{"id":113461,"date":"2023-03-13T02:37:58","date_gmt":"2023-03-13T05:37:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/?p=113461"},"modified":"2023-03-13T02:46:01","modified_gmt":"2023-03-13T05:46:01","slug":"vendo-casa-com-independencia-de-empregada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/2023\/03\/13\/vendo-casa-com-independencia-de-empregada\/","title":{"rendered":"Vendo casa com independ\u00eancia de empregada"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Vin\u00edcolas escravagistas representam um pa\u00eds que ainda n\u00e3o se livrou de seu maior mal: a sujei\u00e7\u00e3o do outro pelo trabalho escravo<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Casa com uma horta, pois consideramos uma indignidade que nossos filhos nunca tenham comido algo plantado por nossa pr\u00f3pria m\u00e3o. Acreditamos que isso n\u00e3o \u00e9 apenas um gesto de subsist\u00eancia, mas um ensinamento a respeito do esfor\u00e7o e dos mist\u00e9rios da terra. Por isso, couve, alface, cebolinha, quiabo e manjeric\u00e3o fazem parte da fam\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deixamos, como cl\u00e1usula contratual, que \u00e9 preciso cuidar do galinheiro. Ao contr\u00e1rio, ser\u00e1 preciso ir longe para comprar os ovos. O cuidado \u00e9 sempre mais em conta que o comprado. N\u00e3o apenas pelo valor econ\u00f4mico, mas pelo v\u00ednculo afetivo que constru\u00edmos no dia a dia da rotina de um lar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pomar precisa de manuten\u00e7\u00e3o constante. Afinal, lim\u00e3o, laranja, acerola, jaboticaba e milho n\u00e3o surgem automaticamente nas g\u00f4ndolas dos sacol\u00f5es, colhidos ao verde da moeda corrente, por mais que algumas crian\u00e7as aprendam, na escola, que a natureza \u00e9 um recurso. \u00c9 preciso regar, adubar e se esfor\u00e7ar para que as pragas fiquem longe.<br \/>\nA casa \u00e9 distante de qualquer trabalho, pois diferenciamos muito bem a vida laboral dos momentos de felicidade. Uma coisa \u00e9 o que fazemos de segunda a sexta, outra \u00e9 o que somos na nudez das rela\u00e7\u00f5es de amor. A dist\u00e2ncia nos ensina a esquecer a afli\u00e7\u00e3o do emprego, enquanto nos prepara, todas as manh\u00e3s, para enfrent\u00e1-lo. \u00c9 por isso que, nos finais de semana, fazemos quest\u00e3o de celebrar a alegria de sermos gente, coisa que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel longe de rela\u00e7\u00f5es entre patr\u00e3o e empregado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fog\u00e3o \u00e0 lenha. A pr\u00f3pria natureza fornece os materiais necess\u00e1rios para que o alimento esteja preparado na hora escolhida. Basta apenas se organizar para que, no tempo seco, recolhamos aquilo que foi dispensado por cada \u00e1rvore, cumprindo o ciclo da vida, fornecendo material para que a tecnologia ancestral do fogo continue.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A chuva nunca assusta. Ela nos respeita na medida em que deixamos que corra tranquila, penetrando os espa\u00e7os que a levar\u00e3o ao c\u00e9u novamente, pois sabemos que n\u00e3o \u00e9 saud\u00e1vel interromper o ciclo dos estados vari\u00e1veis das coisas do alto.<br \/>\nA estrada ainda \u00e9 de terra. Tenho certeza de que o carro n\u00e3o ficar\u00e1 sujo, essa coisa abundante nos centros urbanos. Por aqui \u00e9 s\u00f3 barro mesmo. No entanto, ele ficar\u00e1 marcado pelos caminhos do\u00a0<i>Brasil<\/i>, valor hist\u00f3rico que confessa a liberdade anterior \u00e0 chegada dos exploradores europeus. Em troca, o caminho lhe ajudar\u00e1 a desenvolver a paci\u00eancia e o conhecimento de algu\u00e9m que trafega, n\u00e3o pelo valor da chegada, mas pela beleza da travessia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deixo para o final o mais importante, agregando valor \u00e9tico ao im\u00f3vel apresentado: n\u00e3o temos depend\u00eancia de empregada, pois nunca trouxemos nenhuma jovenzinha do interior para estudar na Capital, trocando uma jornada de 24 horas por p\u00e3o, caf\u00e9, leite e cama no quartinho dos fundos. Acostumamo-nos a dar conta da vida di\u00e1ria, com as belezas de arrumar a pr\u00f3pria cama, fazer a comida e organizar o ambiente em que vivemos. Independ\u00eancia sempre foi o mais importante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valor a combinar, pois consolidamos o poder da palavra e a for\u00e7a do di\u00e1logo para resolver as quest\u00f5es sociais.<br \/>\nDispenso interesseiros, sobretudo aqueles que tentam justificar as tantas escravid\u00f5es, antigas e modernas, do alto de seus alpendres, tomando suco de uva. J\u00e1 os outros, desinteressados naquilo que alguns consideram im\u00f3vel, \u00e9 s\u00f3 nos procurar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vin\u00edcolas escravagistas representam um pa\u00eds que ainda n\u00e3o se livrou de seu maior mal: a sujei\u00e7\u00e3o do outro pelo trabalho escravo Casa com uma horta, pois consideramos uma indignidade que nossos filhos nunca tenham comido algo plantado por nossa pr\u00f3pria m\u00e3o. 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