{"id":114655,"date":"2023-06-14T13:05:22","date_gmt":"2023-06-14T16:05:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/?p=114655"},"modified":"2023-06-14T13:05:22","modified_gmt":"2023-06-14T16:05:22","slug":"o-agro-e-tambem-quilombola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/2023\/06\/14\/o-agro-e-tambem-quilombola\/","title":{"rendered":"O agro \u00e9 tamb\u00e9m Quilombola?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0O Brasil carrega o agro nas costas com um plano safra de 348 bilh\u00f5es de reais e isen\u00e7\u00e3o fiscal, inclusive do ICMS de exporta\u00e7\u00e3o pela velha Lei Kandir, para beneficiar o mercado exterior dos produtos in natura, os chamados gr\u00e3os de \u201couro\u201d (soja, milho, algod\u00e3o e outros).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0\u00a0Na propaganda, o agro \u00e9 tech, \u00e9 pop, \u00e9 riqueza do Brasil e agora \u00e9 at\u00e9 quilombola para convocar o pequeno a defender a pauta do grande empres\u00e1rio. At\u00e9 pouco tempo, o pequeno era considerado pela economia como trabalhador aut\u00f4nomo individual ou familiar, mas passou a fazer parte do grupo empreendedor, incluso na pauta do capital, para confundir.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0\u00a0O roceiro que tem um s\u00edtio, ou o assentado do movimento do sem-terra com seu lote, acha que \u00e9 agro porque dizem para ele que faz parte da categoria tech e pop. No sistema sempre os \u201csabidos e estudiosos\u201d est\u00e3o mudando a nomenclatura para ningu\u00e9m entender nada. O prop\u00f3sito \u00e9 este mesmo.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">AGRICULTURA FAMILIAR\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0\u00a0Costumo afirmar que minha alimenta\u00e7\u00e3o na mesa do dia a dia vem da agricultura familiar e n\u00e3o da desse agro devastador dos nossos biomas (cerrado, pantanal, caatinga, pampas, amaz\u00f4nico e at\u00e9 da mata atl\u00e2ntica) que queima e derruba nossas vegeta\u00e7\u00e3o e floresta, para expandir suas lavouras e criar gado para exportar para o mercado internacional.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00c9 precisamente essa riqueza do Brasil latifundi\u00e1rio que encarece nossos produtos aqui dentro, porque \u00e9 esse agro que dita os pre\u00e7os de suas culturas de acordo com as cota\u00e7\u00f5es das bolsas no mercado internacional. Sem consci\u00eancia pol\u00edtica do que ocorre, o pequeno termina defendendo a pauta que \u00e9 s\u00f3 deles, dos grandes das bancadas ruralistas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0\u00a0Neste \u00faltimo final de semana terminou no munic\u00edpio de Luis Eduardo Magalh\u00e3es, no oeste baiano, a maior feira agro do Norte e Nordeste, que movimentou mais de oito bilh\u00f5es de reais. A exposi\u00e7\u00e3o foi um desfile grandioso de m\u00e1quinas potentes e sofisticadas. N\u00e3o se ouviu falar sobre os financiadores, mas certamente l\u00e1 estiveram o BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econ\u00f4mica Federal.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0Esse agro \u00e9 t\u00e3o \u201cpop\u201d que, ironicamente, o milho e seus derivados, os quais fazem parte das comidas t\u00edpicas do nosso S\u00e3o Jo\u00e3o Nordestino, sofreram aumentos em seus pre\u00e7os nessa \u00e9poca do ano porque esses grandes produtores benefici\u00e1rios do suor do pequeno trabalhador preferem vender a mat\u00e9ria-prima (o milho) para o exterior (bem mais lucrativo e em d\u00f3lar) e n\u00e3o para os pr\u00f3prios brasileiros.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Por causa deles vamos ter que substituir o milho por outro item alimentar fora da nossa tradi\u00e7\u00e3o cultural, talvez por aqueles bagulhos norte-americanos, como o hamb\u00farguer, o sanduiche ou o cachorro-quente. S\u00f3 nesse pequeno detalhe, ou exemplo, voc\u00ea tem uma ideia mais exata de como funciona esse agro capitalista que vem causando s\u00e9rios impactos ao nosso meio-ambiente.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Ainda na semana passada estava assistindo uma reportagem na televis\u00e3o sobre a seca e a falta de \u00e1gua para os pequenos agricultores no sert\u00e3o agreste de Alagoas, Bahia, Pernambuco e Para\u00edba por onde passam os canais da transposi\u00e7\u00e3o do Rio S\u00e3o Francisco, o nosso \u201cVelho Chico\u201d, t\u00e3o maltratado.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0\u00a0As imagens mostravam justamente o contradit\u00f3rio desse sistema. De um lado, em Petrolina (Pernambuco), um assentamento do movimento do sem-terra praticamente sem \u00e1gua onde vizinhos chegam at\u00e9 a brigar pelo l\u00edquido. Pouco mais adiante, ao lado, um canal do rio nas terras de um empres\u00e1rio, com \u00e1gua em abund\u00e2ncia, para irrigar suas frutas (uva, manga, mel\u00e3o, melancia) e outras lavouras.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0\u00a0Os assentados e at\u00e9 um n\u00facleo de um quilombo sem acesso \u00e0 \u00e1gua, enquanto o rico se deleita produzindo em grande quantidade suas frutas para exporta\u00e7\u00e3o. Agora os assentados e os quilombolas est\u00e3o inclusos como \u201cagro \u00e9 tech\u201d, \u201cagro \u00e9 pop\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">OS ELEITOS DE DEUS<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Tudo isso me faz lembrar a Nobreza Real e a Igreja Cat\u00f3lica latifundi\u00e1rias na Idade M\u00e9dia. A Igreja consolava os servos e vassalos de que a nobreza era eleita por Deus e que os pobres tinham que servir e trabalhar para ela, incluindo a pr\u00f3pria Igreja, com todo fervor, devo\u00e7\u00e3o e submiss\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Bem, como nos tempos atuais do nosso capitalismo selvagem ocidental, herdado dos burgueses do Norte, tanto a plebe de l\u00e1, como a de c\u00e1 tamb\u00e9m desses tempos modernos tecnol\u00f3gicos, acreditava e acredita, aceitava e aceita, com toda sua humildade, nesse papo sobrenatural dos eleitos do Senhor, isto porque dizia para si mesma e ainda diz que eles estavam e est\u00e3o certos, com toda raz\u00e3o, porque detinham e det\u00e9m a \u201csabedoria e o conhecimento\u201d sobre os assuntos mais profundos e teol\u00f3gicos do Reino de Deus. \u00a0 <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0O Brasil carrega o agro nas costas com um plano safra de 348 bilh\u00f5es de reais e isen\u00e7\u00e3o fiscal, inclusive do ICMS de exporta\u00e7\u00e3o pela velha Lei Kandir, para beneficiar o mercado exterior dos produtos in natura, os chamados gr\u00e3os de \u201couro\u201d (soja, milho, algod\u00e3o e outros). \u00a0\u00a0\u00a0Na propaganda, o agro \u00e9 tech, \u00e9 pop, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":107025,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[88,105],"tags":[1457,1458,1459,1285],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/114655"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=114655"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/114655\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":114656,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/114655\/revisions\/114656"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/107025"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=114655"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=114655"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=114655"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}