{"id":114780,"date":"2023-07-02T03:26:56","date_gmt":"2023-07-02T06:26:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/?p=114780"},"modified":"2023-07-02T03:29:27","modified_gmt":"2023-07-02T06:29:27","slug":"nasce-o-sol-a-2-de-julho-independencia-do-brasil-na-bahia-so-foi-possivel-gracas-a-luta-negra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/2023\/07\/02\/nasce-o-sol-a-2-de-julho-independencia-do-brasil-na-bahia-so-foi-possivel-gracas-a-luta-negra\/","title":{"rendered":"Nasce o sol a 2 de julho: independ\u00eancia do Brasil na Bahia s\u00f3 foi poss\u00edvel gra\u00e7as \u00e0 luta negra"},"content":{"rendered":"<p><strong>Ademar Oliveira Cirne Filho<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Nasce o Sol a dois de julho. Brilha mais que o primeiro. \u00c9 sinal que neste dia, at\u00e9 o Sol, at\u00e9 o Sol \u00e9 brasileiro. Nunca mais, nunca mais o despotismo reger\u00e1, reger\u00e1 nossa na\u00e7\u00e3o. Com tiranos n\u00e3o combinam brasileiros cora\u00e7\u00f5es.\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>E assim foi escrito!<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na manh\u00e3 ensolarada de 2 de julho de 1823, quando se deu a independ\u00eancia do Brasil na Bahia (a independ\u00eancia do Brasil j\u00e1 havia sido proclamada no dia 7 de setembro de 1822), o alferes e poeta Ladislau dos Santos Titara (em ep\u00edgrafe) saudava com seus versos os her\u00f3is da memor\u00e1vel e \u00e9pica batalha de Piraj\u00e1, ocorrida em 8 de novembro de 1822, que representou a principal vit\u00f3ria das tropas brasileiras sobre as portuguesas, pois a conquista de Piraj\u00e1 permitiu a entrada do ex\u00e9rcito nacional na cidade de Salvador, que estava sitiada pelo comandante em armas da Bahia, o portugu\u00eas In\u00e1cio Lu\u00eds Madeira de Melo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Parecia destino tra\u00e7ado. Depois de mais de uma semana de fortes chuvas que insistiam em cair sobre a capital baiana, exatamente naquele dois de julho o sol nasceu como nunca se tinha visto. Era o astro rei dando os parab\u00e9ns \u00e0 vit\u00f3ria dos baianos e as boas-vindas \u00e0s tropas de v\u00e1rias regi\u00f5es que entravam triunfantemente pela estrada das boiadas, hoje Rua Lima e Silva, bairro da Liberdade, para expulsar as tropas portuguesas e concretizar definitivamente a independ\u00eancia do Brasil na Bahia.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-114782\" src=\"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Passo-19.png\" alt=\"\" width=\"253\" height=\"140\" \/><\/p>\n<p><strong>O Primeiro Passo para a Independ\u00eancia da Bahia<\/strong><br \/>\n<strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Artista: Ant\u00f4nio Parreiras<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar da batalha de Piraj\u00e1 ter sido o momento fundamental para a vit\u00f3ria final dos baianos, esta guerra frontal teve in\u00edcio muito antes, j\u00e1 que desde fevereiro de 1822, antes mesmo do grito do Ipiranga proferido pelo pr\u00edncipe regente, D. Pedro, j\u00e1 havia na Bahia o enfrentamento \u00e0s tropas do portugu\u00eas Madeira de Melo, rec\u00e9m-nomeado Comandante em Armas da Prov\u00edncia da Bahia. Foi neste momento, portanto, que os verdadeiros her\u00f3is da liberta\u00e7\u00e3o come\u00e7aram a aparecer no cen\u00e1rio da luta, que culminou no processo de liberta\u00e7\u00e3o do Brasil das garras de Portugal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos motivos que agitava a popula\u00e7\u00e3o e os militares baianos pelos idos de 1822 era a insatisfa\u00e7\u00e3o com o novo comandante da prov\u00edncia, fiel defensor das ideias lusitanas. Com a inten\u00e7\u00e3o de impor a sua autoridade, Madeira de Melo resolveu inspecionar as infantarias, que eram formadas na sua maioria por brasileiros, atitude esta que deu in\u00edcio aos primeiros conflitos entre tropas brasileiras e portuguesas no dia 19 de fevereiro de 1822.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Forte de S\u00e3o Pedro, bem como as localidades das Merc\u00eas, Avenida Sete de Setembro, Pra\u00e7a da Piedade e Campo da P\u00f3lvora viraram verdadeiros campos de guerra, onde de um lado estavam aqueles que pretendiam impor ainda mais o julgo portugu\u00eas ao Brasil e, do outro, aqueles que lutavam pela liberta\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Naquele mesmo dia, as tropas portuguesas invadiram o Convento da Lapa alegando que existiam militares baianos escondidos no local. Na tentativa de proteger a institui\u00e7\u00e3o religiosa e at\u00e9 mesmo os baianos que se encontravam no recinto, a Abadessa S\u00f3ror Joana Ang\u00e9lica se p\u00f4s em frente \u00e0 porta do Convento, impedindo a entrada dos soldados portugueses e sendo atingida por um golpe de baioneta que ocasionou sua morte um dia depois.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O m\u00eas de mar\u00e7o de 1822 foi marcado n\u00e3o apenas pela chegada de tropas portuguesas para refor\u00e7ar o ex\u00e9rcito do governador In\u00e1cio Lu\u00eds Madeira de Melo, mas tamb\u00e9m pelo deslocamento das tropas baianas para regi\u00e3o do Rec\u00f4ncavo do Estado, no intuito de organizar a resist\u00eancia contra os lusitanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse diapas\u00e3o, cidades como S\u00e3o Francisco, Santo Amaro e principalmente Cachoeira, devido \u00e0 sua situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica (ainda era um local de concentra\u00e7\u00e3o de propriet\u00e1rios de terras) e em fun\u00e7\u00e3o da sua localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica estrat\u00e9gica, tornaram-se vanguarda e, at\u00e9 hoje, preservam nas suas mem\u00f3rias a import\u00e2ncia desta luta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mais importante batalha travada nesta regi\u00e3o ocorreu em 25 de junho de 1822, quando a Vila de Cachoeira foi bombardeada por marujos portugueses que dispararam balas de canh\u00e3o a partir de um navio ancorado no Rio Paragua\u00e7u, enquanto os vereadores cachoeiranos prestavam grande homenagem a D. Pedro, aclamando-o pr\u00edncipe regente perp\u00e9tuo do Brasil e o povo, apoiando este ato, sa\u00eda em marcha pelas ruas da ent\u00e3o Vila de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio do Porto da Cachoeira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-114783\" src=\"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Camara-municipal-de-Cachoeira9.png\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"190\" \/><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 C\u00e2mara Municipal de Cachoeira<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s quase tr\u00eas dias de confronto, aproveitando-se do conhecimento da regi\u00e3o e sabendo das dificuldades de manobras do navio no rio, os baianos tomaram o barco e prenderam os portugueses, marcando assim o desligamento da Vila de Cachoeira do dom\u00ednio portugu\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na vis\u00e3o de muitos historiadores, esta passagem da hist\u00f3ria nacional retrata uma independ\u00eancia que antecedeu ao 7 de setembro 1822, de D. Pedro. Pelos feitos heroicos de seu povo, em 1837 a antiga vila foi elevada \u00e0 categoria de cidade, com a denomina\u00e7\u00e3o de Heroica Cidade da Cachoeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m da j\u00e1 citada Joana Ang\u00e9lica, algumas outras pessoas atuaram de forma t\u00e3o marcante no processo de Independ\u00eancia da Bahia que s\u00e3o at\u00e9 hoje lembrados pelos livros de hist\u00f3ria. Nomes como General Labatut, Corneteiro Lopes, Maria Quit\u00e9ria Barros Falc\u00e3o, Joaquim Jos\u00e9 de Lima e Silva, Jo\u00e3o das Botas, n\u00e3o deixaram de permear a mem\u00f3ria dos brasileiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-114785\" src=\"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/caboclo9.png\" alt=\"\" width=\"235\" height=\"176\" \/><\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Imagem do caboclo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A figura do Caboclo tamb\u00e9m est\u00e1 presente nas mem\u00f3rias e comemora\u00e7\u00f5es da Independ\u00eancia da Bahia desde 1824, quando a popula\u00e7\u00e3o, para relembrar a entrada do ex\u00e9rcito pacificador em Salvador, enfeitou uma carreta tomada do inimigo na batalha de Piraj\u00e1, p\u00f4s sobre ela um velho de descend\u00eancia ind\u00edgena e a levou, em cortejo, da Lapinha ao Terreiro de Jesus. O ritual se repetiu no ano seguinte e, em 1826, foi esculpida a imagem do caboclo que circula nas ruas at\u00e9 os dias de hoje. Alguns anos depois apareceria a imagem feminina da Cabocla acompanhando o Caboclo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Boa parte da identifica\u00e7\u00e3o popular dessas figuras reside no fato delas representar os her\u00f3is que lutaram na Independ\u00eancia e que n\u00e3o s\u00e3o comumente lembrados: os soldados esfarrapados, os batalh\u00f5es de ind\u00edgenas usando armas tribais, de negros escravizados e libertos, os sertanejos, a popula\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria que se organizou por conta pr\u00f3pria em grupos para lutar (e que formaram maior contingente das tropas da Bahia).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como Labatut informou em um of\u00edcio ao Ministro Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio \u201cnenhum filho de propriet\u00e1rio rico tinha se apresentado como voluntario<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Papel do povo negro na liberta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>S\u00edmbolo de luta e resist\u00eancia<\/strong>, o Caboclo e a Cabocla no 2 de julho s\u00e3o muito mais que uma representa\u00e7\u00e3o c\u00edvica. Eles retratam os her\u00f3is invis\u00edveis, quase sempre an\u00f4nimos, que foram o maior contingente das tropas baianas. Alguns desses, foram resgatados do esquecimento com foi o caso de\u00a0<strong>Maria Felipa, mulher negra, capoeirista, marisqueira<\/strong>\u00a0que, liderando outras mulheres, enfrentou e derrotou soldados portugueses defendendo a costa da Ilha de Itaparica, conforme relata o pesquisador Ubaldo Os\u00f3rio Pimentel em seu livro\u00a0<em>\u2018A Ilha de Itaparica\u2019<\/em>, de 1942.<\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-114786\" src=\"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Maria-Felipa-29.png\" alt=\"\" width=\"239\" height=\"339\" \/><\/p>\n<p>Imagem de Maria Felipa<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agregando simbolicamente todas as etnias que se uniram contra os colonizadores, o Caboclo e a Cabocla s\u00e3o, na verdade, a personifica\u00e7\u00e3o do protesto feito pelo povo pobre, pelos ind\u00edgenas, pelos negros, pelos volunt\u00e1rios forros, pelos sertanejos e por todos aqueles que lutaram por uma liberdade que at\u00e9 hoje n\u00e3o se concretizou por inteira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, esses seres, com o passar do tempo, tomaram uma dimens\u00e3o espiritual, sendo relacionados diretamente com os cultos religiosos de matriz africana. S\u00e3o visitados por muitas pessoas que depositam pedidos de ajuda e fazem agradecimentos por gra\u00e7as alcan\u00e7adas pela ajuda do Caboclo e da Cabocla, sendo tamb\u00e9m o dia 2 de julho uma data que, na Bahia, v\u00e1rios terreiros de Candombl\u00e9 e Umbanda tocam seus Atabaques em sauda\u00e7\u00e3o aos Caboclos e Caboclas das matas brasileiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao contr\u00e1rio do que se pode imaginar, o festejo do 2 de julho \u00e9 muito mais um grito por justi\u00e7a e de revolta contra o ex\u00e9rcito portugu\u00eas e a elite aristocr\u00e1tica brasileira, do que uma festa de celebra\u00e7\u00e3o pela vit\u00f3ria de 1823, que, no fundo, apenas beneficiou aos membros da elite branca baiana, que, ap\u00f3s um ano de expuls\u00e3o dos portugueses, se mantiveram no poder, dando continuidade a uma sociedade escravista e patriarcal, sem considerar em nenhum momento o esfor\u00e7o feito por setores populares, na maioria composto por negros, escravos e forros, que tiveram participa\u00e7\u00e3o fundamental na defesa da cidade do Salvador logo ap\u00f3s ao enfrentamento de fevereiro de 1822, quando os membros da elite baiana deixaram a cidade e foram se juntar aos fazendeiros e produtores de cana de a\u00e7\u00facar do Rec\u00f4ncavo baiano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste momento, entrou em cena a participa\u00e7\u00e3o daqueles segmentos sociais historicamente conhecidos como \u201cpartido do povo negro baiano\u201d, um grupo composto em grande parte por jovens negros, moleques como eram denominados pelos portugueses, brancos pobres, negros escravos cedidos pelos senhores para serem incorporados as tropas nacionalistas com a promessa de liberdade ap\u00f3s a vit\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo assim, apesar de hoje j\u00e1 se ter bastantes registros sobre a participa\u00e7\u00e3o deste suposto partido negro, da sua fundamental import\u00e2ncia na expuls\u00e3o dos portugueses e consolida\u00e7\u00e3o definitiva da independ\u00eancia do Brasil na Bahia, os livros de hist\u00f3ria continuam minimizando sua participa\u00e7\u00e3o e sua import\u00e2ncia, relegando ao esquecimento estes her\u00f3is nacionais que deram suas vidas, n\u00e3o apenas com a inten\u00e7\u00e3o de libertar o Brasil de Portugal mas, com certeza, pensando em ampliar essa liberta\u00e7\u00e3o com o fim da escravid\u00e3o, constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais justa e igualit\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, sabemos que nem 1823 nem em 1888 (aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o) possibilitaram ao povo negro a sua verdadeira liberdade. Apesar de livres institucionalmente, os negros continuaram discriminados, tratados como inferiores, vivendo em p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es, sem oportunidade de trabalho digno, sofrendo pr\u00e1ticas racistas cotidianamente, j\u00e1 que esta liberta\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi acompanhada de medidas para inser\u00e7\u00e3o dos libertos na sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar dos avan\u00e7os e conquistas da popula\u00e7\u00e3o negra em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 sua afirma\u00e7\u00e3o e inclus\u00e3o socioecon\u00f4mica, cultural, religiosa e institucional ,resultado da cria\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es do movimento negro, da cria\u00e7\u00e3o de leis e organismos de repara\u00e7\u00e3o, ainda\u00a0 n\u00e3o se alcan\u00e7ou plenas condi\u00e7\u00f5es de liberdade e afirma\u00e7\u00e3o. O racismo persiste e os prop\u00f3sitos do \u201cPartido Negro da Independ\u00eancia da Bahia\u201d permanecem vivos, comoquando o sol que brilhou no dia 2 de julho de 1823.<br \/>\n<strong>\u00a0Ademar Oliveira Cirne Filho \u00e9 graduado em Hist\u00f3ria pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), p\u00f3s-graduado em Hist\u00f3ria do Brasil pela Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de Minas Gerais (PUC- MG) Mestre em Ensino das Rela\u00e7\u00f5es \u00c9tnico-Raciais pela Universidade Federal do Sul da Bahia, Og\u00e3 de Iemanj\u00e1 do Terreiro Il\u00ea Ax\u00e9 Oxumar\u00e9 e Coordenador do Coletivo de Entidades Negras.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ademar Oliveira Cirne Filho &nbsp; Nasce o Sol a dois de julho. Brilha mais que o primeiro. \u00c9 sinal que neste dia, at\u00e9 o Sol, at\u00e9 o Sol \u00e9 brasileiro. Nunca mais, nunca mais o despotismo reger\u00e1, reger\u00e1 nossa na\u00e7\u00e3o. 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