{"id":117235,"date":"2023-12-13T01:56:10","date_gmt":"2023-12-13T04:56:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/?p=117235"},"modified":"2023-12-13T01:57:15","modified_gmt":"2023-12-13T04:57:15","slug":"a-alucinacao-bolsonarista-pode-acabar-em-2026-com-a-segunda-derrota","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/2023\/12\/13\/a-alucinacao-bolsonarista-pode-acabar-em-2026-com-a-segunda-derrota\/","title":{"rendered":"Editorial- A alucina\u00e7\u00e3o bolsonarista pode acabar em 2026 com a segunda derrota"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/qQdK7MVLy14?si=mZhR2yrt8K61uhyP\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe>Alucina\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais comuns do que se imagina Todo mundo tem alucina\u00e7\u00f5es. Elas s\u00e3o parte da percep\u00e7\u00e3o sensorial normal, e n\u00e3o apenas o resultado de transtornos mentais ou drogas, apontam teorias cient\u00edficas atuais. Na realidade, trata-se de algo muito comum e que acontece at\u00e9 mesmo diariamente. A experi\u00eancia de Yarwood com coceiras imagin\u00e1rias, por exemplo, \u00e9 particularmente comum, especialmente depois de beber \u00e1lcool. &#8220;Tamb\u00e9m \u00e9 comum que pessoas com capacidade de audi\u00e7\u00e3o ou vis\u00e3o reduzida tenham alucina\u00e7\u00f5es naquele ouvido ou olho&#8221;, afirma Rick Adams, psiquiatra da University College London. &#8220;Trata-se de alucina\u00e7\u00f5es n\u00e3o cl\u00ednicas, pois n\u00e3o s\u00e3o associadas a um diagn\u00f3stico psiqui\u00e1trico.&#8221; Percep\u00e7\u00e3o \u00e9 alucina\u00e7\u00e3o controlada Para entender o que realmente acontece quando se tem alucina\u00e7\u00f5es, \u00e9 preciso observar como o c\u00e9rebro cria percep\u00e7\u00f5es sensoriais. Intuitivamente, podemos pensar que a percep\u00e7\u00e3o \u00e9 o resultado da leitura de informa\u00e7\u00f5es externas que chegam ao c\u00e9rebro. Algo que Seth contesta. &#8220;Na verdade, \u00e9 o contr\u00e1rio: a percep\u00e7\u00e3o \u00e9 o c\u00e9rebro gerando representa\u00e7\u00f5es do mundo a partir de dentro. A informa\u00e7\u00e3o vinda dos sentidos calibra as percep\u00e7\u00f5es&#8221;, explica. Ou seja, o c\u00e9rebro \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o preditivo que tenta antecipar ou entender o que est\u00e1 acontecendo com base no que aconteceu antes, aponta o especialista. Na vis\u00e3o, por exemplo, o c\u00e9rebro cria hip\u00f3teses sobre as informa\u00e7\u00f5es sensoriais vindas do olho. Ele faz previs\u00f5es r\u00e1pidas sobre o que um objeto pode ser com base no que voc\u00ea viu no passado. Outras informa\u00e7\u00f5es sensoriais dos olhos ou de outros sentidos ajustam e corrigem essa previs\u00e3o para torn\u00e1-la mais precisa. &#8220;Isso significa que a percep\u00e7\u00e3o cotidiana \u00e9 uma esp\u00e9cie de alucina\u00e7\u00e3o controlada ou sonho acordado. \u00c9 gerada de dentro, mas controlada pelo mundo por meio de sinais sensoriais&#8221;, conclui Seth. Pareidolia e ilus\u00f5es Pode parecer estranho pensar que o olho desempenha um papel secund\u00e1rio na percep\u00e7\u00e3o visual, mas h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es em que voc\u00ea pode perceber isso acontecendo. A primeira \u00e9 a pareidolia \u2013 a tend\u00eancia de ver padr\u00f5es nas coisas quando n\u00e3o h\u00e1 nenhum, como ver um rosto na Lua. Aqui, o c\u00e9rebro est\u00e1 gerando a percep\u00e7\u00e3o de um rosto, apesar de informa\u00e7\u00f5es sensoriais dizerem que \u00e9 imposs\u00edvel a Lua ter uma face. Desse modo, podemos saber que a Lua n\u00e3o tem rosto, mas ainda assim o vemos. Em segundo lugar est\u00e3o as ilus\u00f5es visuais, como a ilus\u00e3o do ca\u00e7ador lil\u00e1s. Se voc\u00ea olhar para a cruz no centro da imagem por 30 segundos, poder\u00e1 ver os discos lil\u00e1s desaparecendo e um disco verde correndo ao redor do c\u00edrculo no lugar da lacuna. Mas \u00e9 claro que n\u00e3o h\u00e1 disco verde. De acordo com Seth, o c\u00e9rebro gerou a percep\u00e7\u00e3o do disco verde para preencher a lacuna de cor. Quando alucina\u00e7\u00f5es se tornam um problema? Embora todos n\u00f3s tenhamos alucina\u00e7\u00f5es &#8220;simples&#8221; em alguma medida, as alucina\u00e7\u00f5es &#8220;complexas&#8221; s\u00e3o muito mais comuns em pessoas diagnosticadas com condi\u00e7\u00f5es psiqui\u00e1tricas: 89% das pessoas com esquizofrenia e 40% das pessoas com doen\u00e7a de Parkinson experimentam alucina\u00e7\u00f5es. De acordo com Adams, alucina\u00e7\u00f5es simples do dia a dia se tornam preocupantes quando come\u00e7am a atrapalhar a vida normal. &#8220;N\u00e3o se trata de com que frequ\u00eancia voc\u00ea tem alucina\u00e7\u00f5es ou de que tipo elas s\u00e3o, mas de se elas t\u00eam algum tipo de efeito danoso sobre a pr\u00f3pria pessoa. Elas tamb\u00e9m invadem a vida e n\u00e3o podem ser controladas&#8221;, explicou. Muitas pessoas com esquizofrenia, por exemplo, tendem a ouvir vozes ou ver coisas que s\u00e3o desagrad\u00e1veis \u200b\u200be perturbadoras, como vozes que as fazem lembrar de seus medos mais sombrios ou as dizem para machucar a si mesmas. Seth descreve esse tipo de alucina\u00e7\u00f5es como uma percep\u00e7\u00e3o descontrolada. Cientistas realmente n\u00e3o sabem por que alucina\u00e7\u00f5es perceptivas normais, como as que Yarwood experimenta, tornam-se fortes e complexas em condi\u00e7\u00f5es como a esquizofrenia. Adams acredita que uma chave para o quebra-cabe\u00e7a possa ser o fato de que as vozes parecem vir do mundo exterior, apesar de serem geradas dentro do c\u00e9rebro. &#8220;Achamos que existe um m\u00f3dulo envolvido na percep\u00e7\u00e3o no c\u00e9rebro que de alguma forma ganha autonomia. Esse espa\u00e7o do c\u00e9rebro come\u00e7a a jorrar previs\u00f5es perceptivas que n\u00e3o t\u00eam base em informa\u00e7\u00f5es sensoriais. O resto do c\u00e9rebro recebe essas previs\u00f5es e naturalmente assume que elas vieram de fora&#8221;, diz o psiquiatra. A ideia \u00e9 que o m\u00f3dulo aut\u00f4nomo de gera\u00e7\u00e3o de percep\u00e7\u00e3o perdeu o feedback das informa\u00e7\u00f5es sensoriais do olho ou dos ouvidos, que normalmente corrigiriam a percep\u00e7\u00e3o. Portanto, a alucina\u00e7\u00e3o parece estar desassociada do seu corpo. Diversidade nas percep\u00e7\u00f5es Mas qu\u00e3o comum s\u00e3o alucina\u00e7\u00f5es? Cientistas n\u00e3o sabem exatamente. Ainda n\u00e3o foram realizados estudos rigorosos sobre a frequ\u00eancia com que as pessoas t\u00eam alucina\u00e7\u00f5es de qualquer tipo. At\u00e9 agora, o foco tem sido apenas as alucina\u00e7\u00f5es associadas a estados mentais alterados pelo uso de drogas ou dist\u00farbios mentais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alucina\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais comuns do que se imagina Todo mundo tem alucina\u00e7\u00f5es. Elas s\u00e3o parte da percep\u00e7\u00e3o sensorial normal, e n\u00e3o apenas o resultado de transtornos mentais ou drogas, apontam teorias cient\u00edficas atuais. Na realidade, trata-se de algo muito comum e que acontece at\u00e9 mesmo diariamente. 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