{"id":111310,"date":"2022-10-30T22:10:17","date_gmt":"2022-10-31T01:10:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/?p=111310"},"modified":"2022-11-01T23:46:53","modified_gmt":"2022-11-02T02:46:53","slug":"resistiremos-e-reinventaremos-a-luta-e-o-esperancar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdopaulonunes.com\/v5\/index.php\/2022\/10\/30\/resistiremos-e-reinventaremos-a-luta-e-o-esperancar\/","title":{"rendered":"Resistiremos, e reinventaremos a luta e o esperan\u00e7ar"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Resistiremos, e reinventaremos a luta e o esperan\u00e7ar<\/strong><br \/>\n<strong>\u201cQue not\u00edcias me d\u00e3o dos amigos?<\/strong><br \/>\n<strong>Que not\u00edcias me d\u00e3o de voc\u00ea?<\/strong><br \/>\n<strong>\u00a0Sei que nada ser\u00e1 como est\u00e1<\/strong><br \/>\n<strong>Amanh\u00e3 ou depois de amanh\u00e3<\/strong><br \/>\n<strong>Resistindo na boca da noite um gosto de Sol\u201d<\/strong><br \/>\n<strong>(Nada Ser\u00e1 Como Antes)<\/strong><br \/>\n<strong>Milton Nascimento e Fernando Brant<\/strong><br \/>\n<strong>Fl\u00e1vio Passos<\/strong><br \/>\nVivemos tempos estranhos, perigosos e dif\u00edceis. Esta \u00e9 a elei\u00e7\u00e3o mais s\u00edntese do Brasil. A elei\u00e7\u00e3o que expressa o grande abismo que separa dois pa\u00edses que dividem o mesmo espa\u00e7o. No entanto, j\u00e1 n\u00e3o estamos mais diante de uma disputa entre dois projetos de governo, um mais \u00e0 esquerda, alinhado \u00e0s demandas sociais, \u00e0 transfer\u00eancia de rendas, \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o da pobreza, \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o do papel primordial do Estado enquanto garantidor da vida da maioria, e o outro, mais \u00e0 direita, defendendo serem mais importantes os interesses dos bancos, dos donos de ind\u00fastrias e dos investidores. O que est\u00e1 em disputa no Brasil, neste 30 de outubro de 2022, \u00e9 se recobraremos a Democracia enquanto condi\u00e7\u00e3o m\u00ednima de retomarmos o pouco do que j\u00e1 t\u00ednhamos caminhado na supera\u00e7\u00e3o das desigualdades que nos acompanham historicamente, ou se sucumbiremos, de vez, \u00e0 barb\u00e1rie, \u00e0 viol\u00eancia, \u00e0 exclus\u00e3o e ao medo.<br \/>\nEscrevo estas linhas, a partir do que acompanhei de uma pequena \u2013 e serena \u2013 discuss\u00e3o em um grupo de aplicativo formado por estudantes quilombolas do Territ\u00f3rio Sudoeste da Bahia, por ocasi\u00e3o de algumas postagens sobre as perdas de direitos e a proximidade do dia de vota\u00e7\u00e3o no segundo turno. Dentre os argumentos diversos dos estudantes, uma maioria muito consciente do seu lugar de classe, ra\u00e7a e etnia, do que o pa\u00eds tem atravessado nos \u00faltimos seis anos e do perigo que representa um resultado da vota\u00e7\u00e3o que autorize a manuten\u00e7\u00e3o desse desgoverno que j\u00e1 provocou tanto retrocesso em nossa fr\u00e1gil democracia, em nossa fr\u00e1gil cidadania. No entanto, um grupo que, ali, percebendo-se minorit\u00e1rio, e talvez, um tanto quanto deslocado, uma vez que parecia aprovar a continuidade do atual governo, come\u00e7ou a manifestar falas desconexas, mais para palavr\u00f5es, xingamentos, acusa\u00e7\u00f5es, do que mesmo uma pr\u00e9-disposi\u00e7\u00e3o ao di\u00e1logo construtivo, ou mesmo a defesa de um projeto de sociedade e de a\u00e7\u00e3o do Estado para o benef\u00edcio de algum grupo ao qual ele pertencesse.<!--more--><br \/>\nE veio como que um filme a mem\u00f3ria do que o Brasil j\u00e1 viveu nos \u00faltimos 60 anos, como quando um governo popular, com projetos de grandes reformas estruturais e estruturantes, em prol da conquista da soberania nacional e popular, foi tido como amea\u00e7a na geopol\u00edtica imperialista, naquele per\u00edodo da Guerra Fria. E aquelas inten\u00e7\u00f5es foram lidas como que um perigoso projeto \u201ccomunista\u201d que transformaria o maior pa\u00eds da Am\u00e9rica do Sul em uma nova Cuba. O resultado n\u00f3s sabemos: o golpe militar de 1964, o AI-5, em 1968, e todas as atrocidades dos 21 anos da ditadura militar. Naqueles epis\u00f3dios, tiveram, os militares, o patroc\u00ednio dos EUA, o apoio da elite econ\u00f4mica nacional, de setores conservadores da Igreja Cat\u00f3lica, de parte consider\u00e1vel da m\u00eddia hegem\u00f4nica, com o Congresso e a Suprema Corte tomados de assalto. E eis que chegamos a 2022, quando, h\u00e1 doze anos, dificilmente, imaginar\u00edamos que o pa\u00eds t\u00e3o depressa estaria em uma situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o parecida, ou at\u00e9 pior.<br \/>\nAp\u00f3s o resultado do primeiro turno das elei\u00e7\u00f5es e acompanhando as inten\u00e7\u00f5es de voto para este segundo turno, com uma margem de empate t\u00e9cnico, colocando em grande incerteza o que ser\u00e1 o amanh\u00e3, \u00e9 dif\u00edcil de acreditar e entender a que ponto chega a aliena\u00e7\u00e3o de boa parte da popula\u00e7\u00e3o. Mas, temos algumas pistas que nos ajudam a, ao menos, entender. Primeiramente, o trabalho sujo que a m\u00eddia corporativa e do mercado fez de incutir \u00f3dio nos olhos, ouvidos e cora\u00e7\u00f5es da classe trabalhadora, durante d\u00e9cadas, mas especialmente nos governos progressistas, fazendo com que boa parte da popula\u00e7\u00e3o continuasse a esperar, n\u00e3o das a\u00e7\u00f5es da organiza\u00e7\u00e3o social e do Estado, mas do mercado, a sua salva\u00e7\u00e3o, e, consequentemente, odiar as institui\u00e7\u00f5es e organiza\u00e7\u00f5es que surgiram das hist\u00f3ricas lutas por direitos, tidas, subliminarmente, como \u201catraso ao desenvolvimento\u201d.<br \/>\nA mesma m\u00eddia que nunca exaltou as cotas, raciais ou sociais, ou o programa &#8220;Mais M\u00e9dicos&#8221;; a mesma m\u00eddia que nunca valorizou o SUS (e teve que se curvar \u00e0 sua efic\u00e1cia, mesmo que quase nunca citando que o que salvou o pa\u00eds de ter mais de 1,5 milh\u00e3o de mortos pela pandemia do Coronav\u00edrus foi o Sistema \u00danico de Sa\u00fade); a mesma m\u00eddia que, nos \u00faltimos seis anos de golpe, &#8220;passa pano&#8221; para todas as atrocidades desses desgovernos pautados na micropol\u00edtica, fazendo com que a popula\u00e7\u00e3o considere que tudo que eles falam (e principalmente, fazem) seja tido como &#8220;natural&#8221; ou &#8220;normal&#8221;.<br \/>\nPara piorar, para cegar de vez boa parte da popula\u00e7\u00e3o, que \u00e9 obrigada a se contentar com os ve\u00edculos de emburrecimento, temos o ambiente escolar como um ambiente profundamente policiado por for\u00e7as conservadoras. Tais for\u00e7as viram no direito ao acesso \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o Sexual o perigo da &#8220;ideologia de g\u00eanero&#8221;, mas n\u00e3o reconhecem que o grande perigo que as crian\u00e7as e adolescentes correm est\u00e1 nos v\u00ednculos mais pr\u00f3ximos, quando n\u00e3o na pr\u00f3pria fam\u00edlia, e que a educa\u00e7\u00e3o exerce esse papel de preven\u00e7\u00e3o e de orienta\u00e7\u00e3o para o respeito. For\u00e7as que viram na implementa\u00e7\u00e3o da Lei 10.639\/03, que obriga o ensino da Hist\u00f3ria e da Cultura Africana, Ind\u00edgena e Afro-ind\u00edgena na sala de aula, o perigo de &#8220;ensinar coisas do diabo para as nossas crian\u00e7as&#8221;, posicionando-se, de forma agressiva, e com grande dose de racismo religioso, contra a diversidade cultural presente em nossa sociedade e nas escolas.<br \/>\nEsse movimento, ao tirar da escola essa possibilidade que crian\u00e7as negras, perif\u00e9ricas, quilombolas, de outras comunidades tradicionais e LGBTQIAPN+ tenham acesso \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o de seu pertencimento \u00e9tnico-racial e de reconhecimento da sua identidade, reage ao potencial transformador que existe na tomada de consci\u00eancia de si daqueles e daquelas cujos os antepassados sempre foram colocados, pelo discurso colonizador, em condi\u00e7\u00f5es de subalternidade e de n\u00e3o sujeitos. O grande medo da neocoloniza\u00e7\u00e3o \u00e9 de uma ruptura epistemol\u00f3gica, a partir de uma ruptura social e cultural.<br \/>\nPara tentarmos compreender esse processo de aliena\u00e7\u00e3o que acomete parte desta nova gera\u00e7\u00e3o, precisamos nos atentar para o papel dos movimentos de car\u00e1ter religioso. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, temos o predom\u00ednio de movimentos neopentecostais em grande parte das igrejas crist\u00e3s, a come\u00e7ar pelas maiores denomina\u00e7\u00f5es, mas, e principalmente, na constela\u00e7\u00e3o de pequenas igrejas neopentecostais. Enquanto na Igreja Cat\u00f3lica, tais movimentos foram se pulverizando pelo pa\u00eds, predominantemente entre a juventude das par\u00f3quias, formando agremia\u00e7\u00f5es particulares alinhadas a um modelo descentralizado de organiza\u00e7\u00e3o eclesial, nas igrejas evang\u00e9licas, o desmembramento das grandes Igrejas Pentecostais para as menores ganhou for\u00e7a, com muito maior liberdade de difus\u00e3o, mantendo uma centralidade na orienta\u00e7\u00e3o pastoral e teol\u00f3gica, formando grandes redes neopentecostais evang\u00e9licas. Tais organiza\u00e7\u00f5es passaram a marcar presen\u00e7a em todos os espa\u00e7os perif\u00e9ricos deste Brasil p\u00f3s-urbaniza\u00e7\u00e3o, p\u00f3s d\u00e9cada de 90, e, principalmente nos anos 2000 e 2010.<br \/>\nNos \u00faltimos anos, em especial, os movimentos carism\u00e1ticos cat\u00f3licos, tem conseguido adentrar as comunidades rurais at\u00e9 ent\u00e3o herdeiras de um catolicismo popular e de preserva\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas m\u00edstico-religiosas de diversas matrizes \u2013 sem a persegui\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica a que estavam submetidas pr\u00e1ticas similares nos espa\u00e7os urbanos, desde o per\u00edodo colonial \u2013 e, mais recentemente, pelas Comunidades Eclesiais de Base.<br \/>\nAs denominadas CEB\u2019s, uma das mais importantes express\u00f5es da Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o, s\u00e3o uma pr\u00e1tica de igreja centrada na vida da comunidade pautada na leitura da B\u00edblia a partir do contexto social e pol\u00edtico e da necessidade de atualiza\u00e7\u00e3o da sua mensagem na luta pela justi\u00e7a. N\u00e3o tem como entender o Brasil dos \u00faltimos quarenta anos, sem compreendermos a import\u00e2ncia das CEB\u2019s no surgimento de movimentos populares do campo e da cidade, e de partidos pol\u00edticos, especialmente, o Partido dos Trabalhadores. Muitas e grandes lideran\u00e7as pol\u00edtico-partid\u00e1rias nacionais carregam em suas biografias a participa\u00e7\u00e3o em pastorais como, por exemplo, a (CPT) Comiss\u00e3o Pastoral da Terra, a Pastoral Afro-Brasileira e a Pastoral da Juventude, ou em movimentos sociais, como o MST (Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).<br \/>\nNo entanto, as CEB\u2019s, bem como, a Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o, j\u00e1 vinham perdendo a sua for\u00e7a desde a segunda metade da d\u00e9cada de 1990. Havia ficado um legado de consci\u00eancia popular dos direitos dos trabalhadores, da necessidade de organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Da parte do clero, mas tamb\u00e9m da catequese e da liturgia, grandes transforma\u00e7\u00f5es no sentido de uma uniformiza\u00e7\u00e3o a partir do centro \u2013 do Vaticano. A Igreja, desde o in\u00edcio dos governos progressistas \u2013 n\u00e3o obstante as Campanhas da Fraternidade e o posicionamento de muitos bispos em diversas ocasi\u00f5es da vida social e pol\u00edtica do pa\u00eds \u2013 com raras manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas \u2013 incluindo as homil\u00e9ticas \u2013 passa a assumir uma alus\u00e3o menos expl\u00edcita a temas sociais, pol\u00edticos ou de interpreta\u00e7\u00e3o b\u00edblica que pudessem fazer o discurso ser confundido com uma defesa de pautas pol\u00edtico-partid\u00e1rias. O acesso remoto \u00e0s missas durante a Pandemia fez emergir dois \u00edcones de um posicionamento mais declarado em defesa dos pobres. Um, o Pe. J\u00falio Lancellotti. E, Dom Orlando Brandes, arcebispo da Arquidiocese Aparecida, muito antes do seu posicionamento, j\u00e1 no segundo turno, no dia da Padroeira do Brasil, ao questionar os rumos a que o Brasil havia tomado com o aumento dos discursos de \u00f3dio e do armamento.<br \/>\nCom a conquista da elei\u00e7\u00e3o presidencial de 2002, pelo Partido dos Trabalhadores, o Brasil passaria por diversas transforma\u00e7\u00f5es. Uma delas, a energia el\u00e9trica chegando a quase totalidade da popula\u00e7\u00e3o rural. E, com a energia, a modernidade, o conforto, a internet e os sinais de emissoras de televis\u00e3o, inclusive as TV\u2019s crist\u00e3s, especialmente as cat\u00f3licas, como a TV Aparecida, S\u00e9culo XXI, e Can\u00e7\u00e3o Nova e uma \u00eanfase em uma Igreja, ora voltada para uma vis\u00e3o mais a partir do Vaticano, ora voltada para uma orienta\u00e7\u00e3o mais neopentecostal.<br \/>\nTodo esse movimento neopentecostal tem como caracter\u00edstica o forte apelo a uma \u201cteologia da prosperidade\u201d. Mas, apenas a promessa de riqueza n\u00e3o garantia ades\u00e3o e sentido de pertencimento. Como artif\u00edcios de mobiliza\u00e7\u00e3o e cis\u00e3o social um discurso teol\u00f3gico pautado no \u201ccombate ao dem\u00f4nio\u201d \u00e9 fundamental. Nessa demanda de \u201cguerra santa\u201d, escolhe-se como alvos e inimigas as religi\u00f5es de matriz africana, especialmente, a Umbanda e o Candombl\u00e9, mas tamb\u00e9m uma vasta pauta ligada a valores e costumes, especialmente as liberdades e os direitos sexuais, na denominada \u201cideologia de g\u00eanero\u201d. Por fim, nos \u00faltimos vinte anos, uma nova agenda adquiriu prioridade de combate nos movimentos neopentecostais, primeiramente, em setores do catolicismo, e, depois, em boa parte do evangelismo, ganhando gradativa for\u00e7a de impacto no resultado das urnas: o combate \u00e0s &#8220;amea\u00e7as do comunismo&#8221;, representadas, no Brasil, pelos partidos de esquerda, pelas pastorais e movimentos sociais, e por qualquer ind\u00edcio da presen\u00e7a da Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEm toda essa din\u00e2mica social \u00e9 poss\u00edvel percebermos uma disputa pol\u00edtica. As religi\u00f5es monote\u00edstas trazem consigo esse el\u00e3 expansionista e, junto a ele, uma necessidade de domina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica como forma de garantir que as sociedades sejam regidas pelas leis religiosas. Nesse sentido, aquele pa\u00eds que havia sa\u00eddo de 500 anos de coloniza\u00e7\u00e3o, ao mesmo tempo em que conquista o direito a um Estado Laico, v\u00ea-se envolto a uma rea\u00e7\u00e3o social de novos movimentos religiosos com pautas n\u00e3o t\u00e3o novas. H\u00e1 uma disputa, n\u00e3o s\u00f3 &#8220;de narrativas&#8221;, mas de qual projeto de ser humano, de sociedade, de Estado e, consequentemente, de pa\u00eds prevalecer\u00e1.<br \/>\nO grande paradoxo nessa hist\u00f3ria toda \u00e9 que essa juventude \u00e0 qual me referi no in\u00edcio do texto, rural e quilombola, nascida entre 1998 e 2005, \u00e9 neta de lideran\u00e7as de uma igreja popular, bisneta de rezadeiras, benzedeiras e parteiras, filha de lideran\u00e7as de comunidade, herdeira de formas populares de viv\u00eancia do Evangelho e do catolicismo, e de organiza\u00e7\u00f5es sociais, de pequenos agricultores familiares, nas milhares de comunidades rurais Brasil adentro.<br \/>\nUma juventude que nasce no in\u00edcio do primeiro governo Lula (2002-2005), quando da Lei 10.639\/03. Que vem ao mundo junto com a energia el\u00e9trica, atrav\u00e9s de programas e pol\u00edticas de governo, como o \u201cLuz Para Todos\u201d. Que j\u00e1 n\u00e3o mais estar\u00e1 condenada \u00e0 desnutri\u00e7\u00e3o porque, ao redor do \u201cBolsa Fam\u00edlia\u201d, foi criada uma estrutura forte de diversas pol\u00edticas garantidoras de direitos para as m\u00e3es e para as comunidades, na Assist\u00eancia Social, com foco no combate \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica e na garantia dos direitos das crian\u00e7as e adolescentes, al\u00e9m do acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel, atrav\u00e9s de milhares de cisternas de coletas de \u00e1gua da chuva constru\u00eddas pelo sert\u00e3o nordestino.<br \/>\nE, entre 2005 e 2010, quando ela come\u00e7a a ingressar na escola, j\u00e1 encontra uma merenda diferenciada, em quantidade e qualidade, enquanto uma pol\u00edtica p\u00fablica de enfrentamento \u00e0 desnutri\u00e7\u00e3o infantil nas comunidades quilombolas e rurais de todo o pa\u00eds. Escolas sendo reformadas, constru\u00eddas e ampliadas. Professoras e professores acessando o Magist\u00e9rio Superior, atrav\u00e9s das parcerias entre munic\u00edpios e universidades p\u00fablicas. Estudantes sendo transportados em \u00f4nibus escolares confort\u00e1veis e seguros, &#8220;como nunca antes&#8221;.<br \/>\nQuando essa juventude de hoje estava no fundamental I, eram aprovadas as cotas na UESB (2008); as Diretrizes Nacionais da Educa\u00e7\u00e3o Escolar Quilombola (2012) eram aprovadas e sancionadas pela presidenta Dilma Roussef, a qual, tamb\u00e9m cria, em 2013, o Programa Bolsa Perman\u00eancia, uma bolsa mensal, no valor de R$900,00 (novecentos reais), possibilitando que milhares de estudantes ind\u00edgenas e quilombolas conseguissem se manter na universidade p\u00fablica, em todo o pa\u00eds. No mesmo ano, \u00e9 sancionada a Lei Nacional das Empregadas Dom\u00e9sticas, e, em 2015, a Lei do Feminic\u00eddio, pela mesma presidenta. O que parecia um caminho linear de alcance e amadurecimento da condi\u00e7\u00e3o de na\u00e7\u00e3o, tornou-se um sonho interrompido em uma s\u00e9rie de golpes. E come\u00e7amos a regredir.<br \/>\nOs pr\u00f3ximos oito anos, enquanto essa juventude, ent\u00e3o adolescente, atravessava o Fundamental II, Dilma sofreria um golpe de estado, seguido pelo governo Temer, o assassinato de Mariele Franco, a pris\u00e3o do ex-presidente Lula e a elei\u00e7\u00e3o de Bolsonaro. Este, de uma p\u00edfia atua\u00e7\u00e3o enquanto deputado federal por 27 anos, foi beneficiado por uma facada muito da suspeita, por uma guerra de disparo unilateral de milhares de fake news contra o grupo oponente, o candidato do Partido dos Trabalhadores, Fernando Haddad, substituto de Lula, quando haviam se esgotados todas as tentativas de anula\u00e7\u00e3o dos processos da Lava-Jato.<br \/>\n\u201cLava Jato\u201d foi o nome dado a um processo de desbaratar corrup\u00e7\u00f5es em estatais, especialmente, na Petrobr\u00e1s. Seu principal objetivo, al\u00e9m de prender o que poderia vir a ser, pela terceira vez presidente do Brasil, desestabilizar o pa\u00eds, econ\u00f4mica e politicamente, promover a sa\u00edda da esquerda do poder, e garantir ao mercado internacional o controle dos rumos e defini\u00e7\u00f5es das comodities brasileiras, especialmente, o petr\u00f3leo. O que sempre esteve em jogo, o Pr\u00e9-Sal, descoberto na segunda metade da d\u00e9cada de 2000. Quando entra na juventude propriamente dita, Lula \u00e9 solto e inocentado em mais de 25 processos, e essa gera\u00e7\u00e3o est\u00e1 tentando concluir o Ensino M\u00e9dio, em meio a uma pandemia.<br \/>\nVoltando ao nosso assunto: a aliena\u00e7\u00e3o de boa parte da popula\u00e7\u00e3o, mesmo em tempos de tantas atrocidades e o perigo de perman\u00eancia de um governo nefasto \u00e0 frente de uma das maiores economias mundiais. Desde a primeira metade da d\u00e9cada de 2010, muita coisa j\u00e1 vinha sinalizando um retrocesso no pa\u00eds, especialmente em termos de respeito \u00e0 diversidade de pensamento, de cren\u00e7a e ideologia pol\u00edtica, mas tamb\u00e9m de orienta\u00e7\u00e3o sexual, de direitos popula\u00e7\u00e3o negra e das mulheres. Falar de negro na escola, de direito, havia passado para \u201cmoda\u201d e, de repente, j\u00e1 se tornara algo &#8220;perigoso&#8221; ou mesmo, \u201cexagerado\u201d. Faltar em Direitos Humanos j\u00e1 significaria &#8220;defender o PET\u00ca&#8221;. Falar sobre racismo, feminic\u00eddio, LBGBTfobia j\u00e1 passara a ser considerado \u201cvitimismo\u201d. E falar de cotas era ir contra a &#8220;meritocracia&#8221;. O que mais me intrigava, agora, olhando para o ambiente de sala de aula, entre 2014 e 2016, eram algumas falas de alguns estudantes que suscitavam um estranhamento do tipo: \u201cde onde esse menino est\u00e1 tirando essas ideias\u201d. Sim, o maior aplicativo de conversas j\u00e1 estava nas m\u00e3os dos adolescentes brasileiros naquele per\u00edodo. S\u00f3 bem mais tarde ele passaria a ser uma extens\u00e3o de nossos corpos e mentes.<br \/>\nParalelamente a tudo isso, mas em profunda dessintonia, a criminaliza\u00e7\u00e3o da esquerda e dos partidos e lideran\u00e7as de esquerda entrou na veia, mente e cora\u00e7\u00e3o dessa gera\u00e7\u00e3o. A m\u00eddia cumpriu o seu papel de transformar o Partido dos Trabalhadores numa \u201corcrim\u201d, crime do qual ela nunca precisou se redimir, mesmo com todo a bagaceira produzida. Enquanto isso, essa nova gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o teve tempo de compreender a pr\u00f3pria hist\u00f3ria na qual ela estava imersa. Sempre \u00e9 assim. Daqui a cinco ou dez anos, olharemos para o que vivemos nos \u00faltimos seis anos e nos envergonharemos.<br \/>\nResumindo. Comecei dizendo que esse \u00e9 um movimento pol\u00edtico. E concluo dizendo que \u00e9 um movimento pol\u00edtico exitoso. Talvez, n\u00e3o vitorioso. Mas, exitoso. Um projeto de car\u00e1ter ultraneoliberal, que sequestra a pr\u00f3pria concep\u00e7\u00e3o de Deus para coloc\u00e1-la a servi\u00e7o de um projeto fascista de sociedade e, de quebra, leva a consci\u00eancia de uma na\u00e7\u00e3o inteira, principalmente daquela gera\u00e7\u00e3o que poderia ser a principal beneficiada de todas as transforma\u00e7\u00f5es em curso.<br \/>\nA cristandade do final do s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do s\u00e9culo XX, havia conseguido, no Brasil que a Igreja retomasse, atrav\u00e9s do clero e das par\u00f3quias, a centralidade da condu\u00e7\u00e3o da f\u00e9, por s\u00e9culos, nas m\u00e3os de homens e mulheres deste &#8220;Brasil profundo&#8221;. Agora, quando a classe trabalhadora, por for\u00e7a das organiza\u00e7\u00f5es populares, muitas delas nascidas no seio, nos por\u00f5es, nas sacristias e nos barrac\u00f5es de igrejas e Comunidades Eclesiais de Base (as CEB&#8217;s), consegue alcan\u00e7ar, atrav\u00e9s da luta social e pol\u00edtica, ocupar a principal estrutura de governo deste pa\u00eds (o que nunca significou ocupar a principal estrutura de poder), e fazer com que algumas pol\u00edticas p\u00fablicas de car\u00e1ter social possibilitem a milh\u00f5es de fam\u00edlias acessarem o m\u00ednimo de dignidade, inclusive o acesso de jovens negres e quilombolas em universidades p\u00fablicas, como a UESB e a UFBA, e outras mais de duzentas pelo pa\u00eds, h\u00e1 um &#8220;mal estar&#8221; instalado na sociedade.<br \/>\nA chamada &#8220;elite&#8221;, os ricos que sempre viveram de heran\u00e7a e da explora\u00e7\u00e3o dos mais pobres, majoritariamente, negros, se assusta ao ver tamanha transforma\u00e7\u00e3o em t\u00e3o pouco tempo. E o sistema ideol\u00f3gico \u00e9 acionado para dar um basta, frear esse impulso da &#8220;turma do rolezinho&#8221; e sua sede de mais dignidade, mais direitos, mais acessos, mais bolsas, mais repara\u00e7\u00e3o, mais vez, mais voz e mais votos.<br \/>\nE, como sempre, na hist\u00f3ria, especialmente no processo de coloniza\u00e7\u00e3o de corpos e do pensamento, a religi\u00e3o \u00e9 sequestrada e instrumentalizada para um projeto de ideologiza\u00e7\u00e3o da vida a favor dos opressores. Para isso, cria-se inimigos fict\u00edcios, amplificam-se monstros inexistentes, instalam-se narrativas que v\u00e3o colando, feito gosma que n\u00e3o sabemos de onde veio, e tamb\u00e9m n\u00e3o sabemos como dela nos livrarmos sem nos ferirmos com alguns esfreg\u00f5es.<br \/>\nEsse movimento alcan\u00e7ou o seu objetivo, relativo \u00eaxito e uma pequena vit\u00f3ria. Conseguiu fazer um grande estrago no tecido social brasileiro. Conseguiu tirar de boa parte da juventude atual o que lhe \u00e9 mais peculiar que \u00e9 a capacidade de criticidade, de sonhar, de criar. Eleger o &#8220;comunismo&#8221;, a &#8220;ideologia de g\u00eanero&#8221; ou o &#8220;combate ao diabo&#8221; como pautas pol\u00edticas de evangeliza\u00e7\u00e3o, ou como pautas de evangeliza\u00e7\u00e3o e pol\u00edtica, \u00e9 esvaziar de sentido o pr\u00f3prio sentido de ser crist\u00e3o. Porque n\u00e3o h\u00e1 combate sem combatidos e combatentes. E essa \u00e9 a destrui\u00e7\u00e3o pretendida. Tirar do Brasil a possibilidade de os pobres se entenderem.<br \/>\nPara se ter ideia da \u201cbarbaridade\u201d a que estamos nos referindo. Algu\u00e9m poderia se perguntar se n\u00e3o bastaria a essas pessoas \u2013 esses perigosos quase 50% de eleitores dos votos v\u00e1lidos \u2013, os quais, como dizem os mais velhos, &#8220;j\u00e1 sabem ler&#8221;, procurassem olhar de forma cr\u00edtica o que est\u00e1 sendo dito nos serm\u00f5es, nas prega\u00e7\u00f5es, nas salas de aula, no sal\u00e3o de beleza, no bar da esquina, no grupo do zap, no Jornal da TV, na r\u00e1dio, no Insta e no Face, nos outdoors, mas tamb\u00e9m nos muros da cidade, etc? Frente a tudo o que aconteceu no Brasil nos \u00faltimos oito anos, bastaria ter coragem de perguntar: \u201cpor que uma lideran\u00e7a aclamada e respeitada dentro e fora do pa\u00eds foi alvo de um julgamento considerado arquitetado e mentiroso?\u201d. N\u00e3o s\u00f3 de perguntar, mas de ir atr\u00e1s das respostas poss\u00edveis e s\u00e9rias. \u201cFiltrar\u201d, refletir e posicionar-se de forma racional. Por\u00e9m, vivemos tempos de excesso de informa\u00e7\u00f5es e car\u00eancia de forma\u00e7\u00e3o. De forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, inclusive.<br \/>\nParte de uma gera\u00e7\u00e3o foi sequestrada pelo cora\u00e7\u00e3o, \u00e0 medida em que a sua mente foi esvaziada de sentido hist\u00f3rico, de sentido comunit\u00e1rio, de sentido de pertencimento, inclusive de classe. E no lugar foi cravado, com profundos alicerces psicol\u00f3gicos, o \u00f3dio como um instrumento de guerra. Uma guerra religiosa contra, principalmente, aqueles seus contempor\u00e2neos, tamb\u00e9m denominados de \u201cturma do rolezinho\u201d, mas tamb\u00e9m de outras tantas turmas de outros tantos rol\u00eas, aleat\u00f3rios, mas tamb\u00e9m libert\u00e1rios.<br \/>\nAinda sobre aquelas manifesta\u00e7\u00f5es de intoler\u00e2ncia pol\u00edtica citadas no in\u00edcio do texto, o que mais me intriga, mas tamb\u00e9m a muitos e muitas jovens naquele grupo, \u00e9 como o poder da aliena\u00e7\u00e3o \u00e9 exerce tal for\u00e7a sobre as mentes, ao ponto de, como disse uma delas, \u201ctornar desconhecido algu\u00e9m que pens\u00e1vamos conhecer\u201d. Ao ponto de, mesmo em nome da f\u00e9 em Deus, e da f\u00e9 em Jesus Cristo, o que \u00e9 mais contradit\u00f3rio, dizer que apoia algu\u00e9m que o mundo inteiro hoje olha e elege como sendo o maior ditador de extrema-direita governando um pa\u00eds atualmente. Um anti-l\u00edder, um anti-humano, um anti-ci\u00eancia, um anti-pobre, um anti-Deus, um ser que destila \u00f3dio, mentira, favorecimento pr\u00f3prio, manipula\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es a seu favor, descr\u00e9dito para com a democracia e desrespeito para com o pr\u00f3prio cargo que ocupa.<br \/>\nQue poder tem esses falsos profetas que conseguem, junto a consider\u00e1veis segmentos de crist\u00e3os cat\u00f3licos, especialmente jovens da classe trabalhadora, se sobreporem ao pr\u00f3prio Papa Francisco, \u00e0 CNBB, em um pesado processo de aliena\u00e7\u00e3o social religiosa do pr\u00f3prio Evangelho? No segundo turno, por exemplo, a Confer\u00eancia dos Bispos declarou, textualmente, que \u201ca vida n\u00e3o \u00e9 prioridade para Bolsonaro\u201d. Posicionamentos expl\u00edcitos de apelos em defesa da democracia, da vida dos pobres, contra a tirania, o \u00f3dio e as pol\u00edticas de morte. E essa \u00e9 a tradi\u00e7\u00e3o mais crist\u00e3 da Igreja. Enquanto isso, que tipo de crist\u00e3os preferem aderir a um discurso de \u00f3dio, a fake news religiosas, e apoiarem um tirano, um negacionista, algu\u00e9m que demonstrou n\u00e3o ter um m\u00ednimo de compaix\u00e3o para com mais de 700 mil mortes pela Covid-19? Um corrupto que, para tentar a reelei\u00e7\u00e3o, sequestrou mais de 60 bilh\u00f5es do or\u00e7amento de 2023, e os distribuiu para deputados de sua \u201cbase\u201d, sem nenhum tipo de responsabilidade, recurso que far\u00e1 falta nas mais diversas \u00e1reas, da ci\u00eancia ao saneamento b\u00e1sico, da sa\u00fade \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, da cultura \u00e0 seguran\u00e7a p\u00fablica. \u00c9 sobre isso.<br \/>\nEste texto, nesta noite de s\u00e1bado, v\u00e9spera do dia mais hist\u00f3rico de nossas vidas, quando n\u00e3o sabemos, a essa altura do segundo turno, qual ser\u00e1 o resultado que nos revelar\u00e3o as urnas deste domingo, tem como prop\u00f3sito lan\u00e7ar algumas quest\u00f5es. Mas, a principal, mesmo, \u00e9 sobre qual o sentido de dizer que se acredita em Jesus Cristo e se tem a coragem de votar em favor de um projeto de morte, mentira, injusti\u00e7a e viol\u00eancia. Que, como disse ao mundo o Papa Francisco, na quarta-feira, na homilia, &#8220;Pe\u00e7o a Nossa Senhora Aparecida que proteja e cuide do povo brasileiro, que o livre do \u00f3dio, da intoler\u00e2ncia e da viol\u00eancia&#8221;. Ou se \u00e9 crist\u00e3, crist\u00e3o, ou se vota em um projeto de morte. As duas coisas s\u00e3o irreconcili\u00e1veis. Algu\u00e9m, no grupo de aplicativo, chegou a sugerir a exclus\u00e3o da pessoa. Mas, entendemos que, em um projeto democr\u00e1tico de sociedade, aquele, ainda, era o melhor lugar para quem pensa diferente se sentir acolhido.<br \/>\nQue todas as for\u00e7as do nosso Sagrado nos conduzam. Seja qual for o resultado das urnas, resistiremos, e reinventaremos a luta e o esperan\u00e7ar. E, como cantou Vander Lee, em \u201cA Voz\u201d, &#8220;Que palavras sejam gestos \/ Gestos sejam pensamentos \/ da voz que move nossos cora\u00e7\u00f5es&#8230;\u201d.<br \/>\nP.s: Sim, em outro texto poderemos abordar sobre essas turmas de juventudes que mant\u00e9m vivas e hasteadas as bandeiras da liberdade, do amor, da f\u00e9 no ser humano e do respeito pela pluralidade da vida. Dentre elas, a juventude quilombola e negra que adentra os espa\u00e7os universit\u00e1rios pelas pol\u00edticas de cotas e promove diversas revolu\u00e7\u00f5es com suas m\u00faltiplas e interconectas transi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, est\u00e9ticas e ancestrais.<br \/>\n<strong>Fl\u00e1vio (Jos\u00e9 dos) Passos<\/strong><br \/>\n<strong>Professor na Rede Estadual de Ensino da Bahia<\/strong><br \/>\n<strong>Vit\u00f3ria da Conquista \u2013 BA<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resistiremos, e reinventaremos a luta e o esperan\u00e7ar \u201cQue not\u00edcias me d\u00e3o dos amigos? 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