{"id":118077,"date":"2024-02-15T02:28:38","date_gmt":"2024-02-15T05:28:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/?p=118077"},"modified":"2024-02-15T02:28:38","modified_gmt":"2024-02-15T05:28:38","slug":"o-carnaval-e-o-anarquismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/2024\/02\/15\/o-carnaval-e-o-anarquismo\/","title":{"rendered":"O Carnaval e o Anarquismo"},"content":{"rendered":"<p><b><i>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0\u00a0<\/i><\/b> <b><i> \u00a0 \u00a0 <\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400;\">(Prof. Dirl\u00eai A Bonfim)*<\/span><\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Ao iniciar esse ensaio, estava aqui fazendo uma releitura da \u00faltima edi\u00e7\u00e3o do Livro do Professor Roberto DaMatta, acerca do carnaval, bem como, todas as rela\u00e7\u00f5es sociais, representativas, culturais, pol\u00edticas, recreativas e simb\u00f3licas, que esta festa nos apresenta. <\/span><b><i>O Carnaval \u00e9 sem d\u00favida uma das maiores festas populares do mundo.<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> Um evento que leva \u00e0s ruas todas as manifesta\u00e7\u00f5es de todas as classes, cores e ra\u00e7as, todos os credos, misticismos, utopias, valores, motivos e compreens\u00f5es pela diversidade que os desfiles se apresentam nas ruas das cidades brasileiras, cada uma das pessoas com a sua forma e maneira peculiar de se manifestar. Na busca de uma alegria coletiva, um prazer da carne, qui\u00e7a imaterial, espiritual, que se compartilha e \u00e9 compartilhado por multid\u00f5es em todas as pra\u00e7as e avenidas pelas cidades afora. Sobre a origem do <\/span><b><i>Carnaval, segundo o<\/i><\/b> <b><i>Professor Meuli, fil\u00f3logo su\u00ed\u00e7o Karl Meuli(1971),<\/i><\/b> <i><span style=\"font-weight: 400;\">a <\/span><\/i><b><i>palavra Carnaval deriva da palavra italiana\u00a0Carnavale, mas explica\u00e7\u00f5es lingu\u00edsticas, mitol\u00f3gicas e<\/i><\/b> <b><i>etimol\u00f3gicas s\u00e3o mais amplas e diversas.<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400;\"> Que v\u00e3o desde as festas pag\u00e3s do Sec. V, A\/C, passando pelas festas e comemora\u00e7\u00f5es advindas para al\u00e9m do iluminismo, at\u00e9 os nossos dias, naquilo que cada sociedade compreende e se manifesta atrav\u00e9s dos encontros e das festas populares.<\/span><\/i> <b>O Professor <\/b><b><i>Meuli lembra que j\u00e1 se pensou que \u201ccarnaval\u201d derivaria, ou do\u00a0carus navalis\u00a0(carruagem naval),\u00a0do deus grego Dion\u00edsio em Atenas, ou at\u00e9 mesmo do navio da deusa eg\u00edpcia \u00cdsis.<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> Mas para o etim\u00f3logo su\u00ed\u00e7o, foram Merlo e Wartburg os linguistas quem demonstraram de modo <\/span><b><i>irrefut\u00e1vel \u201cque a palavra [carnaval]<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> se refere ao in\u00edcio dos quarenta dias de jejum, n\u00e3o no sentido de\u00a0carne, vale!\u00a0\u2014 Carne, adeus! \u2013, mas no sentido de\u00a0carnem levare, \u2018trazer, retirar a carne da mesa\u2019 (Roma, s\u00e9culo XIII:\u00a0carnelevarium; Mil\u00e3o, s\u00e9culo XIV:\u00a0carnelevamen)\u201d. O Carnaval no Brasil, h\u00e1 quem diga que o ano realmente s\u00f3 come\u00e7a ap\u00f3s essa data, que \u00e9 uma cultura enraizada no nosso pa\u00eds. H\u00e1 pessoas f\u00edsicas e jur\u00eddicas, que trabalham o ano inteiro para a concep\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o das fantasias e alegorias, bem como, os Foli\u00f5es, que muitas vezes pagam seus carn\u00eas, durante um ano inteiro para garantir sua participa\u00e7\u00e3o no desfile em alguma Escola e ou Bloco de Trio El\u00e9trico. Ela \u00e9 uma data transit\u00f3ria que arrasta multid\u00f5es pelo Brasil e costuma parar as cidades. O Carnaval \u00e9 uma data t\u00e3o presente na cultura brasileira que a sociedade j\u00e1 conta e espera por essa data. Como sabemos, o carnaval n\u00e3o \u00e9 produto do pensamento moderno. Ele j\u00e1 existia at\u00e9 na Idade M\u00e9dia e nas sociedades Medievais, portanto, n\u00e3o \u00e9 algo t\u00e3o novo e moderno. Como se d\u00e1 a realiza\u00e7\u00e3o dessa festa? <\/span><b><i>A\u00ed perpassa por todo um processo de planejamento invej\u00e1vel at\u00e9 para as grandes corpora\u00e7\u00f5es, voltados e pautados pelo resultado\/lucro, express\u00e3o maior do mundo <\/i><\/b><b><i>capitalista, que transforma tudo em mercadoria. <\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0H\u00e1 ainda, aqueles que classificam como <\/span><b><i>a ind\u00fastria do carnaval<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, que vai gerar muito turismo, emprego e renda e claro, vai trazer consigo todos os desdobramentos de uma festa com essa dimens\u00e3o. (tudo demais, muito sexo, divers\u00e3o, droga, crimes de toda natureza, consumo, e consumo). <\/span><b><i>Por vezes, somos induzidos a pensar nessa festa, apenas como o desfile de escolas de samba e trios el\u00e9tricos com os patroc\u00ednios p\u00fablicos e privados, do estado, das cervejarias, emissoras de r\u00e1dio e tvs e outras empresas capitalistas que est\u00e3o visando nele apenas o lucro.<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> Ser\u00e1 o carnaval aquele que \u00e9 televisionado nas ruas de cidades como Salvador, Rio e outros Estados do Brasil onde voc\u00ea tem que comprar uma fantasia qualquer ou abad\u00e1 para festejar? E assim, <\/span><b><i>alimentar essa tal ind\u00fastria do Carnaval,<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> ser\u00e1 que \u00e9 s\u00f3 isso? Numa sociedade de apar\u00eancias, hipocrisias, fantasias, mentiras e simbolismos, tudo isso est\u00e1 muito bem representado nas Avenidas, ou para al\u00e9m delas. <\/span><b><i>O Capitalismo faz tudo que o interessa \u201cpermitido ou n\u00e3o\u201d em prol do Lucro e da sua acumula\u00e7\u00e3o. \u00c9 l\u00f3gico que o capital sempre se apropria de \u201cprodutos\u201d em transformar o carnaval em mais um produto de consumo para potencializar os Lucros.<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> Mas, existem outras formas de fazer a festa (o carnaval), com a participa\u00e7\u00e3o popular de forma mais simples e barata. Segundo o <\/span><b><i>Professor\u00a0 DaMatta (1997), no seu cl\u00e1ssico: Carnavais, Malandros e Her\u00f3is, em que\u00a0 <\/i><\/b><b><i>tra\u00e7a<\/i><\/b> <b><i>rela\u00e7\u00f5es entre o carnaval, a religiosidade e a hierarquiza\u00e7\u00e3o da sociedade.<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> Ressalta as invers\u00f5es e entrela\u00e7amentos entre as classes sociais e g\u00eaneros <\/span><b><i>durante a festa e analisa, o &#8220;politicamente correto&#8221;<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> em uma festa pautada pela irrever\u00eancia. O antrop\u00f3logo comenta, ainda, se o pa\u00eds t\u00e3o marcado por trag\u00e9dias e not\u00edcias ruins, deveria interromper os festejos carnavalescos.\u00a0Mas, ao mesmo tempo, pondera que o Carnaval, na verdade, \u00e9 o momento do encontro, entre os amigos, fam\u00edlia, momento tamb\u00e9m da reflex\u00e3o e extravasamento de todas as ang\u00fastias do dia a dia, bem como, a cr\u00edtica sobre o cotidiano das mazelas na pol\u00edtica partid\u00e1ria, inclusive com a encena\u00e7\u00e3o e execra\u00e7\u00e3o das personagens tortas e tortuosas no mundo pol\u00edtico. <\/span><b><i>Assim, como a tradi\u00e7\u00e3o da queima do Judas, todos os anos no (s\u00e1bado de Aleluia), para os dias de Carnaval,<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> h\u00e1 sempre os blocos com muita criatividade e irrever\u00eancia para <\/span><b><i>a cr\u00edtica aberta e a execra\u00e7\u00e3o p\u00fablica aos mal feitores do mundo pol\u00edtico, por toda a patifaria, corrup\u00e7\u00e3o, incompet\u00eancias, crimes e malversa\u00e7\u00e3o, que os seus atos desumanos, causam de dores e <\/i><\/b><b><i>sofrimentos \u00e0s sociedades.<\/i><\/b> <span style=\"font-weight: 400;\">S<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">egundo <\/span><b><i>D. H\u00e9lder C\u00e2mara (1975),<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> o<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\"> \u201c<\/span><\/i><b><i>Carnaval \u00e9 a alegria popular. Direi mesmo, uma das raras alegrias que ainda sobram para a minha gente querida. Peca-se muito no carnaval? N\u00e3o sei o que pesa mais diante de Deus: se excessos, aqui e ali, cometidos por foli\u00f5es, ou farisa\u00edsmo e falta de amor por parte de quem se julga melhor e mais santo por n\u00e3o brincar o carnaval. Brinque, meu povo querido! Minha gente querid\u00edssima. \u00c9 verdade que na quarta-feira a luta recome\u00e7a, mas ao menos se p\u00f4s um pouco de sonho e alegria na realidade dura da vida!<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d<\/span><\/i><b><i>O pensamento anarquista surgiu com as ideias do pol\u00edtico e fil\u00f3sofo franc\u00eas Pierre-Joseph Proudhon (1809-1865). Membro do Parlamento franc\u00eas, durante<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400;\"> certo tempo, e oriundo de uma<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> fam\u00edlia de pequenos burgueses, <\/span><b><i>Proudhon criticou severamente a presen\u00e7a do Estado<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> nas <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e a aquisi\u00e7\u00e3o da propriedade privada.<\/span><\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b><i>&#8220;Segundo o franc\u00eas, a propriedade privada, s\u00edmbolo maior do capitalismo, era o maior motivo da desgra\u00e7a humana\u201d e o Estado era<\/i><\/b> <b><i>apenas um aparato repressor criado para controlar a vida das pessoas e mant\u00ea-las presas \u00e0 l\u00f3gica capitalista. Outro grande pensador do anarquismo foi o te\u00f3rico pol\u00edtico russo Mikhail Bakunin (1814-1876).<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> Bakunin conheceu os ideais de Proudhon e o socialismo cient\u00edfico de Marx e Engels. Ele divergiu dos te\u00f3ricos comunistas, em especial, na quest\u00e3o da presen\u00e7a do Estado nas revolu\u00e7\u00f5es populares, e tamb\u00e9m elevou a um grau mais radical <\/span><b><i>as ideias do franc\u00eas Proudhon<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400;\">, bem como, de outros pensadores. <\/span><\/i><b><i>Para Bakunin(1852), \u201cera<\/i><\/b><b><i> necess\u00e1ria uma revolu\u00e7\u00e3o sangrenta, a partir de a\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas e fortes que derrubassem de vez o Estado e implantassem um sistema pol\u00edtico democr\u00e1tico direto, livre, aut\u00f4nomo, baseado na autogest\u00e3o e sem figuras de lideran\u00e7as pol\u00edticas.&#8221; <\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400;\">Por que muitos, tentam classificar as atividades e manifesta\u00e7\u00f5es do carnaval como manifesta\u00e7\u00f5es do anarquismo? Primeiro, por ter havido ao longo dos anos, uma <\/span><\/i><b><i>desconstru\u00e7\u00e3o do <\/i><\/b><b><i>voc\u00e1bulo: real significado de Anarquismo substantivo masculino[Pol\u00edtica]\u00a0Teoria pol\u00edtica que afirma ser a sociedade uma institui\u00e7\u00e3o independente do poder do Estado; teoria social e pol\u00edtica que n\u00e3o aceita a submiss\u00e3o da sociedade aos poderes governamentais e\/ou \u00e0 autoridade do Estado. O anarquismo tem como princ\u00edpio b\u00e1sico a autogest\u00e3o democr\u00e1tica da pol\u00edtica, ou seja, no sistema anarquista n\u00e3o existe governo, n\u00e3o existe Estado, n\u00e3o existem lideran\u00e7as, n\u00e3o existem institui\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas,<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400;\"> e a lei \u00e9 criada e exercida pela participa\u00e7\u00e3o de toda a popula\u00e7\u00e3o. <\/span><\/i><b><i>O anarquismo prega a valoriza\u00e7\u00e3o da liberdade individual, a partir da extin\u00e7\u00e3o do capitalismo<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400;\"> e das institui\u00e7\u00f5es estatais, por isso \u00e9 chamado tamb\u00e9m de comunismo libert\u00e1rio. Para os anarquistas, n\u00e3o deve haver qualquer tipo de for\u00e7a repressora da liberdade humana, assim o Estado deve ser extinto. <\/span><\/i><b><i>O ser humano deve ter o princ\u00edpio da liberdade como for\u00e7a motriz de sua a\u00e7\u00e3o, pois na vis\u00e3o<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400;\"> anarquista, se todos t\u00eam<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> as mesmas condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas e submetem-se \u00e0s mesmas condi\u00e7\u00f5es legais autogestion\u00e1rias (submetem-se a uma lei comum que n\u00e3o privilegia uns e absolve outros e n\u00e3o t\u00eam como figura central as institui\u00e7\u00f5es), as a\u00e7\u00f5es contra o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">bem comum desaparecer\u00e3o. <\/span><\/i><b><i>O princ\u00edpio da liberdade anarquista \u00e9 elevado ao m\u00e1ximo, ao concluir que o ser humano deve<\/i><\/b> <b><i>ter total dire\u00e7\u00e3o e controle de sua vida<\/i><\/b> <b><i>individual,<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400;\"> desde que n\u00e3o interfira na vida alheia. Dessa forma,<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> os anarquistas veem a maioria das leis como artif\u00edcios de controle que apenas mant\u00eam as pessoas conformadas com a ordem vigente, pois temem serem punidas, com base nas leis, constitui\u00e7\u00f5es e regulamentos&#8221;. Na<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">Etimologia (origem da palavra\u00a0<\/span><b><i>anarquismo<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">). <\/span><b>Anarquia + ismo. <\/b><b><i>O anarquismo critica principalmente\u00a0explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do sistema capitalista<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0e o que chama de\u00a0domina\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-burocr\u00e1tica\u00a0e da\u00a0coa\u00e7\u00e3o f\u00edsica do Estado. Os anarquistas n\u00e3o buscam uma revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, mas uma revolu\u00e7\u00e3o social. O pilar mais conhecido da teoria anarquista \u00e9 a cr\u00edtica ao Estado e a cren\u00e7a em um\u00a0territ\u00f3rio baseado na autogovernan\u00e7a.\u00a0A cr\u00edtica se estende a todo e qualquer tipo de sistema em que h\u00e1 Estado, dos que agem <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">com interven\u00e7\u00e3o m\u00ednima \u00e0 m\u00e1xima, dos mais autorit\u00e1rios aos mais liberais.<\/span><\/i> <span style=\"font-weight: 400;\">Do ponto de vista hist\u00f3rico e cient\u00edfico:<\/span><b><i> &#8220;Na vis\u00e3o anarquista todo e qualquer governo tinha como fim \u00faltimo legitimar uma nova classe no poder e cercear as liberdades individuais. Por isso, a Ditadura do Proletariado era vista pelo ideal anarquista enquanto uma mera reprodu\u00e7\u00e3o dos Estados Liberal-Burgu\u00eas ou Absolutista.&#8221; Sem a figura opressora do Estado, potencializa\u00e7\u00e3o das liberdades, conquista da autogest\u00e3o, uma sociedade livre, \u00e9tica, respeitosa e respons\u00e1vel para decidir de forma civilizada, educada, consciente e qualificada o melhor para toda a coletividade\u201d. Por isso mesmo, ainda num processo de <\/i><\/b><b><i>Utopia&#8230; <\/i><\/b><b><i>Do grego \u201cou+topos\u201d que significa \u201clugar que n\u00e3o existe, ou a se alcan\u00e7ar um lugar do esplendor\u201d.<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> No sentido geral, o termo \u00e9 usado para denominar constru\u00e7\u00f5es imagin\u00e1rias de sociedades perfeitas, conforme os princ\u00edpios filos\u00f3ficos de seus idealizadores.<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">Na vis\u00e3o de M.Bakunin(1855), vai afirmar:<\/span> <b><i>\u201c<\/i><\/b><b><i>S\u00f3 serei verdadeiramente livre quando todos os seres humanos que me cercam, homens e mulheres, forem igualmente livres, de modo que quanto mais numerosos forem os homens livres que me rodeiam e quanto mais profunda e maior for a sua liberdade, tanto mais vasta, mais profunda e maior ser\u00e1 a minha liberdade, quanto maior a liberdade, igualdade, consci\u00eancia \u00e9tica, fraternidade, mais possibilidade de uma sociedade altiva, independente, livre e justa\u201d. <\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo Proudhon (1862),<\/span> <b><i>\u201cSer governado significa ser observado, inspecionado, espionado, dirigido, legislado, regulamentado, cercado, doutrinado, admoestado, controlado, avaliado, censurado, comandado; e por criaturas que para isso n\u00e3o tem o direito, nem a sabedoria, nem a virtude\u2026 Oh personalidade humana! Como pudeste te curvar \u00e0 tamanha sujei\u00e7\u00e3o durante sessenta s\u00e9culos? N\u00e3o compreendeu ainda, que a liberdade, igualdade, autonomia, \u00e9tica, intelectualidade, s\u00e3o fontes da dignidade humana&#8230;?\u00a0 O que fazes, que ainda se-submete a tanta opress\u00e3o\u201d&#8230;? <\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo Malatesta (1897),<\/span><b><i> \u201cAnarquista \u00e9, por defini\u00e7\u00e3o, aquele que n\u00e3o quer ser oprimido, nem deseja ser opressor; \u00e9 aquele que deseja o m\u00e1ximo bem-estar, a m\u00e1xima liberdade, o m\u00e1ximo desenvolvimento poss\u00edvel para todos os seres humanos, de forma solid\u00e1ria, fraterna e justa\u201d.<\/i><\/b> <b><i>A partir de Paul Feyerabend (1949), que vai representar a radicaliza\u00e7\u00e3o sobre os fundamentos da ci\u00eancia<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. Ele postula que a ci\u00eancia \u00e9 uma atividade metodologicamente an\u00e1rquica e que \u00e9 apenas um dos modos de vida poss\u00edveis. Isto porque h\u00e1 v\u00e1rios fatores que determinam o desenvolvimento cient\u00edfico, desde a metaf\u00edsica at\u00e9 a pol\u00edtica e a economia.<\/span> <b><i>Ainda, segundo Feyerabend (1955), a ci\u00eancia, assim como a religi\u00e3o, foi imposta pela cultura ocidental de forma unilateral.<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> Assim, nos faz crer, num sentido maior e mais profundo, <\/span><b><i>quanto a rela\u00e7\u00e3o de liberdade da sociedade, na<\/i><\/b> <b>\u00a0<\/b><b><i>\u201cfesta carnavalesca\u201d,<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> do mesmo modo que ocorre em rituais religiosos, seja cat\u00f3lico, ou n\u00e3o,\u00a0 suspende as ordens hier\u00e1rquicas, provocando verdadeira contraposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas da temporalidade, mas tamb\u00e9m da estrutura de poder normativa que o cotidiano estabelece. <\/span><b><i>E isso est\u00e1 relacionado com aquela \u201canarquia legal<\/i><\/b><b><i>\u201d. <\/i><\/b><b><i>A analogia entre carnaval e o anarquismo<\/i><\/b><b><i>, que se coloca, pela forma em que a liberdade \u00e9 pensada e exercida de forma poss\u00edvel, n\u00e3o integral, mas com toda pot\u00eancia peculiar das manifesta\u00e7\u00f5es mais leg\u00edtimas advindas do povo.<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> E isso nos remete a imaginar uma sociedade com amplo poder de liberdade e autonomia, autogestora, senhora dos seus rumos e percursos, o povo\/sociedade integralmente livre, organizado e senhor de si, sem as amarras, a vigil\u00e2ncia e a opress\u00e3o do estado, com todo o seu aparato e despotismo autocr\u00e1tico, presente em qualquer regime pol\u00edtico e ou modelo existente.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">**contribui\u00e7\u00e3o do <\/span><\/i><b><i>Professor DsC. Dirl\u00eai A Bonfim<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400;\">, <\/span><\/i><b><i>Doutor em Desenvolvimento Econ\u00f4mico<\/i><\/b><b><i> e Ambiental<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400;\">,\u00a0 <\/span><\/i><b><i>Professor de Sociologia da SEC\/BA**E no Curso\/Plano de Forma\u00e7\u00e3o Continuada SEC\/IAT\/BA.*02\/2024.1**<\/i><\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":107423,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[67,71],"tags":[3550,3551,170,1060],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/118077"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=118077"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/118077\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":118078,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/118077\/revisions\/118078"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/107423"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=118077"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=118077"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=118077"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}