{"id":114582,"date":"2023-06-07T12:07:01","date_gmt":"2023-06-07T15:07:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/?p=114582"},"modified":"2023-06-07T12:07:01","modified_gmt":"2023-06-07T15:07:01","slug":"ha-105-anos-foi-se-o-ultimo-boemio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/2023\/06\/07\/ha-105-anos-foi-se-o-ultimo-boemio\/","title":{"rendered":"H\u00e1 105 anos, foi-se o \u00daltimo Bo\u00eamio"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ruy Medeiros<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 escritores que s\u00e3o lidos bastante em seu tempo e continuam a ser lidos; outros s\u00e3o pouco lidos em seu tempo e, descobertos depois, s\u00e3o muitos lidos; finalmente h\u00e1 aqueles que, muito lidos em seu tempo, quase que caem completamente no esquecimento, sendo lembrados quase que somente em sua terra de origem. Emilio de Menezes est\u00e1 nessa \u00faltima situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nascido em Curitiba em 4 de julho de 1866, faleceu no Rio de Janeiro em 8 de junho de 1918. Em 1927, seus restos mortais foram trasladados para Curitiba, onde os esperava cortejo de milhares de pessoas, tal a admira\u00e7\u00e3o que ainda gozavam a vida e a obra do poeta, e foi sepultado no cemit\u00e9rio municipal da capital paranaense. Nessa tem busto de m\u00e1rmore na Pra\u00e7a Os\u00f3rio. Autor de v\u00e1rias obras, foi ele membro da Academia Brasileira de Letras. Vale lembrar que, por motivo de doen\u00e7a e em raz\u00e3o de a ABL exigir, por mais de uma vez altera\u00e7\u00f5es em seu discurso de posse (censura!), por entender n\u00e3o serem adequados atributos nele expendidos, demorou de ser empossado. Seu fard\u00e3o de acad\u00eamico foi-lhe presenteado pelo Governo do Paran\u00e1. Empossado, seu discurso de posse, com altera\u00e7\u00f5es, s\u00f3 foi publicado no ano de 1924.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por detr\u00e1s dessa not\u00edcia que lhe dou, havia um dos maiores bo\u00eamios, considerado por seus contempor\u00e2neos um grande escritor. Lido ele era. Leitores buscavam em jornais suas tiradas \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0em rela\u00e7\u00e3o a pessoas, not\u00edcias ou fatos e passavam-nas verbalmente para outros. Sua principal biografia tem o sugestivo t\u00edtulo de \u201cEmilio Menezes \u2013 o ultimo Bo\u00eamio\u201d, com v\u00e1rias edi\u00e7\u00f5es, de autoria de Raimundo de Menezes. Gozador. Sat\u00edrico. Maledicente. Inconveniente. Houve quem o apelidasse de m\u00e1 l\u00edngua. Mas era admirado e mantinha bom c\u00edrculo de amigos, especialmente os frequentadores da Colombo, no Rio de Janeiro, v\u00e1rios escritores como ele. Foi colaborador de jornais e revistas importantes do Rio de Janeiro e de S\u00e3o Paulo. Segundo tradutor, em l\u00edngua portuguesa, de \u201cO corvo\u201d, de E.A.Poe, deixou publicados Marcha F\u00fanebre, Poemas da Morte, DIES | RAE, Poesias, Mortalhas etc. Em 1980, o Governo do Paran\u00e1, em edi\u00e7\u00e3o da Jos\u00e9 Ol\u00edmpio, publicou sua obra: Emilio de Menezes Obra Reunida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mestre do trocadilho, dos reclames em forma de poesia, da cr\u00edtica mordaz, Emilio ficou na mem\u00f3ria de muitos como o grande trocadilhista de todos os tempos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se voc\u00ea suportou essa not\u00edcia at\u00e9 aqui, siga-a com alguns trocadilhos do poeta:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Resposta, numa solenidade, a uma senhora que lhe perguntou se ele <strong>sabia<\/strong> quais eram os encantos da mulher: \u201cseio-os, minha senhora\u201d. \u00c0 outra, que n\u00e3o percebeu o seu estado et\u00edlico e resolveu perguntar-lhe o que ele tinha em sua descomunal barriga: ap\u00f3s colocar a m\u00e3o \u00e0 altura do umbigo, o poeta respondeu: daqui pra cima, cerveja; para baixo, Parati (Parati era o nome de uma famosa cacha\u00e7a). De Madame Curie, que ganhou o Pr\u00eamio Nobel de Qu\u00edmica, sobre quem corria boato de estar apaixonada: \u201cdevia ganhar o pr\u00eamio de F\u00edsica por seus estudos de atra\u00e7\u00e3o dos corpos.\u201d Em rela\u00e7\u00e3o a um insigne ministro cuja demiss\u00e3o era desejada pelo Presidente de Rep\u00fablica, que o fritava, mas que se fazia de desentendido e ficava no cargo como se nada houvesse: \u201c\u00e9 um insigne ficante\u201d. Sobre projeto de lei prevendo tributa\u00e7\u00e3o da <strong>\u201crenda\u201d<\/strong> encaminhado ao Congresso pelo Presidente: passar\u00e1 contando que n\u00e3o toque nos \u201cbicos\u201d dos deputados. A uma pessoa, que n\u00e3o era de seu agrado, e que lhe pediu que ele contasse seu \u00faltimo trocadilho, Emilio disse: \u201cEu morava em Paquet\u00e1 e mudei para a Ilha do Governador\u201d. O interpelante disse que isso n\u00e3o era trocadilho. Logo, Em\u00edlio respondeu: mas \u00e9 uma boa troca d\u2019ilhas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Emilio fez, por encomenda, versos de propaganda. Ai v\u00e3o alguns deles: Para uma marca de manteiga, no per\u00edodo da Guerra dos Balc\u00e3s: Da S\u00e9rvia \u00e0 Herzegovina, o ardor escalda | Porque esse povo forte e unido importa | Manteiga do Brasil, marca Esmeralda. Para a cerveja Brahma: Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio insulava | Nessa ilha pitoresca, Paquet\u00e1! | Lugar onde a \u00e1gua de coco dominava | E a Brahma Porter dominando est\u00e1. Para o cigarro Excelsior: Do alto do c\u00e9u demande o rumo | O aroma que o cigarro tem. | Por\u00e9m o odoroso fumo | do Excelsior vai muito al\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de milhares de tiradas engra\u00e7adas e de acoites verbais a pol\u00edticos (inclusive Ruy Barbosa), O poeta morreu doente e aos poucos sua obra po\u00e9tica, embora objeto de aprecia\u00e7\u00e3o, foi aos poucos caindo no esquecimento. Envelheceu, e com ele, sua forma de viver. Mas ele sabia que tudo envelhecia. Disse-o na estrofe \u00faltima de <strong>Tarde na Praia<\/strong>, ao contemplar o mar: E ao contempl\u00e1-lo assim, tristonho digo, | vendo-lhe, \u00e0 espuma, os meus cabelos brancos: | o velho mar envelheceu comigo.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; \u00a0 Ruy Medeiros &nbsp; H\u00e1 escritores que s\u00e3o lidos bastante em seu tempo e continuam a ser lidos; outros s\u00e3o pouco lidos em seu tempo e, descobertos depois, s\u00e3o muitos lidos; finalmente h\u00e1 aqueles que, muito lidos em seu tempo, quase que caem completamente no esquecimento, sendo lembrados quase que somente em sua terra [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":114216,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[87,71],"tags":[1393,50,1394,373,902,928,413,1392],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/114582"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=114582"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/114582\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":114583,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/114582\/revisions\/114583"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/114216"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=114582"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=114582"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=114582"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}