{"id":118793,"date":"2024-03-20T11:15:38","date_gmt":"2024-03-20T14:15:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/?p=118793"},"modified":"2024-03-20T11:15:38","modified_gmt":"2024-03-20T14:15:38","slug":"a-conquistense-do-araguaia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/2024\/03\/20\/a-conquistense-do-araguaia\/","title":{"rendered":"A conquistense do Araguaia"},"content":{"rendered":"<p>Ruy Medeiros<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Setenta e cinco anos \u00e9 a idade que ela teria nesse 22 de mar\u00e7o de 2024. A morte a ceifou, presa e indefesa, em 1974. Falo de Dinaelza Santana Coqueiro, nome de casada, nascida no lugar S\u00e3o Sebasti\u00e3o (Cachorros), distante uns vinte kil\u00f4metros da cidade de Vit\u00f3ria da Conquista, Bahia. Sua m\u00e3e, Junilia Soares Santana, integrava fam\u00edlia (Soares), que explorava im\u00f3vel rural na regi\u00e3o do Distrito de Jos\u00e9 Gon\u00e7alves. Seu pai, Antonio Pereira de Santana, fixou a fam\u00edlia em Jequi\u00e9, Bahia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conheci Dinaelza Soares, na d\u00e9cada de 1960, na agitada Salvador de movimentos estudantis. Estava para cursar geografia. Elas e outros estudantes chegaram a frequentar c\u00edrculo no qual eu ministrava conversas sobre Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No \u00e2mbito da repress\u00e3o aos movimentos dos estudantes, ela e outros jovens abandonaram Salvador. Em verdade, em companhia de Vandick Reidner Pereira Coqueiro (com o qual se casaria), natural de Boa Nova, Bahia, e outros jovens, foi lutar, contra a ditadura militar, nas selvas do Araguaia. L\u00e1 foram trucidados e seus corpos nunca foram devolvidos \u00e0 fam\u00edlia e nunca foi sinalizado o lugar onde foram soterrados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conhe\u00e7o dois de seus irm\u00e3os, Diva e G\u00e9tulio. Diva Santana, lutadora pela busca dos corpos e das hist\u00f3rias dos mortos e desaparecidos, vitimas da ditadura militar, integrante e co-fundadora do Grupo Tortura Nunca Mais, com grande folha de servi\u00e7os \u00e0 memoria social referente aos perseguidos e assassinados por aquele regime de \u00f3dio. G\u00e9tulio Santana que, juntamente com o famoso cartunista Nild\u00e3o, foi fundador da c\u00e9lebre livraria Literarte, de grande import\u00e2ncia na Bahia, que eu frequentava. A &#8220;Literarte\u201d foi recentemente objeto de uma &#8220;biografia\u201d escrita pelo jornalista Gon\u00e7alo Junior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vida de Dinaelza Santana Coqueiro e a luta de sua fam\u00edlia em busca de seu corpo, para dar-lhe sepultura condigna e celebrar-lhe a despedida, \u00e9 objeto do livro -&#8220;Do corpo Insepulto \u00e0 luta por Mem\u00f3ria, Verdade e Justi\u00e7a &#8211; um estudo do caso Dinaelza Coqueiro\u201d (Editora CRV, Curitiba, 2020), de autoria da tamb\u00e9m conquistense, Gilneide Padre (da fam\u00edlia Soares, por parte de m\u00e3e). \u00c9 livro fundamental, n\u00e3o posso deixar de lembrar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dinaelza. S\u00e3o Sebasti\u00e3o, Vit\u00f3ria da Conquista, BA, 22.03.1949. Matas do Araguaia, Xambi\u00f3a (?), Par\u00e1, 8(?) de mar\u00e7o de 1974.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ruy Medeiros Setenta e cinco anos \u00e9 a idade que ela teria nesse 22 de mar\u00e7o de 2024. A morte a ceifou, presa e indefesa, em 1974. Falo de Dinaelza Santana Coqueiro, nome de casada, nascida no lugar S\u00e3o Sebasti\u00e3o (Cachorros), distante uns vinte kil\u00f4metros da cidade de Vit\u00f3ria da Conquista, Bahia. 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