{"id":111581,"date":"2022-11-21T04:12:04","date_gmt":"2022-11-21T07:12:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/?p=111581"},"modified":"2022-11-21T04:12:04","modified_gmt":"2022-11-21T07:12:04","slug":"dia-da-consciencia-negra-conheca-nomes-que-lutaram-pelo-fim-da-escravidao-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/2022\/11\/21\/dia-da-consciencia-negra-conheca-nomes-que-lutaram-pelo-fim-da-escravidao-no-brasil\/","title":{"rendered":"Dia da  Consci\u00eancia Negra: conhe\u00e7a nomes que lutaram pelo fim da escravid\u00e3o no Brasil"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na data que visa evocar a resist\u00eancia negra, o Correio lembra e celebra a hist\u00f3ria de her\u00f3is negros do movimento abolicionista, que foram primordiais para a conquista da liberdade dos escravos<\/strong><\/p>\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"item\">\n<div class=\"name\"><strong>Aline Brito<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"responsive-img\">\n<picture><source media=\"(max-width: 767px)\" data-srcset=\"https:\/\/midias.correiobraziliense.com.br\/_midias\/jpg\/2022\/11\/19\/360x240\/1_page-26881165.jpg?20221119010845?20221119010845 360w\" \/><source media=\"(max-width: 1365px)\" data-srcset=\"https:\/\/midias.correiobraziliense.com.br\/_midias\/jpg\/2022\/11\/19\/675x450\/1_page-26881165.jpg?20221119010845?20221119010845 675w\" \/><source media=\"(min-width: 1366px)\" data-srcset=\"https:\/\/midias.correiobraziliense.com.br\/_midias\/jpg\/2022\/11\/19\/820x547\/1_page-26881165.jpg?20221119010845?20221119010845 820w\" \/><img class=\"cb-article-destaque\" title=\"Aqualtune, N\u00e3 Agontim\u00e9 e Lu\u00eds Gama. - (cr\u00e9dito: Marc Ferrez, 1885\/ Dom\u00ednio P\u00fablico - Twitter Geek Feminist)\" src=\"https:\/\/midias.correiobraziliense.com.br\/_midias\/jpg\/2022\/11\/19\/675x450\/1_page-26881165.jpg?20221119010845?20221119010845\" alt=\"Aqualtune, N\u00e3 Agontim\u00e9 e Lu\u00eds Gama. - (cr\u00e9dito: Marc Ferrez, 1885\/ Dom\u00ednio P\u00fablico - Twitter Geek Feminist)\" data-src=\"https:\/\/midias.correiobraziliense.com.br\/_midias\/jpg\/2022\/11\/19\/675x450\/1_page-26881165.jpg?20221119010845?20221119010845\" \/><\/picture>\n<div class=\"responsive-img-caption\"><small>Aqualtune, N\u00e3 Agontim\u00e9 e Lu\u00eds Gama. &#8211; (cr\u00e9dito: Marc Ferrez, 1885\/ Dom\u00ednio P\u00fablico &#8211; Twitter Geek Feminist)<\/small><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Nesse domingo <a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cidades-df\/2021\/11\/4964406-personalidades-do-df-compartilham-olhares-sobre-o-dia-da-consciencia-negra.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">(20\/11) \u00e9 comemorado o Dia da Consci\u00eancia Negra<\/a>. A data, que surgiu como uma forma de refletir sobre o valor e contribui\u00e7\u00e3o da comunidade negra para o Brasil, tem o papel de jogar luz sobre a resist\u00eancia do povo negro e dar maior visibilidade \u00e0 busca por igualdade, por direitos, e contra o racismo. Para entender o que envolve o movimento negro da atualidade, \u00e9 necess\u00e1rio fazer um resgate hist\u00f3rico e falar sobre as ra\u00edzes que envolvem essa luta.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">O povo negro tem uma trajet\u00f3ria que come\u00e7ou muito antes da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/brasil\/2022\/07\/5025221-operacao-resgata-337-trabalhadores-de-condicoes-analogas-a-escravidao.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">escraviza\u00e7\u00e3o<\/a>, sendo alicer\u00e7ada em territ\u00f3rio africano e formada por reis, rainhas, guerreiros e guerreiras de tribos que ali viviam. No Brasil, antes da chegada dos portugueses, estudos arqueol\u00f3gicos mostram que os primeiros habitantes eram ind\u00edgenas. A chegada dos negros em solo brasileiro se confunde com a escravid\u00e3o, uma vez que eles eram traficados da \u00c1frica para trabalharem, de forma for\u00e7ada e desumana, para o imp\u00e9rio e os poderosos coloniais.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">A escravid\u00e3o no pa\u00eds come\u00e7ou por volta de 1530, quando os portugueses implantaram base no Brasil e, consequentemente, surgiram demandas de m\u00e3o de obra. Os primeiros escravizados foram os ind\u00edgenas, mas acabaram sendo substitu\u00eddos pelos negros \u2014 estima-se que cerca de 4,8 milh\u00f5es de africanos foram traficados para o Brasil durante todo o per\u00edodo que durou a escravid\u00e3o.<!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde o in\u00edcio, essa explora\u00e7\u00e3o violenta da for\u00e7a de trabalho foi marcada pela resist\u00eancia dos negros. \u201cEssas pessoas s\u00e3o apagadas da hist\u00f3ria para que seja perpetuada a hist\u00f3ria branca e todos os privil\u00e9gios que ela representa na sociedade. Conhecimento \u00e9 poder, imagina se a popula\u00e7\u00e3o negra, que \u00e9 maioria da popula\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o em espa\u00e7os de poder e decis\u00e3o, come\u00e7a a conhecer a verdadeira hist\u00f3ria? Com certeza ter\u00e3o mais reivindica\u00e7\u00f5es, para ocupar, cada vez mais, espa\u00e7os nos quais o povo negro n\u00e3o chega de forma proporcional. E n\u00e3o chega n\u00e3o por falta de vontade, intelig\u00eancia ou talento, e sim por causa das barreiras impostas pelo racismo estrutural\u201d, explica Luiza Mandela, mestra em Rela\u00e7\u00f5es \u00c9tnico-Raciais.<\/p>\n<h3>\u201cN\u00e3o veio do c\u00e9u, nem das m\u00e3os de Isabel\u201d<\/h3>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Ao longo dos mais de 300 anos de explora\u00e7\u00e3o dos africanos no Brasil, os escravos se organizaram, de diversas formas, para resistir \u00e0 escravid\u00e3o e tentar fugir das senzalas. Uma personalidade muito conhecida por lutar pela liberta\u00e7\u00e3o do povo contra o sistema escravista \u00e9 Zumbi dos Palmares, um grande exemplo da batalha travada na \u00e9poca.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Zumbi foi l\u00edder do Quilombo dos Palmares, uma comunidade formada por escravos negros que fugiam de fazendas, pris\u00f5es e senzalas. O quilombo surgiu por volta de 1580 e, em pouco tempo, se tornou o maior do per\u00edodo colonial, ocupando uma \u00e1rea equivalente ao tamanho de Portugal e com mais de 30 mil habitantes.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Apesar do Dia da Consci\u00eancia Negra ser na data que marca a morte de Zumbi, uma forma de homenagem e tamb\u00e9m de garantir que a hist\u00f3ria de resist\u00eancia do povo negro n\u00e3o seja esquecida, antes dele outros guerreiros como Ganga Zumba, primeiro l\u00edder do Quilombo dos Palmares, foram cruciais para o percurso que resultou na aboli\u00e7\u00e3o da escravatura. Depois dele, tamb\u00e9m tiveram outros nomes t\u00e3o importantes quanto, mas que n\u00e3o s\u00e3o lembrados em livros de hist\u00f3ria ou estudados dentro de salas de aula.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA invisibiliza\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria negra causa impactos na constru\u00e7\u00e3o da identidade e da subjetividade das pessoas negras. Essas pessoas crescem n\u00e3o se vendo de forma positiva, acreditando que n\u00e3o t\u00eam uma hist\u00f3ria, se achando inferiores, incapazes. Essa narrativa, que favorece a hist\u00f3ria euroc\u00eantrica, afeta a sa\u00fade mental da popula\u00e7\u00e3o preta. Crescemos n\u00e3o gostando de n\u00f3s mesmos por acreditarmos que n\u00e3o somos potentes, n\u00e3o temos hist\u00f3ria, nem identidade e, com isso, somos adoecidos e precisamos recorrer a tratamentos terap\u00eauticos, psiqui\u00e1tricos. E sabemos que nem todas as pessoas negras t\u00eam acesso a esses servi\u00e7os\u201d, esclarece Mandela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com a especialista, \u00e9 necess\u00e1rio que a popula\u00e7\u00e3o conhe\u00e7a a hist\u00f3ria do povo negro, para que seja descentralizada a vis\u00e3o euroc\u00eantrica do Brasil, afinal, assim como mostrou o samba-enredo da escola de samba Esta\u00e7\u00e3o Primeira de Mangueira, campe\u00e3 do carnaval carioca de 2019, a liberdade dos escravos \u201cn\u00e3o veio do c\u00e9u, nem das m\u00e3os das m\u00e3os de Isabel\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cBrasil, meu nego, deixa eu te contar a hist\u00f3ria que a hist\u00f3ria n\u00e3o conta, o avesso do mesmo lugar. Na luta \u00e9 que a gente se encontra [&#8230;] Brasil, o teu nome \u00e9 Dandara e a tua cara \u00e9 de cariri [&#8230;] Salve os caboclos de julho, quem foi de a\u00e7o nos anos de chumbo. Brasil, chegou a vez de ouvir as Marias, Mahins, Marielles, mal\u00eas \u201d, diz a can\u00e7\u00e3o Hist\u00f3rias Para Ninar Gente Grande.<br \/>\nEm 13 de maio de 1888, a princesa imperial Isabel do Brasil assinou a Lei \u00c1urea e decretou o fim da escravid\u00e3o no Brasil. No ensino b\u00e1sico regular, livros de hist\u00f3ria e at\u00e9 no imagin\u00e1rio de muitos brasileiros, ela foi a \u201csalvadora\u201d dos escravos, mas, a verdade, \u00e9 que a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura n\u00e3o foi uma benfeitoria dos regentes do pa\u00eds na \u00e9poca, e sim resultado da press\u00e3o popular e do crescimento do movimento abolicionista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como cantou a Mangueira na maior festa popular do Brasil, no carnaval de 2019, a \u201cliberdade \u00e9 um drag\u00e3o no mar de Aracati\u201d. Nomes como Lu\u00eds Gama, Lu\u00edsa Mahin, Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio, Andr\u00e9 Rebou\u00e7as, Cosme Bento, Francisco Jos\u00e9 do Nascimento, Jos\u00e9 Luis Napole\u00e3o, Quintino de Lacerda, Aqualtune, Tereza de Benguela, entre muitos outros, foram negros, escravos ou filhos de escravos que, ao longo do tempo, tiveram expressiva participa\u00e7\u00e3o no movimento que, verdadeiramente, contribuiu para a extin\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO resgate da hist\u00f3ria de Drag\u00e3o do Mar, Jos\u00e9 Lu\u00eds Napole\u00e3o, Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio, Lu\u00edsa Mahin, Maria Felipa entre outras personalidades \u00e9 de fundamental import\u00e2ncia para que seja trazida a narrativa da luta negra , da constru\u00e7\u00e3o da identidade positiva das crian\u00e7as negras, e respeito \u00e0s diferen\u00e7as e a cultura afro brasileira e africana. Romper com o epistemic\u00eddio tamb\u00e9m faz parte da luta contra o racismo\u201d afirma a professora Luiza Mandela.<\/p>\n<h3>Conhe\u00e7a personalidades importantes na luta pela liberdade do povo negro<\/h3>\n<h3>Aqualtune<\/h3>\n<p class=\"texto\">\n<figure class=\"Left\"><img class=\"lazy\" title=\"Aqualtune \" src=\"https:\/\/midias.correiobraziliense.com.br\/_midias\/jpg\/2022\/11\/18\/aqualtune_credito_marc_ferrez__1885__dominio_publico_-26880612.jpg\" alt=\"Aqualtune \" data-src=\"https:\/\/midias.correiobraziliense.com.br\/_midias\/jpg\/2022\/11\/18\/aqualtune_credito_marc_ferrez__1885__dominio_publico_-26880612.jpg\" \/><figcaption class=\"mt-25 pl-40 lenged-with-icon photo\"><span class=\"h6 mt-0 d-block txt-no-serif txt-gray-base\">Aqualtune<\/span><small class=\"d-block txt-no-serif txt-gray-base\">(foto: Marc Ferrez, 1885\/ Dom\u00ednio P\u00fablico)<\/small><\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Aqualtune \u00e9 uma das mais antigas l\u00edderes negras no Brasil e um dos maiores s\u00edmbolos da batalha pela liberdade negra do regime escravocrata. N\u00e3o se tem muitos registros que contam a hist\u00f3ria dela, nem se sabe exatamente onde nasceu e quem s\u00e3o seus pais, mas ind\u00edcios hist\u00f3ricos sugerem que ela teria nascido no s\u00e9culo XVI (por volta de 1600), no Congo, na \u00c1frica Central, e teria uma linhagem real, sendo, possivelmente, filha de um rei do Congo.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">A princesa Aqualtune foi uma guerreira africana que liderou cerca de 10 mil homens guerreiros que lutaram na Batalha de Ambu\u00edla, contra o reino de Portugal, em 1665. O reino do Congo perdeu a guerra e, com isso, Aqualtune foi capturada e traficada para a ent\u00e3o Am\u00e9rica Portuguesa, onde hoje fica o nordeste brasileiro.<\/p>\n<p class=\"texto\">Ao chegar no Brasil, a princesa congolesa foi escravizada e levada para uma fazenda localizada no atual estado de Alagoas, onde foi estuprada pelos donos da terra e colocada junto aos outros escravos. No local, Aqualtune ouviu falar sobre a resist\u00eancia negra que estava em curso no pa\u00eds, liderada por quilombos, e se junto a outros negros que, mais tarde, conseguiriam fugir da fazenda onde eram explorados.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Detentora de grandes conhecimentos pol\u00edticos, organizacionais e de estrat\u00e9gia de guerra, Aqualtune foi fundamental para a consolida\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica de Palmares. Ela se tornou l\u00edder quilombola \u00e0 frente de uma das moradias do Quilombo dos Palmares, se tornando m\u00e3e de Ganga Zumba, primeiro l\u00edder desse quilombo e m\u00e3e de Sabia, que, mais tarde, daria \u00e0 luz a Zumbi dos Palmares.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Portanto, Aqualtune foi av\u00f3 de Zumbi e, de acordo com alguns historiadores, teria morrido em 1677, durante um inc\u00eandio provocado por invasores do Quilombo dos Palmares. Apesar de ser pouco lembrada pelos livros e escolas brasileiras \u2014 que costumam citar apenas Zumbi dos Palmares como o principal l\u00edder negro da \u00e9poca \u2014, a princesa do Congo foi uma figura muito importante para a hist\u00f3ria da popula\u00e7\u00e3o negra durante o Per\u00edodo Colonial e passou a ser s\u00edmbolo de lideran\u00e7a e resist\u00eancia contra a opress\u00e3o da comunidade negra e uma personagem importante de luta das mulheres negras.<\/p>\n<h3>Tereza de Benguela<\/h3>\n<p class=\"texto\">\n<figure class=\"Left\"><img class=\"lazy\" title=\"Tereza de Benguela\" src=\"https:\/\/midias.correiobraziliense.com.br\/_midias\/jpg\/2022\/11\/18\/tereza_de_benguela-26880595.jpg\" alt=\"Tereza de Benguela\" data-src=\"https:\/\/midias.correiobraziliense.com.br\/_midias\/jpg\/2022\/11\/18\/tereza_de_benguela-26880595.jpg\" \/><figcaption class=\"mt-25 pl-40 lenged-with-icon photo\"><span class=\"h6 mt-0 d-block txt-no-serif txt-gray-base\">Tereza de Benguela<\/span><small class=\"d-block txt-no-serif txt-gray-base\">(foto: Dom\u00ednio P\u00fablico)<\/small><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Assim como sugere seu nome, Tereza de Benguela teria nascido por volta de 1700, em Benguela, uma cidade em Angola, na \u00c1frica. Foi uma l\u00edder quilombola trazida como escrava para o Brasil e liderou o Quilombo do Piolho, localizado no atual estado do Mato Grosso.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Tereza, assim como outros in\u00fameros escravos do Brasil Col\u00f4nia, fugiu da senzala onde era escravizada e, junto com o marido, Jos\u00e9 Piolho, se abrigou no quilombo que foi o maior de Mato Grosso. Historiadores acreditam que Jos\u00e9 tenha chefiado o Quilombo do Piolho at\u00e9 o in\u00edcio de 1750, quando foi assassinado.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Depois da morte do marido, at\u00e9 cerca de 1770, Tereza foi a rainha do quilombo e, sob seu comando, a comunidade negra da regi\u00e3o resistiu \u00e0 escravid\u00e3o durante duas d\u00e9cadas. Do local, a chamada Rainha Tereza coordenou a comunidade que vivia do plantio e comandou a estrutura pol\u00edtica e econ\u00f4mica do grupo. Ela tamb\u00e9m criou um sistema de defesa com armas, que contribuiu para a prote\u00e7\u00e3o do quilombo e resist\u00eancia \u00e0 escravid\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Tereza morreu por volta de 1770. Em sua homenagem, foi criado o Dia Nacional de Tereza de Benguela, comemorado em 25 de julho. Essa mesma data \u00e9 dedicada ao Dia da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha. A mulher escravizada que virou rainha \u00e9 um \u00edcone da resist\u00eancia negra no pa\u00eds e hero\u00edna do movimento de mulheres negras.<\/p>\n<h3>N\u00e3 Agontim\u00e9<\/h3>\n<p class=\"texto\">\n<figure class=\"Left\"><img class=\"lazy\" title=\"Representa\u00e7\u00e3o ilustrativa de como seria a apar\u00eancia de N\u00e3 Agontim\u00e9\" src=\"https:\/\/midias.correiobraziliense.com.br\/_midias\/jpg\/2022\/11\/18\/na_agontime-26880655.jpg\" alt=\"Representa\u00e7\u00e3o ilustrativa de como seria a apar\u00eancia de N\u00e3 Agontim\u00e9\" data-src=\"https:\/\/midias.correiobraziliense.com.br\/_midias\/jpg\/2022\/11\/18\/na_agontime-26880655.jpg\" \/><figcaption class=\"mt-25 pl-40 lenged-with-icon photo\"><span class=\"h6 mt-0 d-block txt-no-serif txt-gray-base\">Representa\u00e7\u00e3o ilustrativa de como seria a apar\u00eancia de N\u00e3 Agontim\u00e9<\/span><small class=\"d-block txt-no-serif txt-gray-base\">(foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/ Twitter Geek Feminist)<\/small><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Nascida no reino do Daom\u00e9 no s\u00e9culo XVIII, onde hoje fica Benim, na \u00c1frica, N\u00e3 Agontim\u00e9 foi uma rainha africana, esposa do rei Agonglo. Ap\u00f3s a morte do marido, a estabilidade do reino ficou abalada e um de dos filhos dela, Adandozan, tomou o trono, mesmo que o pr\u00f3ximo rei, de acordo com as vontade de Agonglo, deveria ser o filho de Agontim\u00e9, o Gakpe.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Tremendo rea\u00e7\u00e3o negativa \u00e0 trai\u00e7\u00e3o que cometeu, Adandozan, conhecido por ser um homem cruel, vende a madrasta, Agontim\u00e9, como escrava. Depois disso, o paradeiro da rainha se perdeu, j\u00e1 que o novo rei ordenou aos compradores de escravos que ela fosse rebatizada, justamente para que ningu\u00e9m a encontrasse.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Por falta de registros hist\u00f3ricos, n\u00e3o se sabe ao certo onde Agontim\u00e9 viveu no Brasil, nem por quanto tempo. O rastro da rainha ficou perdido durante anos, at\u00e9 que, em 1948, um pesquisador franc\u00eas Pierre Fatumbi Verger descobre vest\u00edgios de que ela conseguiu\u00a0uma\u00a0carta de alforria e foi uma das fundadoras da Casa da Minas em S\u00e3o Luiz do Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">No Brasil, Agontim\u00e9 foi rebatizada como Maria Jesu\u00edna e foi pioneira na dissemina\u00e7\u00e3o da religi\u00e3o de matriz africana em territ\u00f3rio brasileiro. A rainha criou o culto de tradi\u00e7\u00e3o Ewe-Fon no pa\u00eds, cultuado na Casa da Minas, que, em africano, carrega o nome de Querebent\u00e3 de Zomadonu e significa \u201cCasa grande de Zomadonu\u201d, em refer\u00eancia ao vodun protetor de Maria Jesu\u00edna.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Assim, o Maranh\u00e3o \u00e9 o \u00fanico lugar das Am\u00e9ricas onde se encontraram cultos \u00e0s divindades ancestrais da realeza do Daom\u00e9, lugar onde nasceu Agontim\u00e9. Al\u00e9m disso, a Casa da Minas \u00e9 o primeiro templo de tambor do Maranh\u00e3o e serviu de modelo para a instala\u00e7\u00e3o de outras no Norte e Nordeste do Brasil, bem como para a implementa\u00e7\u00e3o de outros centros de religi\u00e3o africana em todo territ\u00f3rio brasileiro.<\/p>\n<h3>Cosme Bento<\/h3>\n<p class=\"texto\">\n<figure class=\"Left\"><img class=\"lazy\" title=\"Representa\u00e7\u00e3o ilustrativa de Cosme Bento\" src=\"https:\/\/midias.correiobraziliense.com.br\/_midias\/jpg\/2022\/11\/18\/cosme_bento-26880680.jpg\" alt=\"Representa\u00e7\u00e3o ilustrativa de Cosme Bento\" data-src=\"https:\/\/midias.correiobraziliense.com.br\/_midias\/jpg\/2022\/11\/18\/cosme_bento-26880680.jpg\" \/><figcaption class=\"mt-25 pl-40 lenged-with-icon photo\"><span class=\"h6 mt-0 d-block txt-no-serif txt-gray-base\">Representa\u00e7\u00e3o ilustrativa de Cosme Bento<\/span><small class=\"d-block txt-no-serif txt-gray-base\">(foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Google)<\/small><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Negro Cosme, como ficou conhecido o l\u00edder quilombola Cosme Bento, liderou uma das maiores revoltas de escravos do Maranh\u00e3o, a Balaiada. Nascido escravo entre 1800 e 1802, em Sobral, no Cear\u00e1, onde conseguiu alforria.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Em 1830, pouco depois de chegar ao Maranh\u00e3o, foi preso por assassinato e, em 1833, conseguiu fugir da cadeira. A partir de ent\u00e3o, passou a promover uma vasta rebeli\u00e3o de negros em v\u00e1rios pontos de trabalho escravo da regi\u00e3o. Para n\u00e3o ser pego, Negro Comes se encondia em diversos quilombos e ajudava escravos a se libertarem da opress\u00e3o de seus esploradores.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Negro Cosme tamb\u00e9m foi respons\u00e1vel por criar o maior quilombo da hist\u00f3ria do Maranh\u00e3o, a fazenda Tocanguira, localizada no munic\u00edpio de Itapecuru-Mirim, interior do estado. No local, oferecia aux\u00edlio a todos que apoiavam a luta contra o escravismo e ficou conhecido como defensor da liberdade.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">O objetivo dele era criar uma outra vis\u00e3o de liberdade e igualdade entre os homens, buscando a insurrei\u00e7\u00e3o contra \u00e0 escravatura, em favor da liberdade. Ele foi mais que um l\u00edder entre os balaios, sendo considerado o chefe da revolta negra maranhense.<\/p>\n<h3>Lu\u00edsa Mahin<\/h3>\n<p class=\"texto\">\n<figure class=\"Left\"><img class=\"lazy\" title=\"Ilustra\u00e7\u00e3o de Lu\u00edsa Mahin\" src=\"https:\/\/midias.correiobraziliense.com.br\/_midias\/jpg\/2022\/11\/18\/luisa_mahin_tif-26880705.jpg\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o de Lu\u00edsa Mahin\" data-src=\"https:\/\/midias.correiobraziliense.com.br\/_midias\/jpg\/2022\/11\/18\/luisa_mahin_tif-26880705.jpg\" \/><figcaption class=\"mt-25 pl-40 lenged-with-icon photo\"><span class=\"h6 mt-0 d-block txt-no-serif txt-gray-base\">Ilustra\u00e7\u00e3o de Lu\u00edsa Mahin<\/span><small class=\"d-block txt-no-serif txt-gray-base\">(foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Wikip\u00e9dia)<\/small><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Uma das principais respons\u00e1veis por todas as revoltas de escravos na Bahia. Lu\u00edsa Mahin nasceu, provavelmente, em 1812, em Costa da Mina, na \u00c1frica, e foi traficada como escrava para o Brasil.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Ela comprou alforria e se tornou quituteira em Salvador, onde teve um filho, o abolicionista Luis Gama. Lu\u00edsa esteve envolvida na articula\u00e7\u00e3o de todas as revoltas e levantes de escravos que sacudiram a ent\u00e3o Prov\u00edncia da Bahia nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Luisa ajudava com a distribui\u00e7\u00e3o de mensagens codificadas, em \u00e1rabe, por meio dos meninos que fingiam comprar seus quitutes. Essas mensagens continham informa\u00e7\u00f5es relevantes para a resist\u00eancia dos escravos e os movimentos que contribuiam para a liberta\u00e7\u00e3o deles. Desse modo, esteve envolvida na Revolta dos Mal\u00eas e na Sabinada.<\/p>\n<p>A ex-escrava transformou sua casa no quartel general das revoltas de escravos e, caso o levante dos mal\u00eas tivesse sido vitorioso, Lu\u00edsa teria sido reconhecida como Rainha da Bahia.<\/p>\n<h3>Lu\u00eds Gama<\/h3>\n<p class=\"texto\">\n<figure class=\"Left\"><img class=\"lazy\" title=\"Lu\u00eds Gama \" src=\"https:\/\/midias.correiobraziliense.com.br\/_midias\/jpg\/2022\/11\/18\/luiz_gama-26880722.jpg\" alt=\"Lu\u00eds Gama \" data-src=\"https:\/\/midias.correiobraziliense.com.br\/_midias\/jpg\/2022\/11\/18\/luiz_gama-26880722.jpg\" \/><figcaption class=\"mt-25 pl-40 lenged-with-icon photo\"><span class=\"h6 mt-0 d-block txt-no-serif txt-gray-base\">Lu\u00eds Gama<\/span><small class=\"d-block txt-no-serif txt-gray-base\">(foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Dom\u00ednio P\u00fablico)<\/small><\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Filho de Lu\u00edsa Mahin, Lu\u00eds Gama foi um dos principais nomes do movimento abolicionista no Brasil. Nasceu em 1830, em Salvador, e mesmo sendo filho de pai branco e m\u00e3e negra liberta, foi feito escravo aos 10 anos de idade.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Permaneceu analfabeto at\u00e9 os 17 anos, quando passou a estudar e, mais tarde, conquistou na justi\u00e7a a pr\u00f3pria liberdade. Depois disso, passou a advogar em defesa dos escravos e, aos 29 anos, j\u00e1 era considerado o maior abolicionista do Brasil e o \u00fanico a ter sido feito escravo.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Toda a vida de Lu\u00eds Gama foi pautada pela aboli\u00e7\u00e3o da escravatura e fim da monarquia no Brasil. Ele escreveu tamb\u00e9m artigos para jornais da \u00e9poca, sempre sobre assuntos sociorraciais do Brasil Imperial.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de ajudar escravos libertos a conseguirem empregos e defender judicialmente escravos acusados de crimes, a principal atua\u00e7\u00e3o de Gama em prol da aboli\u00e7\u00e3o da escravatura foi nos tribunais. Em 1880, em uma carta autobiogr\u00e1fica enviada ao amigo L\u00facio de Mendon\u00e7a, o abolicionista revela que j\u00e1 havia libertado do cativeiro mais de 500 escravos.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Gama tamb\u00e9m \u00e9 conhecido pela maior a\u00e7\u00e3o coletiva de liberta\u00e7\u00e3o de escravizados conhecida nas Am\u00e9ricas, quando conseguiu a liberdade de 217 escravos. \u00c9 dele a c\u00e9lebre frase \u201co escravo que mata o senhor, seja em que circunst\u00e2ncia for, mata sempre em leg\u00edtima defesa\u201d, proclamada durante um j\u00fari.<\/p>\n<h3>Andr\u00e9 Rebou\u00e7as<\/h3>\n<figure class=\"Left\"><img class=\"lazy\" title=\"Andr\u00e9 Rebou\u00e7as\" src=\"https:\/\/midias.correiobraziliense.com.br\/_midias\/jpg\/2022\/11\/18\/andre_reboucas-26880740.jpg\" alt=\"Andr\u00e9 Rebou\u00e7as\" data-src=\"https:\/\/midias.correiobraziliense.com.br\/_midias\/jpg\/2022\/11\/18\/andre_reboucas-26880740.jpg\" \/><figcaption class=\"mt-25 pl-40 lenged-with-icon photo\"><span class=\"h6 mt-0 d-block txt-no-serif txt-gray-base\">Andr\u00e9 Rebou\u00e7as<\/span><small class=\"d-block txt-no-serif txt-gray-base\">(foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Dom\u00ednio P\u00fablico)<\/small><\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Andr\u00e9 Rebou\u00e7as foi um engenheiro, inventor e abolicionista brasileiro. Ele \u00e9 considerado um dos mais importantes articuladores do movimento abolicionista e trabalhou pelo desenvolvimento de territ\u00f3rios africanos.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Nascido 50 anos antes da aboli\u00e7\u00e3o da escravatura, em 1838, ele era filho de m\u00e3e escrava e um alfaiate portugu\u00eas. Diferente de muitos negros de sua \u00e9poca, Rebou\u00e7as teve a oportunidade de estudar desde muito jovem e ingressou na Escola Militar do Rio de Janeiro, onde se tornou 2\u00ba tenente.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Ao lado de nomes importantes na hist\u00f3ria do Brasil, como Machado de Assis, o engenheiro foi um dos representantes da pequena classe m\u00e9dia negra em ascens\u00e3o no Segundo Reinado. Ele ajudou a criar a Sociedade Brasileira Contra a Escravid\u00e3o, e participou tamb\u00e9m da Confedera\u00e7\u00e3o Abolicionista.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Andr\u00e9 trabalhou tamb\u00e9m ao lado de Lu\u00eds Gama no movimento em busca da liberdade da comunidade negra. Com os movimentos abolicionistas crescendo, pela atua\u00e7\u00e3o de nomes como Rebou\u00e7as e Gama, e a press\u00e3o social contra o Imp\u00e9rio cada vez mais forte, em 1888 a escravid\u00e3o \u00e9 extinta no Brasil, sendo o \u00faltimo pa\u00eds das Am\u00e9ricas a acabar com a explora\u00e7\u00e3o do povo negro.<\/p>\n<h3>Quintino de Lacerda<\/h3>\n<p class=\"texto\">\n<figure class=\"Left\"><img class=\"lazy\" title=\"Quintino de Lacerda\" src=\"https:\/\/midias.correiobraziliense.com.br\/_midias\/jpg\/2022\/11\/18\/whatsapp_image_2022_11_18_at_12_27_18-26880757.jpeg\" alt=\"Quintino de Lacerda\" data-src=\"https:\/\/midias.correiobraziliense.com.br\/_midias\/jpg\/2022\/11\/18\/whatsapp_image_2022_11_18_at_12_27_18-26880757.jpeg\" \/><figcaption class=\"mt-25 pl-40 lenged-with-icon photo\"><span class=\"h6 mt-0 d-block txt-no-serif txt-gray-base\">Quintino de Lacerda<\/span><small class=\"d-block txt-no-serif txt-gray-base\">(foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Prefeitura de Santos)<\/small><\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Ex-escravo, Quintino de Lacerda se tornou um her\u00f3i abolicionista. Ele foi l\u00edder do Quilombo do Jabaquara, em S\u00e3o Paulo, al\u00e9m de ter se tornado o primeiro vereador negro do Brasil e receber a patente de Major honor\u00e1rio do Ex\u00e9rcito Nacional.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Lacerda foi o primeiro l\u00edder pol\u00edtico negra de Santos, no litoral paulistano, considerado o mais atuante fomentador da aboli\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o e participou ativamente de grandes eventos nacionais, como a Revolta Armada e o processo de desestrutura\u00e7\u00e3o do sistema escravista no Brasil.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">O pol\u00edtico nasceu escravo, em 1855, em Sergipe, e se afei\u00e7oou \u00e0 fam\u00edlia para a qual foi vendido e da qual herdou o sobrenome. Depois de oito anos de servi\u00e7o, ele conquistou a carta de alforria e se juntou ao movimento contra a escravid\u00e3o, se tornando, nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo XIX no Brasil, uma figura central nos movimentos sociais e debates pol\u00edticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de lutar pela extin\u00e7\u00e3o do sistema escravista, ap\u00f3s a promulga\u00e7\u00e3o da Lei \u00c1urea, Quintino, enquanto capit\u00e3o do Ex\u00e9rcito, organizou um batalh\u00e3o com o objetivo de derrubar o trono brasileiro. Sendo assim, o abolicionista foi tamb\u00e9m uma figura importante para a proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica.<\/p>\n<h3>Francisco Jos\u00e9 do Nascimento<\/h3>\n<p class=\"texto\">\n<div class=\"glide galeria-cb glide--ltr glide--slider glide--swipeable\" data-idx=\"0\">\n<div class=\"glide__track\" data-glide-el=\"track\">\n<ul class=\"glide__slides\">\n<li class=\"glide__slide glide__slide--active\"><img src=\"https:\/\/midias.correiobraziliense.com.br\/_midias\/jpg\/2022\/11\/19\/161460555_3819420158137215_1522995547041753254_n-26880774.jpg\" data-src=\"https:\/\/midias.correiobraziliense.com.br\/_midias\/jpg\/2022\/11\/19\/161460555_3819420158137215_1522995547041753254_n-26880774.jpg\" \/>\n<div class=\"caption\">\n<div><span class=\"legenda-gal\">Drag\u00e3o do Mar<\/span><small class=\"credit\">Arquivo do Museu do Cear\u00e1<\/small><\/div>\n<\/div>\n<\/li>\n<li class=\"glide__slide\">\n<div class=\"caption\">\n<div><span class=\"legenda-gal\">Capa da Revista Illustrada, v. 9, n. 376, 1884. Litogravura de Angelo Agostini, com ilustra\u00e7\u00e3o aleg\u00f3rica de Francisco Nasciment<\/span><small class=\"credit\">Reprodu\u00e7\u00e3o\/Dom\u00ednio P\u00fablico<\/small><\/div>\n<\/div>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n<p class=\"texto\">\u201cLiberdade \u00e9 um drag\u00e3o no mar de Aracati\u201d, assim \u00e9 retratado Francisco Jos\u00e9 do Nascimento no samba-enredo da Mangueira, em 2019. Conhecido como Drag\u00e3o do Mar, o l\u00edder jangadeiro nasceu em 1839, em Aracati, munic\u00edpio do Cear\u00e1.<\/p>\n<p class=\"texto\">Antiescravista, o Drag\u00e3o do Mar teve participa\u00e7\u00e3o ativa no Movimento Abolicionista no Cear\u00e1, que foi o primeiro estado brasileiro a abolir a escravid\u00e3o e, por isso, ficou conhecido como Terra da Luz.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Desde 2017 reconhecido, oficialmente, como Her\u00f3i da P\u00e1tria, o l\u00edder se juntou \u00e0 luta contra a escravid\u00e3o em 1881 quando se recusou a transpostar escravos para os navios negreiros que sa\u00edam do litoral cearense com o objetivo de vender essas pessoas no Rio de Janeiro. Esse movimento foi chamado de Greve dos Jangadeiros e resultou na aboli\u00e7\u00e3o da escravatura no Cear\u00e1, sendo tamb\u00e9m decisivo para que a liberdade do povo negro fosse implantada no Brasil por meio da Lei \u00c1urea.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Em 1884, Drag\u00e3o do Mar foi homenageado na capa da Revista Illustrada, importante peri\u00f3dico abolicionista da \u00e9poca. \u201c\u00c0 testa dos jangadeiros cearenses, Nascimento impede o tr\u00e1fico dos escravos da prov\u00edncia do Cear\u00e1 vendidos para o sul\u201d, noticiou a revista.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Francisco Jos\u00e9 do Nascimento \u00e9, at\u00e9 os dias atuais, s\u00edmbolo da resist\u00eancia popular cearense contra a escravid\u00e3o. Ele tamb\u00e9m foi homenageado pelo governo do Cear\u00e1, com seu nome dado ao Centro Drag\u00e3o do Mar de Arte e Cultura, pelo que ele e os outros jangadeiros realizaram em nome da liberdade da comunidade negra.<\/p>\n<h3>Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio<\/h3>\n<p class=\"texto\">\n<figure class=\"Left\"><img class=\"lazy\" title=\"Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio\" src=\"https:\/\/midias.correiobraziliense.com.br\/_midias\/jpg\/2022\/11\/19\/jose_do_patrocinio-26880808.jpg\" alt=\"Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio\" data-src=\"https:\/\/midias.correiobraziliense.com.br\/_midias\/jpg\/2022\/11\/19\/jose_do_patrocinio-26880808.jpg\" \/><figcaption class=\"mt-25 pl-40 lenged-with-icon photo\"><span class=\"h6 mt-0 d-block txt-no-serif txt-gray-base\">Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio<\/span><small class=\"d-block txt-no-serif txt-gray-base\">(foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Dom\u00ednio P\u00fablico)<\/small><\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Outra figura importante nos momentos decisivos do movimento abolicionista, que conquistou o fim da escravid\u00e3o. Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio foi um farmac\u00eautico, jornalista, escritor, orador e ativista pol\u00edtico brasileiro.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Em 1879, iniciou a campanha pela aboli\u00e7\u00e3o da escravatura no Brasil e entrou para a Associa\u00e7\u00e3o Central Emancipadora. Em em 1880, juntamente com Joaquim Nabuco, fundou a Sociedade Brasileira Contra a Escravid\u00e3o. Al\u00e9m disso,\u00a0ele teve uma\u00a0forte atua\u00e7\u00e3o como jornalista com artigos contra a escravid\u00e3o em peri\u00f3dicos da \u00e9poca, Patroc\u00ednio tamb\u00e9m preparou e auxiliou a fuga de escravos e coordenou campanhas de angaria\u00e7\u00e3o de fundos para adquirir alforrias, com a promo\u00e7\u00e3o de espet\u00e1culos ao vivo, com\u00edcios em teatros, manifesta\u00e7\u00f5es em pra\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Patroc\u00ednio tamb\u00e9m participou da Ma\u00e7onaria, atuando no processo de emancipa\u00e7\u00e3o do trabalho escravo, defendendo o fim da escravid\u00e3o a partir de discuss\u00f5es no Parlamento, de debates entre a elite branca e da defesa de uma aboli\u00e7\u00e3o da escravatura, por interm\u00e9dio da Sociedade Brasileira contra a Escravid\u00e3o.<\/p>\n<h3>Os guerreiros e guerreiras da atualidade<\/h3>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/brasil\/2022\/05\/5007432-134-anos-apos-a-lei-aurea-escravidao-e-racismo-ainda-sao-realidade-no-brasil.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">134 anos depois da Lei \u00c1urea e da \u00e1rdua hist\u00f3ria dos negros em busca da pr\u00f3pria emancipa\u00e7\u00e3o, o Brasil ainda vive um desafio<\/a>. Muito por conta da invisibiliza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da comunidade negra no processo de aboli\u00e7\u00e3o da escravatura, o povo negro ainda \u00e9 muito associado \u00e0 escravid\u00e3o e v\u00edtima de um racismo estrutural.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">\u201cS\u00e3o muitos anos com essa associa\u00e7\u00e3o da negritude \u00e0 escravid\u00e3o, mas outras hist\u00f3rias j\u00e1 est\u00e3o sendo contadas. Para avan\u00e7armos precisamos estudar, para conhecermos mais a verdadeira hist\u00f3ria do povo negro, que n\u00e3o come\u00e7ou na escravid\u00e3o\u201d, destaca Luiza Mandela, mestra em Rela\u00e7\u00f5es \u00c9tnico-Raciais.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Assim como antes de 1888 ou durante os anos seguinte \u00e0 aboli\u00e7\u00e3o, os negros lutaram e seguem lutando por direitos, igualdade e para que a hist\u00f3ria de resist\u00eancia dos cerca de 500 anos desde a chegada dos primeiros negros africanos no Brasil n\u00e3o seja apagada. \u201cEssas personalidades que resistiram e lutaram contra a escravid\u00e3o pavimentaram o ch\u00e3o para que pud\u00e9ssemos estar aqui vivos e resistindo, apesar de, infelizmente, o negro ainda ser o que mais morre diariamente no Brasil, sendo um a cada 23 minutos\u201d, lamentou Mandela.<\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/euestudante\/educacao-basica\/2021\/10\/4955458-quem-e-antonieta-de-barros-primeira-deputada-negra-que-criou-o-dia-do-professor.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Quem \u00e9 Antonieta de Barros, primeira deputada negra que criou o Dia do Professor<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">O movimento negro segue contando com nomes importantes e que s\u00e3o essenciais para toda e qualquer conquista dessa comunidade. Afinal, desde que o Brasil \u00e9 Brasil, os direitos da popula\u00e7\u00e3o negra foram adquiridos a partir da luta travada com as pr\u00f3prias m\u00e3os.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Podemos destacar na hist\u00f3ria mais recente personalidades como Ruth de Souza, atriz e a primeira grande refer\u00eancia para artistas negros na televis\u00e3o; Antonieta de Barros, jornalista, uma das primeiras mulheres eleitas no Brasil e a primeira negra brasileira a assumir um mandato popular; Concei\u00e7\u00e3o Evaristo, escritora e uma das mais influentes literatas do movimento p\u00f3s-modernista no Brasil; Katiuscia Ribeiro, fil\u00f3sofa e um dos principais nomes da atualidade respons\u00e1veis por disseminar o conhecimento acerca da ancestralidade; e Abdias do Nascimento, ator e um dos maiores expoentes da cultura negra e dos direitos humanos no Brasil, tendo recebido o Nobel da Paz em 2010.<\/p>\n<p class=\"texto\">\n<div class=\"glide galeria-cb glide--ltr glide--slider glide--swipeable\" data-idx=\"1\">\n<div class=\"glide__track\" data-glide-el=\"track\">\n<ul class=\"glide__slides\">\n<li class=\"glide__slide glide__slide--active\"><img src=\"https:\/\/midias.correiobraziliense.com.br\/_midias\/jpg\/2022\/11\/19\/1014300_bdm_1097-26880869.jpg\" data-src=\"https:\/\/midias.correiobraziliense.com.br\/_midias\/jpg\/2022\/11\/19\/1014300_bdm_1097-26880869.jpg\" \/>\n<div class=\"caption\">\n<div><span class=\"legenda-gal\">Ex-ministra das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, Nilma Lino\u00a0<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/li>\n<li><\/li>\n<li class=\"glide__slide\" style=\"text-align: justify;\">\u201cEu destaco nomes importantes que me inspiram a continuar no caminho da luta contra o racismo, como Christina Ramos (minha m\u00e3e e militante do Movimento Negro), Nilma Lino Gomes, Concei\u00e7\u00e3o Evaristo, Joana Oscar, Ricardo Jaheem, B\u00e1rbara Carine, Roberto Borges, Jurema Werneck, entre tantos outros nomes fundamentais, que precisamos conhecer\u201d, destaca a mestra em Rela\u00e7\u00f5es \u00c9tnico-Raciais.\n<div class=\"caption\"><\/div>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Por mais que, ao longo dos anos, o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cidades-df\/2022\/11\/5052627-cotas-raciais-abrem-caminhos-diz-unico-promotor-negro-no-mpdft.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">povo negro tenha conseguido alguns avan\u00e7os, como as Cotas Raciais<\/a>, as leis Afonso Arinos e Ca\u00f3, que pro\u00edbem a discrimina\u00e7\u00e3o racial e tipificam o crime de racismo, ou a Lei 11645\/08, que torna obrigat\u00f3rio o ensino da hist\u00f3ria e cultura afrobrasileira e africana em todas as escolas p\u00fablicas e particulares do ensino fundamental at\u00e9 o ensino m\u00e9dio, ainda h\u00e1 muito o que progredir.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: right;\">Para isso, Lu\u00edza Mandela ressalta que \u00e9 importante garantir que essas leis sejam aplicadas, principalmente a que determina o ensino da cultura afro nas escolas, \u201cpara que a hist\u00f3ria de resist\u00eancia, pot\u00eancia e beleza da popula\u00e7\u00e3o negra e ind\u00edgena seja contada nas escolas, universidades, imprensa e em todos os espa\u00e7os\u201d. \u201cMas, para isso, precisamos ter letramento racial e estudar para sairmos da vis\u00e3o euroc\u00eantrica e reducionista que nos foi ensinada\u201d, conclui.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na data que visa evocar a resist\u00eancia negra, o Correio lembra e celebra a hist\u00f3ria de her\u00f3is negros do movimento abolicionista, que foram primordiais para a conquista da liberdade dos escravos Aline Brito Aqualtune, N\u00e3 Agontim\u00e9 e Lu\u00eds Gama. &#8211; (cr\u00e9dito: Marc Ferrez, 1885\/ Dom\u00ednio P\u00fablico &#8211; Twitter Geek Feminist) Nesse domingo (20\/11) \u00e9 comemorado [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":111582,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[113,105],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/111581"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=111581"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/111581\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":111583,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/111581\/revisions\/111583"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/111582"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=111581"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=111581"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=111581"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}