{"id":115017,"date":"2023-07-25T04:22:17","date_gmt":"2023-07-25T07:22:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/?p=115017"},"modified":"2023-07-25T04:22:17","modified_gmt":"2023-07-25T07:22:17","slug":"paciente-passa-por-tratamento-inovador-contra-cancer-e-tem-remissao-completa-da-doenca-em-dois-meses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/2023\/07\/25\/paciente-passa-por-tratamento-inovador-contra-cancer-e-tem-remissao-completa-da-doenca-em-dois-meses\/","title":{"rendered":"Paciente passa por tratamento inovador contra c\u00e2ncer e tem remiss\u00e3o completa da doen\u00e7a em dois meses"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aposentada do Cear\u00e1 recebeu as chamadas c\u00e9lulas CAR-T, que s\u00e3o transformadas geneticamente em laborat\u00f3rio para combater o tumor<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Por Thais Szego, da Ag\u00eancia Einstein &#8211;\u00a0<\/b>Em setembro de 2017, a servidora p\u00fablica aposentada Ana Cleire Marques Di\u00f3genes, de 61 anos, come\u00e7ou a sentir mal-estar e apresentar problemas de digest\u00e3o. Ela sempre se sentia \u201cempachada\u201d e tudo o que comia pesava demais no est\u00f4mago, mas n\u00e3o pensava que poderia ser algo mais s\u00e9rio. Cerca de um m\u00eas depois, enquanto estava trabalhando, ela sentiu uma dor forte na regi\u00e3o lombar e teve febre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cFui ao pronto-socorro e fiquei tomando antibi\u00f3tico, mas n\u00e3o melhorei. Ent\u00e3o, fiz exames de imagem e foi quando tudo come\u00e7ou a se esclarecer. No ultrassom abdominal, os m\u00e9dicos viram um aumento no tamanho dos linfonodos na regi\u00e3o, o que me levou a procurar especialistas. Foi ent\u00e3o que veio o diagn\u00f3stico: linfoma n\u00e3o Hodgkin de grandes c\u00e9lulas B\u201d, contou \u00e0 Ag\u00eancia Einstein.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para trat\u00e1-lo, ela fez sess\u00f5es de quimioterapia e imunoterapia em Fortaleza, no Cear\u00e1, onde mora. \u201cForam seis meses bem dif\u00edceis, tive que me afastar completamente do trabalho e da vida social e enfrentei muitos efeitos colaterais que causaram muito mal-estar e imunidade baixa\u201d. No entanto, esse per\u00edodo desafiador trouxe uma boa not\u00edcia: a doen\u00e7a havia desaparecido, e ela j\u00e1 podia voltar a ter uma vida normal.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, em outubro de 2021, ela soube que havia tido a primeira recidiva, ou seja, o c\u00e2ncer havia retornado. Ent\u00e3o, foi necess\u00e1rio fazer um transplante de medula aut\u00f3logo, que utiliza as pr\u00f3prias c\u00e9lulas-tronco do paciente. Depois de um tempo debilitada, ela voltou a ter uma vida completamente normal e, como j\u00e1 estava aposentada, p\u00f4de ficar mais perto da fam\u00edlia e acompanhar todos os detalhes do nascimento de sua primeira neta, Catarina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Infelizmente, no final de 2022, ocorreu a segunda recidiva. Na \u00e9poca, sua m\u00e9dica a encaminhou para S\u00e3o Paulo para que participasse de um estudo realizado no Hospital Israelita Albert Einstein com as c\u00e9lulas CAR-T, chamado CARTHIAE. Essas c\u00e9lulas s\u00e3o formadas por linf\u00f3citos T, que s\u00e3o uma das principais c\u00e9lulas do sistema imunol\u00f3gico do paciente, e s\u00e3o geneticamente modificadas em laborat\u00f3rio para que sejam desenvolvidas especialmente para combater o tipo de tumor que a pessoa apresenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O procedimento foi indicado para o caso dessa paciente porque deve ser utilizado em pacientes refrat\u00e1rios, ou seja, que n\u00e3o responderam bem a outros tratamentos, e ela j\u00e1 havia tido duas recidivas, o que inviabiliza qualquer outro tipo de processo&#8221;, explica Nelson Hamerschlak, coordenador do Programa de Hematologia e Transplantes de Medula \u00d3ssea do Einstein, que gerencia um dos poucos centros de tratamento credenciados no pa\u00eds para realizar essa terapia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O procedimento foi indicado para o caso dessa paciente porque deve ser utilizado em pacientes refrat\u00e1rios, ou seja, que n\u00e3o responderam bem a outros tratamentos, e ela j\u00e1 havia tido duas recidivas, o que inviabiliza qualquer outro tipo de processo&#8221;, explica Nelson Hamerschlak, coordenador do Programa de Hematologia e Transplantes de Medula \u00d3ssea do Einstein, que gerencia um dos poucos centros de tratamento credenciados no pa\u00eds para realizar essa terapia.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/pb-brasil247.storage.googleapis.com\/pb-b247gcp\/swp\/jtjeq9\/media\/2023072411074_835886ae79dc327f3f14c0ca6de717588ceaac75c69f0fbf0f0dcfe21110813b.png\" alt=\"infografico\" width=\"2000\" height=\"3016\" data-media-id=\"editor_0\" data-image-id=\"2023072411074_835886ae79dc327f3f14c0ca6de717588ceaac75c69f0fbf0f0dcfe21110813b\" data-rendition-name=\"original\" \/><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Projeto brasileiro &#8211;\u00a0<\/b>Apesar de ser uma grande esperan\u00e7a para os pacientes que n\u00e3o reagiram bem a outras formas de combate \u00e0 doen\u00e7a, a imunoterapia com o uso das c\u00e9lulas CAR-T ainda n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel para todos que precisam devido ao seu alto custo. Isso ocorre porque \u00e9 necess\u00e1rio coletar sangue da pessoa, uma vez que \u00e9 nele que se encontram os linf\u00f3citos T, e manipul\u00e1-los para que sejam &#8220;ensinados&#8221; a combater a doen\u00e7a, um processo que, at\u00e9 recentemente, era realizado apenas em laborat\u00f3rios no exterior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s a modifica\u00e7\u00e3o, as c\u00e9lulas s\u00e3o enviadas de volta ao Brasil para que possam ser infusionadas no paciente e come\u00e7ar a atacar as c\u00e9lulas doentes, transformando o pr\u00f3prio organismo da pessoa em uma esp\u00e9cie de tratamento. No entanto, al\u00e9m do alto custo, que pode ultrapassar a quantia de R$ 2 milh\u00f5es durante todo o processo, a terapia era bastante demorada, levando de 45 a 60 dias, o que poderia colocar a sa\u00fade do indiv\u00edduo em risco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por essas raz\u00f5es, o Einstein deu in\u00edcio a um projeto no qual pela primeira vez tudo \u00e9 feito na pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o. \u201cA paciente Ana Cleire foi a primeira volunt\u00e1ria a receber as c\u00e9lulas CAR-T e apresentou alguns efeitos colaterais esperados, como a chamada s\u00edndrome de libera\u00e7\u00e3o de citocinas (que pode causar aumento na inflama\u00e7\u00e3o do organismo) e colite (uma inflama\u00e7\u00e3o no intestino grosso), que foram devidamente tratadas\u201d, explica Hamerschlak.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de causar menos desconforto, esse processo terap\u00eautico ofereceu um \u00f3timo resultado. \u201cAtualmente, ela est\u00e1 em remiss\u00e3o completa do c\u00e2ncer, ou seja, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel detectar c\u00e9lulas cancer\u00edgenas no seu organismo\u201d, diz o m\u00e9dico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hamerschlak tamb\u00e9m explica que a paciente precisar\u00e1 ser acompanhada pelos especialistas por um longo per\u00edodo, o que \u00e9 mais do que esperado nesse tipo de doen\u00e7a. Ana Cleire, por sua vez, diz que tem motivos para comemorar. &#8220;Estou tomando algumas medica\u00e7\u00f5es prescritas pela equipe do Einstein, mas me sinto muito bem, voltando \u00e0s atividades cotidianas\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aposentada do Cear\u00e1 recebeu as chamadas c\u00e9lulas CAR-T, que s\u00e3o transformadas geneticamente em laborat\u00f3rio para combater o tumor Por Thais Szego, da Ag\u00eancia Einstein &#8211;\u00a0Em setembro de 2017, a servidora p\u00fablica aposentada Ana Cleire Marques Di\u00f3genes, de 61 anos, come\u00e7ou a sentir mal-estar e apresentar problemas de digest\u00e3o. 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