u00a0para comentar a sua decis\u00e3o, recordou o que disse na \u00e9poca: \u201cAs for\u00e7as foram terr\u00edveis, mas n\u00e3o ocultas (refer\u00eancia a J\u00e2nio Quadros), elas funcionaram como um rolo compressor. Cumpri o meu papel, apesar das press\u00f5es. Fiz um juramento de cumprir a minha fun\u00e7\u00e3o e dela n\u00e3o vou fugir\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em sua opini\u00e3o, era preciso avaliar, como hoje, \u201ca correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as e o equil\u00edbrio pol\u00edtico. Todos n\u00f3s sab\u00edamos a farsa que eles montaram, mas n\u00e3o pod\u00edamos colocar tudo a nu, porque ainda caminh\u00e1vamos, como hoje, no fio da navalha. Por isso, para os que est\u00e3o cobrando do presidente Lula sobre a sua declara\u00e7\u00e3o a respeito dos 60 anos do golpe, relembro que vivemos tamb\u00e9m um clima de fragilidade. H\u00e1 momentos em que temos de levar tudo isso em conta. E aquele foi um deles\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na fun\u00e7\u00e3o de juiz-auditor, Fran\u00e7a enviou ao procurador-geral da Justi\u00e7a Militar, Milton Menezes da Costa Filho, as pe\u00e7as do IPM do Riocentro que se referiam a uma segunda explos\u00e3o, na casa de for\u00e7a, juntamente com o despacho em que pedia investiga\u00e7\u00e3o a respeito. Ao faz\u00ea-lo, deixou claro que se havia uma segunda bomba, a que explodiu n\u00e3o podia ser fruto de uma tentativa da esquerda de matar os agentes dentro do carro. Havia mais de uma bomba e, portanto, uma a\u00e7\u00e3o orquestrada de terrorismo no local.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Explicou, na ocasi\u00e3o, \u201cque o procurador-geral, em seu pronunciamento, poder\u00e1 designar outro promotor que venha a pedir a instaura\u00e7\u00e3o de novo inqu\u00e9rito, pela Pol\u00edcia Federal, para apurar aquela explos\u00e3o, ou ent\u00e3o requer o arquivamento do IPM\u201d. No seu despacho, o juiz Franca de Oliveira afirmou que a segunda explos\u00e3o \u201ccriou perigo de dano\u201d, o que \u00e9 previsto em lei, e que, portanto, deve ser investigada. \u201cTanto testemunhas quanto \u00e0 per\u00edcia t\u00e9cnica fazem refer\u00eancia de modo claro \u00e0quela explos\u00e3o\u201d, bancou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seguida, depois de dizer aos rep\u00f3rteres que estava \u201cmuito emocionado para fazer qualquer coment\u00e1rio\u201d, trancou-se em sua sala, sozinho. Um funcion\u00e1rio da auditoria deu algumas batidas na porta, mas a resposta foi o sil\u00eancio. Depois de um tempo saiu de l\u00e1, de \u00f3culos escuros, e deixou a auditoria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tanto tempo depois, ele ainda se lembra da press\u00e3o vinda da \u201ccomunidade de informa\u00e7\u00e3o\u201d e do ministro do Ex\u00e9rcito, o general Walter Pires. Recebeu, segundo ele, conselhos para cuidar de sua carreira e para ir conversar com o comandante do 1\u00ba Ex\u00e9rcito, o general Gentil Marcondes Filho. Em maio de 199, quando o inqu\u00e9rito foi mais uma vez reaberto, em entrevista ao rep\u00f3rter H\u00e9lio Contreiras, da Isto \u00c9, apontou: \u201co abafamento do caso teve dois respons\u00e1veis: o ministro do Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00f5es, Oct\u00e1vio Medeiros, o ministro do Ex\u00e9rcito e o general Walter Pires.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele acredita que o atentado ao Riocentro teve respaldo do alto escal\u00e3o da comunidade de informa\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o muito forte, que queria influir nos destinos do pa\u00eds. Questionado sobre o porqu\u00ea decidiu pelo arquivamento, apesar de consciente da farsa, justificou: \u201ceu tinha consci\u00eancia de que era preciso preservar as institui\u00e7\u00f5es e o processo de abertura. Achava que as institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o estavam fortemente estruturadas para enfrentar um poss\u00edvel impasse, que iria ocorrer, j\u00e1 que o general Walter Pires n\u00e3o admitia que as conclus\u00f5es do relat\u00f3rio fossem revistas. Ele dizia que a sociedade, aceitando ou n\u00e3o aceitando o desfecho do caso, n\u00e3o teria outra vers\u00e3o se n\u00e3o aquela apresentada pelo coronel Job Lorena\u201d.<\/p>\n<p>Em sua opini\u00e3o, o capit\u00e3o Wilson Machado deveria ter sido indiciado e processado criminalmente.<\/p>\n<p><b>Revela\u00e7\u00f5es da Miss\u00e3o N\u00ba 115<\/b><\/p>\n<p>Na noite do show para comemorar o 1\u00ba de maio, as cerca de 10 mil pessoas \u2013 h\u00e1 quem fale em 20 mil -, cantavam e se divertiam comprimidas no audit\u00f3rio do Riocentro, alheias ao ato de terror que se desenrolava l\u00e1 fora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A seguran\u00e7a do local, que deveria ficar a cargo d0 18\u00ba Batalh\u00e3o da Pol\u00edcia Militar &#8211; ent\u00e3o comandado pelo coronel Ile Marlen Lobo -, foi retirada, por ordem do coronel Nilton Cerqueira, ent\u00e3o comandante da institui\u00e7\u00e3o. Depois se soube, a a\u00e7\u00e3o foi combinada em Bras\u00edlia, dentro do Pal\u00e1cio do Planalto. Muitos detalhes e provid\u00eancias foram tomadas para o show daquela noite. Por exemplo, a iniciativa de trancar todas as 27 sa\u00eddas com cadeados, deixando apenas a entrada principal livre. A a\u00e7\u00e3o, segundo den\u00fancias de funcion\u00e1rios do Riocentro, foi feita por ordem de Maria Angela Lopes Capobianco, coordenadora de eventos. Ela chegou a ser ouvida no inqu\u00e9rito, mas foi inocentada. Fato \u00e9 que n\u00e3o havia outro ponto de escape, no local.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Miss\u00e3o N\u00ba 115. Esse era o nome oficial da vigil\u00e2ncia desencadeada pelos servi\u00e7os de espionagem do Ex\u00e9rcito no centro de conven\u00e7\u00f5es Riocentro, onde cerca de 20 mil pessoas estavam reunidas para cantar m\u00fasicas em protesto contra o regime que se esva\u00eda, mas persistia. O segredo bem guardado por um oficial do Ex\u00e9rcito, veio \u00e0 tona em 24 de novembro de 2012, quando os jornalistas Jos\u00e9 Luis Costa e Humberto Trezzi, publicaram no jornal Zero Hora documentos in\u00e9ditos aos quais tiveram acesso, a partir do assassinato do coronel reformado, Julio Miguel Molinas Dias. Ele havia sido morto, aos 78 anos, em primeiro de novembro, v\u00edtima de um crime \u201cnebuloso\u201d, e guardava em casa o acervo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Molinas Dias era, na \u00e9poca do atentado, o comandante do Destacamento de Opera\u00e7\u00f5es e Informa\u00e7\u00f5es &#8211; Centro de Opera\u00e7\u00f5es de Defesa Interna (DOI-Codi) do Rio de Janeiro, conhecido como Aparelh\u00e3o. O arquivo do coronel continha 200 p\u00e1ginas, v\u00e1rias delas encabe\u00e7adas pelo carimbo \u201cconfidencial\u201d ou \u201creservado\u201d. De acordo com o que colheram os jornalistas, o \u201cacervo\u201d de Molinas era uma radiografia do aparelho repressivo militar que tentou maquiar o cen\u00e1rio do Riocentro<b>\u00a0<\/b>para fazer com que as explos\u00f5es parecessem obra de guerrilheiros esquerdistas, como sempre se sup\u00f4s. Nos documentos estavam as atividades da unidade comandada por ele, que tinha a fun\u00e7\u00e3o de \u201cespionar e reprimir\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao se aposentar, o coronel levou para casa os documentos preciosos, contando pormenores da sigilosa rotina do DOI-Codi, localizado dentro do 1\u00ba Batalh\u00e3o de Pol\u00edcia do Ex\u00e9rcito, na Rua Bar\u00e3o de Mesquita, no bairro da Tijuca, criado em 1970, sob o guarda-chuva do 1\u00ba Ex\u00e9rcito, pelo coronel Freddie Perdig\u00e3o. Dos pap\u00e9is, saltam evid\u00eancias de que oficiais forjaram, inclusive, uma orienta\u00e7\u00e3o para simular o furto do ve\u00edculo do sargento Guilherme do Ros\u00e1rio, deixado nas imedia\u00e7\u00f5es do restaurante Cabana da Serra, na rodovia Graja\u00fa-Jacarepagu\u00e1, antes da explos\u00e3o. O furto tinha o intuito de sumir com pistas comprometedoras, do tipo, outros artefatos no interior do carro do sargento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos documentos encontrados com o coronel assassinado no Sul, h\u00e1 registros da mobiliza\u00e7\u00e3o que se instalou naquele quartel-sede da espionagem pol\u00edtica do Brasil, imediatamente ap\u00f3s a explos\u00e3o. Molinas disparou telefonemas com ordens e contraordens com a finalidade de evitar que fatos e vers\u00f5es que colocassem o Ex\u00e9rcito, no foco, viessem \u00e0 tona. Os pap\u00e9is cont\u00eam medidas de preven\u00e7\u00e3o para seguran\u00e7a de militares, recomenda\u00e7\u00f5es para n\u00e3o serem fotografados e rela\u00e7\u00e3o de bombas e artefatos explosivos no paiol do quartel para destrui\u00e7\u00e3o coletiva e individual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na reportagem dos jornalistas da Zero Hora est\u00e3o descritos os memorandos divididos em dias, horas e minutos, sobre os acontecimentos daquela noite, feitos de pr\u00f3prio punho, pelo coronel Molinas. Os relat\u00f3rios sobre o desastroso atentado no centro de conven\u00e7\u00f5es Riocentro descrevem que uma das duas bombas que explodiram durante um show musical acabou matando o sargento Guilherme Pereira do Ros\u00e1rio<b>\u00a0<\/b>e ferindo com gravidade o capit\u00e3o Wilson Luiz Chaves Machado, conforme sempre se soube. Confirmam tamb\u00e9m os codinomes: \u201cdoutor Wagner\u201d e \u201cMarcos\u201d e que (militares de baixa patente eram chamados de agentes e oficiais eram doutores, na g\u00edria da espionagem).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos documentos que levou para casa, Molinas passa a narrar os fatos sobre a explos\u00e3o do Riocentro, e a movimenta\u00e7\u00e3o da unidade naquele 30 de abril:<\/p>\n<p><b>Quinta-feira, 30 de abril de 1981<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Batizada de Miss\u00e3o 115 \u2014 Opera\u00e7\u00e3o Centro, a a\u00e7\u00e3o previa que os militares fizessem a espionagem do show no Riocentro, celebra\u00e7\u00e3o do<b>\u00a0<\/b>Dia do Trabalhador, que virou manifesto contra a ditadura. Foram escalados dois agentes, com previs\u00e3o de sa\u00edda \u00e0s 18h40min e retorno \u00e0s 4h20min, usando um Fusca. Outros dois, de forma clandestina, usaram um Puma particular. Por volta das 21h15min, tudo seguia na rotina at\u00e9 uma bomba explodir no Puma em que estavam os dois integrantes do DOI-Codi. \u00c0 noite, de pr\u00f3prio punho, o coronel Julio Miguel Molinas Dias, comandante do DOI-Codi, fez o relato de como foi informado do atentado. Ele assistia, em casa, \u00e0 primeira partida da final do Campeonato Brasileiro de 1981, no Est\u00e1dio Ol\u00edmpico, vencida pelo Gr\u00eamio por 2 a 1.<\/p>\n<p>&#8211; Intervalo do jogo do Gr\u00eamio x S\u00e3o Paulo, telefonema do agente Reis<b>\u00a0<\/b>(codinome de um militar). Disse que um cabo PM telefonara avisando que haveria um acidente com explosivo com uma v\u00edtima. Deu o nome quente Dr. Marcos&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Doutor Marcos era o codinome do capit\u00e3o Wilson Luiz Chaves Machado, chefe da Se\u00e7\u00e3o de Opera\u00e7\u00f5es do DOI-CODI, ferido na explos\u00e3o. O relato do coronel Molinas, continua falando de como foi informado da morte do sargento Guilherme Pereira do Ros\u00e1rio, ao manipular a bomba:<\/p>\n<p>&#8211; (&#8230;) Por volta das 22h30min, cheguei ao \u00f3rg\u00e3o&#8230; dirigi-me \u00e0 vaga n.1 do comando. (&#8230;) O Dr. Wilson (codinome de outro agente), que estava na opera\u00e7\u00e3o, chegou logo a seguir. O agente Reis, que j\u00e1 chegara, avisou que recebera outro telefonema do mesmo elemento, dizendo que um sargento estava no local, irreconhec\u00edvel.<\/p>\n<p>&#8211; 23h30min \u2014O Globo (talvez referindo-se \u00e0 not\u00edcia que ouviu na R\u00e1dio Globo ou na TV) &#8211; estouraram duas bombas no estacionamento, destruindo dois carros e uma moto. No segundo carro n\u00e3o houve v\u00edtimas.<\/p>\n<p>&#8211; 23h30min \u2014 Dr. Ara\u00fajo (codinome de oficial) telefona para saber o que houve.<\/p>\n<p>Molinas<b>\u00a0<\/b>relata o estado de sa\u00fade do capit\u00e3o Wilson, motorista do Puma e ferido na explos\u00e3o:<\/p>\n<p>&#8211; 23h30min \u2014 Hospital Miguel Couto&#8230;T\u00e1 sendo operado, v\u00edsceras do lado de fora. Estado grave.<\/p>\n<p>De pr\u00f3prio punho, o coronel registra que foram dois os explosivos levados para o Riocentro:<\/p>\n<p>&#8211; 23h35min \u2014 Uma bomba na casa de for\u00e7a (central de energia do Riocentro) e uma no carro.<\/p>\n<p>\u00c0s 23h45min, Molinas<b>\u00a0<\/b>afirma ter telefonado ao coronel Leo Frederico Cinelli, chefe do servi\u00e7o de intelig\u00eancia do 1\u00ba Ex\u00e9rcito, relatando os fatos. Minutos depois, recebe not\u00edcias de algu\u00e9m sobre o sargento morto e registra:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; 23h50min \u2014 O Robot<b>\u00a0<\/b>(men\u00e7\u00e3o a quem carrega bomba) est\u00e1 morto. Tem uma granada que estava no carro e botaram no ch\u00e3o.<\/p>\n<p><b>Sexta-feira, 1\u00ba de maio de 1981<br \/>\n<\/b><br \/>\nAs anota\u00e7\u00f5es de Molinas<b>\u00a0<\/b>prosseguem madrugada adentro. Ele trata da remo\u00e7\u00e3o do corpo do sargento para o hospital:<\/p>\n<p>&#8211; 0h40min \u2014 Coronel Cinelli \u2014 Falamos sobre a ida da per\u00edcia da PE (Pol\u00edcia do Ex\u00e9rcito) \u00e0 paisana e a retirada do corpo.<\/p>\n<p>&#8211; 1h01min \u2014 Tenente-coronel Portella<b>\u00a0<\/b>liga ao HCE (Hospital Central do Ex\u00e9rcito) para receber o corpo do Robot (sargento Ros\u00e1rio).<\/p>\n<p>&#8211; \u00c0 1h05min, Molinas<b>\u00a0<\/b>recebe liga\u00e7\u00e3o de uma pessoa, \u00e0 qual identifica com Dr. Rodolfo, atualizando not\u00edcias sobre o capit\u00e3o Wilson Machado, ferido na explos\u00e3o:<\/p>\n<p>&#8211; 1h05min \u2014 Est\u00e1 sendo operado, dilacera\u00e7\u00e3o nas v\u00edsceras.<\/p>\n<p>&#8211; A partir da\u00ed, as anota\u00e7\u00f5es se tornam espor\u00e1dicas:<\/p>\n<p>&#8211; 4h24min \u2014 Um Chevette aberto cinza met\u00e1lico com bagageiro placas RT-1719 estava ao lado do carro Puma, com um emblema do 1\u00ba BPE.<\/p>\n<p>&#8211; 6h05min \u2014 Justifico telefonema dizendo que est\u00e1 na cirurgia, Dr. Marcos (codinome do capit\u00e3o ferido), ortop\u00e9dica nos bra\u00e7os.<\/p>\n<p>&#8211; 17h \u2014 Fui para casa.<br \/>\n<b><br \/>\nS\u00e1bado, 2 de maio de 1981<\/b><\/p>\n<p>Molinas<b>\u00a0<\/b>retorna ao DOI-Codi e manda recado ao capit\u00e3o ferido para que n\u00e3o se pronuncie a respeito do acidente:<\/p>\n<p>&#8211; 8h30min \u2014 Chegada ao destino (&#8230;)Transmitida mensagem ao Dr. Marcos (codinome do capit\u00e3o ferido) para n\u00e3o fazer esfor\u00e7o para falar, tranquilizando-o.<\/p>\n<p>&#8211; (&#8230;) Comandante do DOI e comandante do 1\u00ba Ex\u00e9rcito foram para o enterro e hospital.<\/p>\n<p>Foi dada ordem para oficial de perman\u00eancia ficar em tempo integral no DOI.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os jornalistas do jornal Zero Hora que recolheram o material onde estavam as anota\u00e7\u00f5es do coronel Molina e reproduziram tudo que fizesse refer\u00eancia ao atentado. Inclusive \u201ca farsa\u201d elaborada pela c\u00fapula do 1\u00ba Ex\u00e9rcito, na \u00e9poca comandado pelo general Gentil Marcondes Ferraz:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAinda no dia 2, um manuscrito com letra diferente \u00e0 do coronel Molinas Dias<b>\u00a0<\/b>revela uma tentativa de encobrir a autoria do atentado. Foi anotada (talvez por um ordenan\u00e7a do coronel) a necessidade de encontrar o carro particular do sargento morto e providenciar o seu recolhimento ao DOI-Codi. O objetivo pode ter sido evitar que material comprometedor, dentro do ve\u00edculo, fosse apreendido pela Pol\u00edcia ou fotografado pela imprensa:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi feito contato com a secretaria de seguran\u00e7a para localizar o carro do Wagner (codinome do sargento morto) e comunicar ao DOI (carro roubado). Existe uma equipe de sobreaviso para &#8220;puxar&#8221; (levar) o carro\u201d.<\/p>\n<p>A anota\u00e7\u00e3o segue:<\/p>\n<p>&#8211; Foi mandado ao 1\u00ba Ex\u00e9rcito (coronel Cinelli) as fotografias das placas com VPR para aproveitamento na imprensa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A frase anotada por Molinas Dias fazia refer\u00eancia ao fato de que ex-integrantes da ditadura revelaram que agentes do DOI-Codi picharam placas de sinaliza\u00e7\u00e3o de tr\u00e2nsito nas imedia\u00e7\u00f5es do Riocentro com a sigla da organiza\u00e7\u00e3o de luta armada de extrema esquerda \u201cVanguarda Popular Revolucion\u00e1ria\u201d, \u00e0quela altura totalmente dizimada. O objetivo dos militares com a picha\u00e7\u00e3o era atribuir a autoria do atentado \u00e0 VPR. Seria uma explos\u00e3o planejada para botar a culpa em esquerdistas, como descreve o ex-delegado da Pol\u00edcia Civil Cl\u00e1udio Guerra, no livro Mem\u00f3rias de uma Guerra Suja.<\/p>\n<p>O coronel Molinas Dias avan\u00e7a seu memorando pelo dia 2 de maio, relatando supostas amea\u00e7as de bomba na casa do capit\u00e3o ferido e no hospital Miguel Couto:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; 13h01min \u2014 Fam\u00edlia do Dr. Marcos (codinome do capit\u00e3o) liga para o Dr. Carmelo (codinome de um oficial) no hospital e participa a exist\u00eancia de um embrulho suspeito na porta do apartamento. O Dr. Carmelo telefona ao Dr. Maur\u00edcio (codinome), oficial permanente, que est\u00e1 providenciando o deslocamento de uma equipe para o local. (&#8230;) sob o tapete da porta de entrada tem uma bolsa do Carrefour de material transl\u00facido e dentro tinha dois p\u00e3es, um inteiro e outro faltando um peda\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As supostas amea\u00e7as contra integrantes do DOI prosseguem ao longo do dia 2:<\/p>\n<p>&#8211; 16h10min \u2014 O delegado Tufic, da 14\u00aa DP, telefona para dizer que recebeu dois telefonemas an\u00f4nimos dando conta de que o capit\u00e3o Paulo Renault iria jogar uma bomba no quarto do capit\u00e3o hospitalizado.<\/p>\n<p>&#8211; 16h18min \u2014 Telefonema para a resid\u00eancia do capit\u00e3o Paulo Renault, que n\u00e3o atende.<\/p>\n<p>&#8211; 16h20min \u2014 Liga\u00e7\u00e3o para a portaria do pr\u00e9dio que diz, possivelmente o capit\u00e3o estaria viajando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cConforme o blog do jornalista Ricardo Noblat, o capit\u00e3o seria um Paulo Renault, engenheiro eletr\u00f4nico, perito judicial, te ex-agente do Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00e3o (SNI). Em 2005, esteve envolvido no esc\u00e2ndalo da CPI dos Correios\u201d, complementaram os jornalistas. \u201cEstaria disposto a fazer revela\u00e7\u00f5es em depoimento \u00e0 Justi\u00e7a, mas desistiu ao ter a casa metralhada\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; 2 de maio de 1981. Surge outra not\u00edcia de plano para matar o oficial ferido, talvez uma manobra para enfatizar que o capit\u00e3o do DOI-Codi tinha sido v\u00edtima de um atentado<\/p>\n<p>&#8211; 16h45min \u2014 Dr. Wilson (codinome de oficial) liga dizendo que o pessoal do hospital acha bom chamar o plant\u00e3o policial e a imprensa, dizendo que tinham conhecimento de um plano para eliminar o Dr. Marcos (o capit\u00e3o ferido).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E continuam as supostas amea\u00e7as no dia 2, tentando transformar o capit\u00e3o de terrorista em v\u00edtima. Molinas pede seguran\u00e7a:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; 22h25min \u2014 Telefonema do Dr. Marino (codinome de um oficial) avisando de um telefonema an\u00f4nimo para o Hospital Miguel Couto, avisando que colocariam um petardo na casa do Dr. Marcos (capit\u00e3o ferido).<\/p>\n<p>&#8211; 22h30min \u2014 Telefonema para o tenente-coronel Roberval e pede provid\u00eancias junto \u00e0 PM.<br \/>\n<b><br \/>\nDomingo, 3 de maio de 1981<\/b><\/p>\n<p>Molinas anota telefonema recebido de um colega coronel:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>&#8211;\u00a0<\/i>8h25min &#8211; Telefonema do coronel Prado, dizendo que o JB (Jornal do Brasil) tem reportagem em que um m\u00e9dico diz que o capit\u00e3o estaria em condi\u00e7\u00f5es de falar. O assunto \u00e9 tratado com o coronel Cinelli. Mais tarde, outro telefonema \u2014 ainda mais preocupante \u2014 fala que os agentes se tornam suspeitos de explodir a pr\u00f3pria bomba que os feriu:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; 15h50min \u2014 Agente Hugo (codinome de policial) liga dizendo que o seguran\u00e7a do Riocentro est\u00e1 comentando que o atentado seria nosso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para mudar o foco e jogar a culpa do atentado fracassado no Riocentro na esquerda, Molinas rascunha uma lista de incidentes anteriores, como a suposta tentativa de ataques a unidades militares. O texto \u00e9 datilografado e enviado ao coronel Cinelli.<\/p>\n<p><b>Antecedentes\u00a0<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Viemos (sic) apresentar alguns fatos que comprovam a inten\u00e7\u00e3o das esquerdas em atingir os \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a, em especial os DOIs, tanto no campo da agress\u00e3o f\u00edsica como em a\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas com objetivo \u00fanico de desmantelar o aparato repressor ou destru\u00ed-lo. No final de 1980 ficaram encarregados de eliminar o Exmo senhor general Ant\u00f4nio Bandeira (<i>que chefiou tropas para o combate aos guerrilheiros no Araguaia, grifo meu<\/i>), no Sul do pa\u00eds&#8230; O atentado seria com risco da pr\u00f3pria vida. (Vitimiza\u00e7\u00e3o, na tentativa de angariar simpatia da imprensa).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Molinas conclui:<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Face aos atos e fatos apresentados, somados a uma orquestra\u00e7\u00e3o pela imprensa, acusando os DOIs como respons\u00e1veis por tudo que ocorre de mal contra as esquerdas (&#8230;) cada elemento do \u00f3rg\u00e3o passou a ser um alvo de justi\u00e7amento. (&#8230;) Quanto ao atentado em si, qualquer conclus\u00e3o cair\u00e1 no campo da especula\u00e7\u00e3o, correndo o risco de atentar contra a honra e a integridade de um oficial e de um sargento.<br \/>\n<b><br \/>\nSegunda-feira, 4 de maio de 1981<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O di\u00e1rio \u00e9 recheado de documentos. Um deles, um of\u00edcio que chega ao DOI-Codi do coronel Luiz Ant\u00f4nio do Prado Ribeiro, encarregado do inqu\u00e9rito policial-militar (IPM) que investiga o atentado. Ele convoca o coronel Molinas Dias para depor \u00e0s 14h do dia seguinte no 9\u00ba andar do Pal\u00e1cio Duque de Caxias, sede do comando 1\u00ba Ex\u00e9rcito.<\/p>\n<p><b>Sexta-feira, 9 de maio de 1981<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Documento confidencial relata um telefonema ao DOI-Codi, \u00e0s 15h, repassando dados sobre uma mulher de nome Mariangela ou \u00c2ngela Capobianco e o local do trabalho do marido dela. O interlocutor descreve a mulher:<br \/>\n&#8220;Mais ou menos 45 anos, estatura m\u00e9dia, meio gorda, cabelo pintado de caju. \u00c9 important\u00edssima, est\u00e1 autorizada (muito cuidado). Trabalha na diretoria de vendas ou arrecada\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c2ngela, conforme citado acima,<b>\u00a0<\/b>era a coordenadora de eventos do Riocentro e, apontada como suspeita de ter colaborado com os militares. Ap\u00f3s afastar das fun\u00e7\u00f5es o chefe de seguran\u00e7a do Riocentro, na noite do atentado, ela teria sido respons\u00e1vel pelo fechamento com cadeados da maioria dos port\u00f5es de sa\u00edda da \u00e1rea do show. A medida, em caso de explos\u00e3o de uma bomba, poderia amplificar o n\u00famero de v\u00edtimas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Quarta-feira, 13 de maio de 1981<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Documento afirma que, \u00e0s 22h de 10 de maio, no bar do Hospital Miguel Couto um homem, em voz alta, acusa o DOI-Codi pelas bombas colocados no Riocentro e no jornal Tribuna da Imprensa. O homem e um amigo dele s\u00e3o levados para a 14\u00aa DP. L\u00e1 s\u00e3o interrogados e liberados. S\u00e3o eles: Jos\u00e9 Augusto Alves Neto, da R\u00e1dio JB, e Carlos Vieira Peixoto Filho, do JB (jornal).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Datado deste dia, um manuscrito cont\u00e9m duas perguntas e respostas atribu\u00eddas ao agente Guarany (amigo do sargento morto) sobre as habilidades com bombas do agente Wagner (codinome do sargento morto):<\/p>\n<p>&#8211; Wagner \u00e9 t\u00e9cnico em explosivos? \u00a0N\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Qual o curso ou est\u00e1gio que fez: Nenhum. \u00c9 um autodidata<\/p>\n<p><b>Quarta-feira, 20 de maio de 1981<\/b><\/p>\n<p>Em um documento reservado, enviado ao chefe do servi\u00e7o de intelig\u00eancia do 1\u00ba Ex\u00e9rcito, Molinas comunica os nomes dos agentes do DOI-Codi escalados oficialmente para &#8220;cobrir&#8221; o show: sargento da Aeron\u00e1utica Carlos Alberto Henrique de Mello e o soldado da Pol\u00edcia Militar Hirohito Peres Ferreira. O of\u00edcio afirma que o chefe da Se\u00e7\u00e3o de Opera\u00e7\u00f5es, capit\u00e3o Machado, e o sargento Ros\u00e1rio (os vitimados na explos\u00e3o no Puma) foram ao Riocentro para supervisionar a equipe. Seria a primeira vez que o nome de Machado e Ros\u00e1rio aparece em um documento oficial como tendo participado da desastrada Miss\u00e3o 115.<\/p>\n<p><b>Segunda-feira, 25 de maio de 1981<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Documento confidencial encaminhado \u00e0s unidades militares pelo comando do 1\u00ba Ex\u00e9rcito sob o t\u00edtulo &#8220;Atentado Terrorista no Riocentro &#8211; informa\u00e7\u00e3o 312\/81&#8221; determina pondera\u00e7\u00e3o, serenidade e isen\u00e7\u00e3o diante de &#8220;not\u00edcias apresentadas por certos setores da comunica\u00e7\u00e3o sensacionalistas e alguns pol\u00edticos, que muitas vezes n\u00e3o correspondem \u00e0 verdade&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O documento afirma que o coronel Luiz Ant\u00f4nio do Prado Ribeiro, encarregado da investiga\u00e7\u00e3o militar do atentado, foi substitu\u00eddo, pois est\u00e1 &#8220;baixado no HCE (Hospital Central do Ex\u00e9rcito) desde 18 de maio para observa\u00e7\u00e3o, foi submetido \u00e0 junta de sa\u00fade, cuja ata do exame recomenda que lhe sejam concedidos 30 dias de licen\u00e7a para tratamento de sa\u00fade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Anos depois, viria a p\u00fablico a vers\u00e3o de que Ribeiro foi afastado do inqu\u00e9rito porque se recusara a acatar ordens superiores. Teria sido, inclusive, chantageado para reunir provas que apontassem grupos de esquerda como autores do atentado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outros personagens an\u00f4nimos e do meio militar se rebelaram. Restou evidente para todos que o pa\u00eds enfrentava uma revolta de \u201carapongas\u201d inconformados em perder sua sinecura, os privil\u00e9gios e o poder, enfim. Certo \u00e9 que o Riocentro foi o divisor de \u00e1guas, entre a ditadura e a transi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, que dali por diante ganhou as ruas, ganhou for\u00e7a e aconteceu pela press\u00e3o da sociedade. N\u00e3o era mais poss\u00edvel conter o anseio por liberdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(<i>Confira o documento na \u00edntegra<\/i>).<\/p>\n<div id=\"stage\">\n<div id=\"slide-container\" tabindex=\"0\" data-cy=\"slide-container\">\n<div id=\"slide-0\" class=\"slide current loaded\" data-index=\"0\"><picture><img id=\"slide-image-0\" class=\"slide-image\" src=\"https:\/\/image.slidesharecdn.com\/3termodeinquiriodetestemunha-240328211542-c41d7f27\/85\/3-termo-de-inquirio-de-testemunhapdf-1-320.jpg?cb=1711660866\" sizes=\"100vw\" srcset=\"https:\/\/image.slidesharecdn.com\/3termodeinquiriodetestemunha-240328211542-c41d7f27\/85\/3-termo-de-inquirio-de-testemunhapdf-1-320.jpg?cb=1711660866 320w, https:\/\/image.slidesharecdn.com\/3termodeinquiriodetestemunha-240328211542-c41d7f27\/85\/3-termo-de-inquirio-de-testemunhapdf-1-638.jpg?cb=1711660866 638w\" alt=\"3\u00ba Termo de Inquiri\u00e7\u00e3o de Testemunha.pdf\" data-index=\"1\" \/><\/picture><\/div>\n<div id=\"slide-1\" class=\"slide loaded\" data-index=\"1\"><picture><source srcset=\"https:\/\/image.slidesharecdn.com\/3termodeinquiriodetestemunha-240328211542-c41d7f27\/85\/3-termo-de-inquirio-de-testemunhapdf-2-320.jpg?cb=1711660866 320w, https:\/\/image.slidesharecdn.com\/3termodeinquiriodetestemunha-240328211542-c41d7f27\/85\/3-termo-de-inquirio-de-testemunhapdf-2-638.jpg?cb=1711660866 638w, https:\/\/image.slidesharecdn.com\/3termodeinquiriodetestemunha-240328211542-c41d7f27\/75\/3-termo-de-inquirio-de-testemunhapdf-2-2048.jpg?cb=1711660866 2048w\" type=\"image\/webp\" sizes=\"100vw\" \/><img id=\"slide-image-1\" class=\"slide-image\" src=\"https:\/\/image.slidesharecdn.com\/3termodeinquiriodetestemunha-240328211542-c41d7f27\/85\/3-termo-de-inquirio-de-testemunhapdf-2-320.jpg?cb=1711660866\" sizes=\"100vw\" srcset=\"https:\/\/image.slidesharecdn.com\/3termodeinquiriodetestemunha-240328211542-c41d7f27\/85\/3-termo-de-inquirio-de-testemunhapdf-2-320.jpg?cb=1711660866 320w, https:\/\/image.slidesharecdn.com\/3termodeinquiriodetestemunha-240328211542-c41d7f27\/85\/3-termo-de-inquirio-de-testemunhapdf-2-638.jpg?cb=1711660866 638w\" alt=\"3\u00ba Termo de Inquiri\u00e7\u00e3o de Testemunha.pdf\" data-index=\"2\" \/><\/picture><\/div>\n<div id=\"slide-2\" class=\"slide loaded\" data-index=\"2\"><picture><source srcset=\"https:\/\/image.slidesharecdn.com\/3termodeinquiriodetestemunha-240328211542-c41d7f27\/85\/3-termo-de-inquirio-de-testemunhapdf-3-320.jpg?cb=1711660866 320w, https:\/\/image.slidesharecdn.com\/3termodeinquiriodetestemunha-240328211542-c41d7f27\/85\/3-termo-de-inquirio-de-testemunhapdf-3-638.jpg?cb=1711660866 638w, https:\/\/image.slidesharecdn.com\/3termodeinquiriodetestemunha-240328211542-c41d7f27\/75\/3-termo-de-inquirio-de-testemunhapdf-3-2048.jpg?cb=1711660866 2048w\" type=\"image\/webp\" sizes=\"100vw\" \/><img id=\"slide-image-2\" class=\"slide-image\" src=\"https:\/\/image.slidesharecdn.com\/3termodeinquiriodetestemunha-240328211542-c41d7f27\/85\/3-termo-de-inquirio-de-testemunhapdf-3-320.jpg?cb=1711660866\" sizes=\"100vw\" srcset=\"https:\/\/image.slidesharecdn.com\/3termodeinquiriodetestemunha-240328211542-c41d7f27\/85\/3-termo-de-inquirio-de-testemunhapdf-3-320.jpg?cb=1711660866 320w, https:\/\/image.slidesharecdn.com\/3termodeinquiriodetestemunha-240328211542-c41d7f27\/85\/3-termo-de-inquirio-de-testemunhapdf-3-638.jpg?cb=1711660866 638w\" alt=\"3\u00ba Termo de Inquiri\u00e7\u00e3o de Testemunha.pdf\" data-index=\"3\" \/><\/picture><\/div>\n<div id=\"slide-3\" class=\"slide\" data-index=\"3\"><picture><source srcset=\"https:\/\/image.slidesharecdn.com\/3termodeinquiriodetestemunha-240328211542-c41d7f27\/85\/3-termo-de-inquirio-de-testemunhapdf-4-320.jpg?cb=1711660866 320w, https:\/\/image.slidesharecdn.com\/3termodeinquiriodetestemunha-240328211542-c41d7f27\/85\/3-termo-de-inquirio-de-testemunhapdf-4-638.jpg?cb=1711660866 638w, https:\/\/image.slidesharecdn.com\/3termodeinquiriodetestemunha-240328211542-c41d7f27\/75\/3-termo-de-inquirio-de-testemunhapdf-4-2048.jpg?cb=1711660866 2048w\" type=\"image\/webp\" sizes=\"100vw\" \/><img id=\"slide-image-3\" class=\"slide-image\" src=\"https:\/\/image.slidesharecdn.com\/3termodeinquiriodetestemunha-240328211542-c41d7f27\/85\/3-termo-de-inquirio-de-testemunhapdf-4-320.jpg?cb=1711660866\" sizes=\"100vw\" srcset=\"https:\/\/image.slidesharecdn.com\/3termodeinquiriodetestemunha-240328211542-c41d7f27\/85\/3-termo-de-inquirio-de-testemunhapdf-4-320.jpg?cb=1711660866 320w, https:\/\/image.slidesharecdn.com\/3termodeinquiriodetestemunha-240328211542-c41d7f27\/85\/3-termo-de-inquirio-de-testemunhapdf-4-638.jpg?cb=1711660866 638w\" alt=\"3\u00ba Termo de Inquiri\u00e7\u00e3o de Testemunha.pdf\" data-index=\"4\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"slide-end-trap\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"player-toolbar\" class=\"\">\n<div id=\"progress-bar\">\n<div class=\"clipping-indicator-container\">\n<div class=\"clipping-indicator\"><\/div>\n<div class=\"clipping-indicator\"><\/div>\n<div class=\"clipping-indicator\"><\/div>\n<div class=\"clipping-indicator\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"buffered-bar\"><\/div>\n<div class=\"progress-container\"><\/div>\n<\/div>\n<div id=\"player-toolbar-left-actions\" class=\"player-toolbar-item\"><\/div>\n<div id=\"player-navigation\" class=\"player-toolbar-item\"><button id=\"previous-slide\" disabled=\"disabled\" type=\"button\" data-cy=\"previous-button\" aria-label=\"Slide anterior\"><i class=\"icon-chevron-left\"><\/i><\/button><span class=\"slide-index\" aria-live=\"polite\" aria-atomic=\"true\"><span class=\"current-slide-number j-current-slide\" data-cy=\"current-slide-number\">1<\/span><\/span><\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante 43 anos a \u00edntegra do depoimento do capit\u00e3o Wilson Machado, sobrevivente em estado grave do atentado terrorista forjado, foi mantida em sigilo Nesses tempos em que se v\u00ea fatos sendo lan\u00e7ados como dardos contra processos e investiga\u00e7\u00f5es, com o flagrante intento de embaralhar a cena pol\u00edtica, &#8211; como o vazamento dos \u00e1udios do tenente-coronel [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":118980,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[933,71],"tags":[990,3890,3886,540,3889,3785,989],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/118978"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=118978"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/118978\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":118983,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/118978\/revisions\/118983"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/118980"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=118978"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=118978"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=118978"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}