{"id":112993,"date":"2023-02-13T11:46:21","date_gmt":"2023-02-13T14:46:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/?p=112993"},"modified":"2023-02-13T11:46:21","modified_gmt":"2023-02-13T14:46:21","slug":"porta-enxertos-para-cultivares-de-uvas-de-mesa-sem-sementes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/2023\/02\/13\/porta-enxertos-para-cultivares-de-uvas-de-mesa-sem-sementes\/","title":{"rendered":"Porta-enxertos para cultivares de uvas de mesa sem sementes"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: justify;\">(Curadoria Agro Insight)<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, a curadoria Agro Insight traz uma publica\u00e7\u00e3o de Patr\u00edcia Coelho de Souza Le\u00e3o, pesquisadora da Embrapa, sobre a influ\u00eanca dos porta-enxertos nos aspectos de crescimento, produ\u00e7\u00e3o e qualidade de cultivares de\u00a0<a href=\"https:\/\/agroinsight.com.br\/categoria\/culturas\/fruticultura\/uva\/\">uvas<\/a>\u00a0sem sementes.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Porta-enxertos para a produ\u00e7\u00e3o de uvas de mesa sem sementes no Vale do S\u00e3o Francisco<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A escolha adequada do porta-enxerto tem impacto significativo no \u00eaxito do cultivo da videira (<em>Vitis\u00a0<\/em>sp.), tendo em vista a necessidade de compatibilidade e afinidade entre o porta-enxerto e a cultivar copa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A escolha do porta-enxerto \u00e9 realizada pelos produtores antes da implanta\u00e7\u00e3o do vinhedo e no momento da aquisi\u00e7\u00e3o das mudas, portanto, ela se torna t\u00e3o importante quanto a escolha da cultivar copa pois ser\u00e1 definitiva. Escolhas equivocadas implicam em preju\u00edzos econ\u00f4micos que n\u00e3o poder\u00e3o ser corrigidos posteriormente, levando \u00e0 necessidade de elimina\u00e7\u00e3o do vinhedo e substitui\u00e7\u00e3o das plantas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De um lado, somente ap\u00f3s a defini\u00e7\u00e3o desta combina\u00e7\u00e3o cultivar copa x porta-enxerto, o produtor poder\u00e1 providenciar a produ\u00e7\u00e3o das mudas em um viveirista credenciado. Por outro lado, n\u00e3o se deve buscar por uma combina\u00e7\u00e3o ideal copa e porta-enxerto, visto que in\u00fameros fatores afetam as res- postas fisiol\u00f3gicas e agron\u00f4micas da videira ap\u00f3s a sua enxertia e n\u00e3o existe um \u00fanico porta-enxerto que atenda aos diferentes objetivos e para todas as condi\u00e7\u00f5es ambientais e de manejo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para auxiliar na tomada de decis\u00e3o e escolha do porta-enxerto, o produtor deve dispor de informa\u00e7\u00f5es que permitam responder as seguintes quest\u00f5es abaixo, considerando-se as condi\u00e7\u00f5es edafoclim\u00e1ticas espec\u00edficas de cada \u00e1rea:<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>1) Quais porta-enxertos promovem o desenvolvimento de plantas com vigor moderado e rela\u00e7\u00e3o vigor e produ\u00e7\u00e3o de frutos equilibrada?<\/li>\n<li>2) Quais porta-enxertos promovem aumento nos componentes de produ\u00e7\u00e3o como brota\u00e7\u00e3o, fertilidade de gemas, n\u00famero de cachos e, consequentemen- te, maior produtividade?<\/li>\n<li>3) Quais porta-enxertos promovem a produ\u00e7\u00e3o de cachos e bagas com maior massa e tamanho e um padr\u00e3o uniforme em toda a planta?<\/li>\n<li>4) Quais porta-enxertos promovem a melhoria dos atributos de qualidade da uva como teor de s\u00f3lidos sol\u00faveis, adequada rela\u00e7\u00e3o a\u00e7\u00facares e acidez, cor uniforme, teor de antocianinas, polifen\u00f3is, entre outros, bem como a manu- ten\u00e7\u00e3o da qualidade da fruta na fase p\u00f3s-colheita?<\/li>\n<li>5) Quais porta-enxertos promovem maior toler\u00e2ncia a estresses bi\u00f3ticos, como pragas e doen\u00e7as que afetam o sistema radicular da videira?<\/li>\n<li>6) Quais porta-enxertos promovem melhor adapta\u00e7\u00e3o das videiras \u00e0 estres- ses abi\u00f3ticos, tais como, solos pobres, rasos, compactados, mal drenados, salinos, sujeitos \u00e0 restri\u00e7\u00e3o ou excesso de \u00e1gua tempor\u00e1rios, caracter\u00edsticas comuns nos solos do Semi\u00e1rido?<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dificilmente um \u00fanico porta-enxerto poder\u00e1 responder a todas as quest\u00f5es acima. Portanto, elas devem ser priorizadas considerando-se as maiores li- mita\u00e7\u00f5es de cada vinhedo e os objetivos do produtor.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">A) Porta-enxertos<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existem centenas de cultivares de porta-enxertos dispon\u00edveis, obtidos por diferentes programas de melhoramento, a maioria deles entre os s\u00e9culos XIX at\u00e9 meados do s\u00e9culo XX, objetivando atender a problemas espec\u00edficos de cada regi\u00e3o produtora. Portanto, somente o desenvolvimento de pesquisa local poder\u00e1 avaliar o comportamento dos porta-enxertos em cada condi\u00e7\u00e3o ambiental, ressaltando-se, ainda, que as respostas das combina\u00e7\u00f5es copa x porta-enxerto resultam das suas intera\u00e7\u00f5es com o ambiente e com o manejo do vinhedo, o que pode resultar em diferentes respostas para o mesmo por- ta-enxerto dentro de uma mesma regi\u00e3o vitivin\u00edcola. Al\u00e9m disso, a influ\u00eancia do porta-enxerto sobre a cultivar copa tende a mudar entre as fases juvenil e adulta das plantas, o que aumenta a complexidade destes estudos, levando \u00e0 necessidade de pesquisas de longa dura\u00e7\u00e3o e sob condi\u00e7\u00f5es edafoclim\u00e1ticas e de manejo bem caracterizadas e espec\u00edficas, n\u00e3o permitindo extrapolar os resultados para outras condi\u00e7\u00f5es ambientais e cultivares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porta-enxertos de videira t\u00eam a capacidade de se adaptar a caracter\u00edsticas adversas do solo, tais como restri\u00e7\u00e3o h\u00eddrica, elevada umidade, n\u00edveis exces- sivos ou deficientes de macro e micronutrientes, salinidade, como tamb\u00e9m podem prevenir pragas e doen\u00e7as que afetam o sistema radicular como filoxera, nematoides, fusariose e outros fungos que provocam decl\u00ednio e morte de plantas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m destes aspectos, a sua influ\u00eancia sobre a fisiologia, desenvolvimento, vigor da planta, produtividade, caracter\u00edsticas f\u00edsicas e f\u00edsico-qu\u00edmicas da uva e dos produtos elaborados tem sido demonstrada em numerosos estudos realizados com diferentes cultivares copa e condi\u00e7\u00f5es ambientais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desse modo, a enxertia e utiliza\u00e7\u00e3o de porta-enxertos t\u00eam crescido em to- das as regi\u00f5es vitivin\u00edcolas no mundo, mesmo naquelas mais tradicionais e resistentes a mudan\u00e7as. Entretanto, os benef\u00edcios advindos desta pr\u00e1tica dependem da escolha adequada do porta-enxerto em fun\u00e7\u00e3o de cada cultivar copa e condi\u00e7\u00f5es edafoclim\u00e1ticas de cada regi\u00e3o produtora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os resultados de pesquisa realizadas pela Embrapa Semi\u00e1rido nas \u00faltimas d\u00e9cadas somados \u00e0 experi\u00eancia de campo do setor produtivo definiram um grupo de porta-enxertos que t\u00eam demonstrado compatibilidade e afinidade com as cultivares de videira utilizadas no Vale do S\u00e3o Francisco. Estes porta- enxertos foram desenvolvidos pelo programa de melhoramento gen\u00e9tico do Instituto Agron\u00f4mico de Campinas (IAC), s\u00e3o eles: o IAC 572 (\u2018Jales\u2019), IAC 313 (\u2018Tropical\u2019) e IAC 766 (\u2018Campinas\u2019), como tamb\u00e9m \u2018Harmony\u2019 (Estados Unidos), \u2018Paulsen 1103\u2019 (It\u00e1lia) e \u2018SO4\u2019 (Alemanha). Outros foram introduzi- dos recentemente, com poucas informa\u00e7\u00f5es de pesquisa, n\u00e3o sendo ainda amplamente utilizados como \u2018Freedom\u2019 e \u2018Salt Creek\u2019 ou \u2018Ramsey\u2019 (Estados Unidos) e \u2018101-14 Millardet et de Grasset ou 101-14 MGt (Fran\u00e7a).<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">B) Efeito dos porta-enxertos sobre as cultivares<\/h2>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Vigor<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o houve influ\u00eancia do porta-enxerto no vigor de videiras \u2018BRS Vit\u00f3ria\u2019 e \u2018BRS Isis\u2019. A massa m\u00e9dia dos ramos eliminados pela poda nas videiras \u2018BRS Vit\u00f3ria\u2019 variou de 5 kg, sobre o porta-enxerto Paulsen 1103, at\u00e9 6 kg de ramos por planta, no IAC 572. Por sua vez, nas videiras \u2018BRS Isis\u2019, foram observa- dos valores desde 3,6 kg por planta, sobre o porta enxerto IAC 313, at\u00e9 4,75 kg nas videiras enxertadas sobre \u2018Paulsen 1103\u2019. O vigor das videiras apre- sentou altern\u00e2ncia entre os ciclos de produ\u00e7\u00e3o, excesso de carga e produti- vidades muito elevadas resultaram em ramos fracos, pouco vigorosos, com menor massa dos ramos na poda seguinte.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Brota\u00e7\u00e3o e fertilidade de gemas<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o foram observados efeitos do porta-enxerto na brota\u00e7\u00e3o e fertilidade de gemas das cultivares BRS Vit\u00f3ria e BRS Isis.\u00a0A percentagem de brota\u00e7\u00e3o m\u00e9dia dos porta-enxertos foi similar nas duas cultivares (73% e 74%, respectivamente), com pequenas varia\u00e7\u00f5es entre porta-enxertos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u00edndice de fertilidade de gemas, que mede o n\u00famero de cachos por broto nos ramos da \u00faltima poda, tamb\u00e9m apresentou pequenas diferen\u00e7as entre os porta-enxertos, com valores m\u00e9dios de 0,74 e 0,84 cachos por broto nas videiras \u2018BRS Vit\u00f3ria\u2019 e \u2018BRS Isis\u2019, respectivamente.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Produtividade<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O porta-enxerto teve influ\u00eancia no aumento de produtividade das videiras BRS Isis e BRS Clara, mas n\u00e3o afetou de forma significativa a cultivar BRS Vit\u00f3ria.\u00a0Na cv. BRS Vit\u00f3ria a produtividade foi elevada em todos os porta-enxertos, variando de 25 t\/ha no porta enxerto Freedom at\u00e9 29 t\/ha nas videiras enxertadas sobre \u2018Paulsen 1103\u2019 e \u2018IAC 313\u2019, correspondendo a um incremento de 14% na produtividade sobre estes \u00faltimos porta-enxertos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas videiras \u2018BRS Isis\u2019, a produtividade foi muito elevada em todos os porta-enxertos, variando de 48,8 t ha ano<sup>-1<\/sup>\u00a0no \u2018SO4\u2019, at\u00e9 66,6 t ha ano<sup>-1<\/sup>\u00a0no \u2018IAC 572\u2019 e representam um aumento de 68% em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 produtividade m\u00e9dia de 25 t ha ciclo<sup>-1<\/sup>\u00a0no Vale do S\u00e3o Francisco, confirmando o elevado potencial produtivo desta cultivar, independente do porta-enxerto utilizado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As produtividades excessivas obtidas em todos os porta-enxertos, principal- mente no \u2018IAC 572\u2019, teve consequ\u00eancias negativas na qualidade dos frutos, como no desenvolvimento de cor uniforme e ac\u00famulo de a\u00e7\u00facares. Nos anos de 2017 e 2018, quando foram encontradas as maiores produtividades, as uvas apresentaram atraso na matura\u00e7\u00e3o e desuniformidade na cor. Para evitar esses efeitos indesej\u00e1veis, o controle do n\u00famero de cachos, de acordo com a densidade adequada para cada cultivar, \u00e9 uma pr\u00e1tica cultural imprescind\u00edvel para evitar sobrecarga de produ\u00e7\u00e3o em cultivares de alto potencial produtivo como BRS \u00cdsis e BRS Vit\u00f3ria, pois permite a produ\u00e7\u00e3o de uvas com um padr\u00e3o de qualidade elevado, uniforme e est\u00e1vel, bem como assegura a manuten\u00e7\u00e3o das reservas de carboidratos nas plantas, necess\u00e1- rias para o pr\u00f3ximo ciclo de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O porta-enxerto teve uma importante influ\u00eancia no aumento da produtividade de videiras \u2018BRS Clara\u2019, destacando-se o porta-enxerto \u2018Paulsen 1103\u2019 com 25 t ha<sup>-1<\/sup>\u00a0e \u2018SO4\u2019 com 20 t ha<sup>-1<\/sup>. Por sua vez, porta-enxertos muito vigorosos como \u2018IAC 572\u2019 n\u00e3o devem ser utilizados porque reduzem drasticamente a produtividade de videiras \u2018BRS Clara\u2019.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00famero de cachos<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Videiras \u2018BRS Vit\u00f3ria\u2019 enxertadas sobre \u2018Paulsen 1103\u2019 apresentaram maior n\u00famero de cachos (104 cachos por planta) do que \u00e0quelas enxertadas sobre \u2018IAC 572\u2019 e \u2018SO4\u2019 (87 cachos) e \u2018Freedom\u2019 (88 cachos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na cultivar BRS Isis, o porta-enxerto n\u00e3o teve influ\u00eancia no n\u00famero de cachos, observando-se valores elevados em todos os porta-enxertos, com m\u00e9dias que variaram de 78 cachos por planta sobre \u2018SO4\u2019 at\u00e9 100 cachos por planta nas videiras enxertadas sobre \u2018IAC 572\u2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De um lado, o n\u00famero de cachos nas videiras \u2018BRS Clara\u2019 foi afetado pelo porta-enxerto, com destaque para \u2018Paulsen 1103\u2019, com m\u00e9dia de 65 cachos e \u2018Harmony\u2019, com 64 cachos. Por outro lado, o menor n\u00famero de cachos nos porta-enxertos do grupo IAC foi consequ\u00eancia de dificuldades no pegamento dos frutos, o que ocasionou elevado aborto de flores e est\u00e1 relacionado ao maior vigor induzido por estes porta-enxertos, com crescimento vigoroso de brota\u00e7\u00f5es que constitu\u00edram o dreno mais forte durante a pr\u00e9 e plena flora- \u00e7\u00e3o, desequilibrando a parti\u00e7\u00e3o de fotoassimilados. Portanto, a ado\u00e7\u00e3o de porta-enxertos com vigor moderado associado a pr\u00e1ticas de manejo para o controle do desenvolvimento vegetativo das plantas s\u00e3o recomendados para a produ\u00e7\u00e3o satisfat\u00f3ria de uvas \u2018BRS Clara\u2019.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Massa e tamanho do cacho<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os cachos de uvas \u2018BRS Vit\u00f3ria\u2019 apresentaram massa m\u00e9dia de 205 g, atingindo valores sobre o porta-enxerto IAC 313, em m\u00e9dia, de 215 g, o que contribuiu para a maior produtividade observada sobre este porta-enxerto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os porta-enxertos influenciaram o alongamento do cacho, obtendo-se cachos com m\u00e9dia de 15,5 cm sobre \u2018Freedom\u2019, maiores que aqueles de videiras enxertadas sobre \u2018Paulsen 1103\u2019 e \u2018SO4\u2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A largura dos cachos da cultivar BRS Vit\u00f3ria variou de 6,8 cm, nos porta-enxertos Paulsen 1103 e SO4, at\u00e9 7,8 cm, no porta-enxerto IAC 313. Portanto, apesar de o porta-enxerto Paulsen 1103 favorecer maior n\u00famero de cachos e produtividade, ele reduziu o comprimento m\u00e9dio dos cachos, comprometendo o alcance de um padr\u00e3o uniforme de tamanho de cachos das uvas \u2018BRS Vit\u00f3ria\u2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os cachos de uvas \u2018BRS \u00cdsis\u2019 apresentaram massa m\u00e9dia de 343 g, com diferen\u00e7as apenas entre dois porta-enxertos \u2018IAC 313\u2019, com o qual foram obtidos os cachos com maior massa (363 g), e \u2018Harmony\u2019, com os menores valores (328 g). Os demais porta-enxertos apresentaram valores intermedi\u00e1rios entre eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Comportamento similar tamb\u00e9m foi observado no comprimento do cacho, n\u00e3o se registrando grandes varia\u00e7\u00f5es entre porta-enxertos, encontrando-se, em m\u00e9dia, cachos com 18,3 cm de comprimento, bem como na largura do cacho, que apresentou os menores valores nas videiras enxertadas sobre \u2018Harmony\u2019 (9,5 cm), quando comparadas aos cachos daquelas sobre \u2018IAC 572\u2019 (10,8 cm).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos os porta-enxertos utilizados promoveram o desenvolvimento de cachos com massa e tamanho adequados para atender \u00e0s exig\u00eancias dos mercados, entretanto, a escolha de um porta-enxerto que promove maior comprimento e largura do cacho como \u2018IAC 572\u2019 na cv. BRS \u00cdsis podem representar ganhos n\u00e3o apenas na apar\u00eancia dos cachos, mas tamb\u00e9m na produtividade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o houve influ\u00eancia do porta-enxerto na massa, comprimento e largura dos cachos de uvas \u2018BRS Clara\u2019, que apresentaram massa m\u00e9dia de 223 g, comprimento de 18,6 cm e largura de 7,2 cm. Entretanto, observou-se uma tend\u00eancia de cachos maiores nas videiras enxertadas sobre \u2018Paulsen 1103\u2019 que promoveu aumento de 23% na massa, 9% no comprimento e 16% na largura do cacho comparado ao porta-enxerto IAC 572.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Massa, comprimento e di\u00e2metro da baga<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O porta-enxerto Harmony aumentou a massa (4,4 g) e o di\u00e2metro da baga (17,8 mm) de uvas \u2018BRS Vit\u00f3ria\u2019, quando comparado aos porta-enxertos Paulsen 1103, SO4 e IAC 572. O comprimento da baga n\u00e3o foi influenciado pelo porta-enxerto, embora nota-se uma tend\u00eancia de maiores comprimentos sobre os porta-enxertos Harmony e IAC 766. Portanto, os porta-enxertos Harmony, Freedom e IAC 766 favoreceram o crescimento da baga de uvas \u2018BRS Vit\u00f3ria\u2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cultivar BRS \u00cdsis destaca-se pelo tamanho grande das bagas, obtendo-se m\u00e9dia geral para os sete porta-enxertos de 6 g, 27,8 mm de comprimento e 19,2 mm de di\u00e2metro. O porta-enxerto afetou a massa e o comprimento da baga, com destaque para IAC 313, que promoveu o desenvolvimento de bagas com maior massa (6,3 g) e comprimento (28,5 g). Bagas com menor massa e comprimento foram observadas nas videiras enxertadas sobre \u2018SO4\u2019. Poucas varia\u00e7\u00f5es foram observadas no di\u00e2metro da baga de uvas \u2018BRS Isis\u2019 entre os porta-enxertos. Por sua vez, a cultivar BRS Clara apresenta bagas de tamanho pequeno, com m\u00e9dias de 2,6 g 19,7 mm, e 15 mm para massa, comprimento e di\u00e2metro da baga, respectivamente.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>S\u00f3lidos sol\u00faveis totais (SS), acidez titul\u00e1vel (AT) e rela\u00e7\u00e3o SS\/ AT<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Houve influ\u00eancia do porta-enxerto no teor de s\u00f3lidos sol\u00faveis das uvas \u2018BRS Vit\u00f3ria\u2019, sendo os maiores valores obtidos nas videiras enxertadas sobre \u2018Freedom\u2019 e \u2018IAC 572\u2019, ambos com 20 \u00b0Brix, bem como \u2018SO4\u2019 e \u2018IAC 313\u2019 (19,8 \u00b0Brix). No porta-enxerto Harmony foram colhidas uvas com menor teor de s\u00f3lidos sol\u00faveis (18,5 \u00b0Brix). Entretanto, as uvas apresentaram teor de s\u00f3lidos sol\u00faveis satisfat\u00f3rios em todos os porta-enxertos (m\u00e9dia de19,5 \u00b0Brix), estando de acordo com as recomenda\u00e7\u00f5es do ponto de colhei- ta adequado para a cultivar BRS Vit\u00f3ria (Maia et al., 2012; Le\u00e3o; Lima, 2016).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na cultivar BRS Isis o porta-enxerto n\u00e3o afetou o teor de s\u00f3lidos sol\u00faveis, obtendo-se m\u00e9dia de 16,5 \u00b0Brix, de acordo com os teores de s\u00f3lidos sol\u00fa- veis observados para esta cultivar em diferentes regi\u00f5es produtoras do Pa\u00eds (Ritschel et al., 2013; Le\u00e3o et al., 2016). Uma redu\u00e7\u00e3o no teor de s\u00f3lidos so- l\u00faveis foi observada nos ciclos de produ\u00e7\u00e3o nos quais foram obtidos produtividade excessiva e sobrecarga das videiras, com preju\u00edzos para a matura\u00e7\u00e3o e a qualidade da uva. Portanto, o controle da densidade de cachos em cultivares de fertilidade de gemas elevada como BRS Isis e BRS Vit\u00f3ria deve ser realizado para prevenir a redu\u00e7\u00e3o no ac\u00famulo de a\u00e7\u00facares que depreciam o sabor da uva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m n\u00e3o houve efeitos do porta-enxerto no teor de s\u00f3lidos sol\u00faveis de uvas \u2018BRS Clara\u2019, cujos valores variaram de 17,5 \u00b0Brix nas uvas colhidas sobre o porta-enxerto Harmony at\u00e9 19,2 \u00b0Brix, sobre \u2018IAC 313\u2019. Portanto, o teor de s\u00f3lidos sol\u00faveis foi adequado para essa cultivar em todos os porta-enxertos estudados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o houve influ\u00eancia do porta-enxerto na acidez titul\u00e1vel dos frutos em nenhuma das cultivares de uvas. As uvas \u2018BRS Vit\u00f3ria\u2019 e \u2018BRS Clara\u2019 apresentam teores intermedi\u00e1rios de acidez, com pequenas varia\u00e7\u00f5es entre porta-enxertos, cujas m\u00e9dias foram de 0,52 mg 100mL<sup>-1<\/sup>\u00a0e 0,49 mg 100mL<sup>-1<\/sup>, respectivamente. Os valores de acidez apresentados por essas cultivares est\u00e3o adequados, pois favorecem a percep\u00e7\u00e3o de sabor agrad\u00e1vel da uva e a manuten\u00e7\u00e3o de sua qualidade na fase de p\u00f3s-colheita. Por sua vez, as uvas \u2018BRS Isis\u2019 apresentaram baixa acidez em todos os porta-enxertos estudados, com m\u00e9dia de 0,38 mg 100mL<sup>-1<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A rela\u00e7\u00e3o SS\/AT \u00e9 um importante atributo de qualidade para percep\u00e7\u00e3o do sabor e aceita\u00e7\u00e3o do consumidor. Os valores recomendados variam entre as diferentes cultivares. Por exemplo, na cultivar Crimson Seedless, a uva colhida com rela\u00e7\u00e3o SS\/AT entre 35-40 obteve melhor aceita\u00e7\u00e3o do consumidor (Jayasena; Cameron, 2008).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o houve influ\u00eancia do porta-enxerto na rela\u00e7\u00e3o SS\/AT das cultivares BRS Vit\u00f3ria, BRS Isis e BRS Clara, com valores m\u00e9dios de 38, 56 e 44.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong>C) Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na cultivar BRS Vit\u00f3ria, o n\u00famero de cachos, comprimento do cacho, massa e di\u00e2metro da baga responderam de forma diferenciada em fun\u00e7\u00e3o dos porta-enxertos utilizados. Os porta-enxertos Paulsen 1103 e IAC 313 aumentaram a produtividade, mas o porta-enxerto Paulsen 1103 reduziu o comprimento do cacho, o que constitui uma caracter\u00edstica negativa, considerando-se a import\u00e2ncia do alongamento e padroniza\u00e7\u00e3o no tamanho do cacho de uvas \u2018BRS Vit\u00f3ria\u2019. Os porta-enxertos Harmony, Freedom e IAC 766 promoveram aumento na massa e di\u00e2metro da baga, e podem ser utilizados para incrementar estas caracter\u00edsticas, o que \u00e9 recomendado, tendo em vista que as uvas \u2018BRS Vit\u00f3ria\u2019 possuem bagas pequenas e promover o aumento do tamanho da baga resulta, de modo geral, em incrementos na produtividade do vinhedo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na cultivar BRS Isis foram observadas diferen\u00e7as entre dois porta-enxertos quanto \u00e0 produtividade, n\u00famero de cachos, massa e largura do cacho, mas- sa e comprimento da baga, o que demonstra que, mesmo nestas vari\u00e1veis, houve pouca resposta ao porta-enxerto utilizado. Portanto, todos os porta-enxertos podem ser utilizados nesta cultivar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na cultivar BRS Clara, o porta-enxerto Paulsen 1103 promoveu aumentos significativos na produtividade e n\u00famero de cachos e deve ser recomendado para esta cultivar no Vale do S\u00e3o Francisco. Por sua vez, os porta-enxertos \u2018IAC 572\u2019, \u2018IAC 313\u2019 e \u2018IAC 766\u2019 n\u00e3o devem ser utilizados porque podem aumentar o aborto de flores e reduzir a produtividade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m do desempenho agron\u00f4mico, outras informa\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0s caracter\u00edsticas de qualidade das uvas em diferentes porta-enxertos, como tamb\u00e9m o comportamento em rela\u00e7\u00e3o a doen\u00e7as e pragas que afetam a videira no Vale do S\u00e3o Francisco devem ser consideradas para a recomenda\u00e7\u00e3o de porta-enxertos para o cultivo das videiras \u2018BRS Vit\u00f3ria\u2019, \u2018BRS \u00cdsis\u2019 e \u2018BRS Clara\u2019 na regi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os resultados obtidos aplicam-se a condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de solo, idade da planta e manejo do vinhedo e, portanto, devem ser compreendidas como uma tend\u00eancia e de maneira relativa, evitando-se extrapola\u00e7\u00f5es para condi\u00e7\u00f5es muito distintas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m da escolha adequada do porta-enxerto, \u00e9 imprescind\u00edvel garantir a qualidade gen\u00e9tica e sanit\u00e1ria das mudas, uma vez que muitas doen\u00e7as s\u00e3o disseminadas pelo material de propaga\u00e7\u00e3o infectado. Portanto, recomenda-se que as mudas enxertadas sobre os porta-enxertos mencionados neste trabalho sejam adquiridas de viveiristas credenciados pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa) e o Minist\u00e9rio da Agricultura, Abastecimento e Pecu\u00e1ria (Mapa), reduzindo os riscos de mistura varietal e ocorr\u00eancia de doen\u00e7as durante a implanta\u00e7\u00e3o do vinhedo.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong>BIBLIOGRAFIA E LINS RELACIONADOS<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">CAMARGO, U. A.; NACHTIGAL, J. C.; MAIA, J. D. G.; OLIVEIRA, P .R. D. de; PROTAS, J. F. da S. BRS Clara: nova cultivar de uva de mesa branca sem semente. Bento Gon\u00e7alves:Embrapa Uva e Vinho, 2003. 4 p. (Embrapa Uva e Vinho. Comunicado T\u00e9cnico, 46).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">HORTIFRUTI BRASIL: anu\u00e1rio 2019 2020: retrospectiva 2019 e perspectiva 2020. Piracicaba, 2020. Edi\u00e7\u00e3o especial. JAYASENA, V.; CAMERON, I. \u00b0Brix\/acid ratio as a predictor of consumer acceptability of Crimson Seedless tabel grapes. Journal of Food Quality, v. 31, n. 6, p. 736-750, 2008. DOI: https:\/\/doi.org\/10.1111\/j.1745-4557.2008.00231.x.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LE\u00c3O, P. C. de S.; LIMA, M. A. C. de. Uva de mesa sem sementes BRS Vit\u00f3ria: comporta- mento agron\u00f4mico e qualidade dos frutos no Subm\u00e9dio do Vale do S\u00e3o Francisco. Petrolina: Embrapa Semi\u00e1rido, 2016. (Embrapa Semi\u00e1rido. Comunicado t\u00e9cnica, 168). Dispon\u00edvel em: http:\/\/ainfo.cnptia.embrapa.br\/digital\/bitstream\/item\/156093\/1\/COT168.pdf. Acesso em: 8 nov. 2021.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LE\u00c3O, P. C. de S.; NUNES, B. T. G.; SOUZA, E. M. C. de; REGO, J. I. DE S.; NASCIMENTO, J. H. B. do. BRS Isis: new seedless grape cultivar for the tropical viticulture in Northeastern of Brazil. BIO Web of Conferences, v. 7, p. 1-4, out. 2016. DOI: 10.1051\/bioconf\/20160701002.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LE\u00c3O, P. C. de S. Uva: adaptada ao cultivo. Cultivar HF, v. 15, n. 108, p. 26-29, fav.\/mar. 2018. MAIA, J. D. G.; RITSCHEL, P.; CAMARGO, U. A.; SOUZA, R. T. de S.; FAJARDO, T. V.; NAVES, R. de L.; GIRARDI, C. L. \u2018BRS Vit\u00f3ria\u2019: nova cultivar de uva de mesa sem sementes com sabor especial e tolerante ao m\u00edldio. Bento Gon\u00e7alves, Embrapa Uva e Vinho, 2012. 12 p. (Embrapa Uva e Vinho. Comunicado t\u00e9cnico, 126).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">OLIVEIRA, L. D. da S.; MOURA, M. S. B. de; LE\u00c3O, P. C. de S.; SILVA, T. G. F. da; SOUZA, L. S. B. de. Caracter\u00edsticas agron\u00f4micas e sensibilidade ao rachamento de bagas de uvas sem sementes. Journal of Environmental Analysis and Progress, v. 2, n. 3, p. 274-28, 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RITSCHEL, P. S.; MAIA, J. D. G.; CAMARGO, U. A.; SOUZA, R. T. de; FAJARDO, T. V. M.; NAVES, R. de L.; GIRARDI, C. L. BRS Isis: nova cultivar de uva de mesa vermelha, sem sementes e tolerante ao m\u00edldio. Bento Gon\u00e7alves: Embrapa Uva e Vinho. 2013. 20 p. il., color. (Embrapa Uva e Vinho. Comunicado t\u00e9cnico, 143).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RITSCHEL, P. S.; GIRARDI, C. L.; ZANUS, M. C.; FAJARDO, T. V. M.; MAIA, J. D. G.; SOUZA, R. T.; NAVES, R. L.; CAMARGO U. A. Novel Brazilian grape cultivars. Acta Horticulturae, v. 1082, p. 157-164, 2015. DOI: 10.17660\/ActaHortic.2015.1082.21.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SOUZA, R. T. de; NAVES, R. de L.; CONCEI\u00c7\u00c3O, M. A. F.; COSTA, S. M. da; SAVINI, T. C. Frequency of fungicide application for controlling downy mildew in seedless grape plant \u2018BRS Vit\u00f3ria\u2019. Revista Brasileira de Fruticultura, v. 40, n. 3, e-443, 2018. DOI: https:\/\/doi. org\/10.1590\/0100-29452018443.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Curadoria Agro Insight) Hoje, a curadoria Agro Insight traz uma publica\u00e7\u00e3o de Patr\u00edcia Coelho de Souza Le\u00e3o, pesquisadora da Embrapa, sobre a influ\u00eanca dos porta-enxertos nos aspectos de crescimento, produ\u00e7\u00e3o e qualidade de cultivares de\u00a0uvas\u00a0sem sementes. 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