{"id":113507,"date":"2023-03-15T06:09:23","date_gmt":"2023-03-15T09:09:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/?p=113507"},"modified":"2023-03-15T06:09:23","modified_gmt":"2023-03-15T09:09:23","slug":"nao-muito-a-comemorar-no-dia-municipal-da-cultura-e-da-poesia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/2023\/03\/15\/nao-muito-a-comemorar-no-dia-municipal-da-cultura-e-da-poesia\/","title":{"rendered":"N\u00e3o muito a comemorar no dia municipal da cultura e da poesia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\nNo Dia Municipal da Cultura de Vit\u00f3ria da Conquista, institu\u00eddo em 2006 pela lei 1367, em homenagem ao nascimento do cineasta Glauber Rocha (1939- 1981), n\u00e3o temos muito a comemorar, a n\u00e3o ser algumas atividades pontuais, como no Natal, no S\u00e3o Jo\u00e3o e alguns editais que beneficiaram artistas durante o per\u00edodo da pandemia.<br \/>\nAli\u00e1s, nem houve atos comemorativos por parte do poder p\u00fablico e nem a nossa m\u00eddia noticiou a data, com raras exce\u00e7\u00f5es. Entendo que os artistas em geral em suas diversas linguagens e manifesta\u00e7\u00f5es, os intelectuais e os fazedores de cultura tamb\u00e9m comungam comigo dessa mesma vis\u00e3o cr\u00edtica, principalmente se for levar em conta o porte da nossa cidade, a terceira maior da Bahia com mais de 340 mil habitantes. N\u00e3o devemos nos contentar com o pouco.<br \/>\nN\u00e3o temos muito a comemorar quando tr\u00eas equipamentos importantes, como o Teatro Carlos Jheovah, o Cine Madrigal e a pr\u00f3pria Casa Glauber Rocha, na rua Dois de Julho, continuam fechados por falta de reformas, embora o nosso secret\u00e1rio Xangai, da Secretaria de Cultura, Turismo, Esportes e Lazer-Sectel tenha ido nesta data (14 de mar\u00e7o) a Bras\u00edlia conversar com a ministra da Cultura, Margareth Menezes, sobre essas quest\u00f5es e outras.<br \/>\nEspero que tenha levado em sua pasta os projetos de custos para reformar essas casas e transform\u00e1-las em centros culturais de arenas para apresenta\u00e7\u00f5es de eventos e espet\u00e1culos nas \u00e1reas da m\u00fasica, do teatro, da dan\u00e7a, da literatura, do cinema, do audiovisual e das artes pl\u00e1sticas, dentre outras express\u00f5es. Tor\u00e7o para que as coisas aconte\u00e7am e tenhamos uma cultura pungente que lembrem as efervesc\u00eancias de outrora.<br \/>\nN\u00e3o temos muito a comemorar quando n\u00e3o temos um Plano Municipal de Cultura que contemple durante todos os anos a promo\u00e7\u00e3o de festivais de m\u00fasicas com premia\u00e7\u00f5es, feiras liter\u00e1rias, sal\u00f5es de artes pl\u00e1sticas, semin\u00e1rios, encontros e recursos suficientes para apoiar e ajudar os artistas a concretizarem seus projetos.<br \/>\n\u00c9 verdade que muitos grupos e pessoas, individualmente, v\u00eam fazendo cultura em Conquista por iniciativa pr\u00f3pria, mesmo com s\u00e9rias dificuldades, mas o poder p\u00fablico, tanto o executivo como o legislativo, tem a obriga\u00e7\u00e3o de chegar mais. \u00c9 aquela velha hist\u00f3ria de nunca se ter dinheiro para a cultura, mas n\u00e3o falta para outras que rendem votos eleitorais.<br \/>\nN\u00e3o temos muito a comemorar quando a classe em geral n\u00e3o se une para se mobilizar, se organizar profissionalmente e cobrar mais a\u00e7\u00f5es do executivo. Falo de provocar, de agir, de todos chegarem juntos e n\u00e3o apenas ficarem na posi\u00e7\u00e3o confort\u00e1vel da cr\u00edtica e s\u00f3 pensarem em si. A maioria se contenta com o pouco e se isola. Nada se consegue nada sem brigar, sem lutar.<br \/>\nDIA DA POESIA<br \/>\nQuatorze de mar\u00e7o \u00e9 tamb\u00e9m dedicado ao Dia Nacional da Poesia em comemora\u00e7\u00e3o ao nascimento de Castro Alves (1847-1871), poeta condoreiro que, com seus poemas, que brotavam do fundo da sua alma, condenava a escravid\u00e3o e as injusti\u00e7as sociais. Era tamb\u00e9m um condoreiro rom\u00e2ntico e at\u00e9 l\u00edrico. Ele transbordava sua dor. Seu lamento era como o tinir do fac\u00e3o no cascalho da pedra ou na terra estorricada do sert\u00e3o.<br \/>\nTamb\u00e9m diria que n\u00e3o temos muito a comemorar quando ainda em pleno s\u00e9culo XXI temos um Brasil atrasado culturalmente pela falta de educa\u00e7\u00e3o de qualidade e, que por isso, n\u00e3o valoriza a poesia, especialmente a nossa juventude que passa o dia agarrada num celular, engrossando os milh\u00f5es de seguidores desses canais bestiais, f\u00fateis, in\u00fateis e imorais.<br \/>\nInfelizmente, n\u00e3o temos muito a comemorar quando a grande maioria dos nossos jovens ainda confunde um Manuel Bandeira, um Castro Alves, um Drummond, Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto, uma Cec\u00edlia Meireles, uma Cora Coralina, um Patativa do Assar\u00e9, um Z\u00e9 Dantas, Humberto Teixeira e tantos outros como jogadores de futebol ou at\u00e9 cantores de funk. S\u00f3 os abnegados e teimosos ainda resistem fazendo poesia, para ouvir das pessoas que ningu\u00e9m ler isso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Dia Municipal da Cultura de Vit\u00f3ria da Conquista, institu\u00eddo em 2006 pela lei 1367, em homenagem ao nascimento do cineasta Glauber Rocha (1939- 1981), n\u00e3o temos muito a comemorar, a n\u00e3o ser algumas atividades pontuais, como no Natal, no S\u00e3o Jo\u00e3o e alguns editais que beneficiaram artistas durante o per\u00edodo da pandemia. 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